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Japão

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O Japão até hoje encara cicatrizes dos crimes de guerra por ele cometidos. Os ferimentos não se fecharam em vizinhos como a China e as Coreias (tanto a do Sul quanto a do Norte). No entendimento de algumas pessoas, esses países deveriam passar de uma vez por todas uma borracha no passado. Para outros, a história simplesmente não pode ser esquecida.

Coreias e China têm diversas reclamações quanto ao passado imperialista japonês. Uma delas, feita pelos chineses, diz respeito ao evento que ficou conhecido como o estupro de Nanquim (também chamado às vezes de “Massacre de Nanquim”).

Nanquim era a capital da China, quando ocorreu o episódio, em 1937 e 1938. O massacre durou seis semanas e não poupou mulheres nem crianças. Estima-se que vinte mil chinesas foram assassinadas ou estupradas, inclusive garotas com menos de dez anos de idade. O episódio é tido como o que mais gerou cicatrizes decorrentes da Segunda Guerra Sino-Japonesa.

A China já estava muito enfraquecida, devido a inúmeros conflitos internos. Desde 1926, o poder no país vinha sendo disputado por nacionalistas e comunistas, estes liderados por Mao Tsé-Tung.

Essas disputas internas fragilizaram tanto a China que algumas regiões do país já estavam sob o controle de nações estrangeiras. O Japão, que tinha ocupado a área da Manchúria, avançou suas tropas país adentro, quando percebeu que os nacionalistas pretendiam retomar a região.

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Em 1937, o Japão investiu contra o litoral chinês. Para dominar Xangai, precisaram de quatro meses de batalhas, que tiraram a vida de 250 mil chineses e 40 mil japoneses. Os chineses, perdendo a guerra, deslocaram-se para Nanquim. No caminho, destruíram as plantações de arroz e todas as comidas que poderiam servir de alimento para os japoneses.

Em 5 de dezembro de 1937, as tropas japonesas invadiram Nanquim. O comandante chinês (o general Tang Shengzhi) ainda recrutou cem mil soldados na cidade, como uma medida desesperada para conter o avanço nipônico. Em vão. O Japão não precisou de mais do que oito dias para aniquilar os chineses de Nanquim.

Do lado japonês, quem estava à frente das tropas era o general Asaka Yasuhiko. Ele determinou a morte de todos os prisioneiros de guerra. Os soldados foram enforcados e fuzilados. Os civis, afoitos, tentaram se esconder em templos, mas a maioria foi massacrada. Muitos deles, levados pelos japoneses até uma cratera em uma pedreira, foram enfileirados e assassinados. Anos depois, foi criado, nesse local, um memorial em homenagem às vítimas do evento.

Quando o general Iwane Matsui assumiu a frente do comando, as coisas pioraram ainda mais. Os soldados começaram a disputar quem matava mais bebês e decapitava mais chineses. No jogo, os concorrentes precisavam trazer a cabeça das vítimas, para que pudessem fazer a contagem final. Vivissecção (o ato de dissecar uma pessoa enquanto ela ainda está viva) também virou prática recorrente.

As chinesas (assim como outras asiáticas) viraram “mulheres de conforto”. Há relatos de pilhas de cabeças e corpos esquartejados pelas ruas da cidade.

Em 1938, já oficialmente derrotada, a China viu Hong Kong também ser tomada pelos japoneses. O Japão, que já tinha outros países sob domínio, só não conseguiu invadir a Rússia.

Hoje, felizmente, as relações entre China e Japão estão relativamente normais. Vez ou outra aparecem mágoas de outrora. É muito importante a existência de pessoas que pedem para que o passado seja deixado para trás, mas também é fundamental entender a origem de muitas dessas feridas que, pelo menos para alguns, ainda não cicatrizaram na Ásia.

fonte: Mundo Estranho

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Esta fantástica série de fotografias raras coloridas à mão que retratam vários Samurais entre os anos de 1863 e 1900, foram descobertas por Retronaut, estas imagens mostram a última fase da existência desta classe, que culminou com a Restauração Meiji.

No começo da história dos samurais, estes não eram mais que simples servidores do Império, e só no século XII é que estes se elevaram para uma posição de privilégio e dominação política e social sobre a população japonesa.

Esta classe militar e aristocrática do Japão feudal seguia o código de honra que dá pelo nome de Bushido, um rígido código moral influenciado pelo Budismo, Xintoísmo e Confucionismo e que ainda hoje prevalece na cultura japonesa. Coragem, benevolência, sinceridade, lealdade e autocontrolo eram algumas das principais virtudes que regiam a vida destes guerreiros, lado a lado com as artes marciais.

Estas cativantes imagens permitem espreitar em detalhe as intricadas indumentárias destes soldados e até mesmo a sua arte corporal. Com as reformas da Era Meiji no final do século XIX e o fim do feudalismo, a classe dos samurais acabou por ser abolida. O fascínio por esta mítica classe guerreira mantém-se, no entanto, bem presente até aos dias de hoje.

