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Ucrânia

As estradas do leste da Ucrânia estão repletas de entulhos de guerra: bloqueios, crateras, blindados e caminhões camuflados. Volta e meia, uma camionete Mitsubishi L200 com uma chamativa pintura em padrão geométrico de camuflagem dá as caras. É o polêmico Batalhão Azov. A estampa de guerra, marca registrada do Azov, cobre caminhões e jipes de transporte e anuncia a chegada do batalhão prestes a lutar em carros de combate personalizados e blindados.

No subúrbios de Kiev é onde são construídos os “blindados Mad Max”, como os soldados se referem aos seus transportes militares. (O apelido cinematográfico se deve ao estilo da construção: assim como nos filmes, os membros do grupo erguem seus transportes a partir de sucatas e peças descartadas.)

A linha de montagem dos Azov situa-se em uma antiga fábrica de tratores, onde o Grupo de Engenharia da agremiação mantém uma sede. No andar de cima do galpão da frente, encontram-se um trator enferrujado e uma roda de engrenagem com a foice e martelo estampados. Embaixo, uma grande bandeira do Batalhão Azov.

Um guarda e um amigável pastor alemão nos dão boas vindas. A fábrica de tratores foi abandonada anos atrás. O terreno foi destinado a um desenvolvimento residencial, mas acabou vítima de papelada burocrática e invasores.

Panorama da garagem do Grupo de Engenharia Azov, 9 de setembro de 2015, Kiev, Ucrânia. À esquerda, um chassi invertido de um tanque se encontra em processo de desmontagem, antes de ser reconstruído como um novo veículo, muito semelhante ao “Azovette” (canto superior direito), que passou por construção similar. Créditos: Pete Kiehart
Panorama da garagem do Grupo de Engenharia Azov, 9 de setembro de 2015, Kiev, Ucrânia. À esquerda, um chassi invertido de um blindado se encontra em processo de desmontagem, antes de ser reconstruído como um novo veículo, muito semelhante ao “Azovette” (canto superior direito), que passou por construção similar. Créditos: Pete Kiehart

O membro do Azov e capataz da fábrica, Bogdan Zvarych, conta que o grupo se mudou para o estabelecimento no começo do ano, depois que a polícia pediu a ajuda do batalhão para esvaziá-lo. “Estava cheio de criminosos. Havia pessoas com armas, drogas, fazendo falsas bebidas alcoólicas”, disse. “A polícia comum não conseguia entrar aqui, era muito difícil.”

Ao perceber que tinham esbarrado com a oficina ideal, os Azov assinaram um contrato de aluguel e se instalaram por ali.

“Antes, preparávamos os nossos caminhões em garagens comuns ao redor de Kiev. Esses veículos blindados e foguetes anticarro estavam dando sopa na garagem de um cidadão”, ele ri. “Esta é a nossa realidade, a realidade da Ucrânia.”

O orçamento do exército ucraniano entrou em queda depois que o país deixou a União Soviética, em 1991, tendência que só se reverteu recentemente. Quando as agressões separatistas começaram no leste, em março de 2014, a força de defesa do país totalizava 150 mil membros (dentro de uma população de 45 milhões), dos quais apenas 5 mil estavam prontos para combate.

Para amenizar a lacuna, voluntários se organizaram rapidinho, formaram batalhões e partiram para a frente de guerra.

Membros do Grupo de Engenharia Azov utilizam uma das poucas ferramentas de trabalho disponíveis em um mar de máquinas abandonadas. Este galpão, adjacente à garagem de trabalho, está repleto de fileiras e mais fileiras de maquinaria dilapidada; é um estoque abundante de peças de reposição. Créditos: Pete Kiehart
Membros do Grupo de Engenharia Azov utilizam uma das poucas ferramentas de trabalho disponíveis em um mar de máquinas abandonadas. Este galpão, adjacente à garagem de trabalho, está repleto de fileiras e mais fileiras de maquinaria dilapidada; é um estoque abundante de peças de reposição. Créditos: Pete Kiehart

A maioria dos batalhões voluntários, Azov incluso, foi incorporada à força de defesa ucraniana. Quase todos operam anonimamente com uma estrutura de comando própria — “somos todos irmãos”, afirma Zvarych. Cada grupo possui programas próprios de recrutamento e treinamento e, no caso do Azov, carros de combate próprios.

“Somos o único batalhão voluntário com uma fábrica de viaturas e carros de combate própria”, nos contou Zvarych, de peito estufado.

O Azov tem uma reputação controversa. Em grande parte por causa de seu fundador, um supremacista ariano, e de uma queda por simbologia nazista. A insígnia do batalhão – que muitos membros tatuaram no antebraço – é o símbolo do Wolfsangel modificado sobre outro favorito nazista, o símbolo do Sol Negro. Muitos membros do Azov riem do rótulo de neonazi e enfatizam que a Rússia é o único inimigo. Contudo, a reputação gerou consequências graves para o batalhão, incluindo a exclusão doprograma americano de treinamento militar.

