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Voluntário Brasileiro

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Aeroporto de Donetsk, Abril, antes de ser ferido em combate. Realizando manutenção na metralhadora DShK 12.7mm.

Do interior do Brasil à República Federativa da Rússia

Nascido no interior de São Paulo, mas hoje dorme de baixo de fogo constante em um acampamento militar no leste da Ucrânia, Rafael é voluntário das forças pró-Rússia na região de Donbass, no extremo leste da Ucrânia.

Sua carreira militar começou na Legião Estrangeira Francesa como paraquedista da Divisão de Montanha 2REP (2eme Régiment de Étranger Parachutistes), ao voltar ao Brasil foi Policial Militar formado na Academia de Oficiais da Polícia Militar Coronel Fontoura no IESP (Pará), atuando na cavalaria, no Regimento Montado Cassulo de Melo até pedir baixa da corporação para integrar as fileiras das forças armadas pro-russas no leste europeu em 2014 alcançando a patente de Tenente numa guerra civil que já matou mais de 5.000 pessoas.

Rafael durante o estágio de BMP-1, no dia seguinte recebeu a medalha Por combate contra forças da OTAN (vermelha) das mãos de seu comandante de batalhão, junta com a medalha por Bravura em comando e combate sob fogo inimigo que recebeu pessoalmente de Igor Strelkov. 20 de Agosto de 2015.
Rafael durante o estágio de BMP-1, no dia seguinte recebeu a medalha por combate contra forças da OTAN (vermelha) das mãos de seu comandante de batalhão, junta com a medalha por Bravura em comando e combate sob fogo inimigo que recebeu pessoalmente de Igor Strelkov. 20 de Agosto de 2015.

Meu nome é Rafael Marques Lusvarghi. Sou militar, oficial do quadro de combatentes, e um muito bom. Comecei minha carreira cedo, me alistando na Legião Estrangeira Francesa como paraquedista na Companhia de Montanha do 2REP on participei de algumas missões, e também fazendo alguns cursos. Fui dispensado por problema de saúde. Recuperado, de volta no Brasil, passei em concurso para Soldado da PM do Estado de São Paulo em fins de 2005.

Rafael e mais dois amigos na Legião Estrangeira Francesa (2006)
Rafael e mais dois amigos na Legião Estrangeira Francesa (2006)
Cavalaria da PMPA Regimento Cassulo de Melo, algum desfile (2009)
Cavalaria da PMPA Regimento Cassulo de Melo, durante desfile (2009)
PMPA após cerimonia do espadim (2007)
PMPA após cerimonia do espadim (2007)

Lá meu serviço foi basicamente interno, com apenas algumas poucas rondas ostensivas e rádio patrulha. Mas mesmo assim aprendi muito sobre funcionamento da área administrativa, e a parte burocrática sem a qual é impossível gerar uma grande força. Apesar de não gostar deste papel, considero indispensável a burocracia e padronização de procedimentos e modos operantes.

Claro que, ambicioso e orgulhoso, quis crescer e me tornar oficial. Passei no concurso para o CFO no Pará, e fui cursar a Academia de Oficiais da Policia Militar Coronel Fontoura no IESP. Tradicionalista, decidi por me aperfeiçoar na cavalaria e estive presente no Regimento Montado Cassulo de Melo.

Em 2010 cometi o grande erro de interromper minha carreira militar, pedindo baixa da corporação. Foi para ir viver na Rússia. Nunca tive paciência com a vida civil, a falta de disciplina e hierarquia, o preto no branco.

De volta ao Brasil em 2014, tomei certas atitudes por motivos que hoje discordo, a maneira como as manifestações se desenrolam no Brasil não é adequado. Gostaria de salientar aqui que sobretudo hoje sou apolítico, até tenho minhas concepções, acima de tudo contra todo esse vitimismo que assola nossa nação, quem quer consegue, quem quer faz, quem chora é fraco, e como dizemos no meio militar, os fracos que se explodam. Logo, me arrependo dos motivos que me levaram as ruas (durante as manifestações da Copa do Mundo no Brasil), mas não me arrependo das lutas que me envolvi. Como cidadão livre e em momento de folga, posso fazer o que bem entender não infringindo a lei. Se eu quiser beber e parar no meio de uma rua sem tráfego, farei, se quiser beber de saia, farei também. E estando certo, luto até a morte pelos meu direitos. Como dizem os US Marines, uma das melhores forças do mundo: Semper Fi, do or die!

