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Inglaterra

Ases da Primeira Guerra Mundial
Manfred von Richthofen, o famoso Barão Vermelho, foi o mais condecorado piloto alemão da Primeira Guerra Mundial. No entanto, haviam outros ases tão bons quanto e até melhores e mais habilidosos.
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Max Immelmann

O lendário Max Immelmann foi o primeiro ás alemão de todos os tempos. E também foi o primeiro aviador a ser condecorado com a mais alta comenda de sua nação, a Pour le Merite, que ficou conhecida como “The Blue Max” em sua honra. Nascido em setembro de 1890, Immelman reintegrou-se às forças armadas alemãs como piloto no início da guerra. Ele havia se pré-alistado como cadete aprendiz ainda com 14 anos antes de deixar o exército em 1912 para estudar.

Durante seu primeiro alistamento (ao trabalhar como carregador e mensageiro entre os campos de aviação), Immelmann foi agraciado com a Cruz de Ferro de Segunda Classe, conduzir e pousar seu avião seriamente danificado dentro das linhas alemãs. Sua primeira vitória chegou em 1 de agosto de 1915, quando abateu um dos 10 aviões que fizeram um ataque ao aeródromo alemão de Douai, dando a ele a Cruz de Ferro de Primeira Classe.

Em outubro de 1915, Immelmann defendeu sozinho a cidade de Lille contra os pilotos aliados. Por esta façanha ele foi apelidado pelo povo alemão de “Adler von Lille” (“A Águia de Lille”). Em um de seus grandes feitos nos ares de Lille foi quando entrou em um combate aéreo contra o famoso Capitão O’Hara Wood e Ira Jones em um BE-2c. No entanto, perderam suas armas no início da batalha, e tiveram sorte de escaparem ilesos pois Immelmann ficou sem munição. Em janeiro de 1916, ele tornaria-se o primeiro ás a somar oito vitórias aéreas e ser agraciado com a Pour le Merite.

Em 18 de junho de 1916, A Águia de Lille deparou-se com seu fim. Como muitos ases da época, a causa da morte de Immelmann ainda é uma incógnita. Enquanto os aliados alegam que ele foi abatido pelo Tenente G.R. McCubbin e seu artilheiro, Cabo J.H., em um FE-2, autoridades alemãs constataram que ele foi vítima de fogo anti-aéreo amigo. A contagem final das batalhas de Immelmann somavam 15 vitórias, apesar de algumas fontes afirmarem 17.

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Oswald Boelcke

Durante guerras, poucas pessoas foram reconhecidas em ambos os lados do conflito. Oswald Boelcke foi uma destas durante a Primeira Guerra Mundial. Ele se alistou às vésperas da guerra em 1914 como observador juntamente com seu irmão, Wilhelm. Logo transferiu-se para um esquadrão aéreo, Sessão 62, onde conseguiu sua primeira vitória em agosto de 1915. Tornou-se amigo de Max Immelmann, e juntos criaram um grande espírito competitivo.

Em janeiro de 1916, Boelcke fez sua oitava vitória no mesmo dia que Immelmann, tornando-se o segundo ás alemão. Foram os primeiros pilotos a serem agraciados com a Pour le Merite. Após a morte de Immelmann em junho, Boelcke foi ordenado pelo kaiser a não levantar vôo por um mês para que não corresse o risco de ser morto. Enquanto permaneceu no solo, contribuiu para reformas que resultaram na reorganização do Serviço Aéreo do Exército Imperial. Instituiu o uso da formação de vôo ao invés dos comuns esforços individuais, originando a criação dos Esquadrões Jasta (Jagdstaffel – esquadrão de caça). Como sendo o líder do recém criado Jasta 2, criou o trio de ases composto por Manfred von Richtofen, Hans Reinmann e Erwin Boehme para compor seu esquadrão.

Apesar de Boelcke possuir o sangue de muitos pilotos aliados em suas mãos, ele também ganhou fama de estar entre os poucos homens cavalheiros a zunirem nos céus europeus. Dias após sua primeira vitória, ele salvou um garoto francês de afogar-se em um canal próximo ao aeródromo alemão. Foi agraciado com a Medalha Prussiana do Salva-vidas após todos os esforços do pai do garoto para que recebesse a Medalha de Honra da Legião Francesa. Outro feito heróico e respeitável de Boelcke aconteceu em janeiro de 1916, quando abateu dois pilotos franceses. Enquanto visitava um deles em um hospital em território alemão, o francês o entregou uma carta, Boelcke cumpriu seu favor ao francês e despejou atrás das linhas inimigas apesar do fogo pesado.

Boelcke perdeu sua vida em 28 de outubro de 1916, quando seu avião colidiu com o de Behme. Na época de sua morte, o piloto de 25 anos era o ás de de maior reconhecimento somando 40 vitórias confirmadas. O legado de Boelcke, além de ser o patrono da força aérea alemã (Luftstreitkräfte), incluía sua obra literária chamada Dicta Boelcke, o primeiro livro contendo regras de combate aéreo. Até mesmo depois de sua morte, seus apadrinhados, especialmente o Barão Vermelho, contemplavam esta obra em alta conta.

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Lothar Von Richthofen

Mais lembrado atualmente como sendo o único irmão mais novo do Barão Vermelho, Lothar von Richthofen era ainda um pequeno ás durante a Primeira Guerra Mundial, mas considerado ainda mais temido e mortal do que seu famoso irmão. Nascido dois anos depois de Manfred, Lothar era um oficial de cavalaria antes do início da guerra. Ele então transferiu-se para o Serviço Aéreo Imperial e recebeu sua aeronave em 1915. Ele voou como observador com o Esquadrão Jasta 23 até 1917, quando foi transferido para o Jasta 11, o esquadrão que seu irmão fazia parte na época.

Após sua primeira vitória em 28 de março, o irmão mais novo do Barão saiu rapidamente da sombra de seu irmão ao somar 24 vitórias em um mês e meio. Entre uma destas vitórias havia a imbatível façanha de derrubar o famoso ás inglês, Albert Ball. Foi agraciado com a Pour le Merite em 14 de maio. Reconhecido por seus companheiros por seu estilo agressivo de combate, Lothar passou mais tempo na cama do hospital do que em batalha. Após uma de suas estadias no hospital, Lothar voltou para a guerra por alguns meses antes de ser abatido novamente em 12 de agosto de 1918, encerrando sua guerra.

Após a guerra, Lothar trabalhou por um tempo curto em uma fazenda antes de tornar-se piloto comercial. Perdeu sua vida em um acidente aéreo em julho de 1922. Acreditado com 40 vitórias, o jovem Richthofen talvez tivesse sido tão famoso e respeitado quanto se irmão caso tivesse adotado um método de combate mais seguro.

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Ernst Udet

O trágico fim de Ernst Udet, o maior ás a sobreviver a guerra, teve um grande contraste com sua vida peculiar. Após passar por dificuldades ao alistar-se no exército devido à sua altura, nascido em Frankfurt, Udet juntou-se ao programa de voluntários motociclistas aos 18 anos. Em 1915, conseguiu transferir-se para o Serviço Aéreo Alemão. Como muitos pilotos amadores, começou como observador antes de ser transferido para o Flieger Abteilung 68, onde conseguiu sua primeira vitória sozinho contra 22 aeronaves inimigas em 18 de março de 1916. Foi agraciado com a Cruz de Ferro de Primeira Classe.

No início de 1917, o Flieger Abteilung 68, agora nomeado Jasta 15, ficou estacionado no fronte de Champagne no lado oposto ao Esquadrão Spork, que tinha consigo Georges Guynemer, o grande ás francês. Como ironia do destino, Udet cruzou com Guynemer em uma das mais prolíficas batalhas aéreas da guerra. O ás alemão colocou seu oponente francês em sua mira, mas sua arma emperrou. Guynemer, percebendo a sorte grande que havia tido, simplesmente acenou e poupou o amedrontado ás alemão frente a situação inusitada.

No ano seguinte Udet, recém promovido, liderou diversos esquadrões incluíndo o Circo Voador, aumentando sua contagem de vitórias a 16. Foi então agraciado com a Pour le Merite no início de 1918. Após uma ausência por doença, retornou à guerra como líder do Jasta 4. Recebeu então seu novo avião, um Fokker D VII, pintado com as palavras Lo (em homenagem à sua namorada, Lola Zink) e du doch nicht (“você não”) com o objetivo de provocar os pilotos aliados. Somava 62 batalhas antes do fim da guerra após uma impressionante série de abatimentos que resultaram em 27 aeronaves ao final de setembro.

