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Militaria

1066 – Húskalar, Batalha de Hastings

‘O guerreiro anglo-saxão de Hastings talvez não seja tão diferente do “Tommy” britânico das trincheiras’ disse o fotógrafo Thom Atkinson. Na Batalha de Hastings, a escolha do soldado em termos de armamento era bem extensiva. Dentre as diversas batalhas nas quais estes guerreiros ferozes participaram, provavelmente a mais famosa é a de Hastings. Liderados por Harold Godwinson ou Haroldo II da Inglaterra, chefe dos ingleses, lutaram contra William II da Normandia, que comandava a coalizão dos franceses e normandos. Apesar da derrota sofrida contra os normandos, os húskarlar mostraram-se extremamente úteis em combate.

Guardas de Elite

Os húskarlar foram utilizados como guardas de elite pessoal dos vários nobres da Europa. Dentre os mais famosos corpos de guardas, está a elite militar de Canuto, rei da Inglaterra, que governou o país no século XII d.C. Através da Lex Castrensis, Canuto estabeleceu que sua guarda particular seria composta de guerreiros húskarlar. O guerreiro huskarl era um dos poucos que tinha o privilégio de permanecer no salão real nas festividades e comer na mesa do rei juntamente com ele. Mas, com os privilégios, vieram também as obrigações do dever: traição e ações consideradas graves eram punidas com o exílio ou a morte. Estes guerreiros eram submetidos a um código militar muito mais severo do que os seus companheiros de armas de patentes mais baixas. Até mesmo seus julgamentos eram realizados por um tribunal específico: o Huskarlesteffne, cujas decisões eram assistidas pelo próprio soberano.

Aqui neste kit podemos ver a forte presença da cota de malha utilizada até a chegada das armas de pólvora e o conhecido elmo nasal em forma de cuia com a haste para proteger o nariz do soldado.

1066 – Húskalar, Batalha de Hastings

1244 – Cavaleiro montado, Cerco de Jerusalém

O Cerco de Jerusalém de 1244 aconteceu durante a Sexta Cruzada, quando os Corásmios (a convite dos Aiúbidas) conquistaram a cidade sobre Frederico II da Germânia em 15 de julho de 1244.

Aqui já podemos notar o uso da maça medieval, uma evolução do primitivo porrete mas com uma cabeça de metal facetado. A maça foi inventada por volta de 12 000 a.C. e, rapidamente, tornou-se uma arma importante. Essas primeiras maças de madeira, com pedra sílex ou obsidiana encravadas, tornaram-se menos populares devido ao aprimoramento das armaduras de couro curtido que podiam absorver grande parte do impacto. Algumas maças tinham a cabeça inteira de pedra, mas eram muito mais pesadas e de difícil manejo. Maças eram muito utilizadas na idade do Bronze no Oriente Próximo.

A adaga vista aqui neste kit também, era um item multiuso, mas principalmente utilizado fora das batalhas como ferramenta de corte universal, tanto para a alimentação quanto para o corte de madeira fina e outros materiais mais simples.

1244 – Cavaleiro montado, Cerco de Jerusalém

1415 – Arqueiro combatente ou arqueiro de arco longo, Batalha de Azincourt

Batalha de Azincourt foi uma batalha decisiva ocorrida na Guerra dos Cem Anos. Acontecida em 25 de outubro de 1415 (Dia de São Crispim), no norte da França, resultou em uma das maiores vitórias inglesas durante a guerra.

Um detalhe muito importante nesta batalha foi o emprego dos arcos longos (na foto, o item de madeira clara com um adorno escuro no centro), estes que foram eficazmente utilizados pelos ingleses contra os franceses ao longo de séculos. O arco longo inglês pode ser considerado uma das armas mais letais e importantes da história. Foi usado principalmente na Idade Média, e era o maior causador de baixas se usado corretamente. No exército inglês o arco longo já se encontrava intrinsecamente ligado à sua cultura, pois os jovens aprendiam seu manuseio desde cedo para caçar e mais tarde, combater.