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Há algum tempo, em 2014, alguns trabalhadores rurais de Lumby, na Columbia Britânica — 400 km ao norte da fronteira dos Estados Unidos — toparam com um artefato proveniente de balão bomba japonês de 70 anos atrás.

japanese_fire_balloon_moffet_custom-e95deda2012dbd3e1cf578f934c0caa6f94f727d-s400-c85Esta engenhoca faz parte das milhares de balão bomba lançados em direção à América do Norte durante os anos 40 como parte do plano secreto japonês de sabotagem. Até hoje, apenas algumas centenas destes dispositivos foram encontrados e a maioria destes ainda continuam desaparecidos.

Em algum ponto da Segunda Guerra Mundial, engenheiros japoneses encontraram uma corrente de ar que varria parte da costa do Japão em direção ao Oceano Pacífico — e então colocaram em prática a estratégia de enviar balões carregados com explosivos e bombas à costa americana.

O projeto — chamado Fugo — “criado para enviar balões carregando explosivos ou bombas desde o Japão para atear fogo às vastas florestas americanas. Esperava-se que o fogo criaria um rastro de destruição que minaria a moral dos civis no esforço de guerra americano,” descreve James M. Powles em um jornal sobre a Segunda Guerra Mundial no ano 2003. Os balões, ou “envelopes”, foram desenvolvidos pelo exército japonês e fabricados com papel leve feito à partir de cascas de árvores. Conectados à eles estavam bombas compostas por sensores, tubos de pólvora, espoletas e outros mecanismos de detonação que iam dos mais simples aos mais complexos.

Águas vivas no céu

“Os envelopes eram realmente impressionantes, feitos de centenas de pedaços de papel unidos com um tipo de cola extraída de tubérculos,”diz Marilee Schmit Nason do Anderson-Abruzzo Albuquerque International Balloon Museum no estado do Novo Mexico. “O sistema e controle era uma obra de arte.”

“Auschwitz” na Ásia – O Japão Imperial e sua macabra Unidade 731

Assim como a descrição feita por J. David Rodgers da Universidade de Ciência e Tecnologia do Missouri, os balões bomba “tinham 10 metros de diâmetro e podiam suspender 450 kg, mas a porção mortal de sua carga eram compostas por 15 kg de explosivo de fragmentação anti-pessoal, preso a uma espoleta de 17 metros que queimava por 82 minutos antes de iniciar a detonação.”

Uma vez no alto, alguns dispositivos incendiários criados pelos japoneses — contrabalançados por sacos de areia dispensáveis — flutuavam do Japão até a costa americana e Canadá. A viagem levava vários dias.

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“A distribuição dos balões era bem ampla,” diz Nason. Eles surgiam desde o norte do México até o Alasca, e do Havaí ao Michigan. “Quando lançados — em grupos — diziam que se pareciam com águas vivas flutuando no céu.

Michihiko Hachiya, e a bomba atômica de Hiroshima, 6 de agosto de 1945

Munições misteriosas

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Avistamentos de bombas flutuantes começaram a serem relatadas no oeste dos EUA no final de 1944. Em dezembro, trabalhadores de uma mina de carvão em Thermopolis, no estado de Wyoming, viram “um paraquedas no ar com luzes brilhantes, após ouvir um assobio estranho, ouviram uma explosão seguida de fumaça em um campo próximo a mina por volta de 18:15,” escreveu Powles.

Outra bomba foi vista poucos dias depois próximo à Kalispell, Montana. De acordo com Powles, “uma investigação feita por xerifes locais determinou que o objeto não era um paraquedas, mas um grande balão de papel com cordas conectadas e uma válvula de gás descartável, uma grande espoleta conectada à uma bomba incendiária e uma grande corda de borracha. O balão e seus pedaços foram levados à Butte, Montana, onde o FBI, Exército e Marinha examinaram tudo cuidadosamente. As autoridades determinaram que o balão possuía origem japonesa, mas como chegou até o estado de Montana e de onde havia saído ainda era um mistério.”

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Cientistas e engenheiros, mais tarde, conseguiram desvendar o quebra-cabeças. No fim das contas, os japoneses haviam lançado mais de 6.000 destas armas secretas. Centenas foram avistadas no ar ou encontradas no solo dentro dos EUA. Para evitar que os japoneses rastreassem os efeitos causados pelos balões, o governo americano pediu para que os noticiários e as empresas não publicassem ou disseminassem o caos com notícias sobre estes dispositivos. Com isso, é muito provavel que nunca se saiba a amplitude do alcance destes balões.

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Balões sendo alvejados por baterias anti-aéreas na costa dos Estados Unidos

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Há registros de um incidente trágico: Durante a primavera de 1945, escreve Powles, uma mulher grávida e seus cinco filhos foram mortos por “uma bomba de anti-pessoal de grande poder destrutivo despejada por um balão japonês” em Gearhart Mountain próximo a Bly, estado de Oregon. Este é o único registro de um incidente envolvendo mortes por balões bomba.