Após a guerra, Udet viveu o ponto alto de sua vida quando atuou em vários filmes, escreveu uma autobiografia, e fez inúmeros show aéreos ao redor do mundo. Em 1934, teve a infeliz decisão de alistar-se na Luftwaffe e lentamente subiu à patente de Coronel General. Udet sofreu um surto após ser acusado por Hermann Goring de ter sido o principal responsável pela perda de muitas batalhas alemãs. Em 17 de novembro de 1941, suicidou-se com um tiro na cabeça. Foi sepultado como herói pelos nazistas, que alegavam que ele havia sido morto por engano ao testar uma nova arma.

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Erich Lowenhardt

Erich Lowenhardt

Antes de Erich Lowenhardt ter se voluntariado ao Serviço Aéreo Alemão em 1916, foi agraciado com a Cruz de Ferro de Primeira Classe por sua bravura como membro de uma unidade de infantaria um ano antes. Após um tempo curto como observador, foi transferido ao Jasta 10 no início de 1917. Logo, ganhou uma temida reputação entre seus colegas após nomeado líder de seu esquadrão. Em novembro de 1917, Lowenhardt teve sorte de escapar ileso de um sério acidente aéreo quando seu avião foi abatido por fogo anti-aéreo inimigo. Ele foi agraciado com a Pour le Merite após completar 24 vitórias em maio de 1918.

Envolveu-se em uma competição aérea por vitórias juntamente com Ernst Udet e Lothar von Richthofen, foi apontado como líder número um dos circos voadores em junho de 1918. Em agosto, tornaria-se um dos únicos três alemães a somarem mais de 50 vitórias aéreas na guerra. (O Barão Vermelho e Udet eram os outros dois.) Em 10 de agosto, o avião de Lowenhardt chocou-se com o avião de um colega alemão, Alfred Wentz. Lowenhardt saltou, mas seu paraquedas falhou durante a abertura, resultando em sua morte. Wentz sobreviveu. Lowenhardt é visto hoje como um dos melhores pilotos da Primeira Guerra Mundial por suas 54 vitórias confirmadas, sendo metade delas acumuladas seis semanas antes de sua morte.

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Eduard Von Schleich

Eduard Von Schleich

Em 1908, Eduard von Schleich juntou-se às linhas de frente do Exército Alemão. Mais tarde transferiu-se para o serviço aéreo enquanto recuperava-se de um sério ocorrido que o feriu em uma batalha ao final de 1914. Em 1915, juntou-se ao Feldflieger-Abteilung 2b como piloto e logo recebia sua Cruz de Ferro de Primeira Classe, por completar uma missão vital mesmo tendo um de seus braços severamente ferido. Após recuperar-se, von Schleich solicitou e recebeu transferência para o Jasta 21 em março de 1917.

O Jasta 21, que não possuía grandes feitos nos registros de combate entre os esquadrões alemães, evoluiu rapidamente sob o comando de Schleich. Em julho, ele perdia um grande amigo, o Tenente Erich Limpert, fato que mais tarde o levaria a pintar sua aeronave inteiramente de preto em sua honra. Com isto, ele seria então conhecido como “O Cavaleiro Negro”, e seu esquadrão receberia o apelido de “O Esquadrão do Homem Morto”. Em setembro, o Esquadrão do Homem Morto entrava em uma sequência de batalhas com abatimentos bem sucedidos tirando 40 aeronaves inimigas de combate, 17 delas acreditadas ao Cavaleiro Negro.

Após uma breve ausência devido a ferimentos, von Schleich foi transferido ao Jasta 32. O motivo por trás deste realinhamento era uma ordem onde permitia que apenas prussianos liderassem unidades ou esquadrões, pois von Schleich era bávaro. Em dezembro, ele recebia seu Pour le Merite após alcançar 25 vitórias confirmadas. Por um curto período de tempo ele comandou um dos circos voadores o Jagdgruppe Número 8, uma unidade composta por três Jastas (23, 32, e 35), antes do armistício. Von Schleich terminou a guerra com 35 vitórias confirmadas apesar de passar mais de um ano no fronte em terra. Após a guerra, trabalhou na Lufthansa e mais tarde alistou-se na Luftwaffe, onde recebeu a patente de general antes de se aposentar. Ele faleceu em 1947.

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Hans-Joachim Buddecke

Hans-Joachim Buddecke

Em 1904, Hans-Joachim Buddecke seguia os passos de seu pai ao alistar-se no corpo de cadetes do Exército dos Estados Unidos. Nove anos depois, mudou-se para Indianapolis após pedir baixa do serviço militar. Durante o ano seguinte, trabalhou como mecânico de aeronaves e teve a oportunidade de aprender a pilotar. Quando a guerra eclodiu na Europa, Buddecke voltou à Alemanha para entrar para o Serviço Aéreo ao final de 1914. Voou como observador antes de ser transferido para o 23º Esquadrão FFA (Feldflieger Abteilung).

A primeira batalha aérea de Buddecke ocorreu em 19 de setembro de 1915 e rendeu a ele a Cruz de Ferro de Primeira e Segunda Classes, após capturar tripulantes de uma aeronave abatida. Seriam eles o Tenente W.H. Nixon e o Capitão J.N.S. Stott. Em 1916, após uma brilhante atuação na Batalha de Dardanelos, na Turquia, ele foi agraciado com a Pour le Merite ao abater seu oitavo oponente. Tornaria-se então, o terceiro ás alemão, apenas atrás de Immelmann e Boelcke, a receber a Blue Max.

Buddecke foi reconvocado à Europa, onde liderou o Jasta 4 antes de ser transferido ao Jasta 14. E mais tarde seria obrigado a voltar à Turquia, onde liderou com sucesso a campanha de Gallipoli e recebeu a medalha turca Liakat Dourada (algo similar a medalha de honra ao mérito). Os soldados turcos que puderam contemplar as atuações de Buddecke o apelidaram de “El Schahin”, que significa “O Falcão Caçador.”

Mais tarde, e mais uma vez, Buddecke era convocado a atuar na Europa onde comandaria diferentes Jastas antes de ser morto durante um combate em céus franceses no dia 10 de março de 1918, com 27 anos. Buddecke foi acreditado com 13 vitórias confirmadas antes de sua morte.

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Werner Voss

Pergunte à qualquer um, quem foi o maior ás da Primeira Guerra Mundial e você certamente vai ouvir o nome do Barão Vermelho. No entanto, Werner Voss é tido pelos historiadores como o equivalente a ele ou talvez até melhor. Voss juntou-se ao Exército Alemão para atuar na cavalaria em novembro de 1914 com 17 anos. Mais tarde transferia-se ao Serviço Aéreo e rapidamente já estava voando como observador antes de ser integrado ao Jasta 2 para ser avaliado temporariamente em novembro de 1916.

Suas duas primeiras vitórias ocorreram em 27 de novembro de 1916, dando a ele lugar fixo no Esquadrão Jasta 2. Em maio do mesmo ano, Voss chamou a atenção do Barão Vermelho após sua 28ª vitória, que resultaria na prestigiada Pour le Merite em abril do mesmo ano. O Barão, então, ofereceu sua amizade ao único homem que parecia ameaçar sua fama. A verdade era que Manfred era um bom piloto, não tão espetacular voando, enquanto Voss era altamente eficiente em ambos. Voss foi convidado pelo Barão a juntar-se a um dos circos voadores onde conseguiu mais 14 vitórias antes de ser morto em 23 de setembro de 1917, em uma de suas maiores batalhas aéreas.

Naquele dia, Voss foi atacado por uma esquadrilha de sete aeronaves britânicas. Conseguiu mantê-los ocupados por 10 minutos antes de ser abatido por Arthus Rhys Davids. Voss, que somava 48 vitórias a seu nome na época de sua morte, foi descrito por James McCudden, o grande ás britânico, como o mais bravo piloto alemão que ele já tinha visto combater.