Um membro do Grupo de Engenharia Azov trabalha no “Azovette”, um veículo de combate blindado, construído sobre o chassi de um tanque T-64. Créditos: Pete Kiehart
Um membro do Grupo de Engenharia Azov trabalha no “Azovette”, um veículo de combate blindado, construído sobre o chassi de um MBT T-64. Créditos: Pete Kiehart

O Azov e outros batalhões voluntários até têm blindados fornecidos pelo governo, mas Zvarych deixou claro que eles podem tomá-los de volta a qualquer momento. O mesmo não se aplica aos carros de combate Azov, que pertencem ao batalhão por completo, das esteiras à torre.

Zvarych nos convidou para entrar na oficina, onde uma pequena equipe de soldadores aprendizes, engenheiros e rapazes que trabalhavam lá desde que a fábrica produzia tratores concluíam sua criação mais recente, o “Azovette”.

O batalhão tem uma frota de veículos blindados diversos, inclusive um caminhão de lixo modificado que chamam carinhosamente de “Pechyvo”, termo ucraniano para “biscoito”. Agora eles estão tentando transformar um trator de fazenda – que no passado era um carro de combate – de volta em carro de combate.

Zvarych nos conduziu ao redor da fera metálica. Apontou para as camadas de blindagem, cada uma com 7 centímetros de grossura, repletas de fileiras de explosivos, projetados para dispersar o impacto de qualquer golpe. A maioria dos projéteis capazes de penetrar os 7 cm de blindagem é de mísseis de carga oca, isto é, cones ocos com projéteis de ponta côncava recheados de explosivos.

Quando são detonados, os explosivos atingem o ápice do cone e o impulsionam para frente. O cone então vira do avesso: um jato centralizado de energia explosiva que impulsiona o projétil para frente, de modo a produzir máximo impacto. Os explosivos da blindagem do Azovette servem para contra-atacar a carga oca; conduzem energia na direção oposta e, assim, o cone não vira do avesso e não concentra a explosão.

Um membro do Grupo de Engenharia Azov trabalha no “Azovette”, um veículo de combate blindado, construído sobre o chassi de um tanque T-64. Créditos: Pete Kiehart
Um membro do Grupo de Engenharia Azov trabalha no “Azovette”, um veículo de combate blindado, construído sobre o chassi de um MBT T-64. Créditos: Pete Kiehart

A blindagem é espaçada em camadas. Formam-se câmaras que mantêm os danos contidos em sua camada respectiva. Há sete câmaras na parte frontal e três nas laterais.

“Geralmente os MBTs têm uma blindagem de 10 ou 20 cm na frente, mas colocamos 1,4 m. Esse blindado aguenta de tudo, até mesmo alguns tipos de míssil ar-terra. Aguenta todo tipo de equipamento moderno, de quaisquer forças armadas”, disse Zvarych.

Ele argumenta que o Azovette é o blindado perfeito e compara seu veículo de 50 toneladas e cinco assentos com o Panzer VIII Maus, a super máquina blindada da Alemanha nazista, um golias de 188 toneladas completamente vedado, de proporções mitológicas, que nunca saiu da fase de protótipo.

As esteiras de um carro de combate costumam ser o seu ponto fraco. Os engenheiros do Azov então revestiram a base das esteiras com camadas de blindagem. Segundo Zvarych, projéteis precisariam acertar a base três vezes no mesmo ponto exato para atravessar o veículo.

Cabines de veículos descartadas, modificadas pelo Grupo de Engenharia Azov, em 9 de setembro de 2015, Kieiv, Ucrânia. A cabine amarela, no topo, veio de um tanque que foi transformado em escavadora e agora será transformado em um “Azovette”, um veículo de combate blindado. Créditos: Pete Kiehart
Cabines de veículos descartadas, modificadas pelo Grupo de Engenharia Azov, em 9 de setembro de 2015, Kiev, Ucrânia. A cabine amarela, no topo, veio de um carro de combate que foi transformado em escavadora e agora será transformado em um “Azovette”, um veículo de combate blindado. Créditos: Pete Kiehart

Por baixo de todo a blindagem, está o chassi de um velho carro de combate T-64, o melhor modelo de carro de combate soviético, de acordo com Zvarych.

“Os novos, o T-52 e o T-80, não são tão bons”, disse ele. “Os T-64 foram feitos apenas para a Rússia e a Ucrânia, não foram liberados para exportação, pois são os melhores.”

Ao que parece, é bem fácil encontrar um T-64 na Ucrânia. Durante o período de paz no país – da independência, em 1991, até o conflito atual que começou em março de 2014 – os blindados foram usados para outras coisas.

“A fábrica que fez os blindados os legalizou para uso cotidiano. Fizeram escavadoras e equipamentos agrícolas com as esteiras”, disse Zvarych, apontando para o corpo amarelo de um trator que já fez parte de um T-64 e agora está em construção novamente. “Qualquer pessoa pode comprar um.”

Veículo usado em testes. Um BRDM 2, viatura de reconhecimento leve. Créditos: Pete Kiehart
Veículo usado em testes. Um BRDM 2, viatura anfíbia de patrulha/reconhecimento leve dos tempos da Guerra Fria. Créditos: Pete Kiehart

“Comprar um blindado do governo custa em torno de 2 milhões de dólares, mas este trator custa menos de 50 mil, e com a ajuda dos nossos engenheiros, conseguimos construir um carro de combate muito melhor”, disse ele.