Depois de solto retornei ao meu projeto de participar na guerra civil na Ucrânia, do lado pró-Rússia porque… Sou pró-Rússia incondicionalmente. Mas acontece que realmente são os pró-Rússia os certos nessa questão. E aqui me encontro a quase um ano (completo um ano em vinte de setembro). Comecei como simples guerrilheiro, sem sequer minha própria arma. Logo me tornei observador e soldado de reconhecimento, depois artilheiro, caçador, comandante de artilharia Grad BM21, especialista em canhão D-30, canhão 100mm Rapiera, comandante de grupo de reconhecimento, comandante de pelotão de infantaria anti-tanque, comandante de bateria de morteiro 120mm. Atualmente, estou sendo instruído nas especializações de piloto/mecânico/canhoneiro em T-64 e BMP-1 e 2, para, eventualmente, talvez trabalhar com blindados.

HMO – Qual foi sua primeira experiência como soldado e o que isso lhe proporcionou como militar e como pessoa?

Foi como legionário. Não só o treino e táticas, mas a formação psicológica e… digamos espiritual. Disciplina, determinação, organização. O lema a seguir é dos US Marines, uma grande elite também, mas cabe perfeitamente: Improvisar, adaptar e superar. Um homem com propósito e treinamento é quase imbatível.

HMO – O que o levou a se alistar na Legião Estrangeira Francesa?

O desejo de fazer parte de uma das maiores elites do mundo.

HMO – Qual foi o seu maior momento na LEF como paraquedista?

Foi quando, dentro já do Transall C-130, pouco antes de um salto, retirei do bolso uma câmera fotográfica. Quando o mestre de salto notou o que fiz, já era tarde. Porém, claro, uma vez no ponto de chegada, a punição já me aguardava. Mesmo assim, faria de novo.

HMO – O que lhe motivou a sair do Brasil para se juntar às fileiras do Exército pró-Rússia?

  1. Não vou negar, eu gosto de guerra. Além do mais, não é mentira, só vive em paz quem aprende a lutar.
  2. Sou pró-Rússia de carteirinha, foi só isso que me trouxe aqui, absolutamente nenhuma ideologia política.
Alchevsk, Setembro 2014, com instrutor de tiro 'Fix'. A arma é uma PTRS-41, utilizada contra blindados na Segunda Guerra Mundial, hoje utilizada como arma anti-sniper/sniper
Alchevsk, Setembro 2014, com instrutor de tiro ‘Fix’. A arma é uma PTRS-41, utilizada contra blindados na Segunda Guerra Mundial, hoje utilizada como arma anti-sniper/sniper

HMO – Qual função você exerce hoje dentro de sua unidade?

Juntamente com Raul A. (também brasileiro) terminei o curso de comandante/piloto/mecânico/atirador de BMP-1. Porém, continuo comandante de bateria de morteiro 120mm.

HMO – Como foi sua primeira experiência de combate com reais chances de fatalidades em seu tempo na Ucrânia?

Foi logo em outubro de 2014, em Vergulovka. Nem sequer tínhamos armas para todos, era ainda um momento que fazíamos rodízio. Fui para combate portando uma SKS com 5 cartuchos e nada mais. Um colega foi ferido no pé. Mas conseguimos capturar a posição, recolher algumas armas, e bater em retirada.

HMO – Como se sentiu na primeira vez em que um companheiro de combate foi fatalmente ferido ao seu lado?

É uma situação horrível, todas as vezes. Uma das poucas que não consigo ”calejar”. Fico mal durante alguns dias, não tem jeito.