1415 – Arqueiro combatente ou arqueiro de arco longo, Batalha de Azincourt

1485 – ‘Homem de armas’ iorquino, Batalha de Bosworth Field

‘Homem de armas’ foi um termo usado desde os períodos da alta Idade Média até o Renascimento para descrever um soldado, quase sempre um guerreiro profissional no sentido de serem bem-treinados no uso de armas, que servia como um cavaleiro pesado totalmente armado. Também podia referir-se a cavaleiros ou nobres, e aos membros das suas comitivas ou mercenários. Os termos cavaleiro e homem de armas são muitas vezes usados como sinônimos, mas ao mesmo tempo todos os cavaleiros equipados para a guerra, certamente, eram homens de armas, mas nem todos os homens de armas eram cavaleiros.

As guerras eram responsabilidades exclusiva dos nobres, segundo a lógica do Feudalismo, portanto esses comandantes eram de famílias nobres, o que permitia a eles o acesso a equipamentos que para a época eram muito caros. A cavalaria era uma arma que criava espaço apenas para membros da nobreza, e isso perdurou até a Primeira Guerra Mundial onde os pilotos de aviões eram normalmente membros da cavalaria, algo visível pelo aspecto de sua indumentária, onde era normal o uso de botas e calças de montaria.

Estas armaduras, ao contrário do que se diz e do que muitos pensam, eram feitas para serem leves e permitirem com que o soldado pudesse se movimentar sem grandes problemas. Tal fato alegando que os soldados que sofriam quaisquer quedas de costas vestindo uma armadura destas o impediria de se levantar, são apenas boatos.

1485 – ‘Homem de armas’ iorquino, Batalha de Bosworth Field

1588 – Caliveiro miliciano, Tilbury

O Arcabuz é uma antiga arma de fogo portátil, espécie de bacamarte. Era chamada vulgarmente de espingarda nas crônicas portuguesas do século XVI. O Caliver (arma da foto) nada mais era do que um arcabuz improvisado, de menor porte e utilizado pelas milícias especialmente na Europa, sendo mais presente na Inglaterra. O Arcabuz e o Caliver foram os predecessores do mosquete, todos estes eram carregados diretamente pelo cano e possuíam o característico fecho de mecha para realizar a ignição da pólvora e assim, concluir o disparo.

Note também o Capacete Morrião ou chamado apenas por Morrião, o popular capacete de conquistador, usado entre os séculos XVI e XVII.

1588 – Caliveiro miliciano, Tilbury

1645 – Mosqueteiro do exército, Primeira Guerra Civil Inglesa

A Batalha de Naseby foi a batalha decisiva durante a Primeira Guerra Civil Inglesa, onde o exército do Rei Carlos I foi dizimado pelo Exército Novo dos cabeças redondas comandados por Sir Thomas Fairfax e Oliver Cromwell.

O Exército Novo foi formado em 1645 pelo Parlamento e dissolvido em 1660 após a Restauração. Era diferente dos demais exércitos à época, uma vez que foi concebido como uma força responsável pelo serviço em todo o país, ao invés de estar circunscrito a uma única área ou guarnição. Como tal, era constituído por soldados em tempo integral, ao invés da milícia usual à época. Além disso, possuía militares de carreira, não tendo assento em qualquer das Casas (dos Lordes ou dos Comuns) e, portanto, não eram ligados a nenhuma facção política ou religiosa entre os parlamentares.

Oliver Cromwell remodelou o exército e, a frente dele, venceu várias batalhas, os soldados passaram a ser promovidos com base na competência e não mais pelo nascimento em uma família de prestigio. Ou seja, o critério de nascimento foi substituído pelo de merecimento, este novo exército (New Model Army) venceu o exército do rei na Batalha de Naseby, que pôs fim à luta. O Rei Carlos Ι foi condenado à morte e executado. A república foi proclamada e Oliver Cromwell assumiu o governo do seu país.