O Grupo de Engenharia Azov contém cerca de dez homens trabalhando sob a direção criativa do “professor maluco” do batalhão, Mykola Stepanov.

Stepanov trabalhou 46 anos na Fábrica Malyshev, como engenheiro e vice-diretor. A fábrica, propriedade do governo, era a maior produtora de carros de combate da URSS e foi o berço do T-64, que agora se encontra na nossa frente.

“Ele consegue criar o blindado que bem entender”, disse Zvarych.

Bogdan Zvarych (à direita), capataz do Grupo de Engenharia Azov, posa para um retrato com Mikael Skillt, conselheiro sueco e sniper do Batalhão Azov. Créditos: Pete Kiehart
Bogdan Zvarych (à direita), capataz do Grupo de Engenharia Azov, posa para um retrato com Mikael Skillt, conselheiro sueco e sniper do Batalhão Azov. Créditos: Pete Kiehart

Stepanov estava na área quando fizemos a visita. Ele ficou o tempo todo de pé em uma estação de trabalho, com os óculos na ponta do nariz, quieto e silencioso, exceto por batidas ocasionais do lápis na planta do projeto.

“Para ele, esse é o trabalho dos sonhos. É o nosso cientista maluco”, disse Zvarchy. “É muito mais fácil construir os blindados que ele quer aqui, porque ele não precisa atender grandes reuniões para definir a instalação de cada parafuso.”

Quando Stepanov coloca uma ideia no papel, os engenheiros e soldadores a transformam em realidade. “Se os russos tentassem fazer algo do tipo, levaria 10 anos. Na Ucrânia, talvez 8 anos. Em Azov, leva cerca de seis meses”, disse Zvarych.

Zvarych acredita que o Azovette ficará pronto nos próximos dois meses.

Um veículo de esteiras anfíbias que foi doado ao batalhão aguarda modificações do lado de fora da garagem do Grupo de Engenharia Azov. Créditos: Pete Kiehart
Um PTS-M (Plavayushij Transportyer – Sryednyij), veículo médio de transporte anfíbio que foi doado ao batalhão aguarda modificações do lado de fora da garagem do Grupo de Engenharia Azov. Créditos: Pete Kiehart

Dois canhões de calibre de 23 mm, de cano duplo, capazes de atirar 3.400 projéteis por minuto cada, serão instalados no blindado, além de um lançador carregado com 8 mísseis. Dentro, a cabine não tem janelas de visualização. No lugar das janelas, a equipe conta com câmeras frontais, traseiras e laterais no carro de combate, e opera a torre e as armas com joysticks.

“Lá dentro é como um videogame”, disse um dos soldados Azov.

Zvarych nos conduziu oficina adentro, rumo a um saguão que aparentava ser um cemitério de máquinas. “Podem até ser um lugar feio, mas há máquinas únicas aqui”, disse.

“Usamos bastante equipamento que foi deixado para trás. Na época da União Soviética, faziam máquinas para durar 50 anos”, disse ele. “Ainda são muito bons e muito precisos. Na URSS, tudo era assim. Um carro simplíssimo funcionava. Dá uns trancos, é feio, mas funciona. E vai funcionar por mais 50 anos.”

Um veículo anfíbio que foi doado ao batalhão aguarda modificações do lado de fora da garagem do Grupo de Engenharia Azov. Créditos: Pete Kiehart
Um veículo anfíbio que foi doado ao batalhão aguarda modificações do lado de fora da garagem do Grupo de Engenharia Azov. Créditos: Pete Kiehart

Além de aproveitar ao máximo máquinas abandonadas, o batalhão vasculhou o estabelecimento atrás de sucatas de metal, e conta com doações de dinheiro e materiais de pessoas físicas e jurídicas ucranianas.

“Temos 1.200 combatentes e cerca de 50 mil pessoas ao nosso redor, trabalhando com o Azov. Há várias pessoas que querem simplesmente nos ajudar”, disse Zvarych. “Todo ucraniano sabe que o governo é inútil. Por isso, as pessoas nos ajudam com mão-de-obra, dinheiro, alimentos e roupas. Elas sabem que, com o Azov, estarão seguras. Com o governo, não.”

Sem dúvidas, a desconfiança em relação ao governo ucraniano é profunda aqui. Em bases militares, cafés e redes sociais, voam enxames de rumores sobre corrupção, incompetência e deslealdade.

“O governo ucraniano não seria capaz de construir esse blindado. Por quê? Porque roubam o dinheiro antes de aplicá-lo”, gracejou Zvarych.

Panorana do exterior da garagem do Grupo de Engenharia Azov, vigiada por um sentinela, 9 de setembro de 2015, Kiev, Ucrânia. Créditos: Pete Kiehart
Panorana do exterior da garagem do Grupo de Engenharia Azov, vigiada por um sentinela, 9 de setembro de 2015, Kiev, Ucrânia. Créditos: Pete Kiehart

Um soldado contou que, uma vez, ele e seus colegas “libertaram” 40 pacotes de óculos de visão noturna de um armázem do governo. Ele disse que os óculos foram doados à Ucrânia pelos EUA e Canadá como parte dos programas de assistência não letais desses países, mas, segundo o soldado, o governo ucraniano os trancafiou em um armazém a 50 km da linha de frente. Ele especula que o governo pretendia vender os óculos, em vez de repassá-los às tropas. A história do soldado não foi confirmada, mas é uma boa ilustração da pouca fé que os ucranianos depositam no governo.

