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Síria

“a curved and narrow blade, which glittered not like the swords of the Franks, but was, on the contrary, of a dull blue colour, marked with ten millions of meandering lines…”.

[“uma lâmina curvada e estreita, que não brilhava como as espadas dos francos, mas foi, pelo contrário, de uma cor azul rústica, marcada com dez milhões de linhas sinuosas …”]

Foi com esta demonstração de armas entre os dois reis, que Sir Walter Scott´s, recriou a cena de outrubro de 1192, quando Ricardo “Coração de Leão” da Inglaterra e Saladino “O Sarraceno” chegaram ao fim da 3ª Cruzada, em seu romance histórico “The Talisman” (O Talismã). Neste sentido, Ricardo empunharia uma boa Espada inglesa, enquanto Saladino teria, em suas mãos uma cimitarra de aço de damasco.

Esta tecnologia ficou conhecida na Europa quando os Cruzados chegaram ao Oriente Médio, no começo do século XI. Eles descobriram que as espadas confeccionadas utilizando esta técnica podiam cortar uma pena em pleno ar, e ainda manterem-se impecavelmente afiadas mesmo após muitas batalhas.

A tecnologia do aço de Damasco intimidou os cruzados e fez com que ferreiros da Europa realizassem tentativas de reproduzir este material por meio da técnica de camadas alternadas de aço e ferro, dobrando e torcendo o metal durante todo o processo. Mas este padrão de técnica de soldagem já era utilizado por celtas, no século VI, Vikings do século XI, ferreiros japoneses do século XIII e não era capaz de oferecer o mesmo resultado das forjas sarracenas. Por esta razão, os ferreiros da Europa gravavam a lâmina ou cobriam a superfície da espada com filigranas (técnica que envolvia amassar o metal até virar uma fina camada) de prata ou cobre para imitar o aspecto das lâminas do aço de Damasco.

Aspecto "ondulado" das lâminas de Aço de Damasco.
Aspecto “ondulado” das lâminas de aço de Damasco.

 

Segundos alguns estudiosos, este tipo de experimento no desenvolvimento do material – realizado por medievais na tentativa de descobrir o processo de criação deste material – pode ser considerado como a origem da ciência dos materiais. Entretanto, estes “pesquisadores” medievos jamais conseguiram replicar este processo, cujos segredo terminou por se perder na História.

Através dos séculos – talvez ainda na época de Alexandre o Grande no quarto século antes de cristo – os ferreiros que desenvolviam as espadas, escudos e armaduras feitas deste material mantinham esta tecnologia em absoluto sigilo. Com o advento das armas de fogo, esta técnica foi perdida e nunca descoberta apesar dos esforços de homens como Pavel Anossoff, o metalúrgico russo, que conhecia o aço como “Bulat”.

Em 1841, Anossoff declarou: “Nossos soldados logo estarão armados com lâminas Bulat, nossos agricultores irão abrir o solo com enxadas bulat… O Bulat irá superar todo o aço usado nos dias de hoje para fabricar artigos com afiação especial e de resistência.”

No entanto, seus esforços ao longo da vida para cumprir esse sonho foram em vão.

Aço “Wootz” e as espadas Sarracenas

O termo sarraceno foi uma adaptação latina da palavra grega “sarakenoi” que, por sua vez, foi uma flexão da palavra árabe “sharquiyin” (“orientais”) e foi utilizada pelos cristãos medievais desde o século XIII como uma forma pejorativa de se referirem aos povos islâmicos que viviam nas regiões do Leste Europeu, Oriente Médio e África. Para entender melhor em que consiste a religiosidade islâmica, você pode acessar o site Paleonerd.com.br que, de forma descontraída trata acerca deste assunto. Também é possível conhecer uma pouco mais sobre o processo de invasões muçulmanas na Europa, a partir do texto “A Bombarda Turca”, que temos em nosso acervo.

Atualmente, os pesquisadores sabem que o verdadeiro (ou “oriental”) aço de damasco era constituído por uma matéria prima que os pesquisadores denominaram de “aço wootz”, o qual era formado por um grau excepcional de minério de ferro. Desta maneira, os intelectuais especulam estas armas teriam sido criadas pela primeira vez no Sul e Sudeste da Índia e Sri Lanka durante a primeira metade do século IV d.C.. O “wootz” era extraído a partir do minério de ferro e transformado com auxílio de um cadinho (objeto no qual o ferro era derretido), no qual o material era derretido, limpo de impurezas e recebia a adição de outros ingredientes que incluíam alta quantidade de carbono (aproximadamente 1,5%, segundo um cálculo baseado no peso do ferro, o qual costuma ter apenas 1% deste minério).