É possível notar o cinto de carregadores (centro direito da foto), onde os pequenos cilindros de madeira carregavam pequenas quantidades específicas de pólvora para auxiliar no recarregamento ágil do mosquete após cada disparo. Também a bolsa de couro com biqueira, algo similar ao que mais tarde chamaríamos de cantil, o pequeno punhal para uso universal e o baralho, o conhecido jogo de cartas com figuras popularizado no sul da Europa à partir do século XIV.

1645 – Mosqueteiro do exército, Primeira Guerra Civil Inglesa

1709 – Sentinela, Batalha de Malplaquet

A Batalha de Malplaquet se deu no dia 11 de setembro de 1709 no marco da Guerra de Sucessão Espanhola. Tropas da França foram vencidas pelas tropas da Aliança – composta pela Áustria, Inglaterra e Holanda – comandadas pelo Duque de Marlborough e pelo Príncipe Eugênio de Saboya. Às 8 da manhã do dia 11 de setembro, o Duque de Marlboroug, à direita do Príncipe Eugênio, cujo exército constava de soldados imperiais e dinamarqueses, avançou para atacar pelo flanco, sem ser bem-sucedido. A infantaria prussiana e holandesa, comandada pelo Príncipe de Orange e o Barão Nagel, encontrou também uma intensa resistência francesa pelo flanco esquerdo.

Depois de serem rejeitados dois ataques, o Príncipe Eugênio dirigiu pessoalmente o terceiro. Suas tropas romperam as linhas francesas e as expulsaram do território de Malplaquet (França). Os aliados perderam 25.000 homens e os franceses sofreram 11.000 baixas e sofreram a derrota definitiva neste confronto. A Batalha de Malplaquet foi uma das batalhas mais sangrentas da Guerra de Sucessão Espanhola.

Aqui já é evidente o uso da baioneta, uma lâmina que podia ser instalada na ponta do cano do mosquete. Algo que se demonstra eficiente até os dias de hoje. A origem do uso da “baioneta” é incerto, mas há registros que alegam que esta arma era utilizada durante a caça, após um tiro mal-sucedido sobre o alvo, onde possibilitava ao caçador a desferir um golpe de lâmina sobre o animal à curta distância. Na França, a baioneta foi introduzida pelo General Jean Martinet e foi comumente utilizada na grande maioria dos exércitos europeus após a década de 1660.

Podemos ver o característico chapéu tricorne (três pontas) no topo à esquerda e uma pequena bíblia no canto inferior esquerdo.

1709 – Sentinela, Batalha de Malplaquet

1815 – Soldado raso, Batalha de Waterloo

O mosquete com pederneira modelo Brown Bess foi desenvolvido em 1722 e usado na época da expansão do Império Britânico. Adquiriu importância simbólica, pelo menos, tão importante quanto a sua importância física. Ele estava em uso há mais de cem anos, com muitas mudanças incrementais no seu design. Estas versões incluem o Long Land Pattern, Short Land Pattern, India Pattern, New Land Pattern Musket, Sea Service Musket e outros. Um soldado bem treinado podia efetuar quatro disparos dentro de um minuto utilizando um mosquete com pederneira.

A origem do nome “Brown Bess” ainda é incerto mas pode ser uma derivação do alemão ou holandês para “marrom” e “cano.” (Os primeiros ferreiros de armas aplicavam uma camada de verniz sobre o metal e a coronha de armas de fogo)

Um detalhe interessante é que neste kit pode-se notar a inclusão da caneca de estanho e o caderno de anotações. Também vale ressaltar a presença de kits de jogos para a distração como xadrez e damas. É visível também, mudança do chapéu Tricorne para o Chacó, esta espécie de quepe comprido com a insígnia em sua face frontal. O cantil veio a se tornar parte do equipamento padrão ao invés de cuias e copos para coletar água de fontes comuns ou rios e lagos. E por fim, o retorno dos calçados com cadarços.