“Sem brincadeira, o nosso governo não quer que este carro de combate ganhe vida”, disse Zvarych. Ele comentou que o governo está mais preocupado com dinheiro do que com o povo, uma postura que o Azov não engole. “A blindagem deste aqui custa 100 mil dólares, mas as cinco pessoas que estão dentro dele valem muito mais.”

Zvarych ecoa um sentimento que já ouvimos antes no discurso de soldados ucranianos: o governo não faz por onde deve. Zvarych disse que, desde que o Azov foi incorporado à força de defesa ucraniana, recebe apoio do governo, inclusive uniformes e armas. Mas, acrescentou, “Geralmente, as armas são uma merda. Tenho uma pistola fabricada em 1960… 1960!” Um soldado de passagem levantou uma pedra e comentou, “isto aqui é melhor”.

Um membro do Grupo de Engenharia Azov trabalha para desmontar um chassi de tanque invertido, 9 de setembro de 2015, Kiev, Ucrânia. O chassi será usado como base para outro veículo de batalha, semelhante ao “Azovette”. Créditos: Pete Kiehart
Um membro do Grupo de Engenharia Azov trabalha para desmontar um chassi invertido, 9 de setembro de 2015, Kiev, Ucrânia. O chassi será usado como base para outro veículo de batalha, semelhante ao “Azovette”. Créditos: Pete Kiehart

A insatisfação do Azov com o governo ucraniano e seus equipamentos é o motivo que os impulsiona a adicionar armas à linha de produção para o futuro próximo. No entanto, apesar do clima Mad Max no estabelecimento, não é uma distopia sem lei, e o Azov ainda pretende derrubar algumas barreiras burocráticas antes de expandir a fabricação de armas.

“Temos muitos especialistas que sabem como uma arma deve ser e funcionar, então quando ´tivermos licença, poderemos fazer nossos próprios tipos de armas”, disse Zvarych.

Então, isso significa que o Azov tem licença para o Azovette e os demais blindados Mad Max?

“Isto é um trator. No que diz respeito à papelada, isto é um trator”, Zvarych disse em um tom ironicamente inocente, “Nós simplesmente acoplamos metais a um trator. Por que precisaríamos de uma licença?”

Fonte: Motherboard Vice

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Aeroporto de Donetsk, Abril, antes de ser ferido em combate. Realizando manutenção na metralhadora DShK 12.7mm.

Do interior do Brasil à República Federativa da Rússia

Nascido no interior de São Paulo, mas hoje dorme de baixo de fogo constante em um acampamento militar no leste da Ucrânia, Rafael é voluntário das forças pró-Rússia na região de Donbass, no extremo leste da Ucrânia.

Sua carreira militar começou na Legião Estrangeira Francesa como paraquedista da Divisão de Montanha 2REP (2eme Régiment de Étranger Parachutistes), ao voltar ao Brasil foi Policial Militar formado na Academia de Oficiais da Polícia Militar Coronel Fontoura no IESP (Pará), atuando na cavalaria, no Regimento Montado Cassulo de Melo até pedir baixa da corporação para integrar as fileiras das forças armadas pro-russas no leste europeu em 2014 alcançando a patente de Tenente numa guerra civil que já matou mais de 5.000 pessoas.

Rafael durante o estágio de BMP-1, no dia seguinte recebeu a medalha Por combate contra forças da OTAN (vermelha) das mãos de seu comandante de batalhão, junta com a medalha por Bravura em comando e combate sob fogo inimigo que recebeu pessoalmente de Igor Strelkov. 20 de Agosto de 2015.
Rafael durante o estágio de BMP-1, no dia seguinte recebeu a medalha por combate contra forças da OTAN (vermelha) das mãos de seu comandante de batalhão, junta com a medalha por Bravura em comando e combate sob fogo inimigo que recebeu pessoalmente de Igor Strelkov. 20 de Agosto de 2015.

Meu nome é Rafael Marques Lusvarghi. Sou militar, oficial do quadro de combatentes, e um muito bom. Comecei minha carreira cedo, me alistando na Legião Estrangeira Francesa como paraquedista na Companhia de Montanha do 2REP on participei de algumas missões, e também fazendo alguns cursos. Fui dispensado por problema de saúde. Recuperado, de volta no Brasil, passei em concurso para Soldado da PM do Estado de São Paulo em fins de 2005.

Rafael e mais dois amigos na Legião Estrangeira Francesa (2006)
Rafael e mais dois amigos na Legião Estrangeira Francesa (2006)
Cavalaria da PMPA Regimento Cassulo de Melo, algum desfile (2009)
Cavalaria da PMPA Regimento Cassulo de Melo, durante desfile (2009)
PMPA após cerimonia do espadim (2007)
PMPA após cerimonia do espadim (2007)

Lá meu serviço foi basicamente interno, com apenas algumas poucas rondas ostensivas e rádio patrulha. Mas mesmo assim aprendi muito sobre funcionamento da área administrativa, e a parte burocrática sem a qual é impossível gerar uma grande força. Apesar de não gostar deste papel, considero indispensável a burocracia e padronização de procedimentos e modos operantes.