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Josef Jacobs

Josef Jacobs

Josef Jacobs alistou-se no Serviço Aéreo Alemão em 1914. Após uma breve atuação como piloto de reconhecimento, Jacobs conseguiu sua primeira vitória em fevereiro de 1916, mas foi declarada não confirmada devido a falta de testemunhas. Em outubro, foi transferido para o Jasta 22, onde subsequentemente conseguiu sua confirmação de primeira vitória em 23 de janeiro de 1917. Acumulou três vitórias confirmadas e oito não confirmadas com no Jasta 22 antes de ser transferido para o Jasta 7, onde foi designado a comandá-lo em 2 de agosto de 1917.

Jacobs foi agraciado com a Pour le Merit após abater seu 24º oponente em 19 de julho de 1918. Ainda no mesmo esquarão, Josef abateu mais 24 aeronaves entre 13 de setembro e 27 de outubro, onde venceu a sua última batalha aérea da guerra.

Josef viveu o bastante para se tornar o mais antigo recipiente da Pour le Merite. Ele faleceu em 1978. Em uma entrevista reveladora uma década antes de sua morte, Josef confessou que apesar de seu longo tempo de serviço militar no Exército Alemão e sendo o quarto colocado (empatado com Werner Voss) entre os ases alemães, nunca recebeu as pensões por seus feitos por ser apenas um oficial de reserva durante a guerra.

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Rudolf Berthold

Rudolf Berthold

Rudolf Berthold alistou-se no Exército Alemão em 1909 e foi transferido ao Serviço Aéreo Alemão para atuar em missões de reconhecimento quando a guerra eclodiu. Mais tarde transferiu-se a um esquadrão de combate, e no início de 1916, já somava cinco vitórias. Berthold ganhou reputação rapidamente por ser um piloto inconsequente levando a fama de ser facilmente abatido em combate. Após uma atuação breve no Jasta 4, ele foi nomeado comandante do Jasta 14 e logo ganharia sua Pour le Merite após atingir sua 12ª vitória. Em maio de 1917, Berthold sofreria uma fratura no crânio, pelvis e teve seu nariz quebrado após ser derrubado. Apesar de sua carreira parecer ter terminado devido aos ferimentos à aquela altura, Berthold levou apenas três meses para voltar ao combate, apesar de não estar completamente recuperado.

Em seguida, ele foi escolhido para liderar o Jasta 18, onde feriu seu braço direito severamente o deixando aleijado. Berthold, que não era desses que desistiam facilmente, aprendeu a voar com apenas uma mão. Tornou-se líder de um dos circos voadores e conseguiu abater mais 16 aeronaves com total sucesso antes de seu tempo de serviço chegar ao fim em 10 de agosto de 1918, quando foi abatido novamente.

Conhecido como “Homem de Ferro” por seus colegas devido a sua fama de ser quase imortal, Berthold atingiu 44 vitórias antes do fim da guerra. Foi morto em um protesto em solo alemão em 1920 com 29 anos ao receber tiros do mesmo povo que o motivou a entrar na guerra para protegê-los. Algumas fontes alegam falsamente que ele foi estrangulado até a morte com sua própria medalha Pour le Merite. Um fim trágico para um ás dos céus.

 

Quando tropas aliadas desembarcaram nas praias da Normandia no Dia-D, eles o fizeram juntamente com uma vasta variedade de blindados fora do comum designados a executar funções especiais

Os blindados que venceram o Dia-D

Em 19 de agosto de 1942, os aliados faziam seu plano de como invadir a Europa ocupada ao desembarcar tropas nas praias na tentativa de capturar os portos franceses.

Os franceses, à esta altura, já estavam sob o controle alemão por mais de dois anos. Os desembarques em Dieppe (Operação Rutter – Executada pelos ingleses, canadenses, americanos e tropas livres francesas) seriam um teste prático com o objetivo de simular uma invasão aliada com contingente suficiente para quebrar as fortes defesas alemãs.

As defesas das praias da Normandia eram formadas por casamatas, bunkers contendo canhões de grosso calibre, arame farpado e trincheiras.
As defesas das praias da Normandia eram formadas por casamatas, bunkers contendo canhões de grosso calibre, arame farpado e trincheiras.

Os desembarques foram um desastre.

Em menos de 10 horas, mais de 60% dos 6.000 ingleses, canadenses e tropas americanas que desembarcaram nas praias foram mortas, feridas ou capturadas. Todos os 28 blindados que alcançaram as praias com eles – algo essencial se as tropas conseguissem penetrar as defesas alemãs – foram destruídos. Muitos ficaram atolados, impossibilitados de moverem-se no solo arenoso e foram alvos de armas anti-carro alemãs.

O grande fracasso nos desembarques em Dieppe ensinaram muito aos aliados. A tentativa de capturar portos fortemente defendidos foi provada como sendo um fracasso à vista dos comandantes. Tropas tiveram de desembarcar em praias de areia muito fofa, e os blindados foi dada a tarefa de abrir caminho através das praias sobre os bancos de areia e outros obstáculos construídos pelos alemães.

Parecia que, apenas um homem, teria uma solução. E dois anos depois, sua frota altamente especializada – e composta por blindados bizarros – tornaria-se um dos maiores motivos que provariam o Dia-D como sendo uma operação de total sucesso.

O nome era Percy Hobart, um comandante britânico visionário. Durante a Primeira Guerra Mundial ele serviu na França e Mesopotamia (atualmente Iraque) e em 1920 ele já vinha percebendo o grande potencial dos carros de combate nos campos de batalha modernos.

Naquela época os primeiros blindados eram primitivos, designs pioneiros nasciam ao passo de um senhor de 90 anos a passos curtos. Estes blindados viriam a surgir apenas nos últimos dois anos da Grande Guerra, ainda assim, provaram-se como um fator decisivo durante as últimas ofensivas aliadas sobre as trincheiras alemãs. Após a Primeira Guerra Mundial, libertos da Guerra de Trincheiras, os blindados diminuíram de escala, ganharam mais velocidade e mobilidade. Um novo conceito de blindados seriam algo como as cargas de cavalaria do passado mas de cara nova.

David Willey, o curador do Britain’s Tank Museum em Bovington, alega que Hobart tornou-se pioneiro na cavalaria mecanizada com uma incrível rapidez. Em 1934, Hobart tornou-se inspetor do Royal Tank Corps, e encarregado de táticas utilizando estes blindados. Ele foi uma figura tão influente que Heinz Guderian, um dos grandes estrategistas alemães das batalhas de blindados e um grande nome nas primeiras vitórias alemãs na Segunda Guerra Mundial, traduziu seus relatórios e os estudou intensamente, diz Willey.

Hobart baseou suas ágeis colunas de blindados nas estratégias de batalhas dos Mongóis utilizadas durante a Idade Média, e foi um dos primeiros comandantes a prever que aviões poderiam dar cobertura e suprimento muita além das frentes inimigas.

Mas após treinar uma nova unidade no deserto do norte da África, Hobart foi forçado a se aposentar – parte, ao que se entende, devido à sua hostilidade e formas “inconvencionais” de estratégias militares utilizando blindados. Como a Inglaterra já vinha sofrendo ameaças de invasão, seu grande expert foi demovido a patente de cabo, e forçado a servir a Guarda Real numa pequena vila chamada Cotswolds, onde vivia.

“Nós temos aqui no museu o “bastão” que foi lhe presenteado – muito dos equipamentos militares ingleses foram deixados na França, então ao invés de um rifle ele tinha uma espécie de bastão com uma baioneta conectada em uma de suas extremidades. Era isso que ele usaria se os alemães tivessem nos invadido.”

Bernard Montgomery, um dos mais respeitados comandantes britânicos, soube que Hobart havia recebido dispensa; Hobart tinha uma má reputação por ser áspero demais, e tinha uma tendência de tratar pessoas de maneira errada.

O blindado DD, o blindado nadador, visto aqui com sua cortina de lona rebaixada
O blindado DD, o blindado nadador, visto aqui com sua cortina de lona rebaixada

Uma reunião entre Hobart e o Primeiro Ministro Winston Churchill foi então organizada; Willey diz que Hobart perguntou se deveria “guardar seu uniforme de Guarda Real e vestir seu velho uniforme de guerra”. Após a reunião, Hobart foi reintegrado e recebeu a tarefa de utilizar seus conhecimentos para melhorar as táticas e tecnologias da cavalaria blindada inglesa.