HMO – Como os cidadãos que se inclinam para o lado pró-Ucrânia vivendo em Donbass tratam os combatentes pró-Rússia?

Hoje em dia, nos tratam mal, na cara dura. As punições contra militares tem ficado muito duras… Mas concordo. Já vi, no começo da guerra (dezembro 2014), milicianos espancarem pessoas por eles se posicionarem contra nós. Mas as coisas mudaram, e rápido.

Parte do equipamento do pelotão em qual servia: uma AK-47, banda de munição de metralhadora PKM, primeirs socorros e o tubo do RPG7. Outubro de 2014 em Vergulovka.
Parte do equipamento do pelotão no qual Rafael servia em 2014: uma AK-47, banda de munição de metralhadora PKM, primeiros socorros e o tubo do RPG7. Outubro de 2014 em Vergulovka.

HMO – Como são as folgas e o qual é a rotina do soldado pró-Rússia?

Folga não tem, muito difícil conseguir uma dispensa, especialmente nós no front. Muito cansativo. Se não estamos de dia, ou com algum serviço em especial, normalmente sábados a tarde e domingo repousamos e cuidamos das nossas necessidades pessoais. A rotina, quando não em trincheiras, é a de um exército regular normal. Formatura de manhã, tarde e almoço, revista de tropa, equipamento, manutenção de veículos e arredores do quartel.

HMO – O que é ser um brasileiro em meio aos soldados pró-Rússia?

É completamente natural. Mesmo pros brasileiros que não dominam o idioma, rapidamente se faz parte da unidade, todos passamos por dificuldade… a comida é ruim e pouca pra todos por exemplo, as dificuldades e sacrifícios são feitos passados sempre juntos. Isso aproxima as pessoas, estamos todos no mesmo barco, lutando pelo mesmo objetivo.

HMO – Como foi a aceitação de sua família sobre sua decisão de sair do país para talvez não voltar?

Eles ficaram muito orgulhosos e me apoiaram e ainda apoiam. Claro que ficam preocupados com minha segurança, mas para meus pais e irmãos é um motivo de grande orgulho ter eu aqui honrando o nome da minha família em combate, e depois de quase um ano, com resultados tão grandes.

HMO – Pensa em voltar ao Brasil caso seja criado um estado independente no leste ucraniano?

Penso em voltar mesmo antes. Depois de um ano de combate, e essa guerra sempre caindo em momentos de dura e maçante espera com tantas privações…. Também pra mim já ficou claro que só será vencida e encerrada em uma mesa de negociações distante do front. Já treinei vários novos instrutores e possíveis substitutos. A maioria dos estrangeiros já se foram. Quando eu não for mais indispensável, penso em voltar ao Brasil e tocar minha vida. Minha missão como combatente aqui já esta concluída a muito tempo.

HMO – Quais são seus ideais de vida para o futuro?

Depende das propostas que o futuro aguarda. Nem sai ou sequer anunciei minha saída daqui, já tenho varias propostas de emprego pelo mundo todo. Mas por hora quero voltar ao Brasil, cuidar da minha vida particular, ver minha família.

HMO – O que o Brasil representa para você como cidadão nascido nesta terra?

O Brasil é minha terra natal, onde vivem toda minha família, a maior parte dos meus amigos, a melhor comida do mundo, as praias mais lindas. Adoro meu pais.

Aeroporto de Donetsk, Abril, antes de ser ferido em combate. Realizando manutenção na metralhadora DShK 12.7mm.
Aeroporto de Donetsk, Abril, antes de ser ferido em combate. Realizando manutenção na metralhadora DShK 12.7mm.

Perguntas de nossos leitores da H.M.O. – Facebook e Reddit

Rafael Lemos – Li pelo seu histórico posta aqui que esteve em varias corporações PM, LEF e mais recente no exército pró-Rússia, logo teve varias experiências em combate . Então lhe pergunto, com base no que viveu você acredita que nossas forças armadas possui condições/preparo (equipamentos, treinamento de pessoal, disciplina) para fazer frente em missões no exterior?