Claro que, ambicioso e orgulhoso, quis crescer e me tornar oficial. Passei no concurso para o CFO no Pará, e fui cursar a Academia de Oficiais da Policia Militar Coronel Fontoura no IESP. Tradicionalista, decidi por me aperfeiçoar na cavalaria e estive presente no Regimento Montado Cassulo de Melo.

Em 2010 cometi o grande erro de interromper minha carreira militar, pedindo baixa da corporação. Foi para ir viver na Rússia. Nunca tive paciência com a vida civil, a falta de disciplina e hierarquia, o preto no branco.

De volta ao Brasil em 2014, tomei certas atitudes por motivos que hoje discordo, a maneira como as manifestações se desenrolam no Brasil não é adequado. Gostaria de salientar aqui que sobretudo hoje sou apolítico, até tenho minhas concepções, acima de tudo contra todo esse vitimismo que assola nossa nação, quem quer consegue, quem quer faz, quem chora é fraco, e como dizemos no meio militar, os fracos que se explodam. Logo, me arrependo dos motivos que me levaram as ruas (durante as manifestações da Copa do Mundo no Brasil), mas não me arrependo das lutas que me envolvi. Como cidadão livre e em momento de folga, posso fazer o que bem entender não infringindo a lei. Se eu quiser beber e parar no meio de uma rua sem tráfego, farei, se quiser beber de saia, farei também. E estando certo, luto até a morte pelos meu direitos. Como dizem os US Marines, uma das melhores forças do mundo: Semper Fi, do or die!

Depois de solto retornei ao meu projeto de participar na guerra civil na Ucrânia, do lado pró-Rússia porque… Sou pró-Rússia incondicionalmente. Mas acontece que realmente são os pró-Rússia os certos nessa questão. E aqui me encontro a quase um ano (completo um ano em vinte de setembro). Comecei como simples guerrilheiro, sem sequer minha própria arma. Logo me tornei observador e soldado de reconhecimento, depois artilheiro, caçador, comandante de artilharia Grad BM21, especialista em canhão D-30, canhão 100mm Rapiera, comandante de grupo de reconhecimento, comandante de pelotão de infantaria anti-tanque, comandante de bateria de morteiro 120mm. Atualmente, estou sendo instruído nas especializações de piloto/mecânico/canhoneiro em T-64 e BMP-1 e 2, para, eventualmente, talvez trabalhar com blindados.

HMO – Qual foi sua primeira experiência como soldado e o que isso lhe proporcionou como militar e como pessoa?

Foi como legionário. Não só o treino e táticas, mas a formação psicológica e… digamos espiritual. Disciplina, determinação, organização. O lema a seguir é dos US Marines, uma grande elite também, mas cabe perfeitamente: Improvisar, adaptar e superar. Um homem com propósito e treinamento é quase imbatível.

HMO – O que o levou a se alistar na Legião Estrangeira Francesa?

O desejo de fazer parte de uma das maiores elites do mundo.

HMO – Qual foi o seu maior momento na LEF como paraquedista?

Foi quando, dentro já do Transall C-130, pouco antes de um salto, retirei do bolso uma câmera fotográfica. Quando o mestre de salto notou o que fiz, já era tarde. Porém, claro, uma vez no ponto de chegada, a punição já me aguardava. Mesmo assim, faria de novo.

HMO – O que lhe motivou a sair do Brasil para se juntar às fileiras do Exército pró-Rússia?

  1. Não vou negar, eu gosto de guerra. Além do mais, não é mentira, só vive em paz quem aprende a lutar.
  2. Sou pró-Rússia de carteirinha, foi só isso que me trouxe aqui, absolutamente nenhuma ideologia política.
Alchevsk, Setembro 2014, com instrutor de tiro 'Fix'. A arma é uma PTRS-41, utilizada contra blindados na Segunda Guerra Mundial, hoje utilizada como arma anti-sniper/sniper
Alchevsk, Setembro 2014, com instrutor de tiro ‘Fix’. A arma é uma PTRS-41, utilizada contra blindados na Segunda Guerra Mundial, hoje utilizada como arma anti-sniper/sniper

HMO – Qual função você exerce hoje dentro de sua unidade?

Juntamente com Raul A. (também brasileiro) terminei o curso de comandante/piloto/mecânico/atirador de BMP-1. Porém, continuo comandante de bateria de morteiro 120mm.

HMO – Como foi sua primeira experiência de combate com reais chances de fatalidades em seu tempo na Ucrânia?

Foi logo em outubro de 2014, em Vergulovka. Nem sequer tínhamos armas para todos, era ainda um momento que fazíamos rodízio. Fui para combate portando uma SKS com 5 cartuchos e nada mais. Um colega foi ferido no pé. Mas conseguimos capturar a posição, recolher algumas armas, e bater em retirada.

HMO – Como se sentiu na primeira vez em que um companheiro de combate foi fatalmente ferido ao seu lado?

É uma situação horrível, todas as vezes. Uma das poucas que não consigo ”calejar”. Fico mal durante alguns dias, não tem jeito.

HMO – Como os cidadãos que se inclinam para o lado pró-Ucrânia vivendo em Donbass tratam os combatentes pró-Rússia?