Após as ameaças iminentes de uma invasão alemã terem diminuído significativamente após a vitória inglesa na Batalha da Grã-Bretanha, o planejamento estratégico militar voltou-se para como os ingleses fariam um possível desembarque nas praias da Normandia e adentrar em território francês. Os alemães haviam preparado grandes defesas que viriam a ser chamadas de Muro do Atlântico, E estendiam-se desde a fronteira franco-espanhola até o norte da Noruega. Quaisquer praias que pudessem ser usadas como chão seguro para um desembarque era defendida por enormes estruturas de concreto portando grandes canhões, casamatas, trincheiras e valas anti-carro juntamente com extensos campos minados.

Quando os aliados invadiram a França em 6 de junho de 1944, cinco praias da costa da Normandia foram utilizadas. As tropas desembarcaram utilizando uma frota de blindados especializados que Hobart – contando com suas experiências em Dieppe – havia ajudado a desenhar e colocar em funcionamento. Os blindados ficaram conhecidos como “Brinquedos de Hobart”. Eles foram utilizados nas praias invadidas pelos canadenses e britânicos – Gold, Sword, e Juno – e foram um sucesso.

Hobart havia percebido que uma força de invasão precisaria de muito mais suporte de blindados – e seu momento mais vulnerável se dava quando abriam caminho entre as águas e areias da praia e terra firme. A solução foi a criação do Sherman DD (Duplex Drive) – o “blindado nadador”.

O Sherman DD exibido no Museu de Bovington, completo, contendo a cortina de lona em canvas que uma vez estendida, ajudava a fazer com o que o blindado pudesse flutuar em mar aberto. O motor movimentava uma hélice instalada na traseira, que permitia que o DD flutuasse em direção a praia a uma velocidade de 8km/h. A lona foi desenhada para suportar ondas de até 30cm – a tripulação, sem contar o motorista, permanecia do lado de fora, sobre o blindado para que fosse mais fácil de saltar em caso de o blindado afundar.

O plano era desembarcar os blindados à partir de seu transporte naval a alguns quilômetros de distância da praia para reduzir o risco de serem atingidos por disparos de artilharia, testes mostraram que os blindados provavelmente teriam mais chances de sobreviver se fossem lançados mais próximos da praia.

Aqui o Sherman Açoitador limpando campos minados e cercas de arame farpado
Aqui o Sherman Açoitador limpando campos minados e cercas de arame farpado

Durante o Dia-D, a maioria dos DDs combatendo ao lado dos ingleses e canadenses – nas praias Gold, Sword e Juno – foram lançados bem próximos a praia; o mar estava mais bravio do que o esperado, e os comandantes decidiram trazer os navios mais próximos da praia para dar uma chance de sucesso maior aos blindados.

Porém, durante os desembarques americanos – praias de codinome Utah e Omaha – os DDs foram um fracasso. Os comandantes americanos mantiveram o plano inicial de lançar seus blindados de até 3km de distância das praias. Em Omaha, a maioria dos DDs afundaram com as ondas.

Alguns destes DDs desembarcaram nas outras praias, utilizando sua cortina de lona, e assim, capazes de combater como um blindado convencional. Em sua retaguarda vinham as invenções únicas criadas por Hobart, cada uma delas com uma tarefa em particular.

Em meio aos mais bizarros estava o “Caranguejo” (Crab). Um Sherman portando uma sequência açoites (boleadeiras) – um grande tambor com correntes que golpeavam o solo a 140 rpm. O impacto serviria para detonar quaisquer minas enterradas à frente, e outros blindados poderiam então manobrar na retaguarda livres de ameaças.

O Sherman Crab abriria caminho através do campo minado, e faria o mesmo através de arame farpado. Os tripulantes eram informados de que se eles deixassem qualquer buraco para trás, a grande invasão ocorrendo em sua retaguarda iria falhar.

Não eram apenas as defesas alemãs que poderiam causar problemas – a praia em si poderia ser um grande fardo. Parte das preparações para o Dia-D foi feita por unidades de reconhecimento que foram secretamente às praias para coletar areia, e concluir se o solo era firme o suficiente para os blindados.

“Durante seu treinamento, eles tentaram encontrar praias contendo a mesma topografia geográfica,” diz o curador do Museu de Guerra, Paul Cornish. “E lá eles encontraram um certo tipo de areia, que chamaram de argila azul, cuja densidade causou o atolamento de vários veículos. Era um novo desafio.”

Muitas das invenções de Hobart foram feitas utilizando blindados modelo Churchill
Muitas das invenções de Hobart foram feitas utilizando blindados modelo Churchill

Novamente, Hobart e sua equipe encontraram uma solução; o Churchill Bobbin (bobina). Uma modificação do carro de combate inglês contendo duas hastes carregando uma grande bobina enrolada com uma esteira de tecido. Enquanto o blindado movia-se para a frente, a bobina desenrolaria o tecido sobre o solo, criando um carpete para que os blindados pudessem mover-se sem entraves. Este carpete possuía 3m de largura por 60m de comprimento.

“Este foi um dos mais extraordinários inventos em veículos de toda a guerra,” diz Cornish. “Se você pudesse imaginar a expressão dos alemães ao verem esta máquina movendo-se na praia. Eles devem ter ficado totalmente impressionados com o que estavam assistindo em sua frente.”

Outros Churchills receberam variações, um deles era o Churchill AVRE (Armoured Vehicle Royal Engineers), que carregava um grande morteiro feito para esfacelar concreto. Eles não haviam sido desenhados para combater outros blindados, mas para disparar contra os bunkers ou até mesmo muros de concreto, criando grandes crateras onde tropas e outros blindados pudessem fluir através delas.

O efeito dos AVRE era mais do que físico. Este morteiro gigante que disparava cargas do tamanho de lixeiras. As explosões eram enormes. Havia um fator psicológico crucial resultantes dos disparos destes blindados. Os AVREs tornaram-se ainda mais valiosos em terra firme, com seu morteiro provando-se ainda mais eficiente em áreas urbanas.

A engenhosidade dos veículos de Hobart ainda não terminou. Muitos Churchills caminharam sobre as praias da Normandia carregando toras e gravetos – um grande monte de madeira que seria despejado em uma vala para permitir que blindados pudessem atravessá-las. Alguns blindados já utilizavam esta técnica durante a Primeira Guerra Mundial, mas o conceito não contava com nada de novo – esta técnica usada para tapar valas remonta desde a Era Romana.

O morteiro gigante do AVRE podia disparar cargas de até 20kg do tamanho de lixeiras
O morteiro gigante do AVRE podia disparar cargas de até 20kg do tamanho de lixeiras

Por muitas vezes, estes problemas eram resolvidos como sendo problemas diferentes, mas as técnicas eram as mesmas. A genialidade de Hobart era sua habilidade em criar ideias – e mesmo usando velhas técnicas, elas poderiam ser melhoradas para adequarem-se às necessidades da guerra moderna.

Dentre os “brinquedos” também incluíam grandes blindados carregando pontes – alguns Churchills continham estruturas removíveis que poderiam ser posicionadas sobre largas valas, riachos ou para repor pontes que haviam sido destruídas durante batalhas. E eram resistentes o suficiente para carregarem os mais pesados blindados.

Para os grandes bancos de areia haviam os Churchill Ark. O Ark não possuía torre, e era equipado com rampas na parte frontal e traseira de sua carcaça. Ele era posicionado próximo a um banco de areia ou um grande obstáculo para que outros blindados pudessem transpor estes obstáculos.

Outros blindados eram apenas tratores dirigidos por engenheiros, que poderiam remover blindados destruídos ou fazer a limpeza de estradas em meio aos destroços. Eles também eram capazes de instalar cargas de explosivos sobre obstáculos e detoná-los de uma distância segura.

Alguns Churchills foram apelidados de “Crocodilos” (Crocodile), e portavam lança-chamas. Assim como os AVREs, estes blindados eram capazes de abrir caminho entre as tropas inimigas evitando um número significativo de baixas aliadas – a sensação de ser queimado vivo era sempre um medo constante para os defensores alemães. Em alguns casos os crocodilos movendo-se em direção a orla testavam seus lança-chamas desferindo alguns jatos, e grupos de alemães rendiam-se imediatamente sem que outro disparo fosse feito.