Outro balão bomba se prendeu a uma torre de alta tensão no estado de Washington, cortando a eletricidade da fábrica Hanford Engineer Works, onde os EUA estavam conduzindo um projeto secreto, enriquecendo urânio que seria aplicado em bombas nucleares.

A Espada de Stalingrado

Logo após a guerra, alguns incidentes com estas bombas foram registrados. O jornal Beatrice Daily Sun publicou que estas armas voadoras desprovidas de pilotos aterrissaram em sete cidades diferentes no Nebraska, incluindo Omaha. O jornal Winnipeg Tribune registrou que um balão bomba fora sido encontrado há 15 km de Detroit e outra próxima às corredeiras Grand Rapids.

Com o passar dos anos, os dispositivos foram aparecendo aqui e ali. Em novembro de 1953, uma balão bomba foi detonado pelo pessoal do exército em Edmonton, Alberta (Canadá) de acordo com o Brooklyn Daily Eagle. Em janeiro de 1955, o jornal Albuquerque Journal registrou que Força Aérea Americana havia descoberto mais uma no Alasca.

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Imagem mostra a corrente de ar e a extensão dos registros de balões bomba no continente norte americano

Em 1984, o jornal Santa Cruz Sentinel publicou que Bert Webber, um autor e pesquisador, havia localizado 45 balões bomba no Oregon, 37 no Alasca, 28 em Washington e 25 na Califórnia. Uma bomba caiu em Medford, Oregon, disse Webber. “Fez uma grande cratera no chão.”

O Sentinela registrou que uma bumba havia sido descoberta no sudoeste do Oregon em 1978.

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A bomba encontrada recentemente na Columbia Britânica — em outubro de 201 — “ficou enterrada no solo por 70 anos,” disse Henry Proce do Departamento de Polícia Montada ao jornal Canadian Press. “Teria sido muito perigoso examiná-la.”

Afinal, como eles lidam com estas situações? “Eles colocam C-4 em ambos os lados do dispositivo,” disse Proce, “e aí o explodem em milhares de pequenos pedaços.”

 

No ano de 1936, o Exército Imperial Japonês (Dai-Nippon Teikoku Rikugun) criou o Departamento de Purificação da Água e Prevenção de Epidemias, que manteve suas atividades até a dissolução do EIJ em 1945. Sua missão pública, era a de prevenir a proliferação de epidemias e monitorar os suprimentos de água potável. Neste mesmo ano, o Imperador Hiroíto, assinou um decreto, estendendo as atribuições do Departamento de Purificação da Água e Prevenção de Epidemias  ao Exército de Guangdong (japonês: Kantogun). O  Exército de Guangdong , ao início do Século XX, era o maior e mais prestigioso comando dentro do EIJ, muitos de seus comandantes, como Hideki Tojo, foram promovidos para altas funções, tanto no governo civil quanto militar. O Kantogun também foi amplamente responsável pela criação do estado fantoche de Manchukuo. “Kwantung” significa “leste de Shanhaiguan,” uma passagem vigiada à leste da qual fica a Manchúria.

Entretanto, o Departamento de Purificação da Água e Prevenção de Epidemias do Exército de Guangdong, foi utilizado como cobertura para a produção e desenvolvimento de armas biológicas, além de experimentos em seres humanos.

Criação

Shiro-ishiiNo ano de 1932, o General Shirō Ishii, Oficial Médico-Chefe do EIJ e protégé do  Ministro do Exército, Sr. Sadao Araki, foi indicado para o comando do Laboratório de Pesquisa de Prevenção Epidêmica do Exército. Uma vez no comando, Ishii organizou um grupo de pesquisa secreto, conhecido como “Unidade Tōgō”, responsável por levar à cabo, trabalhos de pesquisas químicas e biológicas na Manchúria. Dois anos antes, Ishii havia  proposto a criação de um instituto de pesquisas biológicas e químicas, que contava com o apoio do coronel Chikahiko Koizumi, que posteriormente se tornaria Ministro da Saúde (de 1941 a 1945).

A “Unidade Tōgō” tinha como centro de operações, a Fortaleza Zhongma, uma prisão/campo de trabalhos, situada em Beiyinhe, uma pequena vila a 100 quilômetros (62 milhas) ao sul de Harbin (a maior cidade do Nordeste da China/Manchukuo). Porém devido a uma grande fuga de prisioneiros, ocorrida em 1934 e à explosão ocorrida pouco depois (que acredita-se tenha sido um ataque de rebeldes), levaram Ishii a deixar a fortaleza (que foi demolida). A “Unidade Tōgō” foi autorizada a se transferir para Pingfang, uma cidadezinha distante aproximadamente  24 quilômetros (15 milhas) de Harbin, onde seriam construídas novas instalações.