Hoje em dia, nos tratam mal, na cara dura. As punições contra militares tem ficado muito duras… Mas concordo. Já vi, no começo da guerra (dezembro 2014), milicianos espancarem pessoas por eles se posicionarem contra nós. Mas as coisas mudaram, e rápido.

Parte do equipamento do pelotão em qual servia: uma AK-47, banda de munição de metralhadora PKM, primeirs socorros e o tubo do RPG7. Outubro de 2014 em Vergulovka.
Parte do equipamento do pelotão no qual Rafael servia em 2014: uma AK-47, banda de munição de metralhadora PKM, primeiros socorros e o tubo do RPG7. Outubro de 2014 em Vergulovka.

HMO – Como são as folgas e o qual é a rotina do soldado pró-Rússia?

Folga não tem, muito difícil conseguir uma dispensa, especialmente nós no front. Muito cansativo. Se não estamos de dia, ou com algum serviço em especial, normalmente sábados a tarde e domingo repousamos e cuidamos das nossas necessidades pessoais. A rotina, quando não em trincheiras, é a de um exército regular normal. Formatura de manhã, tarde e almoço, revista de tropa, equipamento, manutenção de veículos e arredores do quartel.

HMO – O que é ser um brasileiro em meio aos soldados pró-Rússia?

É completamente natural. Mesmo pros brasileiros que não dominam o idioma, rapidamente se faz parte da unidade, todos passamos por dificuldade… a comida é ruim e pouca pra todos por exemplo, as dificuldades e sacrifícios são feitos passados sempre juntos. Isso aproxima as pessoas, estamos todos no mesmo barco, lutando pelo mesmo objetivo.

HMO – Como foi a aceitação de sua família sobre sua decisão de sair do país para talvez não voltar?

Eles ficaram muito orgulhosos e me apoiaram e ainda apoiam. Claro que ficam preocupados com minha segurança, mas para meus pais e irmãos é um motivo de grande orgulho ter eu aqui honrando o nome da minha família em combate, e depois de quase um ano, com resultados tão grandes.

HMO – Pensa em voltar ao Brasil caso seja criado um estado independente no leste ucraniano?

Penso em voltar mesmo antes. Depois de um ano de combate, e essa guerra sempre caindo em momentos de dura e maçante espera com tantas privações…. Também pra mim já ficou claro que só será vencida e encerrada em uma mesa de negociações distante do front. Já treinei vários novos instrutores e possíveis substitutos. A maioria dos estrangeiros já se foram. Quando eu não for mais indispensável, penso em voltar ao Brasil e tocar minha vida. Minha missão como combatente aqui já esta concluída a muito tempo.

HMO – Quais são seus ideais de vida para o futuro?

Depende das propostas que o futuro aguarda. Nem sai ou sequer anunciei minha saída daqui, já tenho varias propostas de emprego pelo mundo todo. Mas por hora quero voltar ao Brasil, cuidar da minha vida particular, ver minha família.

HMO – O que o Brasil representa para você como cidadão nascido nesta terra?

O Brasil é minha terra natal, onde vivem toda minha família, a maior parte dos meus amigos, a melhor comida do mundo, as praias mais lindas. Adoro meu pais.

Aeroporto de Donetsk, Abril, antes de ser ferido em combate. Realizando manutenção na metralhadora DShK 12.7mm.
Aeroporto de Donetsk, Abril, antes de ser ferido em combate. Realizando manutenção na metralhadora DShK 12.7mm.

Perguntas de nossos leitores da H.M.O. – Facebook e Reddit

Rafael Lemos – Li pelo seu histórico posta aqui que esteve em varias corporações PM, LEF e mais recente no exército pró-Rússia, logo teve varias experiências em combate . Então lhe pergunto, com base no que viveu você acredita que nossas forças armadas possui condições/preparo (equipamentos, treinamento de pessoal, disciplina) para fazer frente em missões no exterior?

Tenho certeza que as forças armadas brasileiras e as auxiliares tem total preparo e organização para fazer frente a qualquer tarefa. Nós temos o mais importante, que é o espirito combativo. Em vários momentos históricos nossas forças e nosso povo já deu mostras disso. Em nossas forças disciplina, comunicação e organização são alicerces presentes. Nosso armamento (que é inclusive exportado para vários países) e nosso tecnologia próprias também fazem inveja a muitas nações de primeiro mundo, e os que não são assim tão modernos, em cenários de conflitos internacionais, se mostram valiosos até os dias de hoje. Vários cursos nossos, como os de Operações Especiais das Policias Militares de São Paulo e do Rio de Janeiro são invejados mundo afora, pra não mencionar o famoso Guerra na Selva do EB e tantos outros da Marinha e Aeronáutica.