1815 – Soldado raso, Batalha de Waterloo

1854 – Soldado raso da brigada de rifles, Batalha de Alma

A Batalha de Alma foi uma batalha da Guerra da Crimeia, travada entre o Império Russo e a coligação anglofrancootomana. Foi travada em 20 de setembro de 1854, na margem do Rio Alma, hoje em território da Ucrânia. Foi o primeiro grande confronto durante este conflito (1854 – 1856). A coligação aliada derrotou os russos, que perderam cerca de seis milhares de homens. É em memória desta batalha que uma das pontes de Paris recebeu o seu nome: a Ponte de Alma.

A importância da camuflagem já detinha uma certa atenção dentro do âmbito militar nesta época. Com a sofisticação dos rifles militares e sua precisão, a necessidade de o soldado permanecer oculto nos campos de batalha começara a aumentar exponencialmente.

1854 – Soldado raso da brigada de rifles, Batalha de Alma

1916 – Soldado raso, Batalha do Somme

Enquanto a Primeira Guerra Mundial foi a primeira guerra moderna, assim como ilustrado no grupo de itens abaixo, este ainda é considerado um kit primitivo. Juntamente com a máscara de gás, o soldado era equipado com uma espécie de “maça de trincheira”, algo que lembra uma arma medieval.

Durante a a Grande Guerra a camuflagem já era uma estratégia militar levada em conta por vários fatores, além da existência dos vôos de reconhecimento após a inclusão do avião como uma arma de guerra e também pela evolução dos rifles de precisão. Os sobrevoos eram usados para mapear as posições inimigas com o intuito de criar uma condição favorável para os rivais ao possibilitar cercos de artilharia, com isso, a camuflagem passou a ser parte essencial do estudo no desenvolvimento industrial dos novos uniformes militares.

O rifle presente neste kit é o Lee-Enfield, derivado do antigo Lee–Metford que já aplicava um novo método de ação de ferrolho. O Lee-Enfield foi utilizado pelo exército britânico durante as duas grandes guerras e entrou em serviço em 1895, permanecendo até 1957. Disparava de 20 a 30 vezes por minuto com um alcance de aproximadamente 500 metros.

O uso da pá de combate também era algo essencial na época devido à estratégia militar adotada por praticamente todas as nações na época, a guerra de trincheiras.

Nesta época também foi introduzida pela primeira vez o que era chamado de “Rações de Provisão”, que eram nada mais que comida empacotada para ser facilmente preparada e consumida pelas tropas no campo de batalha. Consistiam em três tipos, Ração Reserva, Ração de Trincheira e Ração de Emergência. O uso de rações de combate não era regra para todas as nações envolvidas na guerra, na época. Atualmente as rações de previsão recebem várias nomenclaturas dependendo de sua composição.

Assim como o amplo uso de lanternas portáteis na Segunda Guerra Mundial, algo relativamente novo para o ocidente naquela época eram as Dog Tags ou chapas de identificação. Elas foram introduzidas pelos chineses no século XIX e não demoraram a serem adotadas como instrumento de identificação por quase todas as nações algum tempo depois. A versão da Dog Tag da Primeira Guerra Mundial está logo acima da maça de trincheira, no centro esquerdo da imagem.

Outras inovações da época eram o kit de bandagens de primeiros socorros individual e o relógio de bolso.

1916 – Soldado raso, Batalha do Somme

1944 – Lance corporal, Brigada de Paraquedistas, Batalha de Arnhem

Batalha de Arnhem foi um grande combate travado entre as forças do Exército Alemão e das tropas Aliadas nas cidades holandesas de Arnhem, Oosterbeek, Wolfheze, Driel e no interior do país de 17 a 26 de setembro de 1944. Ela foi parte da Operação Market Garden, uma operação mal sucedida que aconteceu em parte dos territórios da Holanda e Alemanha e que tinha como objetivo principal de expulsar os alemães dos Países Baixos e garantir o avanço livre das tropas aliadas para dentro do território alemão. Ela também foi a maior operação envolvendo tropas aerotransportadas da história.