Tenho certeza que as forças armadas brasileiras e as auxiliares tem total preparo e organização para fazer frente a qualquer tarefa. Nós temos o mais importante, que é o espirito combativo. Em vários momentos históricos nossas forças e nosso povo já deu mostras disso. Em nossas forças disciplina, comunicação e organização são alicerces presentes. Nosso armamento (que é inclusive exportado para vários países) e nosso tecnologia próprias também fazem inveja a muitas nações de primeiro mundo, e os que não são assim tão modernos, em cenários de conflitos internacionais, se mostram valiosos até os dias de hoje. Vários cursos nossos, como os de Operações Especiais das Policias Militares de São Paulo e do Rio de Janeiro são invejados mundo afora, pra não mencionar o famoso Guerra na Selva do EB e tantos outros da Marinha e Aeronáutica.

Belakamen, junho 2015, em uma das missões de reconhecimento. Arma PKM. Nos realmente não nos importávamos com segurança algumas vezes. A ideia era provocar o inimigo a trocar tiros fazendo com que eles assinalassem suas posições. Luiz Davi, um outro brasileiro que servia comigo, teve que vir prestar reforço e intensificação de fogo em uma situação que a equipe foi avistada e ficamos de baixo de pesado fogo inimigo, tendo que rastejar quase meio quilometro. Nessa mesma missão, decidimos por fogo em toda a vila quando ouve um avanço de carros inimigo em nossa direção.
Belakamen, junho 2015, em uma das missões de reconhecimento. Arma PKM. Nos realmente não nos importávamos com segurança algumas vezes. A ideia era provocar o inimigo a trocar tiros fazendo com que eles assinalassem suas posições. Luiz Davi, um outro brasileiro que servia comigo, teve que vir prestar reforço e intensificação de fogo em uma situação que a equipe foi avistada e ficamos de baixo de pesado fogo inimigo, tendo que rastejar quase meio quilometro. Nessa mesma missão, decidimos por fogo em toda a vila quando ouve um avanço de carros inimigo em nossa direção.

Rafael Pereira – o que acha que vai acontecer nos próximos meses e o que tu queres que aconteça? acredita em um status quo ou vocês continuarão avançando, visto que o Exercito Ucraniano parece dar claros sinais de uma nova ofensiva, uma nova quebra de cessar-fogo, algo que têm feito bastante?

Em primeiro de setembro foi assinado novamente um cessar fogo. O ultimo cessar fogo tinha sido rompido no dia 10 de agosto (2015), com ataques surpresas feitos para testar nossas linhas e bombardeios pesados. Uma ofensiva mais pesada foi tentada em Belakamimka e Novalaspa mas foi detida com perdas pesadas dos dois lados. Após isso, antes de primeiro de setembro, eu pessoalmente fui surpreendido com uma votação em Kiev a favor de mudar o status do Donbass. Hoje (início de setembro de 2015) ouve conversações em Minsk, com forte pressão ocidental na Ucrânia. Tendo em vista o cenário internacional, o novo problema que os europeus enfrentam com os ”refugiados” sírios (e o provável alto número de elementos do Estado Islâmico no meio deles), acredito que finalmente temos grande chances de alcançar a paz, com o Donbass fazendo parte da federação Ucraniana como republica autônoma. E eu espero que assim seja, mesmo que desagrade a muitos, o povo e essa região precisam de paz.

Luiz Saliba – Como ele, Rafael, que já se declarou de “esquerda” em outras ocasiões, consegue conciliar ser comandado por monarquistas de direita como Igor Strelkov, que se declara abertamente Czarista e nacionalista “branco” (em referência ao Exército Branco contrarrevolucionário, não a “raça” branca). E se já houveram rusgas entre as tropas de visão política distinta.