Belakamen, junho 2015, em uma das missões de reconhecimento. Arma PKM. Nos realmente não nos importávamos com segurança algumas vezes. A ideia era provocar o inimigo a trocar tiros fazendo com que eles assinalassem suas posições. Luiz Davi, um outro brasileiro que servia comigo, teve que vir prestar reforço e intensificação de fogo em uma situação que a equipe foi avistada e ficamos de baixo de pesado fogo inimigo, tendo que rastejar quase meio quilometro. Nessa mesma missão, decidimos por fogo em toda a vila quando ouve um avanço de carros inimigo em nossa direção.
Belakamen, junho 2015, em uma das missões de reconhecimento. Arma PKM. Nos realmente não nos importávamos com segurança algumas vezes. A ideia era provocar o inimigo a trocar tiros fazendo com que eles assinalassem suas posições. Luiz Davi, um outro brasileiro que servia comigo, teve que vir prestar reforço e intensificação de fogo em uma situação que a equipe foi avistada e ficamos de baixo de pesado fogo inimigo, tendo que rastejar quase meio quilometro. Nessa mesma missão, decidimos por fogo em toda a vila quando ouve um avanço de carros inimigo em nossa direção.

Rafael Pereira – o que acha que vai acontecer nos próximos meses e o que tu queres que aconteça? acredita em um status quo ou vocês continuarão avançando, visto que o Exercito Ucraniano parece dar claros sinais de uma nova ofensiva, uma nova quebra de cessar-fogo, algo que têm feito bastante?

Em primeiro de setembro foi assinado novamente um cessar fogo. O ultimo cessar fogo tinha sido rompido no dia 10 de agosto (2015), com ataques surpresas feitos para testar nossas linhas e bombardeios pesados. Uma ofensiva mais pesada foi tentada em Belakamimka e Novalaspa mas foi detida com perdas pesadas dos dois lados. Após isso, antes de primeiro de setembro, eu pessoalmente fui surpreendido com uma votação em Kiev a favor de mudar o status do Donbass. Hoje (início de setembro de 2015) ouve conversações em Minsk, com forte pressão ocidental na Ucrânia. Tendo em vista o cenário internacional, o novo problema que os europeus enfrentam com os ”refugiados” sírios (e o provável alto número de elementos do Estado Islâmico no meio deles), acredito que finalmente temos grande chances de alcançar a paz, com o Donbass fazendo parte da federação Ucraniana como republica autônoma. E eu espero que assim seja, mesmo que desagrade a muitos, o povo e essa região precisam de paz.

Luiz Saliba – Como ele, Rafael, que já se declarou de “esquerda” em outras ocasiões, consegue conciliar ser comandado por monarquistas de direita como Igor Strelkov, que se declara abertamente Czarista e nacionalista “branco” (em referência ao Exército Branco contrarrevolucionário, não a “raça” branca). E se já houveram rusgas entre as tropas de visão política distinta.

Quando eu me disse stalinista, e me posicionei como de esquerda, a mais de um ano atrás, eu quis dizer que era um admirador, não um portador dessa bandeira. Várias vezes eu deixei claro ser uma pessoa prática, que não compra ideias em pacotes fechados, mas um pouco aqui, um pouco ali. Eu mesmo não carrego nenhuma bandeira, eu penso por mim mesmo, tenho minhas próprias ideias e não sou formador de opinião e nem filósofo. Tenho minhas ideias pra mim, sou prático. Deve ser feito o que for melhor para a nação. Respondendo sua pergunta, não vejo problema em ser comandado por quem quer que seja… manda quem pode, obedece quem tem juízo. Problemas houveram, mas muito poucos e insignificantes. No fim a disciplina sempre reinou.

Arredores de Debaltsevo, fevereiro de 2015. Carro de combate T-74.
Arredores de Debaltsevo, fevereiro de 2015. Carro de combate T-74.

Rafael Lourenço – Existiu ou existe algum preconceito por você ser Brasileiro?

Definitivamente não. Sempre gostaram muito de nós, militares e civis. Nos tratam muito bem.

Rafael Gusmão – Mesmo sendo seguidor da ideologia de esquerda, você acredita em liberdade para os pro Rússia, após esse conflito?

Não sou de esquerda, e nosso combate é justamente para que o governo de Kiev não proíba o idioma e cultura russa no leste do país.

André Carvalho Tatu – Qual foi a maior tecnologia que vc já viu no campo de batalha? seja de armamento comunicação ou ate mesmo logística…

Até agora foram fuzis de ultima geração HK que alguns comandantes tinham, aimpoints e tudo mais. Vi alguns T-80 em Debaltsevo. Em geral tudo data ainda dos tempos da União Soviética.

Stacknov, artilharia, canhões D-30, novembro 2014.
Stacknov, artilharia, canhões D-30, novembro 2014.

Raphael Od – Como foi sua experiência servindo a Legião Estrangeira no 2REP?

Foi uma das mais difíceis da minha vida. Quando terminei a formação básica em Castelnaudary, me garantiram que poderia trabalhar no pelotão de cães do 2REP. Ao completar o curso de paraquedistas e requerer a companhia de apoio, todos caíram na risada. ”Tu vai para a 2Cia, montanha”. Já conhecia a fama dessa companhia… Estava chegando ao inferno. E uma vez no inferno, abraça o capeta.

Fabio Gunkel – O quão polarizado está o ambiente no leste ucraniano? Temos apenas os pró-Rússia e pró-Ucrânia (nisso implico separatistas apoiados pela Rússia e o exército ucraniano)? Ou existem outros grupos envolvidos no conflito também?

Esta bastante polarizado sim. Pelo menos no nosso lado… Em Kiev, parece que o Pravsektor cria problemas, mas apenas como grupos anti-negociações, sendo pró-Ucrânia também.