No ano de 1936, o Imperador Hiroíto autorizou a expansão da Unidade e sua integração ao Exército de Guangdong, como parte do Departamento de Purificação da Água e Prevenção de Epidemias. O recém criado Departamento contava com duas partes, a “Unidade Ishii”, com sede em Pingfang, e a “Unidade Wakamatsu”, com sede em Hsinking. A partir de 1940, as unidades passaram a ser conhecidas apenas como “Departamento de Purificação da Água e Prevenção de Epidemias do Exército de Guangdong” (japonês: Kantogun) , Kantōgun Bōeki Kyūsuibu Honbu ou mais simplesmente por “Unidade 731

Atividades

O programa que utilizava seres humanos em experimentos, recebeu o codinome “Maruta” (port. Toras – Madeira), era o eufemismo para como se referiam às pessoas submetidas aos experimentos. Segundo algumas fontes, este termo também teria sido utilizado jocosamente pela equipe da Unidade 731, pois oficialmente, as instalações abrigariam uma serraria e seus “trabalhadores” costumavam se referir aos resultados dos experimentos, perguntando “Quantas toras derrubadas?”

Entre as pessoas selecionadas para os experimentos, estavam criminosos comuns, guerrilheiros anti-japoneses, prisioneiros políticos e pessoas capturadas por “atividades suspeitas”. Entre estes últimos, estavam inclusos adolescentes, idosos e mulheres grávidas.

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Experimentos

Semelhante às cenas dos filmes de horror de baixa qualidade, os seres humanos que caíam nas mãos da Unidade 731, eram submetidos à toda sorte de experimentos:

  • Testes de Armamentos: Em diversas ocasiões, seres humanos eram presos à estacas fincadas no chão, e utilizados como alvos para determinar quais as melhores distâncias para o lançamento de granadas, explosivos diversos, agentes químicos e mesmo lança-chamas;
  • Testes de Resistência: Os “médicos” da Unidade 731, realizaram diversos experimentos onde as vítimas eram penduradas de cabeça para baixo e assim deixadas, para determinar quanto tempo um ser humano demorava para morrer nestas condições. Também injetavam ar nas artérias, para provocar embolia e urina de cavalo nos rins, para avaliar seus efeitos (!).
  • Haviam também testes onde as vítimas eram privadas completamente de qualquer tipo de alimento, para estabelecerem quanto tempo um ser humano era capaz de viver nestas condições antes de morrer. Outros destes testes consistiam de aprisionar pessoas em câmaras de alta-pressão, para estabelecer o tempo que resistiam antes de entrarem em colapso. Também foram estudadas as relações entre o tempo de exposição a temperaturas elevadas e a morte.
  • A Unidade 731 realizou experimentos onde as vítimas eram inseridas em equipamentos semelhantes à centrífugas, e eram avaliados os efeitos que essa força exercia nos corpos (obviamente, até a morte das vítimas). Além disso, existiram experimentos onde o sangue de animais era injetado nas vítimas, para avaliar se seu uso era possível em transfusões.
  • Outros testes incluíam a avaliação da utilização (endovenosa) de água do mar, em substituição ao soro fisiológico e também ao sepultamento de indivíduos vivos, para avaliações.
  • Estes no entanto eram apenas parte dos experimentos a que parte dos prisioneiros japoneses eram submetidos. Haviam também experimentos onde as vítimas eram expostas a agentes químicos e biológicos:
  • Os “cientistas” japoneses infectaram suas vítimas com os agentes causadores de diversas doenças contagiosas, tais como Peste Bubônica, Cólera, Varíola, Botulismo, entre outras. Estas infecções tinham como objetivo, o estudo e desenvolvimento de Bombas de Alastramento de Bacilos e trambém outros tipos de armamento biológico, bacteriológico e químico. Estas bombas permitiam que os soldados japoneses pudessem lançar ataques biológicos (em especial na China), infectando as plantações, reservatórios de água, mananciais e outras áreas, com agentes biológicos, diversos destes transmitidos por pulgas contaminadas. Outra forma de contaminação desenvolvida pelos cientistas da Unidade 731, era o lançamento (por via aérea), de alimentos e roupas contaminadas, em áreas da China, não ocupadas pelas forças japonesas. Foram utilizados inclusive doces contaminados, que eram indiscutivelmente direcionados às crianças.
Procedimento de vivissecção feito pelas mãos do próprio Shiro Ishii
Procedimento de vivissecção feito pelas mãos do próprio Shiro Ishii

Os cientistas japoneses, vestindo roupas de proteção, muitas vezes examinavam as vítimas infectadas “in loco”, para determinação da extensão dos resultados. Os resultados destas ações ainda são controversos e responsáveis pela manutenção em parte, dos desentendimentos entre o Japão e diversos países que asiáticos, em especial a China. No ano de 2002, a cidade de Changde, na China, que foi alvo de um ataque de pulgas infectadas, foi palco do “Simpósio Internacional de Crimes de Guerra Bacteriológica”, onde as autoridades chinesas estimaram o número de mortos em consequência do ataque, em 580 mil pessoas. Já historiadores como Sheldon Harris, estimam as mortem em 200 mil pessoas. Além destas mortes, existe um caso onde o feitiço virou contra o feiticeiro. Em Chekiang, 1700 soldados japoneses foram vítimas de suas próprias armas biológicas, devido ao manuseio inadequado dos frascos de porcelana contendo as pulgas infectadas.