Quando eu me disse stalinista, e me posicionei como de esquerda, a mais de um ano atrás, eu quis dizer que era um admirador, não um portador dessa bandeira. Várias vezes eu deixei claro ser uma pessoa prática, que não compra ideias em pacotes fechados, mas um pouco aqui, um pouco ali. Eu mesmo não carrego nenhuma bandeira, eu penso por mim mesmo, tenho minhas próprias ideias e não sou formador de opinião e nem filósofo. Tenho minhas ideias pra mim, sou prático. Deve ser feito o que for melhor para a nação. Respondendo sua pergunta, não vejo problema em ser comandado por quem quer que seja… manda quem pode, obedece quem tem juízo. Problemas houveram, mas muito poucos e insignificantes. No fim a disciplina sempre reinou.

Arredores de Debaltsevo, fevereiro de 2015. Carro de combate T-74.
Arredores de Debaltsevo, fevereiro de 2015. Carro de combate T-74.

Rafael Lourenço – Existiu ou existe algum preconceito por você ser Brasileiro?

Definitivamente não. Sempre gostaram muito de nós, militares e civis. Nos tratam muito bem.

Rafael Gusmão – Mesmo sendo seguidor da ideologia de esquerda, você acredita em liberdade para os pro Rússia, após esse conflito?

Não sou de esquerda, e nosso combate é justamente para que o governo de Kiev não proíba o idioma e cultura russa no leste do país.

André Carvalho Tatu – Qual foi a maior tecnologia que vc já viu no campo de batalha? seja de armamento comunicação ou ate mesmo logística…

Até agora foram fuzis de ultima geração HK que alguns comandantes tinham, aimpoints e tudo mais. Vi alguns T-80 em Debaltsevo. Em geral tudo data ainda dos tempos da União Soviética.

Stacknov, artilharia, canhões D-30, novembro 2014.
Stacknov, artilharia, canhões D-30, novembro 2014.

Raphael Od – Como foi sua experiência servindo a Legião Estrangeira no 2REP?

Foi uma das mais difíceis da minha vida. Quando terminei a formação básica em Castelnaudary, me garantiram que poderia trabalhar no pelotão de cães do 2REP. Ao completar o curso de paraquedistas e requerer a companhia de apoio, todos caíram na risada. ”Tu vai para a 2Cia, montanha”. Já conhecia a fama dessa companhia… Estava chegando ao inferno. E uma vez no inferno, abraça o capeta.

Fabio Gunkel – O quão polarizado está o ambiente no leste ucraniano? Temos apenas os pró-Rússia e pró-Ucrânia (nisso implico separatistas apoiados pela Rússia e o exército ucraniano)? Ou existem outros grupos envolvidos no conflito também?

Esta bastante polarizado sim. Pelo menos no nosso lado… Em Kiev, parece que o Pravsektor cria problemas, mas apenas como grupos anti-negociações, sendo pró-Ucrânia também.

Estágio de BMP-1 instruções práticas de manutenção de motor turbo-diesel.
Estágio de BMP-1 instruções práticas de manutenção de motor turbo-diesel.

Nomanoid – Você acha que o povo brasileiro já se tornou maduro o suficiente, do ponto de vista da nossa identidade cultural e política e da estabilidade das nossas instituições democráticas, para nos mobilizarmos mais uma vez em prol das Forças Armadas, de modo a reinventá-las e poder inserir o Brasil numa posição mundial de maior destaque, no que diz respeito à Defesa, sem incorrer no ufanismo nacionalista e/ou no risco de um novo Golpe Militar?

Acredito que sim. Nossas forças armadas jamais sujariam as mãos indo contra as instituições democráticas, nem deveriam, e nós brasileiros temos uma republica que já possui todos os meios e órgãos para resolver nossos problemas de forma democrática.

Mgsantos – A estratégia russa na Ucrânia foi descrita como uma inversão da tradicional guerra assimétrica, com um Estado mais forte utilizando guerrilhas para ocupar lentamente um Estado mais fraco militarmente. Quanto disso é verdade e quanto do conflito está mais próximo a um apoio russo externo a forças separatistas ucranianas aliadas, uma estratégia bem mais tradicional?