Estágio de BMP-1 instruções práticas de manutenção de motor turbo-diesel.
Estágio de BMP-1 instruções práticas de manutenção de motor turbo-diesel.

Nomanoid – Você acha que o povo brasileiro já se tornou maduro o suficiente, do ponto de vista da nossa identidade cultural e política e da estabilidade das nossas instituições democráticas, para nos mobilizarmos mais uma vez em prol das Forças Armadas, de modo a reinventá-las e poder inserir o Brasil numa posição mundial de maior destaque, no que diz respeito à Defesa, sem incorrer no ufanismo nacionalista e/ou no risco de um novo Golpe Militar?

Acredito que sim. Nossas forças armadas jamais sujariam as mãos indo contra as instituições democráticas, nem deveriam, e nós brasileiros temos uma republica que já possui todos os meios e órgãos para resolver nossos problemas de forma democrática.

Mgsantos – A estratégia russa na Ucrânia foi descrita como uma inversão da tradicional guerra assimétrica, com um Estado mais forte utilizando guerrilhas para ocupar lentamente um Estado mais fraco militarmente. Quanto disso é verdade e quanto do conflito está mais próximo a um apoio russo externo a forças separatistas ucranianas aliadas, uma estratégia bem mais tradicional?

A guerra aqui é uma guerra aberta e convencional. Temos artilharia, carros de combate e até mesmo 2 aviões em Lugansk. As linhas são bem demarcadas. A Rússia nos apoia principalmente como mediadora nas negociações de paz mas também com ajuda humanitária. Ela é totalmente a favor de nós como republicas autônomas dentro da Ucrânia, e já se posicionou contra nossa independência e também contra uma possível anexação.

Pervomaiska, canhão anti-carro Rapiera 100mm, março de 2015.
Pervomaiska, canhão anti-carro Rapiera 100mm, março de 2015.

Tetizeraz – Se for permitido, qual o seu equipamento?

BMP-1 (carro de combate), Morteiro 120mm, PKM 5.45mm, PM 9mm, granadas à vontade, colete e capacetes nível 5.

Protestor – Você viu voluntários russos junto aos separatistas na Ucrânia? Alguém das forças armadas russas?

Voluntários russos sim, vários. Membros das forças armadas não.

VictorPictor – Como conseguiu servir em exércitos tão diferentes geográfica e ideologicamente em um espaço tão curto de tempo?

  • Legião Estrangeira Francesa – 2002-2005,
  • PMSP 2005-2006,
  • PMPA 2007-2010,
  • Novorossiya 2014-atual

ThalesV000 – Qual foi a experiência mais intensa que você já teve por aí?

Quando dormi com duas garotas ao mesmo tempo, numa folga, antes de ir ao aeroporto de Donetsk.

Montgomery-Cavendish –

  • Como é a rotina de um mercenário trabalhando para as forças separatistas do Leste da Ucrânia

Não sei. Nem conheci nenhum mercenário por aqui.

  • Há alguma rotina de exercícios de preparação para a ação de campo?

Sim, ninguém é enviado a combate ou linha de frente sem o treinamento necessário.

  • O quê que te levou a se interessar pela vida paramilitar e se há algum sentimento de recompensa por participar desse fenômeno político? É uma luta por algum ideal?

Desde criança sempre quis ser combatente, e não vou negar, eu gosto de guerra. Além do mais, não é mentira, só vive em paz quem aprende a lutar.

Thaiane Rampazo – Tendo em vista que não algo comum na nossa cultura um jovem querer estar em luta, principalmente defendendo causas que não pertencem a própria nação, é normal o questionamento sobre quais sentimentos te impulsionaram a querer estar voluntariamente em combate?

  1. Não vou negar, eu gosto de guerra. Além do mais, não é mentira, só vive em paz quem aprende a lutar.
  2. Sou pró-Rússia de carteirinha, foi só isso que me trouxe aqui, absolutamente nenhuma ideologia política.

LeToySoldier –

  • Você acha que o fato da Ucrânia ser uma das democracias mais corruptas que existe contribuiu para o contingente de cidadãos da Crimeia se aliarem aos russos?

A única coisa que pesou para a Crimeia pedir anexação a Rússia foi o caos em que a Ucrânia se mergulhou após o Maidan, as resultantes políticas de perseguição a língua e cultura russas e os crimes perpetrados contra a população russófona (vide a queima de civis inocentes em Odessa e os disparos efetuados contra as manifestações pacificas em Kharkov por exemplo).

  • Com a intervenção militar da Rússia na Síria. Você lutaria contra o ISIS, se possível?

Lutaria, mas veja bem. Aqui luto voluntariamente, sem soldo. Qualquer outro lugar do mundo, só luto mediante pagamento. Meu amado Brasil isento disso, claro.

  • Qual é o seu fuzil favorito?

FAL 7,62mm, sem dúvida.

Até a presente data da criação desta matéria, Rafael Permanece em Donbass. Existe um cessar fogo e as tropas de ambos os lados passam por período de relativa calmaria. A previsão é q de que os territórios separatistas ganhem independência da Ucrânia para se tornarem território da República Federativa da Rússia.

Treinamento de BMP-1

 

 

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