Nesta imagem notamos que a sofisticação e o número de itens dentro do equipamento militar já aumentara consideravelmente desde o kit do húskarlar da Batalha de Hastings. Para viabilizar um salto com o mínimo de peso possível, os paraquedistas necessitavam de um kit compacto. Sendo assim, foram desenvolvidos inúmeros instrumentos e itens menores que pudessem ser agrupados nas mochilas e bolsas com o objetivo de permitir que o soldado conseguisse saltar sem grandes complicações. Armas menores ou portáteis com coronha retrátil, calças repletas de bolsos e sistemas de fechos inteligentes criaram uma condição em que o equipamento pudesse ser rapidamente desatado do corpo do soldado permitindo uma maior mobilidade, e mesmo assim, os equipamentos de hoje se demonstram mais eficientes contando com apenas um ou dois fechos que se desconectados, liberam todo o equipamento carregado pelo soldado paraquedista.

A comida enlatada era algo amplamente utilizado durante a Segunda Guerra Mundial, uma vez que os soldados iriam percorrer grandes distâncias, isso criava a necessidade de alimentos duráveis para reduzir a necessidade do apoio logístico por parte do fornecimento de alimentos vindos de seus países de origem.

Uma grande mudança ocorrida nesta época foi o uso do chocolate como fonte de energia para os soldados, sendo ele incluído como parte íntegra do kit de rações.

1944 – Lance corporal, Brigada de Paraquedistas, Batalha de Arnhem

1982 – Royal Marine Commando, Guerra das Malvinas

A Guerra das Malvinas foi um conflito ocorrido nas Ilhas Malvinas (em inglês Falklands), Geórgia do Sul e Sandwich do Sul entre os dias 2 de abril e 14 de junho de 1982 pela soberania sobre estes arquipélagos austrais reivindicados em 1833 e dominados a partir de então pelo Reino Unido. Porém, a Argentina reclamou como parte integral e indivisível de seu território, considerando que elas encontram “ocupadas ilegalmente por uma potência invasora” e as incluem como partes da província da Terra do Fogo, Antártica e Ilhas do Atlântico Sul.

O saldo final da guerra foi a recuperação do arquipélago pelo Reino Unido e a morte de 649 soldados argentinos, 255 britânicos e 3 civis das ilhas.

Aqui já é possível vermos o esquema de camuflagem moderno com padrões de formas e de cores derivadas do verde, e também os itens portáteis como câmera fotográfica e rádio.

1982 – Royal Marine Commando, Guerra das Malvinas

2014 – Sapador de apoio, Royal Engineers, Província de Helmland

A evolução da tecnologia que emergiu nesta série de fotografias foi um processo que recebeu um grande avanço no último século. O relógio de bolso hoje é à prova d’água e possui visor digital; o Lee-Enfield de ação de ferrolho foi substituído por carabinas com mira a laser; os coletes camuflados de Kevlar tomaram o lugar das túnicas de lã.

A sofisticação do equipamento do soldado é gigantesca se formos comparar a primeira e esta última fotografia. Passamos de um equipamento pesado e rígido para a mobilidade, para um armamento mais eficiente, preciso e resistente. Saímos da espada para o arco, mosquete e no final, o rifle de precisão que pode atingir o alvo a 1km de distância. Hoje temos uma preocupação maior em manter o soldado vivo do que empregar “buchas de canhão” no campo de batalha com o intuito de ganhar tempo antes de enviar a carga de cavalaria. Aprendemos o quão importante é manter o soldado oculto por camuflagem e a orientação por mapas em território hostil.

A pergunta que fica é: se nos últimos 1000 anos a evolução do armamento militar acelerou-se gradativamente no decorrer dos séculos, o que nos espera nos próximos 50 anos?