O Churchill Crocodilo era armado com lança-chamas, algo assustador para o inimigo
O Churchill Crocodilo era armado com lança-chamas, algo assustador para o inimigo

Armas como o AVRE e o Crocodilo parecem algo barbárico demais, mas Hobart estava ciente de que o emprego destas armas salvaria vidas em ambos os lados. Na época em que os desembarques aconteceram, a Inglaterra já estava em guerra por nove anos. Durante os preparativos da invasão, Montgomery, o comandante supremo inglês, teve de fundir várias unidades pelo fato de que as forças armadas inglesas já estavam ficando sem combatentes suficientes.

Para os “brinquedos”, o Dia-D era apenas o começo. Muitos dos veículos provaram sua exímia eficiência durante a Batalha de Villers-Bocage, que ocorreu nas vias estreitas cercadas por vegetação nas áreas adjacentes as praias da Normandia. Forças americanas, que inicialmente julgaram que as invenções de Hobart eram bizarras e ineficientes demais para o combate, acabaram por usá-las tanto quanto os britânicos mais tarde.

Ao final da guerra, a 79ª Divisão Blindada – a unidade encarregada de utilizar os “brinquedos” – foi a maior unidade mecanizada da Europa. Os blindados bizarros foram posteriormente empregados em pequenos grupos onde via-se sua necessidade, uma estratégia flexível que ampliava o alcance e a eficiência destas unidades.

A outra grande vantagem destes blindados era que, fora seus motoristas, eles eram tripulados por engenheiros. Estes sim eram os experts. Uma das grandes forças do Exército Real Britânico na Normandia era constituída por estes engenheiros especialistas em remover ou atravessar obstáculos com exímia rapidez.

O Ark era usado como rampa para que outros blindados pudessem transpor obstáculos grandes no meio do campo de batalha
O Ark era usado como rampa para que outros blindados pudessem transpor obstáculos grandes no meio do campo de batalha

Hobart foi um homem que fazia as coisas acontecerem. Era o homem certo na hora certa. E era muito determinado.

Haviam muitas histórias sobre ele entrando em seu carro e dirigindo a velocidades perigosíssimas à noite rumo a algum lugar onde havia algo sendo testado – “Teremos isto funcionando à todo vapor pela manhã, certo?” Dizia Hobart impondo sua fala sobre os encarregados.

Ele era também um homem que poderia extrair ou melhorar uma boa ideia à partir da fala de qualquer um. Não importava se fosse um cabo, um major aposentado, ou um cientista. Se você tivesse uma boa ideia, ele iria ouvi-la.

Setenta anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, a maioria dos exércitos no mundo usam blindados especiais que não criariam uma imagem bizarra se compusessem a força de blindados de Hobart naquela época. Os “brinquedos de Hobart” afinal, não tinham nada de brinquedos.

Fonte: BBC

 

1066 – Húskalar, Batalha de Hastings

‘O guerreiro anglo-saxão de Hastings talvez não seja tão diferente do “Tommy” britânico das trincheiras’ disse o fotógrafo Thom Atkinson. Na Batalha de Hastings, a escolha do soldado em termos de armamento era bem extensiva. Dentre as diversas batalhas nas quais estes guerreiros ferozes participaram, provavelmente a mais famosa é a de Hastings. Liderados por Harold Godwinson ou Haroldo II da Inglaterra, chefe dos ingleses, lutaram contra William II da Normandia, que comandava a coalizão dos franceses e normandos. Apesar da derrota sofrida contra os normandos, os húskarlar mostraram-se extremamente úteis em combate.

Guardas de Elite

Os húskarlar foram utilizados como guardas de elite pessoal dos vários nobres da Europa. Dentre os mais famosos corpos de guardas, está a elite militar de Canuto, rei da Inglaterra, que governou o país no século XII d.C. Através da Lex Castrensis, Canuto estabeleceu que sua guarda particular seria composta de guerreiros húskarlar. O guerreiro huskarl era um dos poucos que tinha o privilégio de permanecer no salão real nas festividades e comer na mesa do rei juntamente com ele. Mas, com os privilégios, vieram também as obrigações do dever: traição e ações consideradas graves eram punidas com o exílio ou a morte. Estes guerreiros eram submetidos a um código militar muito mais severo do que os seus companheiros de armas de patentes mais baixas. Até mesmo seus julgamentos eram realizados por um tribunal específico: o Huskarlesteffne, cujas decisões eram assistidas pelo próprio soberano.

Aqui neste kit podemos ver a forte presença da cota de malha utilizada até a chegada das armas de pólvora e o conhecido elmo nasal em forma de cuia com a haste para proteger o nariz do soldado.

1066 – Húskalar, Batalha de Hastings

1244 – Cavaleiro montado, Cerco de Jerusalém

O Cerco de Jerusalém de 1244 aconteceu durante a Sexta Cruzada, quando os Corásmios (a convite dos Aiúbidas) conquistaram a cidade sobre Frederico II da Germânia em 15 de julho de 1244.

Aqui já podemos notar o uso da maça medieval, uma evolução do primitivo porrete mas com uma cabeça de metal facetado. A maça foi inventada por volta de 12 000 a.C. e, rapidamente, tornou-se uma arma importante. Essas primeiras maças de madeira, com pedra sílex ou obsidiana encravadas, tornaram-se menos populares devido ao aprimoramento das armaduras de couro curtido que podiam absorver grande parte do impacto. Algumas maças tinham a cabeça inteira de pedra, mas eram muito mais pesadas e de difícil manejo. Maças eram muito utilizadas na idade do Bronze no Oriente Próximo.

A adaga vista aqui neste kit também, era um item multiuso, mas principalmente utilizado fora das batalhas como ferramenta de corte universal, tanto para a alimentação quanto para o corte de madeira fina e outros materiais mais simples.

1244 – Cavaleiro montado, Cerco de Jerusalém

1415 – Arqueiro combatente ou arqueiro de arco longo, Batalha de Azincourt

Batalha de Azincourt foi uma batalha decisiva ocorrida na Guerra dos Cem Anos. Acontecida em 25 de outubro de 1415 (Dia de São Crispim), no norte da França, resultou em uma das maiores vitórias inglesas durante a guerra.

Um detalhe muito importante nesta batalha foi o emprego dos arcos longos (na foto, o item de madeira clara com um adorno escuro no centro), estes que foram eficazmente utilizados pelos ingleses contra os franceses ao longo de séculos. O arco longo inglês pode ser considerado uma das armas mais letais e importantes da história. Foi usado principalmente na Idade Média, e era o maior causador de baixas se usado corretamente. No exército inglês o arco longo já se encontrava intrinsecamente ligado à sua cultura, pois os jovens aprendiam seu manuseio desde cedo para caçar e mais tarde, combater.

1415 – Arqueiro combatente ou arqueiro de arco longo, Batalha de Azincourt

1485 – ‘Homem de armas’ iorquino, Batalha de Bosworth Field

‘Homem de armas’ foi um termo usado desde os períodos da alta Idade Média até o Renascimento para descrever um soldado, quase sempre um guerreiro profissional no sentido de serem bem-treinados no uso de armas, que servia como um cavaleiro pesado totalmente armado. Também podia referir-se a cavaleiros ou nobres, e aos membros das suas comitivas ou mercenários. Os termos cavaleiro e homem de armas são muitas vezes usados como sinônimos, mas ao mesmo tempo todos os cavaleiros equipados para a guerra, certamente, eram homens de armas, mas nem todos os homens de armas eram cavaleiros.

As guerras eram responsabilidades exclusiva dos nobres, segundo a lógica do Feudalismo, portanto esses comandantes eram de famílias nobres, o que permitia a eles o acesso a equipamentos que para a época eram muito caros. A cavalaria era uma arma que criava espaço apenas para membros da nobreza, e isso perdurou até a Primeira Guerra Mundial onde os pilotos de aviões eram normalmente membros da cavalaria, algo visível pelo aspecto de sua indumentária, onde era normal o uso de botas e calças de montaria.

Estas armaduras, ao contrário do que se diz e do que muitos pensam, eram feitas para serem leves e permitirem com que o soldado pudesse se movimentar sem grandes problemas. Tal fato alegando que os soldados que sofriam quaisquer quedas de costas vestindo uma armadura destas o impediria de se levantar, são apenas boatos.