A guerra aqui é uma guerra aberta e convencional. Temos artilharia, carros de combate e até mesmo 2 aviões em Lugansk. As linhas são bem demarcadas. A Rússia nos apoia principalmente como mediadora nas negociações de paz mas também com ajuda humanitária. Ela é totalmente a favor de nós como republicas autônomas dentro da Ucrânia, e já se posicionou contra nossa independência e também contra uma possível anexação.

Pervomaiska, canhão anti-carro Rapiera 100mm, março de 2015.
Pervomaiska, canhão anti-carro Rapiera 100mm, março de 2015.

Tetizeraz – Se for permitido, qual o seu equipamento?

BMP-1 (carro de combate), Morteiro 120mm, PKM 5.45mm, PM 9mm, granadas à vontade, colete e capacetes nível 5.

Protestor – Você viu voluntários russos junto aos separatistas na Ucrânia? Alguém das forças armadas russas?

Voluntários russos sim, vários. Membros das forças armadas não.

VictorPictor – Como conseguiu servir em exércitos tão diferentes geográfica e ideologicamente em um espaço tão curto de tempo?

  • Legião Estrangeira Francesa – 2002-2005,
  • PMSP 2005-2006,
  • PMPA 2007-2010,
  • Novorossiya 2014-atual

ThalesV000 – Qual foi a experiência mais intensa que você já teve por aí?

Quando dormi com duas garotas ao mesmo tempo, numa folga, antes de ir ao aeroporto de Donetsk.

Montgomery-Cavendish –

  • Como é a rotina de um mercenário trabalhando para as forças separatistas do Leste da Ucrânia

Não sei. Nem conheci nenhum mercenário por aqui.

  • Há alguma rotina de exercícios de preparação para a ação de campo?

Sim, ninguém é enviado a combate ou linha de frente sem o treinamento necessário.

  • O quê que te levou a se interessar pela vida paramilitar e se há algum sentimento de recompensa por participar desse fenômeno político? É uma luta por algum ideal?

Desde criança sempre quis ser combatente, e não vou negar, eu gosto de guerra. Além do mais, não é mentira, só vive em paz quem aprende a lutar.

Thaiane Rampazo – Tendo em vista que não algo comum na nossa cultura um jovem querer estar em luta, principalmente defendendo causas que não pertencem a própria nação, é normal o questionamento sobre quais sentimentos te impulsionaram a querer estar voluntariamente em combate?

  1. Não vou negar, eu gosto de guerra. Além do mais, não é mentira, só vive em paz quem aprende a lutar.
  2. Sou pró-Rússia de carteirinha, foi só isso que me trouxe aqui, absolutamente nenhuma ideologia política.

LeToySoldier –

  • Você acha que o fato da Ucrânia ser uma das democracias mais corruptas que existe contribuiu para o contingente de cidadãos da Crimeia se aliarem aos russos?

A única coisa que pesou para a Crimeia pedir anexação a Rússia foi o caos em que a Ucrânia se mergulhou após o Maidan, as resultantes políticas de perseguição a língua e cultura russas e os crimes perpetrados contra a população russófona (vide a queima de civis inocentes em Odessa e os disparos efetuados contra as manifestações pacificas em Kharkov por exemplo).

  • Com a intervenção militar da Rússia na Síria. Você lutaria contra o ISIS, se possível?

Lutaria, mas veja bem. Aqui luto voluntariamente, sem soldo. Qualquer outro lugar do mundo, só luto mediante pagamento. Meu amado Brasil isento disso, claro.

  • Qual é o seu fuzil favorito?

FAL 7,62mm, sem dúvida.

Até a presente data da criação desta matéria, Rafael Permanece em Donbass. Existe um cessar fogo e as tropas de ambos os lados passam por período de relativa calmaria. A previsão é q de que os territórios separatistas ganhem independência da Ucrânia para se tornarem território da República Federativa da Rússia.

Treinamento de BMP-1

 

 

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