2014 – Sapador de apoio, Royal Engineers, Província de Helmland

Fotografias: Thom Atkinson

Ao longo da história, em diferentes locais, existem registros de pessoas que colecionavam objetos como uma forma de entretenimento, um “hobby”, ou como uma atividade mais profunda ou científica para o desenvolvimento do aprendizado, ou fins culturais e museológicos.

colecionador1Hoje grandes acervos particulares estão nos melhores museus do mundo, e, se estes homens e mulheres não exercessem esta atividade, o conhecimento que temos do nosso passado seria fraco e cheio de lacunas.

Notem a importância de coletar, guardar, condicionar e preservar objetos para a nossa humanidade.

Dificilmente encontramos uma pessoa que nunca teve uma coleção, ou tentou colecionar alguma coisa. Qualquer tentativa de colecionar ajuda a preservação da nossa história e o crescimento cultural dos indivíduos.

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O colecionismo de objetos militares é muito antigo, mais antigo que coleções de selos e cédulas (numismática), carros e quadros.

Os antigos soldados traziam seus troféus de guerra conquistados nos campos de batalha para glorificar seus feitos, auxiliar no estudo sobre seus inimigos e nos ensinamentos para futuros guerreiros. Esta prática vem desde a Idade das Cavernas até os dias de hoje.

Os colecionadores de militaria (a arte de conservar e estudar objetos militares) necessitam ter um plano para a sua coleção: visar a uma boa estruturação, pesquisar sobre seus objetos e ter uma boa relação com terceiros.

Com o tempo, estas aptidões vão aumentando e a capacidade de aquisições também, já que, quanto mais conhecimentos e pesquisas, melhor o colecionador.

O estudo, a observação, a curiosidade e a coragem (sim, coragem) tornam uma coleção bonita e envolvente.

colecionador4-300x198Investimento numa coleção não traz retorno financeiro, traz retorno pessoal em conhecimento, autoestima, satisfação, cultura e especialização.

A qualidade deve sempre estar em conta, da pequena à grande coleção. Isto garante uma segurança, afinal, como foi comentado, coleção não traz lucro, mas pode virar um capital (riqueza), dependendo do que há no acervo.

Cuidado: a realização obsessiva pode causar prejuízos ao colecionador; se o “hobby” passar a ocupar uma grande parte do seu tempo, poderá causar prejuízos financeiros, pessoais e profissionais. A compulsão deverá ser dominada.

Observando ao longo destes anos, pude notar uma grande concentração de pessoas na faixa dos 40-50 anos, do sexo masculino, mantendo ou iniciando coleções de militaria, mas nos últimos 10 anos as mulheres começaram a aparecer (e são muito benvindas) e jovens também.

colecionador3Nos últimos 15 anos, as coleções de objetos militares aumentaram muito, por conta da facilidade na obtenção causada pela internet, bem como pelo sucesso de filmes de cinema e séries de TV, como “O Resgate do Soldado Ryan” e “Band of Brothers”. A indústria do cinema sempre potencializou a vontade de estudar e de ter objetos que vemos em filmes desde as produções da Segunda Guerra Mundial nos anos 40 até os anos 70, motivo pela grande concentração de público com a faixa etária apontada acima.

Acredito que a militaria teve dois grandes marcos impulsionadores nas últimas décadas: os filmes e seriados dos anos 60-70 e a criação do Mundo Digital nos anos 2000.