1485 – ‘Homem de armas’ iorquino, Batalha de Bosworth Field

1588 – Caliveiro miliciano, Tilbury

O Arcabuz é uma antiga arma de fogo portátil, espécie de bacamarte. Era chamada vulgarmente de espingarda nas crônicas portuguesas do século XVI. O Caliver (arma da foto) nada mais era do que um arcabuz improvisado, de menor porte e utilizado pelas milícias especialmente na Europa, sendo mais presente na Inglaterra. O Arcabuz e o Caliver foram os predecessores do mosquete, todos estes eram carregados diretamente pelo cano e possuíam o característico fecho de mecha para realizar a ignição da pólvora e assim, concluir o disparo.

Note também o Capacete Morrião ou chamado apenas por Morrião, o popular capacete de conquistador, usado entre os séculos XVI e XVII.

1588 – Caliveiro miliciano, Tilbury

1645 – Mosqueteiro do exército, Primeira Guerra Civil Inglesa

A Batalha de Naseby foi a batalha decisiva durante a Primeira Guerra Civil Inglesa, onde o exército do Rei Carlos I foi dizimado pelo Exército Novo dos cabeças redondas comandados por Sir Thomas Fairfax e Oliver Cromwell.

O Exército Novo foi formado em 1645 pelo Parlamento e dissolvido em 1660 após a Restauração. Era diferente dos demais exércitos à época, uma vez que foi concebido como uma força responsável pelo serviço em todo o país, ao invés de estar circunscrito a uma única área ou guarnição. Como tal, era constituído por soldados em tempo integral, ao invés da milícia usual à época. Além disso, possuía militares de carreira, não tendo assento em qualquer das Casas (dos Lordes ou dos Comuns) e, portanto, não eram ligados a nenhuma facção política ou religiosa entre os parlamentares.

Oliver Cromwell remodelou o exército e, a frente dele, venceu várias batalhas, os soldados passaram a ser promovidos com base na competência e não mais pelo nascimento em uma família de prestigio. Ou seja, o critério de nascimento foi substituído pelo de merecimento, este novo exército (New Model Army) venceu o exército do rei na Batalha de Naseby, que pôs fim à luta. O Rei Carlos Ι foi condenado à morte e executado. A república foi proclamada e Oliver Cromwell assumiu o governo do seu país.

É possível notar o cinto de carregadores (centro direito da foto), onde os pequenos cilindros de madeira carregavam pequenas quantidades específicas de pólvora para auxiliar no recarregamento ágil do mosquete após cada disparo. Também a bolsa de couro com biqueira, algo similar ao que mais tarde chamaríamos de cantil, o pequeno punhal para uso universal e o baralho, o conhecido jogo de cartas com figuras popularizado no sul da Europa à partir do século XIV.

1645 – Mosqueteiro do exército, Primeira Guerra Civil Inglesa

1709 – Sentinela, Batalha de Malplaquet

A Batalha de Malplaquet se deu no dia 11 de setembro de 1709 no marco da Guerra de Sucessão Espanhola. Tropas da França foram vencidas pelas tropas da Aliança – composta pela Áustria, Inglaterra e Holanda – comandadas pelo Duque de Marlborough e pelo Príncipe Eugênio de Saboya. Às 8 da manhã do dia 11 de setembro, o Duque de Marlboroug, à direita do Príncipe Eugênio, cujo exército constava de soldados imperiais e dinamarqueses, avançou para atacar pelo flanco, sem ser bem-sucedido. A infantaria prussiana e holandesa, comandada pelo Príncipe de Orange e o Barão Nagel, encontrou também uma intensa resistência francesa pelo flanco esquerdo.

Depois de serem rejeitados dois ataques, o Príncipe Eugênio dirigiu pessoalmente o terceiro. Suas tropas romperam as linhas francesas e as expulsaram do território de Malplaquet (França). Os aliados perderam 25.000 homens e os franceses sofreram 11.000 baixas e sofreram a derrota definitiva neste confronto. A Batalha de Malplaquet foi uma das batalhas mais sangrentas da Guerra de Sucessão Espanhola.

Aqui já é evidente o uso da baioneta, uma lâmina que podia ser instalada na ponta do cano do mosquete. Algo que se demonstra eficiente até os dias de hoje. A origem do uso da “baioneta” é incerto, mas há registros que alegam que esta arma era utilizada durante a caça, após um tiro mal-sucedido sobre o alvo, onde possibilitava ao caçador a desferir um golpe de lâmina sobre o animal à curta distância. Na França, a baioneta foi introduzida pelo General Jean Martinet e foi comumente utilizada na grande maioria dos exércitos europeus após a década de 1660.

Podemos ver o característico chapéu tricorne (três pontas) no topo à esquerda e uma pequena bíblia no canto inferior esquerdo.

1709 – Sentinela, Batalha de Malplaquet

1815 – Soldado raso, Batalha de Waterloo

O mosquete com pederneira modelo Brown Bess foi desenvolvido em 1722 e usado na época da expansão do Império Britânico. Adquiriu importância simbólica, pelo menos, tão importante quanto a sua importância física. Ele estava em uso há mais de cem anos, com muitas mudanças incrementais no seu design. Estas versões incluem o Long Land Pattern, Short Land Pattern, India Pattern, New Land Pattern Musket, Sea Service Musket e outros. Um soldado bem treinado podia efetuar quatro disparos dentro de um minuto utilizando um mosquete com pederneira.

A origem do nome “Brown Bess” ainda é incerto mas pode ser uma derivação do alemão ou holandês para “marrom” e “cano.” (Os primeiros ferreiros de armas aplicavam uma camada de verniz sobre o metal e a coronha de armas de fogo)

Um detalhe interessante é que neste kit pode-se notar a inclusão da caneca de estanho e o caderno de anotações. Também vale ressaltar a presença de kits de jogos para a distração como xadrez e damas. É visível também, mudança do chapéu Tricorne para o Chacó, esta espécie de quepe comprido com a insígnia em sua face frontal. O cantil veio a se tornar parte do equipamento padrão ao invés de cuias e copos para coletar água de fontes comuns ou rios e lagos. E por fim, o retorno dos calçados com cadarços.

1815 – Soldado raso, Batalha de Waterloo

1854 – Soldado raso da brigada de rifles, Batalha de Alma

A Batalha de Alma foi uma batalha da Guerra da Crimeia, travada entre o Império Russo e a coligação anglofrancootomana. Foi travada em 20 de setembro de 1854, na margem do Rio Alma, hoje em território da Ucrânia. Foi o primeiro grande confronto durante este conflito (1854 – 1856). A coligação aliada derrotou os russos, que perderam cerca de seis milhares de homens. É em memória desta batalha que uma das pontes de Paris recebeu o seu nome: a Ponte de Alma.

A importância da camuflagem já detinha uma certa atenção dentro do âmbito militar nesta época. Com a sofisticação dos rifles militares e sua precisão, a necessidade de o soldado permanecer oculto nos campos de batalha começara a aumentar exponencialmente.

1854 – Soldado raso da brigada de rifles, Batalha de Alma

1916 – Soldado raso, Batalha do Somme

Enquanto a Primeira Guerra Mundial foi a primeira guerra moderna, assim como ilustrado no grupo de itens abaixo, este ainda é considerado um kit primitivo. Juntamente com a máscara de gás, o soldado era equipado com uma espécie de “maça de trincheira”, algo que lembra uma arma medieval.

Durante a a Grande Guerra a camuflagem já era uma estratégia militar levada em conta por vários fatores, além da existência dos vôos de reconhecimento após a inclusão do avião como uma arma de guerra e também pela evolução dos rifles de precisão. Os sobrevoos eram usados para mapear as posições inimigas com o intuito de criar uma condição favorável para os rivais ao possibilitar cercos de artilharia, com isso, a camuflagem passou a ser parte essencial do estudo no desenvolvimento industrial dos novos uniformes militares.

O rifle presente neste kit é o Lee-Enfield, derivado do antigo Lee–Metford que já aplicava um novo método de ação de ferrolho. O Lee-Enfield foi utilizado pelo exército britânico durante as duas grandes guerras e entrou em serviço em 1895, permanecendo até 1957. Disparava de 20 a 30 vezes por minuto com um alcance de aproximadamente 500 metros.

O uso da pá de combate também era algo essencial na época devido à estratégia militar adotada por praticamente todas as nações na época, a guerra de trincheiras.