Além destes experimentos, também foram realizados outros estudos, como a inoculação de agentes venéreos infecciosos, como sífilis e gonorreia  em prisioneiros de ambos os sexos, para posterior estudo dos efeitos do não-tratamento de doenças venéreas. Mas talvez os experimentos mais macabros, tenham sido que envolviam procedimentos cirúrgicos:

  • Muitos prisioneiros tinham seus membros amputados para possibilitar estudos sobre hemorragias. Em diversas ocasiões, estes membros amputados eram reimplantados em lados opostos do corpo. Noutros casos, os prisioneiros eram sujeitos ao congelamento dos membros, antes da amputação e em diversos casos os prisioneiros eram infectados com gangrena gasosa e não recebiam tratamento, para posteriores estudos dos efeitos do não tratamento nos membros.
  • Diversos prisioneiros tinham seus estômagos removidos cirurgicamente e seus esofagos ligados diretamente aos intestinos. Também eram removidas partes do cérebro, pulmões, fígado, etc.
  • Talvez aqui, um das mais impressionantes e repugnantes procedimentos empregados  para “estudar” os seres humanos, a Vivissecção, foi amplamente utilizada pelos cientistas japoneses. Os prisioneiros eram infectados com agentes infecciosos e a´pos um período de tempo, eram então submetidos à vivissecção (sem anestesia normalmente), onde os cirurgiões removiam os órgãos internos para os estudos dos efeitos das infecções nos seres humanos. As vítimas eram homens, mulheres, adolescentes e crianças. Aparentemente os japoneses adotavam esta prárica por temer que o processo de decomposição afetasse os resultados (!).
Procedimento cirúrgico um garota violentada
Procedimento cirúrgico um garota violentada
Vivissecção de uma criança de 5 anos
Vivissecção de uma criança de 5 anos

Apesar das negativas oficiais, no ano de 2007, o cirurgião Ken Yuasa (23 de outubro de 1915 – 02 de novembro de 2010), que participou por determinado tempo, das ações da Unidade 731, a partir dos anos de 1950, realizou inúmeras viagens e palestras denunciando os crimes de guerra cometidos pelo Japão (sendo inclusive ameaçado de morte diversas vezes em sua terra natal), declarou publicamente ao Japan Times ter presenciado e também ter praticado tais ações, conforme suas próprias palavras:

“Eu estava bastante temeroso em minha primeira vivissecção, mas a segunda vez foi bem mais fácil. Já quando fui fazer o procedimento pela terceira vez, eu realmente queria fazer aquilo”.

Ele acreditava que pelo menos 1000 pessoas estiveram envolvidas nesse tipo de prática, durante a ocupação da China pelo Japão.

 

Dr Ken Yuasa ao centro no Hospital de IJA, província de Luan, 1943, e à direita Yuasa em sua casa, 2007.
Dr Ken Yuasa ao centro no Hospital de IJA, província de Luan, 1943, e à direita Yuasa em sua casa, 2007.

 

Membros Conhecidos

  • Tenente General Shirō Ishii
  • Tenente  Colonel Ryoichi Naito (fundador da companhia farmacêutica Green Cross)
  • Masaji Kitano
  • Yoshio Shinozuka
  • Yasuji Kaneko

 

Organização e Divisões

Informações mais precisas a este respeito também são escassas, uma vez que muitas evidências foram destruídas no final do conflito, e muito material acabou sendo apreendido pelas tropas de ocupação e classificado como “Secreto”, ainda não “Desclassificado”. Existiam diversas unidades, sob as áreas de controle de outros exércitos, mas com base nas informações testemunhais, a organização da Unidade 731 era mais ou menos a seguinte:

Unidade 731  – Instalada em Pingfang (distrito de Harbin), sob o controle do Exército Kantogun.

  • Divisão 1 – Destinada às pesquisas com Peste-Bubônica, Cólera, Antraz, Tifo e Tuberculose, utilizando cobaias humanas. Para atender às necessidades, contava com uma prisão com capacidade entre 300-400 pessoas.
  • Divisão 2 – Destinada às pesquisas para uso de armas biológicas em campo, em particular a construção de dispositivos para lançar germes e parasitas.
  • Divisão 3 – Destinada à produção de granadas portadores de agentes biológicos.
  • Divisão 4 – Destinada à produção de outros agentes diversos.
  • Divisão 5 – Destinada ao treinamento de pessoal.
  • Divisões 6 a 8 – Unidades de Equipamentos, Médicas e Administrativas.
  • Unidade 516 – Divisão de Armamentos Químicos da Unidade 731, estava instalada em Qiqiha. Estima-se que entre 700’000 (estimativa japonesa) e 2’000’000 (estimativa chinesa) de armas químicas produzidas pelo Exército Japonês, tenham sido enterradas em solo chinês. Até 1995 o Japão se recusava a reconhecer que havia praticado tais ações. Existem inclusive suspeitas de que o EIJ tenha lançado parte de seus armamentos químicos no Rio Yen, na Manchúria.
  • Outras subunidades ligadas à Unidade 731, eram a Unidades 643, 162, 673, 543 e 319. Estas aparentemente eram ligadas ao controle e purificação d’água.

