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Herói

Ivan Kozhedub

Família, infância e adolescência

O mais bem sucedido piloto da União Soviética nasceu de uma família pobre em 8 de junho do atribulado ano de 1920 no vilarejo rural de Obrazhiyevka (hoje parte do território ucraniano) próximo à cidade de Shostka na zona oeste da então República Socialista Federativa Soviética Russa (1917-1922), que naquela época, encontrava-se em uma sangrenta guerra civil (Guerra Civil Russa, 1918-1922).

Seu pai foi uma pessoa incomum para seu status social na época, trabalhando em uma fábrica e arando a terra nas horas vagas, mesmo assim ainda encontrava tempo para ler livros e até mesmo compor versos. Ele era religioso, rigoroso e um perseverante tutor.

Certa vez o pai de Ivan, apesar dos protestos de sua esposa, enviou seu filho de cinco anos para guardar sua horta à noite. Mais tarde Ivan perguntara a seu pai o que faria ali, já que ladrões eram raros naquela área e um vigia seria inútil dado o fato da monotonia em suas noites de guarda. Seu pai respondeu – “Estou te acostumando frente às dificuldades“.

Aos seis anos Ivan aprendeu a ler e escrever e logo seguiu seu caminho para a escola.

Nos anos 30, o Komsomol (Liga dos Jovens Comunistas) incentivava a aviação, e naturalmente os jovens tinham muito entusiasmo por ela.

Cartaz de propaganda da "Escolinha do Komsomol"
Cartaz de propaganda da “Escolinha do Komsomol”

Para Ivan, então um jovem de 16 anos o grande ídolo chamava-se Valery Chkalov, um piloto, que havia realizado algumas proezas como por exemplo, voar de Moscou a Udd Island em Kamchatka, numa distância de 9.374 km em 56 horas e 20 minutos num Tupolev ANT-25 em 1936 ou de Moscou a Vancouver no Canadá via Pólo Norte, numa distância de 8.504 km em 63 horas e 16 minutos em 1937.

Valery Chkalov
Valery Chkalov

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Rua batizada em seu nome, Vancouver, Canadá
Rua batizada em seu nome, Vancouver, Canadá

Valery era também piloto de testes, tendo perdido sua vida num desses vôos no dia 15 de dezembro de 1938. Vendo que seria impossível estudar numa escola técnica ao mesmo tempo em que aprendia a voar, preferiu entrar para o aeroclube local. O ano era 1938, e os japoneses haviam violado a fronteira soviética próximo ao Lago Khasan, e esse fato aguçou ainda mais a vontade de Ivan de tornar-se um piloto e ir defender sua pátria. No ano de 1940 graduou-se no Colégio Técnico de Química de Shostka. Agora seu caminho estava livre.

Segunda Guerra Mundial

kozhedub-perfilKozhedub aprendeu a voar no Aeroclube Shostka e alistou-se à Força Aérea Soviética (VVS-RKKA). A escola de aviação mudaria sua vida para sempre. Embora já soubesse o ABC da pilotagem, em Chuguev recebeu as verdadeiras lições de voo bem como sofreu com a disciplina militar. Nesta escola, para se tornar piloto era necessário praticar por 100 horas. Mais tarde, em 1941, graduou-se com altas notas na Escola de Aviação Militar de Chuguev, durante o início da Invasão da União Soviética, mas para sua infelicidade foi retido como instrutor por mais dois anos devido a seu excelente desempenho. Neste período foi responsável pelo treinamento de inúmeros pilotos soviéticos que eram enviados ao front enquanto o jovem Ivan continuava a insistir em sua transferência para a frente de batalha. Neste mesmo ano a escola de aviação foi realocada para o setor asiático do país devido ao início da guerra.

22 de junho de 1941 - o dia em que Hitler e Stalin deixaram de ser aliados - dando início então a Invasão da União Soviética
22 de junho de 1941 – o dia em que Hitler e Stalin deixaram de ser aliados dando início a Invasão da União Soviética

A experiência recebida pela Força Aérea Soviética nos primeiros meses de guerra, fizeram com que fosse necessário algumas mudanças nas táticas e na estrutura organizacional da força. A fórmula adotada passou a ser baseada em quatro fatores: Altitude-Velocidade-Manobrabilidade-Poder de Fogo.  O elemento de duas aeronaves passou a ser a unidade tática básica, abandonando-se a esquadrilha de três aeronaves, utilizando-se então apenas a de quatro aviões. Os esquadrões passaram a formar grupos, cada um com sua missão bem definida (assalto, escolta, interdição, defesa aérea, etc…) O maciço uso da aviação, e sua crescente influência sobre o resultado dos combates e operações, requeria um esforço concentrado nessas principais especialidades.