Para entender melhor um pouco sobre forma como este material é no processo de forja contemporâneo, você pode assistir ao seguinte vídeo:

A alta concentração de carbono é o elemento chave no processo de manufatura do aço de damasco, da mesma forma que o problema destas armas. Isto porque a alta concentração de carbono permite o aperfeiçoamento do corte desta lâmina e torna sua durabilidade maior, todavia controlar a quantidade, presente na mistura é QUASE IMPOSSÍVEL!

Pouco carbono resultaria em um ferro demasiado maleável para estes propósitos, mas, carbono demais daria início ao processo de fundição, que é inútil para a confecção de armas; se o processo não desse certo, resultaria em placas de cementite, que é extremamente frágil. Todavia, de alguma maneira os metalúrgicos islâmicos foram capazes de controlar a concentração deste material e fazer armas de combate fantásticas, mas toda esta técnica se perdeu em meados do século XVIII.

Não faz sentido o fato destes ferreiros terem “perdido” tal tecnologia tão útil e muitos pesquisadores tentativas de reencontrar esta técnica. Em artigo recente para a revista Nature o pesquisador da Universidade de Dresden, Peter Paufler, desenvolveu uma hipótese para explicar a mecânica por meio da qual o aço com alta concentração de carbono foi criado e por que motivo desapareceu. Para tanto, este pesquisador buscou auxílio da nanotecnologia como forma de entender melhor este processo.

Segundo artigo da National Geographic, ao colocar este material em análise com auxílio de um microscópio eletrônico, Paufler e seus colegas encontraram nanotubos de carbono nestas espadas. Estes nanotubos são muito fortes e estão presentes no aço mais suave das lâminas, tornando-as mais resistentes. Sobre Paufler afirma: “É um princípio geral da natureza. Materiais que são suaves podem ser fortalecidos com a inclusão de fios mais resistentes.”

Estrutura do Aço de Damasco onde é possível notar a existência dos nanotubos de carbono.
Estrutura do aço de Damasco onde é possível notar a existência dos nanotubos de carbono.

Para comprovar sua teoria, este pesquisador e sua equipe foram capazes de construir uma liga de aço mais poderosa, baseada na introdução de cementita, durante o processo de resfriamento – que é conhecido como têmpera. Entretanto outros pesquisadores permanecem céticos acerca de Paufler e sua equipe terem conseguido descobrir o segredo do aço de damasco. Como é o caso do especialista em metalurgia da Universidade Estadual do Iowa (EUA), John Verhoeven, o qual afirma que nanoestruturas tubulares podem ser encontradas também em espadas feitas com aço comum.

No denso artigo “The Key Role of Impurities in Ancient Damascus Steel Blades” (O papel central das impurezas nas antigas espadas de aço de Damasco) que escreveu junto com mestre em cutelaria e gerente geral aposentado da Nucor Steel Corporation para o site The Minerals, Metals and Materials Society (TMS), Verhoeven afirma que:

“…o lingote wootz teria que ter vindo de um depósito de minério que forneceu níveis significativos de determinados oligoelementos, nomeadamente, Cr, Mo, Nb, Mn, ou V. Essa idéia é consistente com a teoria de alguns autores que acreditam que as lâminas com bons padrões só foram produzidas a partir de lingotes wootz feitas no sul da Índia, aparentemente em torno de Hyderabad. Em segundo lugar […era necessário] o conhecimento anterior de que wootz lâminas Damasco com bons padrões são caracterizados por um nível de fósforo elevado.”

Característico padrão "orgânico" nas lâminas de aço de Damasco
Característico padrão “orgânico” nas lâminas de aço de Damasco

Para estes especialistas consideram pertinente a hipótese, na qual a produção deste metal teria sido interrompida, não pela perda da técnica, mas sim por causa do esgotamento da fonte do minério adequado para a produção destas armas. Quando foi encontrado um novo corpo de minério que apresentava as propriedades necessárias para a produção do aço de damasco, os ferreiros que conheciam o processo de extração e forja já teriam falecido, sem terem passado à frente o conhecimento aos seus aprendizes.

Os estudos das propriedades nanomateriais ainda estão nos primeiros passos de seu desenvolvimento e, provavelmente, ainda precisaremos esperar mais alguns anos até uma conclusão que seja reconhecida como um consenso entre os pesquisadores.

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Soldado alemão opera o StG 44
Soldado alemão opera o StG 44

Se você realmente se interessa pela história da Segunda Guerra Mundial, isto vai ser um estouro em sua cabeça. O vídeo abaixo mostra membros militantes da Síria que lutam contra o regime de Bashar Al-Assad ao encontrar um container repleto de rifles. O membro rebelde que postou o vídeo alega erroneamente que encontraram 5.000 rifles AK-47. NÃO! Aparentemente eles tropeçaram numa pilha de relíquias alemãs da Segunda Guerra Mundial, um container cheio de rifles de assalto StG 44 (Sturmgewehr 44).

Como uma quantidade tão grande destas belezas da engenharia da Alemanha Nazista foi acabar nas mãos de militantes no Oriente Médio? Ninguém sabe, mas provavelmente foram vendidas ao governo sírio durante a Segunda Guerra. Talvez possam ter sido adquiridas no mercado negro.