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Instalações

O complexo da Unidade 731 abrangia 6 quilômetros quadrados e era composto por mais de 150 prédios, sendo que os principais prédios foram projetados de maneira a resistirem a bombardeios. Estes prédios abrigavam diversas fábricas e depósitos de armazenagem. Haviam cerva de 4500 contêineres/caixas, onde eram depositadas pulgas, outros 1800 contêineres para armazenamento e/ou criação de agentes biológicos e seis tanques para produção de agentes químicos. Seria possível obter 30 quilogramas (66 lbs) de bactérias da peste bubônica, em alguns dias. Este complexo continuou a ser utilizado para outros propósitos após o final da guerra, e um parte se encontra preservada, como parte do Museu de Crimes de Guerra da Manchúria.

Além das instalações em Pingfang, a Unidade 731 administrava uma Escola de Medicina (e Instituto de Pesquisas) em Shinjuku (nos arredores de Tóquio), durante a Segunda Guerra Mundial. No ano de 2006, Toyo Ishii, uma antiga enfermeira que trabalhara no local durante a guerra, declarou ter auxiliado a enterrar corpos e partes (de corpos) nos fundos do local, logo após a rendição do Japão. O Ministério da Saúde do Japão, ordenou o início das escavações no local, para apurar os fatos, cinco anos depois, em fevereiro de 2011.

Também, de acordo com o depoimento do major britânico Robert Peaty, do Royal Army Ordnance Corps, e prisioneiro em Mukden, um campo de prisioneiros de guerra, situado a aproximadamente 560 quilômetros (350 milhas) de Pingfang, médicos da Unidade 731 visitavam regularmente o local e administravam injeções de material infectado, como se fossem vacinas, especialmente em prisioneiros americanos, o que teria causado a morte de 186 deles.

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Pós Guerra: Evidências, Imunidade e Julgamentos

Com a invasão soviética de Manchukuo e Mengjiang, em agosto de 1945, a Unidade 731 teve que abandonar suas atividades e seus membros, juntamente com suas famílias, voltaram ao Japão, por via aérea.

O Tenente-General Shirō Ishii ordenou a cada membro do grupo, que os segredos a respeito de suas atividades deveriam ser levados ao túmulo e proibiu terminantemente que qualquer um deles entrassem para organismos públicos, ameaçando procurá-los caso falhassem. Todos eles receberam cápsulas de cianureto, para serem utilizadas em caso de captura.

Tropas japonesas a mando de Ishii, tentaram destruir as instalações da Unidade 731, nos dias finais da guerra, para ocultar as evidências das atividades, mas o feitiço virou contra o feiticeiro, e os prédios construídos para resistir a impactos de bombas, também resistiram aos explosivos instalados pelos japoneses, e as tropas soviéticas encontraram as edificações praticamente intactas.

Dwight D. Eisenhower
Dwight D. Eisenhower

Após a rendição japonesa, o general americano Douglas MacArthur, que detinha o título de “Supremo Comandante das Forças Aliadas (a exemplo de Dwight Eisenhower, que detinha o mesmo título em relação aos aliados na Europa), garantiu secretamente imunidade a todos os integrantes da Unidade 731, em troca destes fornecerem aos Estados Unidos, e não aos outros aliados (especialmente a União Soviética), suas pesquisas a respeito de “Guerra Biológica”. As autoridades americanas de ocupação, passaram então a monitorar atentamente as atividades de todos os ex integrantes da Unidade 731, incluindo suas correspondências, para garantir que outras nações não tivessem acesso às pesquisas japonesas.

A imunidade foi tamanha, que durante os julgamentos do Tribunal de Crimes de Guerra de Tóquio, foi feita apenas uma menção a experimentos com “soro venenoso“ em civis chineses. Esta menção foi feita em agosto de 1946 por David Sutton, então assistente da Promotoria Chinesa. O defensor do Japão alegou que a menção era vaga e nada contribuía para o julgamento, o que foi aceito pelo presidente do tribunal, Sir William Webb, por falta de evidências. Sutton não fez qualquer outra menção ao fato, posteriormente sua menção anterior foi considerada como “engano”. Nenhum membro da Unidade 731 foi condenado por suas atividades.

No entanto, embora os Estados Unidos tenham conseguido manter em silêncio as atividades da Unidade 731, durante os Julgamentos de Tóquio, o mesmo não aconteceu posteriormente. Embora os interesses soviéticos em relação aos cientistas, provavelmente fosse o mesmo dos americanos, a União Soviética havia capturado documentos e materiais da Unidade 731 e também de outras unidades menores, como a Unidade 1644 (Nanjing) e a Unidade 100 (Changchun). Com as relações já rompidas com os Aliados ocidentais, a URSS organizou seu próprio julgamento, que foi realizado em dezembro de 1949, em Khabarovsk. O presidente do tribunal foi Lev Smirnov, um dos Promotores Soviéticos que atuaram nos Julgamentos de Nuremberg.

