Com a criação da ONU (Organização das Nações Unidas), os argentinos conseguiram ter “mais voz” para as suas manifestações. A Argentina insistia na tese da integridade territorial, pois acreditava que as Malvinas faziam parte de uma área nacional que estava ocupada por estrangeiros.

Em 1962 a ONU criou um Comitê Especial para averiguar as concessões de independência aos países e povos coloniais, consagrando o “principio de autodeterminação dos povos”, e assim, o problema das Ilhas Malvinas passaram para esse órgão. A Grã-Bretanha admitia a possibilidade de que o arquipélago tinha o direito de conseguir sua independência.

Alguns anos depois, a ONU analisou as Ilhas Malvinas como um território que deveria ser descolonizado. Nas Ilhas Malvinas, os representantes eleitos nas Ilhas, decidiram e deixavam isso claro ao Comitê Especial das Nações Unidas, que desejavam manter-se colonos da Grã-Bretanha.

Assim, a ONU adotou uma postura no qual, recomendava a ambos os países envolvidos na questão que encontrassem uma solução pacífica para o problema, e que se levasse em conta o interesse da população.

Os britânicos nesse contexto buscavam manter as Ilhas sobre sua administração. Com a finalidade de atender à resolução da ONU, a Grã-Bretanha, buscou resolver a questão com a entrega da soberania das Ilhas para a Argentina, mas mantendo a administração, mas essa possibilidade não seguiu em frente devido à ação dos Ilhéus.

Em 1968, membros do Conselho Executivo das Ilhas Malvinas fizeram um apelo a Grã-Bretanha solicitando que nenhum acordo fosse feito que pusesse o arquipélago sob a administração da Argentina.

As Políticas de Argentina e Inglaterra

A Argentina no final da década de 1970 e inicio da década de 1980, estava passando por diversas transformações, na política interna, o país era governado pelos militares desde 1976, quando foi deposta a presidente Isabelita Perón, na política externa, o país devido às crises do petróleo (1973 e 1979) modificou as suas parcerias com as nações e se aproximou dos países da América do Sul.

Na economia, com a chegada de Jose Alfredo Martínez no Ministério da Economia, a política econômica se modificou, a política que estava atrelada ao Estado desde a década de 1930, se tornou uma economia liberal.

O governo militar argentino, que tinha assumido o poder em 1976, com o apoio da população, tinha muitas expectativas no novo governo, pois nos anos anteriores a Argentina estava num caos econômico, numa crise de autoridade, em ações espetaculares de organizações guerrilheiras, e tudo isto criou condições para que houvessem a tomada do poder pelos militares.

Com o passar do tempo, o governo se tornou mais repressivo, e os militares acabaram perdendo o apoio que tinha quando iniciou o governo. Os militares buscaram uma maior adesão da sociedade no momento que trouxeram a Copa do Mundo de 1978 para o país e quando faltou pouco para entrar na guerra contra o Chile, pelo Canal de Beagle.

Protestos em Buenos Aires, 1982.

Em 1982, a Argentina enfrentava a maior recessão dos ultimo anos, os protestos de sindicatos e empresários aconteciam mais fortemente, e o povo foi diversas vezes a rua contra os militares, como a organizada pela CGT (Confederação Geral do Trabalho), dias antes da invasão da Argentina às Ilhas Malvinas.

Nesse contexto, foi feito e lançado o plano de ocupar as Ilhas Malvinas, que servia como uma solução para os problemas do governo, pois desde a invasão dos britânicos existia uma reivindicação de todo o povo argentino pela sua reconquista.

Militarmente, uma ação deste tipo permitiria unificar as Forças Armadas através de um objetivo comum. Essa integração dos militares poderia possibilitar a conquista de uma maior legitimidade para o governo que a cada dia estava sendo mais questionada pela sociedade, e que estava passando por diversos tipos de dificuldade.

Os argentinos, porém, acreditavam que a Grã-Bretanha não estaria disposta para entrar numa guerra pelo arquipélago. Até mesmo, porque Argentina e Grã-Bretanha sempre tiveram boas relações comerciais.

No período de grande crise econômica, que foi o entre-guerras, devido a Crise de 1929, a Grã-Bretanha vinha perdendo espaço para os Estados Unidos nas relações comerciais com os países latino-americanos e o único país que ainda tinha a Grã-Bretanha como principal parceiro foi a Argentina, só mudando esse status no final da Segunda Guerra Mundial.

Protestantes duramente reprimidos durante protestos em Buenos Aires, 1982.

HMS Endurance 1967

No entanto, outros fatores contribuíram para a entrada dos britânicos no conflito, como a situação do navio polar, HMS Endurance, que ficaria em disponibilidade depois de 1982, e a nova Lei de Nacionalidade Britânica no qual retirava a nacionalidade britânica de 2/3 dos habitantes das ilhas e enfraquecia o argumento defendido para posse das Ilhas que era o da autodeterminação de seus habitantes.

Os Argentinos, não observaram o governo de Margareth Thatcher, Primeira Ministra, pois a Guerra das Malvinas foi à oportunidade de Thatcher de demonstrar sua capacidade e de diminuir as criticas que estava sofrendo por causa da sua política doméstica. Nesse aspecto, assim como no governo argentino, a guerra também serviu para o governo britânico atenuar os problemas que sofria internamente no país.

Primeira Ministra Britânica Margareth Thatcher de 1975 a 1990.

A Argentina acreditava que resolveria seus problemas internos e uniria o povo com a invasão as Ilhas Malvinas, mas errou quando imaginou que a Grã-Bretanha não iria lutar pelas Malvinas e que por causa das dificuldades logísticas, os britânicos somente iriam negociar em troca de algumas concessões e compensações, em nenhum momento os argentinos cogitaram a possibilidade de um confronto.

Um dos fatos que serviram de pretexto para iniciar o conflito aconteceu quando um comerciante, Sr. Constantino Davidoff, que tinha feito um contrato com uma firma escocesa, de concessão para adquirir materiais de uma estação de baleia, na Ilha de São Pedro, no arquipélago das Geórgias do Sul, embarcou em 1981 para Ilhas Malvinas sem autorização. Essa atitude provocou uma enorme crise diplomática entre Argentina e Grã-Bretanha e desencadeou no inicio da Guerra das Malvinas no ano seguinte.

Pedro Drummond

Autor Pedro Drummond

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