Os interessados em possuir um verdadeiro pedaço da história deve ter em mente algumas regras:

  • FOCO: tem gente que coleciona de tudo, de capacetes a uniformes completos. Tudo bem, mas vamos com calma… Olha a compulsão! Concentre-se inicialmente em completar um manequim ou display (conjunto de objetos de uma pessoa ou organização militar ou medalhas de uma força ou país) por vez, lembrando sempre da qualidade. Escolha uma nação, força militar ou época para uma melhor concentração de esforços e estudo. O próprio interesse na história poderá te ajudar a decidir o que focar;
  • COMPRAR COM SEGURANÇA: tenha em mente, o que é raro é caro. Cuidado com ofertas milagrosas ou encantadoras. A economia comprova: quanto mais gente interessada num produto, maior o preço. Nos anos 80, um capacete de paraquedista alemão custava uns 400/500 dólares e um capacete M1C de paraquedista americano uns $ 120. Hoje um capacete Fallschirmjäger não sai por menos de 7.000 dólares e um capacete de paraquedista americano por menos de 1.500 dólares. O que provocou isto? Filmes de guerra criam um aumento de colecionadores, e fatores econômicos como a desvalorização da moeda podem ajudar também, mas para mim o principal fator é a concorrência entre colecionadores que ajuda a inflacionar os produtos e criar mercado para falsificadores para atender a demanda. A qualidade das falsificações vem aumentando muito ao ponto de ser quase impossível atestar a veracidade ou não de certos objetos;

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  • INVESTIMENTO EM CONHECIMENTO: a leitura de livros especializados, a análise e o estudo devem ser premissas, mas não acreditem em tudo que esta escrito, sejam críticos. A participação em fóruns na internet é fundamental para o aumento do conhecimento e de relações com pessoas que gostam das mesmas coisas que você, mas novamente, cuidado, existem pessoas bem-intencionadas ou não, como em qualquer agrupamento de seres humanos que envolvem emoções, inveja e sentimentos. Ensinamentos obtidos em boas leituras, em comentários em tópicos de fóruns e em conversas entre colecionadores ajudarão muito na sua coleção. Sou muito grato pelo que eu aprendi com colegas e escritores;
  • BUSQUE OS MELHORES E CONFIÁVEIS VENDEDORES: pesquisem a reputação em comentários de compradores em fóruns da internet. Às vezes o melhor especialista é um péssimo vendedor e/ou comprador e vice-versa. Separe os bem-intencionados dos que querem somente ganhar dinheiro e vantagens. Leilões virtuais requerem um bom conhecimento técnico para identificação e avaliação de um objeto que pode estar a milhares de quilômetros de você. Cuidado com reproduções e maus negócios. Em minha opinião, o melhor jeito é a compra entre colecionadores e amigos;

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  • CONSERVE BEM A SUA COLEÇÃO: saiba acondicionar e conservar seus objetos de coleção. Nunca tente economizar nisto, afinal, é a história que está em suas mãos. O tempo, a umidade, a poeira, a luz, o manuseio e os insetos são seus principais inimigos. Aprenda como controlá-los em literaturas especializadas e com os mais experientes. Sempre seja crítico. Conselhos mal dados sempre podem ser repassados, intencionalmente ou não. DICA: sempre use luvas de algodão e nunca mexa no seu acervo em dias de chuva;
  • SEJA RESPONSÁVEL: ter algo histórico, mesmo que seja uma única peça, já o deixa como “fiel depositário” de algo que foi de alguém e passou por “n” situações. Seja um guardião de fato, zelando para futuras gerações a memória de quem necessitou disto. É uma forma de você também estar na história.

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BOA CAÇADA E COLEÇÃO!

admin-ajaxRicardo M. Nácul, 45 anos, administrador de empresas, especialista em Marketing e Planejamento Estratégico, empresário no ramo da Educação, colecionador e pesquisador de militaria há mais de 30 anos, palestrante e expositor de assuntos militares em instituições de ensino, colaborador emérito do Exército Brasileiro e da Força Expedicionária Brasileira (FEB), bem como de diversas unidades militares. Vice-presidente (Fundador) da Associação dos Amigos do Museu Militar do CMS e Curador do Museu Militar que em breve será inaugurado na Serra Gaúcha.

Os tempos estão mudando e com o avanço da tecnologia e a facilidade de obtenção de objetos militares pela internet as feiras de militaria vão desaparecer – mas não tão cedo, ainda há muito a acontecer.