A União Soviética julgou na ocasião, 12 líderes e cientistas envolvidos com a Unidade 731 e suas afiliadas Unidade 1644 e Unidade 100. Um dos líderes julgados foi o general Otozō Yamada, comandante-em-chefe do Exército Kantogun. As sentenças impetradas variavam entre 2 e 25 anos nos Campos de Trabalho da Sibéria. Após as condenações, a União Soviética distribuiu cópias dos documentos referentes aos julgamentos, em diversos idiomas, incluindo o inglês. Como esperado, os EUA se recusaram a reconhecer a legitimidade dos julgamentos, alegando que se tratava de propaganda comunista. Importante notar também que, apesar de tudo, os esforços americanos em não fornecer os resultados das pesquisas japonesas sobre Guerra Biológica à URSS, foram completamente em vão. A URSS construiu as instalações para a produção de armamentos biológicos em Sverdlovsk, baseada em informações capturadas nas instalações da Unidade 731 na Manchúria.

Pós Guerra: Silêncio Oficial

De acordo com a imunidade secretamente concedida aos integrantes da Unidade 731, por parte dos Estados Unidos, estes puderam exercer livremente suas atividades durante o período de ocupação americana do Japão. Um destes “cientistas” foi Masami Kitaoka, ex integrante da Unidade 1644, que continuou seus experimentos, entre 1947 e 1956, no National Institute of Health Sciences (Instituto Nacional de Ciências da Saúde). Seus experimentos consistiam na infecção de prisioneiros com ‘rickettsia’ e na infecção de doentes mentais com tifo.

Captura de Tela 2015-06-24 às 11.21.30No entanto, no início da década de 1950, após o final da ocupação americana do Japão, tiveram início as discussões a respeito das atividades da Unidade 731. No ano de 1952, um experimento realizado no Hospital Pediátrico Municipal de Nagóia, resultou na morte de uma criança e a morte foi publicamente ligada a ex integrantes da Unidade 731. Anos mais tarde, a mídia especulou que assassinatos atribuídos oficialmente pelo governo, a Sadamichi Hirasawa, foram na verdade cometidos por membros da 731. Já no ano de 1958, o autor Shusaku Endo, publicou um livro intitulado The Sea and Poison” (O mar e Veneno)sobre experimentos  com seres humanos, que acredita-se ser baseado em fatos reais.

No ano de 1981, o autor japonês Morimura Seiichi, publicou um livro intitulado “A Gula do Demônio”, seguido pelo livro “A Gula do Demônio: As Sequelas”,  de 1983, que pretendiam revelar as “verdadeiras” operações da Unidade 731, mas que na verdade se tratavam de operações da Unidade 100, além de utilizar fotos não catalogadas de vivissecção, atribuídas à Unidade  731, o que levantou sérias dúvidas quanto à confiabilidade dos fatos apresentados.

Foi também no ano de 1981 que foi surgiu a primeira declaração de que foi praticada a vivissecção em seres humanos na China, através das declarações de Ken Yuasa. No ano de 2001, foi exibido o documentário japonês “Demônios Japoneses”, que contém as entrevistas com 14 ex-integrantes da Unidade 731, todos condenado à prisão na China e libertados após cumprirem suas penas. Ken Yuasa, que também dá seu testemunho, foi condenado inicialmente à morte por crimes de guerra, mas posteriormente a pena foi alterada, segundo as autoridades chinesas, após o prisioneiro ser submetido a um extenso programa de “re-educação”, que incluía testemunhar publicamente sobre as atrocidades cometidas pelas forças de japonesas.

Posição Oficial do Governo Japonês

Desde o final da ocupação americana do Japão, o governo japonês têm feito repetidamente, pedidos de desculpas por conta das atitudes de suas forças no período pré-guerra, de um modo geral, no entanto, pedidos de desculpas por ações específicas, só são realizados após consensos bilaterais sobre a ocorrência de crimes de guerra, que requerem evidências amplamente documentadas. Um destes casos foi a compensação paga à Coréia do Sul, por conta dos crimes relacionados ao emprego das chamadas “Mulheres de Conforto ou Mulheres de Alívio” (emprego de mulheres locais, como escravas sexuais de oficiais), ocorrido em 1965.

Já no caso da Unidade 731, a situação é muito mais complexa. Diferente do ocorrido na Alemanha nazista, que mantinha extensa documentação e catalogação de todas as atividades, mesmo as que envolviam experimentos com seres humanos, as atividades da Unidade 731 não estão “devidamente” documentadas, sendo levadas ao conhecimento público por testemunhos de ex-integrantes, que em diversos dos casos, não tinham envolvimento direto com as ações  declaradas e que desta forma, não podem ser utilizados para determinar as ações impetradas realmente.