Nesta época também foi introduzida pela primeira vez o que era chamado de “Rações de Provisão”, que eram nada mais que comida empacotada para ser facilmente preparada e consumida pelas tropas no campo de batalha. Consistiam em três tipos, Ração Reserva, Ração de Trincheira e Ração de Emergência. O uso de rações de combate não era regra para todas as nações envolvidas na guerra, na época. Atualmente as rações de previsão recebem várias nomenclaturas dependendo de sua composição.

Assim como o amplo uso de lanternas portáteis na Segunda Guerra Mundial, algo relativamente novo para o ocidente naquela época eram as Dog Tags ou chapas de identificação. Elas foram introduzidas pelos chineses no século XIX e não demoraram a serem adotadas como instrumento de identificação por quase todas as nações algum tempo depois. A versão da Dog Tag da Primeira Guerra Mundial está logo acima da maça de trincheira, no centro esquerdo da imagem.

Outras inovações da época eram o kit de bandagens de primeiros socorros individual e o relógio de bolso.

1916 – Soldado raso, Batalha do Somme

1944 – Lance corporal, Brigada de Paraquedistas, Batalha de Arnhem

Batalha de Arnhem foi um grande combate travado entre as forças do Exército Alemão e das tropas Aliadas nas cidades holandesas de Arnhem, Oosterbeek, Wolfheze, Driel e no interior do país de 17 a 26 de setembro de 1944. Ela foi parte da Operação Market Garden, uma operação mal sucedida que aconteceu em parte dos territórios da Holanda e Alemanha e que tinha como objetivo principal de expulsar os alemães dos Países Baixos e garantir o avanço livre das tropas aliadas para dentro do território alemão. Ela também foi a maior operação envolvendo tropas aerotransportadas da história.

Nesta imagem notamos que a sofisticação e o número de itens dentro do equipamento militar já aumentara consideravelmente desde o kit do húskarlar da Batalha de Hastings. Para viabilizar um salto com o mínimo de peso possível, os paraquedistas necessitavam de um kit compacto. Sendo assim, foram desenvolvidos inúmeros instrumentos e itens menores que pudessem ser agrupados nas mochilas e bolsas com o objetivo de permitir que o soldado conseguisse saltar sem grandes complicações. Armas menores ou portáteis com coronha retrátil, calças repletas de bolsos e sistemas de fechos inteligentes criaram uma condição em que o equipamento pudesse ser rapidamente desatado do corpo do soldado permitindo uma maior mobilidade, e mesmo assim, os equipamentos de hoje se demonstram mais eficientes contando com apenas um ou dois fechos que se desconectados, liberam todo o equipamento carregado pelo soldado paraquedista.

A comida enlatada era algo amplamente utilizado durante a Segunda Guerra Mundial, uma vez que os soldados iriam percorrer grandes distâncias, isso criava a necessidade de alimentos duráveis para reduzir a necessidade do apoio logístico por parte do fornecimento de alimentos vindos de seus países de origem.

Uma grande mudança ocorrida nesta época foi o uso do chocolate como fonte de energia para os soldados, sendo ele incluído como parte íntegra do kit de rações.

1944 – Lance corporal, Brigada de Paraquedistas, Batalha de Arnhem

1982 – Royal Marine Commando, Guerra das Malvinas

A Guerra das Malvinas foi um conflito ocorrido nas Ilhas Malvinas (em inglês Falklands), Geórgia do Sul e Sandwich do Sul entre os dias 2 de abril e 14 de junho de 1982 pela soberania sobre estes arquipélagos austrais reivindicados em 1833 e dominados a partir de então pelo Reino Unido. Porém, a Argentina reclamou como parte integral e indivisível de seu território, considerando que elas encontram “ocupadas ilegalmente por uma potência invasora” e as incluem como partes da província da Terra do Fogo, Antártica e Ilhas do Atlântico Sul.

O saldo final da guerra foi a recuperação do arquipélago pelo Reino Unido e a morte de 649 soldados argentinos, 255 britânicos e 3 civis das ilhas.

Aqui já é possível vermos o esquema de camuflagem moderno com padrões de formas e de cores derivadas do verde, e também os itens portáteis como câmera fotográfica e rádio.

1982 – Royal Marine Commando, Guerra das Malvinas

2014 – Sapador de apoio, Royal Engineers, Província de Helmland

A evolução da tecnologia que emergiu nesta série de fotografias foi um processo que recebeu um grande avanço no último século. O relógio de bolso hoje é à prova d’água e possui visor digital; o Lee-Enfield de ação de ferrolho foi substituído por carabinas com mira a laser; os coletes camuflados de Kevlar tomaram o lugar das túnicas de lã.

A sofisticação do equipamento do soldado é gigantesca se formos comparar a primeira e esta última fotografia. Passamos de um equipamento pesado e rígido para a mobilidade, para um armamento mais eficiente, preciso e resistente. Saímos da espada para o arco, mosquete e no final, o rifle de precisão que pode atingir o alvo a 1km de distância. Hoje temos uma preocupação maior em manter o soldado vivo do que empregar “buchas de canhão” no campo de batalha com o intuito de ganhar tempo antes de enviar a carga de cavalaria. Aprendemos o quão importante é manter o soldado oculto por camuflagem e a orientação por mapas em território hostil.

A pergunta que fica é: se nos últimos 1000 anos a evolução do armamento militar acelerou-se gradativamente no decorrer dos séculos, o que nos espera nos próximos 50 anos?

2014 – Sapador de apoio, Royal Engineers, Província de Helmland

Fotografias: Thom Atkinson

"Vamos apenas considerar que eu fui das forças especiais e já está de bom tamanho" disse ele.

“Quando a Segunda Guerra acabou eu tinha 23 anos e já tinha visto coisas horríveis o suficiente para lembrar a vida toda,” disse o ator.

Lee, que morreu no dia 7 de junho no Hospital de Londres aos 93 anos, havia já muito festejado como ícone do cinema mas o ator – que falava várias línguas – também era membro do SAS durante a Segunda Guerra Mundial.

Nascido em 1922 em Belgravia filho de uma illustre figura da realeza italiana, modelo da Chanel e um coronel de exército, Lee foi educado em casa antes de se juntar à Força Aérea Real em 1940.

Antes da Inglaterra se juntar ao conflito, o então garoto de 18 anos já havia trabalhado ao lado dos finlandeses na Guerra de Inverno contra os russos como voluntário em 1939.

Lee foi integrado ao precursor do SAS, conhecido como Longe range Desert Group (LRDG – Grupo de Longo Alcande do Deserto), no norte da África em 1941. Inúmeros registros mostram seus feitos atrás das linhas inimigas, destruindo aeródromos da Luftwaffe, até que foi remanejado ao exército e servido juntamente com o Regimento Gurkha.

Long Range Desert Patrol
Long Range Desert Patrol

“Eu era incorporado no SAS de tempos em tempos mas somos proibidos – antes, hoje, e no futuro – de discutir ou expor quaisquer operações específicas. Digamos que eu já estive nas Forças Especiais e já está de bom tamanho. As pessoas podem fazer as análises que quiserem em cima disso,” disse ele em 2011.

Como tarefa de um oficial de inteligência no 260º Esquadrão da RAF, ele frequentemente prevenia pequenos motins depois que as tropas – frustradas com a falta de notícias do fronte leste – ameaçavam iniciar para quebrar a hierarquia.

Long range Desert Group (LRDG)
Long range Desert Group (LRDG)

Seguindo seu trabalho com o LRDG, e levando em consideração seus skills em línguas que gerava impressões favoráveis a oficiais de alta patente, ele foi integrado ao Departamento Executivo de Operações Especiais, conduzindo missões de reconhecimento na Europa ocupada e rastreando criminosos nazistas.

“Eram nos dados dossiês sobre o que eles haviam feito nos ordenando a encontrá-los, interrogá-los o máximo que podíamos e após isso entregá-los à autoridades apropriadas.”

Lee no cinema

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Como resultado, Lee, que quase morreu duas vezes durante a guerra, foi apelidado de Duque ou Espião, sendo testemunha do desfecho devastador dos campos de concentração em primeira mão.

“Nós vimos estes campos. Alguns haviam sido evacuados. Alguns não,” disse ele em 2009.