A probabilidade é de que estes rifles serão usados pelos rebeldes, ou destruídos. O máximo que podemos chegar de possuir uma arma dessas no Brasil é um numero negativo, já que aqui o porte de armas é proibido.

Rebeldes manuseiam o rifle alemão
Rebeldes manuseiam o rifle alemão

 

O primeiro rifle de assalto da história e o pai da AK-47

No início da Segunda Guerra Mundial, as tropas alemãs estavam equipadas com os antigos Mauser K98k, e uma variedade de submetralhadoras leves e médias.

Logo, com a evolução da guerra estas armas se provaram não tão eficientes aos esforços alemães. Algumas submetralhadoras ainda possuíam um grande poder de fogo mas um alcance inferior. Enquanto estas dificuldades eram presentes, a Alemanha entrava em guerra com a União Soviética e alguns destes problemas tiveram de ser resolvidos mediante a ameaça das armas soviéticas como o SVT-40 e a PPSh-41, com alto poder de fogo e alcance entre curto e médio. Além de tudo a indústria bélica alemã ainda tinha problemas no desenvolvimento em escala industrial de algumas armas como o Gewehr 41, um novo rifle semi-automático introduzido em 1941.

Grandes esforços foram adotados para banir de vez as sub-metralhadoras da forças armadas, no entanto o recuo dos disparos de 7.92mm dos Mauser limitavam a precisão durante disparos automáticos.

Haenel_Mkb_42(H)
O Haenel MKb 42 (H), o precursor do MP 43/44.
MKb 42W (Walther)
MKb 42W (Walther)

A solução seria criar um armamento intermediário de baixa manutenção e alto poder de fogo, com alcance médio. Muitos protótipos foram testados entre 1941 e 1944, sem sucesso devido a problemas de manutenção, alcance, confiabilidade e precisão. Muitos destes programas foram cancelados pelo próprio Hitler em sua escalada para o desenvolvimento do rifle. Com a urgência imediata do armamento, nos anos posteriores à bateria de protótipos foi então instaurado um período final de avaliação de vários protótipos num espaço de tempo que duraria até 6 meses. Neste meio tempo muitos testes foram feitos até que foi criada a MP43 (Maschinenpistole 43) sendo incorporada como uma atualização das metralhadoras existentes e presentes nas forças armadas alemãs na época.

Hitler inspeciona os protótipos de rifle de assalto em 1944.
Hitler inspeciona os protótipos de rifle de assalto em 1944.

 

Hitler então, avaliando as situações no front leste, solicitou que o novo rifle recebesse atualizações. Algum tempo depois Hitler teve a oportunidade de testar a nova atualização chamada de MP44. Muito impressionado, ele renomeou o armamento o chamando de “Sturmgewehr,” em que a tradução seria “Rifle de Assalto”, daí então o nome StG 44 ou Sturmgewehr 44.

História operacional do STG 44.

Vislumbrando o combate pela primeira vez no fronte leste, o STG 44 foi empregado pra funcionar como contra medida sobre os russos equipados com as metralhadoras PPS e PPSh-41. Enquanto o StG 44 possuía um alcance mais curto que o rifle Karabiner 98k, ele era mais eficiente em custo alcance e tinha uma alcance maior do que ambas as armas soviéticas. No entanto, o emprego padrão do StG 44 baseava-se no modo semi-automático, e era altamente preciso no modo automático por possuir uma baixa cadência de tiro. Em uso em ambos os fronts no final da guerra, o StG 44 também provou ser eficiente ao prover ótimo desempenho no lugar das metralhadoras anteriores.

Soldados alemães da 1ª Divisão Ski armados com StG 44 avançam na regi!ao de Prypiat, Ucrânia, 1942.
Soldados alemães da 1ª Divisão Ski armados com StG 44 avançam na regi!ao de Prypiat, Ucrânia, 1942.

O primeiro rifle de assalto da história chegou muito tarde no conflito para ter um efeito significativo nos resultados da guerra pelo lado alemão, mas ele pavimentou o caminho para uma árvore genealógica de armas modernas que incluem rifles famosos como a AK-47 e o M16. Após a Segunda Guerra Mundial, o StG 44 foi arma padrão do Exército Nacional da Alemanha Oriental até ser substituído pela AK-47. A Polícia Civil da Alemanha Oriental usou o rifle até 1962. No geral, a União Soviética exportou StG 44 a seus estados incluíndo a Checoslováquia e Iugoslávia, também foram exportados para guerrilhas e grupos insurgentes aliados dos soviéticos. Em casos posteriores, o StG 44 foi fornecido a organizações como a Organização para Liberação da Palestina e o Hezbollah. Forças americanas também confiscaram os StG 44 de milícias armadas iraquianas.

 

 

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