Os Vikings ficaram conhecidos como o povo que realizou incursões militares na região da atual Grâ-Bretanha e todo o litoral do Mar do Norte. Famosos pela diferença física que apresentavam com relação às populações que existiam nestes lugares, estes guerreiros são apresentados em registros da época como muito violentos e desestruturaram todo o sistema de poder político e econômico desta região, durante o fim da Alta Idade Média. Entretanto, novas informações estão sempre a aparecer sobre os estudos arqueológicos deste povo, cujas habilidades militares superavam a capacidade de defesa de seus opositores.
A espada viking Ulfberht foi criada com o metal mais puro já registrado por arqueólogos especializados em objetos militares. Não se imaginava que tal tecnologia de forja existisse até o desenvolvimento do processo denominado Revolução Industrial, entretanto foram encontradas aproximadamente 170 Ulfberhts, datadas entre 800 e 1000 d.C.

ESPADA DO SEC. X COM A INSCRIÇÃO “ULFBERHT”

Fonte

documentário produzido pela National Geographic“Secrets of the Viking Sword”, acompanha o trabalho de pesquisadores que tentaram compreender as condições do procedimento de metalurgia para a confecção destas enigmáticas espadas.

SCREEN DO DOCUMENTÁRIO “SECRETS OF THE VIKING SWORD”, 2012

Neste sentido, percebe-se que o processo de forja do ferro implicava o aquecimento do minério em cerca de 1650ºC para liquefazer este material. Fato que possibilita ao ferreiro remover as impurezas (denominadas escória). Neste processo o carbono é misturado a este material para formar uma liga de ferro mais forte. Até então, os pesquisadores acreditavam que a tecnologia medieval não possibilitava o aquecimento deste metal a temperaturas tão altas e, além do mais, os arqueólogos acreditavam que a escória era removida somente por meio de um procedimento menos eficaz, que consistia em esmagá-lo para fora – como costumamos ver em filmes e descrições de livros.

UMA DAS ESPADAS VIKING EXIBIDA NO MUSEU NACIONAL DA DINAMARCA – COPENHAGUE

As espadas Ulfbert são, então, consideradas um divisor de águas no entendimento sobre a tecnologia de forja viking, uma vez que quase não apresentam sinais de escória e contam com três vezes mais carbono do que outros metais produzidos neste mesmo período.

 

Nota do autor: Este artigo teve publicação autorizada, também no site Paleonerd.

Prof. Dr. Denis Gasco

Autor Prof. Dr. Denis Gasco

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