No entanto, ele raramente falava sobre suas experiências durante a guerra, ao final de sua vida ele descrevia seu testemunho como sendo algo de “horror real e muito sangue.”

“Eu vi coisas tenebrosas, horríveis, sem dizer uma palavra,” disse ele a um entrevistador, explicando como o terror em filmes “não me afeta muito.”

Christopher Lee SAS

“Eu vi muitas pessoas morrerem na minha frente – tantos que de fato eu me tornei uma pessoa mais dura em relação a isso. Tendo visto o pior que o ser humano pode fazer para outro, os resultados de torturas, mutilações e ver alguém ser explodido em pedaços por bombas e artilharia, você desenvolve um certo tipo de bloqueio. Mas você precisa, você era obrigado a se tornar alguém assim automaticamente. Caso contrário nós nunca teríamos vencido.

Curiosidades:

O perfurar da lâmina
Christopher Lee como Saruman em o Senhor dos Anéis: As Duas Torres
Christopher Lee como Saruman em o Senhor dos Anéis as Duas Torres

Enquanto alguns podem apenas tentar adivinhar o tipo de situações secretas em que Lee se deparou durante seu trabalho pelo SAS, um incidente envolvendo as filmagens do Senhor dos Anéis dá um insight do tipo de ação que ele viu. E uma cena reservada para a versão estendida do Retorno do Rei, Grima Wormtongue esfaqueia Saruman pelas costas. O diretor Peter Jackson estava orientando os atores em como efetuar a cena, quando algo inesperado aconteceu. Christopher Lee perguntou a Jackson se ele sabia qual era o som de alguém sendo esfaqueado pelas costas. Ele então disse: “Porque eu sei.”

Christopher Lee Saruman SAS
Bastidores das gravações de O Senhor dos Anéis: As Duas Torres

De acordo com Peter Jackson, Christopher Lee então iniciou uma explicação sobre “algumas missões secretas da Segunda Guerra Mundial,” entretanto, como sempre, ele escondia os detalhes. Jackson queria que ele gritasse quando fosse esfaqueado. Lee explicou que quando você é esfaqueado, “o fôlego escapa pela perfuração da lâmina, para fora do seu pulmão,” e assim deu uma boa noção de como isso realmente soaria – mais como um grito abafado, ou curto.

Metaleiro

Algo que não deixa de ser interessante, é que Lee, além de ser um grande ator, falar várias línguas e ter sido membro do SAS, ele ainda também foi metaleiro e lançou alguns álbums.

Fonte: The Telegraph

A base aérea de Northolt, perto de Londres, tem sua origem traçada no longínquo ano de 1915, quando frágeis biplanos de “caça” BE2C do Real Corpo Aéreo voavam dali para enfrentar os Zeppelins alemães que atacavam o território britânico.

Teve um papel de destaque também durante a Segunda Guerra, quando homens do 303º Esquadrão (polonês) da RAF em seus Hawker Hurricanes deram combate à poderosa Luftwaffe durante a Batalha da Inglaterra. Os pilotos, na maioria expatriados poloneses, enfrentaram os alemães com ferocidade e destreza singular entre as unidades da RAF, e foram importantíssimos para dirimir os planos inimigos de invasão da Inglaterra.

Pilotos poloneses do 303º Esquadrão da RAF, 1940.
Pilotos poloneses do 303º Esquadrão da RAF, 1940.

Northolt é agora o último campo de pouso ainda operacional da Batalha da Inglaterra, e este ano, representando o 75º aniversário da Batalha e seu próprio centenário, a base realizará uma grande celebração em setembro. Não há nada certo ainda, mas Northolt espera atrair a maior quantidade já vista de Supermarine Spitfires e Hawker Hurricanes em condições de voo desde os anos 50.

Eles estão tentando agendar o evento para um domingo, 6 de setembro, para não colidir com o próximo fim de semana, 15 de setembro, no qual será celebrado o aniversário da Batalha da Inglaterra.

Traremos mais notícias em breve.

Spitfire Mk.IXe MK356 do Battle of Britain Memorial Flight decolando de Duxford. Sem dúvidas estará presente nas celebrações em Northolt em 2015.
Spitfire Mk.IXe MK356 do Battle of Britain Memorial Flight decolando de Duxford. Sem dúvidas estará presente nas celebrações em Northolt em 2015.

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Arqueólogos marítimos investigam maneiras de proteger os tanques afundados no mar próximo à Ilha de Wight.

Os tanques e outros equipamentos estavam sendo carregados num navio de desembarque que virou e perdeu sua carga enquanto seguia para a Normandia em 5 de junho de 1944. Eles estão no leito do oceano entre o leste de Wight e Selsey, em West Sussex.

Uma organização de arqueologia marítima de Wight está tentando descobrir um jeito de aplicar legislação terrestre ao mar. O projeto está sendo financiado pela English Heritage.

A organização está trabalhando em conjunto com o Southsea Sub-Aqua Club, que descobriu os veículos em 2008, para investigar e mapear o local. Victoria Millership, porta-voz da organização, disse que não somente destroços marítimos seculares deviam ser protegidos:

dday_bandeannoncefilm“A natureza da água marítima e o ambiente subaquático preservam muito mais material do que o normalmente encontrado em terra, e objetos que ficam sob a água frequentemente apresentam melhor estado de conservação”.

O navio de desembarque LCT 2428 zarpou para a Normandia no anoitecer de 5 de junho de 1944, mas apresentou problemas no motor ainda no Canal da Mancha, e foi rebocado pelo rebocador HMS Jaunty.

Em seu caminho de volta a Portsmouth, o navio virou e afundou junto com sua carga.

O Jaunty disparou contra o casco virado do navio até afundá-lo, para certificar que não causaria nenhuma obstrução no tráfego marítimo. Nenhum tripulante foi perdido.

MI-sunken-tankO navio carregava dois tanques Centaur CS IV, dois veículos blindados para destruir obstáculos antitanque nas praias, um jipe e outros equipamentos militares para o grupamento blindado de apoio dos Fuzileiros Reais.

A carga perdida e o navio criaram dois locais de destroços a 20 metros de profundidade.

O casco foi encontrado a 6 quilômetros a leste dos veículos. Ambos se encontram preservados por mais de 60 anos no leito do oceano.

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Fonte: BBC News, 28 de julho de 2011.

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Um raro exemplar sobrevivente das famosas Armas de Vingança de Hitler, capturado pelo Real Corpo de Engenheiros ao fim da Segunda Guerra Mundial, será restaurado, remontado e exibido no Real Museu de Engenharia em Brompton.
O foguete V-2, que está num estado mediano, mas estável, com alguns de seus aparatos internos intactos, foi adquirido pelo museu 40 anos após a guerra, da Real Escola de Engenharia Militar em Chattenden, que hoje está fechada.
Atualmente numa oficina em Cambridge, onde a restauração tentará reforçar o foguete e devolvê-lo à sua condição original, espera-se que integre o acervo do museu ainda este ano.
Os V-2 foram a última cartada do ambicioso programas das Armas V alemãs, e mais de mil deles foram lançados contra alvos na Grã-Bretanha, matando milhares de pessoas.
Uma arma de terror, foi o primeiro míssil balístico do mundo, e chegava sem aviso para entregar sua carga de quase uma tonelada de explosivos, em altíssima velocidade.
No âmbito estratégico da Segunda Guerra o V-2 provou-se insignificante, mas apesar de sua limitada capacidade destrutiva o foguete pavimentou a estrada para a corrida espacial, bem como o desenvolvimento dos mísseis balísticos durante a Guerra Fria.
Estamos muito felizes em ter adquirido esta grande e fascinante peça para nossa coleção”, disse o porta-voz do museu, que confirmou que a instituição irá abrir uma nova exposição sobre o V-2 e a Guerra Fria antes do natal.
O foguete foi capturado pelos Reais Engenheiros em Nienburg, na Alemanha, onde tropas alemãs em retirada abandonaram seu equipamento de lançamento de foguetes na Bélgica e Holanda.
Uma vez pronto, este V-2 irá se juntar ao seleto e pequeno grupo de V-2s exibidos em museus britânicos, incluindo o que está no Imperial War Museum e no Museu de Ciência de Londres. O Museu da RAF também tem um V-2 em sua coleção.
Fonte: Culture 24, 13 de julho de 2012.

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