Livros de história japoneses, normalmente contém alguma referência à Unidade 731, mas sem entrar em maiores detalhes sobre as alegações de crimes de guerra. Todavia o historiador japonês Saburo Ienaga, publicou em meados da década de 1960, um livro intitulado “Nova História do Japão”, que incluía detalhada descrição, baseada em testemunhos de ex-oficiais, a respeito das ações da Unidade 731 (o livro também trazia informações a respeito do Massagre de Nanjing). Na época, o Ministério da Educação ordenou que estas informações fossem removidas, alegando que somente testemunhos eram insuficientes para provar que estas ações de fato ocorreram, e sendo este um livro utilizado em escolas públicas, seria errado transmitir tais fatos como verdadeiros. Ienaga desde então, ingressou  na justiça japonesa, com diversas  ações contra o Ministério da Educação, exigindo compensações pela violação do seu direito de livre expressão, por danos morais e danos materiais. Ao longo dos anos, Ienaga não obteve sucesso, até que finalmente em 1997, a Suprema Corte do Japão, considerou que os testemunhos eram suficientes para o reconhecimento das ações, e que a remoção das menções violava o direto de livre expressão, dando ganho de causa a Ienaga.

Neste mesmo ano, o advogado Kōnen Tsuchiya moveu com uma ação conjunta, contra o Governo Japonês, exigindo compensações pelas ações  praticadas pela Unidade 731, utilizando   evidências fornecidas pelo historiador Prof. Makoto Ueda, da Universidade Rikkyo. Todas as instâncias judiciais consideraram que faltava embasamento legal para dar continuidade à ação. A alegação foi que mesmo havendo evidências de que houve de fato, experimentos com seres humanos, as reparações deveriam ser determinadas através de tratados internacionais, e não por uma corte local.

No ano de 2003, o Primeiro-Ministro do Japão, respondendo a uma solicitação da Câmara dos Representantes do Japão (equivalente no Brasil, à Câmara dos Deputados Federais), declarou que o Governo Japonês não possui qualquer documentação relacionada com a Unidade 731, mas que reconhece a gravidade do assunto e que quaisquer documentos que fossem descobertos futuramente, seriam tornados públicos.

Conclusão

Conforme já foi apresentado, são muitos os fatores que contribuem para que as ações da Unidade 731 não sejam devidamente esclarecidas. Os documentos referentes a este assunto em específico, provavelmente não se tornarão públicos tão facilmente, ou pelos menos nos próximos anos. Diferente do ocorrido na Alemanha nazista, cravada no coração da Europa, o Japão logo se apresentou como uma região estratégica para as novas potências político-militares que surgiam (EUA e URSS). O tratamento concedido pelos Estados Unidos, não era tão somente para ter acesso aos documentos e informações sobre as pesquisas biológicas japonesas, ou para negar aos soviéticos estas informações. Muito mais estava em jogo.

A URSS declarou guerra ao Japão, nos dias finais da guerra, claramente para ter, conforme já determinado entre os aliados, acesso a equipamentos militares, tecnologias e pesquisas japonesas (um dos interesses soviéticos,  eram os submarinos japoneses) em todos os âmbitos. Além disso, ambos os lados sabiam que em caso da monarquia ser destituída, haveriam um caos social, semelhante ao ocorrido na China, e haviam grandes possibilidades de ser implantado um governo pró-URSS, o que não interessava em nada aos EUA, que  cientes das intenções soviéticas, e dos possíveis desdobramentos, fizeram diversas concessões ao Japão, especialmente não destituindo o imperador e mantendo assim uma unidade nacional, que num segundo momento, favorecia os EUA.

O problema atual, é que embora tenhamos diversos testemunhos, algumas partes interessadas em provar a culpa dos japoneses, acabam por criar situações no mínimo tão controversas quanto a própria Unidade 731, como foi o caso do livro (japonês) que contêm imagens de ações realizadas por outra unidade. Seria um equívoco ou seu autor buscava somente fama e fortuna? Também temos o caso do cientista japonês Ken Yuasa, que inicialmente fora condenado à morte na China, por seus crimes de guerra, e que posteriormente teve a pena alterada, em troca deste testemunhar publicamente que cometera estas atrocidades. Será isto verdade, ou será que este apenas aceitou mentir para salvar sua vida?

Contudo existem dezenas de outros testemunhos, bastante reveladores e que apresentam coesão entre si, o que comprovaria que a Unidade 731 (e as outras semelhantes) tenha praticado tais barbáries (como descritas), mas um assunto de tal monta, ainda precisa de documentos que comprovem(ou desmintam) definitivamente as ações. Estes documentos se encontram, nos arquivos russos e americanos, mas aparentemente, nenhuma das partes está disposta a mexer neste assunto, pois certamente a história não se limitaria apenas a isto. Muito mais deve estar envolvido, e em termos políticos, há muito a perder. Ou alguém duvida que se amanhã, os papéis ocupados atualmente pela China e Japão, para com os EUA e/ou Rússia, se invertessem, estes documentos ainda “Classificados” viriam a se tornar de conhecimento público?

Quem sabe, talvez daqui a 30, 50 ou 80 anos, documentos sejam liberados e este assunto seja definitivamente elucidado.

 

 

Fonte: Deadly Birds

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