Este artigo tem como objetivo explicar o que é a Câmara de Âmbar, a história da sua construção, analisar o contexto do desaparecimento do seu local de origem na Segunda Guerra Mundial e seus possíveis destinos.

A Câmara de Âmbar é um conjunto de painéis em âmbar (resina fóssil muito usada para a manufatura de objetos ornamentais) e espelhos folheados a ouro. Ela foi fixada no Palácio de Catarina em Tsarskoie Selo (atual Púchkin), aproximadamente 30 km de São Petesburgo, como um presente de Frederico Guilherme I da Prússia ao Czar Pedro I da Rússia, no início do século XVIII.  Para muitos especialistas, pode ser considerado a oitava maravilha do mundo e é avaliada em mais de meio bilhão de dólares.

Câmara de Âmbar

A Câmara de Âmbar ficou no Palácio de Catarina até 1941, quando houve a invasão dos Nazistas à URSS, e a cidade Púchkin, foi conquistada pelo exército alemão.

Contexto da Segunda Guerra Mundial

O ano de 1941 na Europa tinha como característica, o controle praticamente total dos países do oeste europeu, com exceção da Inglaterra. Nesse sentido, sem a possibilidade de grandes avanços a Alemanha, posicionou suas forças para a conquista do leste europeu, principalmente a URSS, no qual existia um tratado de não-agressão, conhecido como Pacto Molotov–Ribbentrop (assinado pelos Ministros das duas nações Viatcheslav Molotov e Joachim von Ribbentrop).

Nesse ano, a Alemanha iniciou uma das maiores campanhas da Segunda Guerra Mundial conhecida como Operação Barbarossa. A Operação Barbarossa envolveu um grande esforço de Guerra pelos alemães, com aproximadamente 3 milhões de homens, dividido em 3 Grupos de Exércitos, para a conquista de Kiev, Leningrado e Moscou.

Operação Barbarossa

O objetivo era destruir o comunismo e escravizar os povos eslavos. Para isso, Hitler acreditava que poderia derrotar os Soviéticos em poucas semanas com a sua Blitzkrieg.

O Conflito entre as duas nações teve, no primeiro momento, uma grande vitória dos alemães conquistando Kiev, mas o tempo perdido nas batalhas foi importante para os rumos da guerra. As resistências dos militares soviéticos na defesa dos territórios da URSS tiveram um “velho” aliado, o frio, como foi no tempo da invasão de Napoleão Bonaparte.

As duas frentes de Batalhas na URSS feitas pelos alemães, em Leningrado (entre 1941 e 1944) e Moscou (entre 1941 e 1942), encontraram um grupo de militares soviéticos obstinados em defender o local, o que provocou uma grande perda de tempos para os alemães. Com a chegada do rigoroso inverno, houve uma grande perda de militares alemães na região, devido ao frio e aos cercos criados pelos soviéticos.

A Alemanha, mesmo conquistando uma parte do território soviético, não conseguiu conquistar seus objetivos, a conquista dessas duas cidades. Entretanto, tiveram tempo de dominar e saquear diversos territórios dentro da URSS, como a Câmara de Âmbar.

Após a Câmara de Âmbar ter sido encontrada pelas tropas alemãs em 1941, ela acabou desmontada e enviada para o castelo de Königsberg, (atual Kaliningrado). A região de Königsberg, que hoje é localizada entre a Lituânia, Belarus e Polônia fazia parte da Alemanha, como herança do território Prussiano. Após a Segunda Guerra Mundial, o território foi integrado a URSS e posteriormente a Rússia.

Castelo de Königsberg

Até a captura de Königsberg, a Câmara de Âmbar se encontrava no Castelo, mas quando os alemães começaram a perder territórios, a cidade foi bombardeada pelos Aliados e o Castelo pegou fogo. A partir desse momento, o tesouro nunca mais foi encontrado.

O Historiador de Arte Alemão Alfred Rohde, que administrava as coleções existentes no castelo de 1926 a 1945, informou: “os alemães mantinham a Câmara sob bons cuidados. O quarto teria até mesmo sobrevivido ao bombardeio pesado de Königsberg em 1944, quando grande parte do centro histórico da cidade ficou em chamas – isso porque a câmara havia sido desmontada e armazenada nos porões do castelo. No entanto, quando as tropas soviéticas capturaram Königsberg, em 1945, não havia qualquer vestígio da sala ou de seus elementos internos. A sala havia desaparecido.”

Durante algum tempo, as pessoas acreditaram que a Câmara de Âmbar deveria ter se perdido com o fogo que destruiu o Castelo, mas em 1958, o secretário do Partido Comunista de Kaliningrado, mudou tudo. Ele garantiu,  que: “o Salão de Âmbar não tinha se consumido nas chamas dos bombardeios, mas sim pela ganância dos invasores. Foi assim que a obra de arte extraviada começou a ser tratada como espólio de guerra.”

Possíveis Destinos

A Câmara de Âmbar, até hoje não teve seu destino descoberto. Existem diversas teorias sobre onde ela estaria, será analisado algumas delas.

A primeira delas é que Historiador de Arte Alfred Rohde pode ter inventando a história sobre a Câmara de Âmbar ter escapado do bombardeio em Königsberg, e o cômodo pode ter sido completamente destruído naquele momento.

A segunda teoria acredita que a Câmara continua nos porões do castelo de Königsberg, porém a construção foi completamente demolida pela URSS em 1969. Atualmente, existe um prédio conhecido como a Casa dos Sovietes, construído em 1970, que foi erguido na região onde ficava o Castelo. Muitos pesquisadores calculam que o subsolo da construção nunca foi inteiramente averiguado.