Estes encontros ainda estão bem organizados e atendem milhares de colecionadores em diversas partes do mundo, principalmente na Europa e Estados Unidos da América.

Para muitos colecionadores estes eventos são muito apreciados e valiosos, porque nestes locais há oportunidades de ver in loco os objetos, discutir a autenticidade com outros colegas e ainda poder barganhar preços e/ou executar trocas.

As feiras surgiram no início dos anos 1980, quando os jovens estavam se tornando conscientes e, portanto, estavam começando a apreciar a beleza, o artesanato e importância histórica dessas “relíquias de guerra” que agora saíam de sótãos de seus pais e das vendas de garagem do vizinho para locais organizados.

Hoje em dia, em comparação à uma década atrás, os colecionadores e comerciantes migraram para o comércio online e serviços de leilões online, as vendas se multiplicaram e milhares de vendas de militaria são executados anualmente.

Uma nova geração de colecionadores está surgindo em cena, mais tendenciosos a disputas de leilões online e vendas pela internet pela sua conveniência e eficiência, e com esta demanda cada vez mais comerciantes tradicionais estão se voltando para serviços online.

Mas as vantagem das feiras de militaria ainda está muito longe de ganhar seu obituário.

O problema para os comerciantes de militaria que organizam estas feiras são os negócios em paralelo que frequentemente ocorrem nos quartos dos hoteis ou lugares próximos as feiras, ou seja, as feiras são grandes mostruários ao vivo para os colecionadores avaliarem preços ou selecionarem objetos que eles desejam para suas coleções e acabam combinando com outros colecionadores pontos de troca ou venda em particular tirando uma importante fatia do bolo que é tão necessária para manter grandes eventos.

Exemplificação de uma venda num quarto de hotel:
Vendas em quarto de hotel
Vendas em quarto de hotel
Vendas em quarto de hotel
Vendas em quarto de hotel

Algumas feiras bem conhecidas:

 

Inglaterra:

  • GHQMilitariaFairs – Farnham
  • War and Peace Military Vehicle Show – Beltring

Alemanha:

Bélgica:

França*:

*Existem muitas feiras de militaria em várias cidades no interior da França e nas feiras de antiguidades de grandes cidades, como Paris, Lion e Marseille.

Estados Unidos:

  • Raleigh NC Military Show
  • West Coast Historical Militaria Collectors Show

A Disneylândia da Militaria fica …

MAX Show – A idéia de criar o MAX Show deu-se em 1984, a partir de um encontro de vendedores de militaria muito conhecidos que constataram que o hobby de Militaria estava começando a crescer. Ao longo dos anos 1970 e início dos anos 1980, houve feiras de armas trazidas e comercializados por veteranos. Desde a sua primeira edição, o local desta feira é estudado para ser numa região central, de fácil acesso rodoviário ou por avião, num hotel que tenha um centro de convenções suficiente para 750 mesas, com segurança e recursos extras, como seminários gratuitos sobre coleções, bem como um leilão ao vivo à noite. O primeiro show foi realizado em novembro de 1985 e apesar de baixas temperaturas e vento tempestuoso, que provavelmente foi o melhor de todos as feiras de Militaria realizadas em qualquer lugar, até hoje. Hoje, quase 30 anos depois, o MAX Show é ainda o mais conhecido encontro do gênero no Mundo.

Algumas imagens:

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Radmin-ajaxicardo M. Nácul, 45 anos, administrador de empresas, especialista em Marketing e Planejamento Estratégico, empresário no ramo da Educação, colecionador e pesquisador de militaria há mais de 30 anos, palestrante e expositor de assuntos militares em instituições de ensino, colaborador emérito do Exército Brasileiro e da Força Expedicionária Brasileira (FEB), bem como de diversas unidades militares. Vice-presidente (Fundador) da Associação dos Amigos do Museu Militar do CMS e Curador do Museu Militar que em breve será inaugurado na Serra Gaúcha.




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