Casa dos Sovietes

Especialistas acreditam que, se essa teoria for verdadeira, o cômodo poderá estar totalmente destruído. Peritos afirmam que o âmbar precisa de determinadas temperaturas, condições especiais para preservação e é sujeito ao desgaste no subsolo.

Mas as teorias não são somente catastróficas para aqueles que buscam a riqueza, existem teorias que dão esperanças para os caçadores do objeto.

Existem hipóteses que o Governo Alemão, perto da derrota na Segunda Guerra Mundial, teria enviado a Câmara de Âmbar para a Alemanha ou para América do Sul, principalmente a Argentina, que recebeu não somente diversos oficiais alemães que fugiram da Europa, mas diversos objetos saqueados durante a Segunda Guerra Mundial.

Outra hipótese surgiu de investigadores do objeto que acreditam que a Câmara de Âmbar pode estar escondida. Essa é a visão do historiador russo Andrêi Prjedomski que acredita, “que a sala poderia estar escondida em bunkers desconhecidos do serviço secreto alemão nos arredores de Kaliningrado”.

Outro investigador do assunto é o especialista natural de Púchkin, Fiódor Morozov, que considera a possibilidade do objeto nunca ter saído da Rússia, “os restauradores soviéticos copiaram as decorações e substituíram habilmente os originais por cópias, antes de moverem a sala original para um local seguro antes da guerra.”

Nos últimos anos, começaram a surgir informações sobre o paradeiro da Câmara de Âmbar. Uma delas aconteceu em 2015, quando um investigador, chamado Karl-Heinz Kleine, diz ter encontrado o objeto na zona industrial de Ruhr, na Alemanha. O cômodo estaria em uma câmara oculta, na cidade de Wuppertal.

Essa teoria ganhou força entre os caçadores do objetivo, devido a região ser a cidade natal do administrador-chefe dos nazistas na Prússia Oriental, Erich Koch, e na visão de Kleine ele poderia ter sido o responsável pela retirada do objeto do local e o envio para o local atual.

O investigador afirma que: “Wuppertal possui muitos túneis e bunkers ainda inexplorados. Começamos a procurá-la aqui, mas o processo será caro. Precisamos de ajudantes, equipe, dinheiro e uma nova broca hidráulica para pode completar a escavação. Tenho apenas uma pequena pensão, mas aquele que ajudar, vai receber sua parte da descoberta quando ela aparecer”.

Em 2016, cientistas da Polônia acreditam terem obtido informações cruciais para a descoberta do local onde estaria a Câmara de Âmbar. A obra poderia ser encontrada no complexo de casamatas em Mamerki, perto da cidade de Wegorzewo.

Um radar de penetração no solo foi usado, e foi detectado o que poderia ser uma sala desconhecida. “O local está emparedado e tem cerca de 2 a 3 metros de largura… anteriormente, um idoso que vive perto do local já dizia ter visto como os fascistas estavam escondendo algo… “em inverno de 1944-1945 ele se tornou testemunha da entrada de caminhões alemães no território das casamatas. Após a partida dos caminhões, a sala foi emparedada”, informou assessoria de imprensa do Centro Cultural da Polônia em Kaliningrado.”

O governo alemão também entrou na caça pelos tesouros da Segunda Guerra Mundial. Em 1997, foi encontrado um fragmento de mosaico em Bremen e uma cômoda de seu mobiliário, em Berlim. Após três anos da descoberta, o governo alemão devolveu as peças à Rússia.

Em 2019, foi lançando uma busca oficial por túneis secretos no antigo campo de concentração nazista de Buchenwald, a finalidade é localizar os tesouros da sala âmbar. Existe uma teoria que a Câmara Âmbar estaria embaixo do campo de concentração de Buchenwald, que atualmente é um memorial aberto ao público.

O motivo para o recente interesse do governo alemão foi um mapa recém-descoberto, indicando seis túneis secretos sob o campo de concentração de Buchenwald.

E finalmente em 2020, o historiador russo Sergei Trifonov durante uma entrevista ao canal de TV estatal russo Zvezda diz ter encontrado vestígios da Câmara Âmbar. De acordo com Trifonov, “o bunker era conectado por passagens subterrâneas ao castelo real (Kaliningrado), onde partes dos preciosos painéis podiam ser removidos… em uma das partes do edifício foi encontrado um portão, que retrata 88 runas… e salas inundadas sob o bunker, onde caixas não identificadas foram encontradas usando uma sonda com uma câmera de vídeo. Ainda não foi possível determinar o que contém, pois existe a ameaça de destruição das paredes da estrutura.”

Conclusão

A Câmara de Âmbar é um dos grandes mistérios da Segunda Guerra Mundial, que até hoje não tem resposta.

Na Rússia se acreditava que não poderia esperar o objeto aparecer e, no final da década de 1970, foi projetado a reconstituição da Câmara de Âmbar. A réplica, que foi construída a partir de fotos e descrições antigas, foi reconstruída no mesmo local e foi concluída em 2003.

Nos últimos anos, porém, foram noticiadas muitas descobertas sobre o objeto. Muitas delas não se confirmaram, outras por diversos motivos não se conseguiu meios para uma averiguação conclusiva, mas os caçadores continuam até hoje tentando descobrir o paradeiro desse item, deixando muitas perguntas sem respostas, como: A Câmara de Âmbar foi destruído na Segunda Guerra Mundial? O objeto está escondido em um bunker subterrâneo? Ou ele se encontra em outro local espalhado pelo mundo?

Pedro Drummond

Autor Pedro Drummond

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