Unidades aéreas, especialmente dedicadas a esses propósitos, passaram a fazer parte integrada dos exércitos. Centenas de aeronaves participavam das cruciais operações táticas e estratégicas. O arsenal de métodos de combate utilizado pelos ases soviéticos incluía manobras verticais, formações em multi-camadas e outras técnicas. Das 44 mil aeronaves alemãs perdidas no front soviético, 90% foram devidas aos caças.

Ilyushin Il-2, a aeronave soviética mais produzida durante a guerra
Ilyushin Il-2, a aeronave soviética mais produzida durante a guerra

Ao mesmo tempo em que treinava pilotos ele treinava a si mesmo. Ficava orgulhoso quando recebia notícias de seus ex-pupilos sendo bem sucedidos em combate. No final de 1942, foi enviado a treinar uma nova aeronave, o Lavochkin LaG-5. Finalmente em 26 março de 1943, foi enviado ao front recebendo seu La-5 de número 75. Batizado com o nome do herói da União Soviética, Valery Chkalov. Estas aeronaves foram construídas com fundos doados pelo povo soviético.

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Seu avião era um pouco diferente dos demais, com cinco tanques de combustível, em vez de três, fazendo com que ele fosse inicialmente um pouco mais pesado e menos manobrável. O LaG-5 era uma aeronave forte, com bastante potência de motor e dotado de um excelente conjunto de armamento.

Em uma entrevista exclusiva para o jornal "Estrela Real", Kozhedub (à esquerda) encontra seus camaradas para ser parabenizado por seu título de Herói da União Soviética por três vezes, 1945.
Em uma entrevista exclusiva para o jornal “Estrela Real”, Kozhedub (à esquerda) encontra seus camaradas para ser parabenizado por seu título de Herói da União Soviética por três vezes, 1945.

Seu batismo de fogo em Kharkov foi uma experiência emblemática pelo fato de que sua aeronave foi altamente danificada pelos caças alemães e Ivan não conseguiu atingir nenhum inimigo. Uma vivência amarga, mas uma bela lição. Apesar de não alcançarem bons resultados, a moral dos pilotos era elevada. Muitos deles tinham famílias em território ocupado pelos nazistas, como Ivan, o que os fazia sedentos por vingança.

Após agosto de 1943, entretanto, a supremacia aérea finalmente pendeu para o lado soviético, e com a aproximação do final da guerra, cada vez mais, os pilotos alemães iam se tornando jovens e pouco treinados. A celebrada invencibilidade da Luftwaffe de Göring havia se transformado em fumaça.

O potencial de combate dos caças Yak-3, do La-7 e La-9 era indiscutivelmente superior ao dos caças alemães Me-109 e Fw-190, mas a qualidade dos pilotos fazia a diferença.

Os pilotos soviéticos voavam e pilotavam todos os dias, o dia todo, sendo muito comum realizarem três ou quatro missões por dia.

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Combates aéreos e seus primeiros resultados

Durante a Batalha de Kursk, Ivan Kozhedub, então com 23 anos de idade, abria sua contagem de vitórias. No dia 6 de julho de 1943, entrou em combate contra um esquadrão inimigo composto por 12 aeronaves, o jovem piloto fez sua primeira vitória ao derrubar um bombardeiro de mergulho Junkers Ju-87. No dia seguinte ganharia notoriedade ao derrubar mais um Ju-87. Em 9 de julho Ivan derrubou simultaneamente dois caças Messerschmitt Bf-109. tornando-se um ás em apenas três dias.

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A Batalha de Kursk envolveu milhares de aeronaves, com cada lado buscando obter o controle dos céus sobre o campo de batalha. Ivan e seus companheiros realizaram diversos tipos de missões como escolta, caça livre e interdição. A Batalha de Kursk foi um marco do desenvolvimento da forma e dos métodos das táticas operacionais aéreas da aviação soviética na Segunda Guerra Mundial. No primeiro estágio de defesa, os pilotos soviéticos realizaram mais de 70 mil missões, das quais 76% foram de apóio tático, 18%  de ataque a longa distância, restando 6% para defesa, abatendo 1.500 aeronaves alemães e perdendo mil. Durante a contra-ofensiva, os soviéticos realizaram mais de 90 mil missões, com 50% de ataque a tropas, 31% de superioridade aérea. Os alemães perderam 2.200 aeronaves.

Kozhedub e sey LaG-5
Kozhedub e sey LaG-5

O sucesso soviético crescente na guerra aérea foi resultado do treinamento de jovens pilotos na arte de pilotagem e de tiro aéreo, pois se um piloto de caça consegue controlar bem sua aeronave, de modo automático, ele tem condições de realizar manobras extremas, de aproximar-se das aeronaves inimigas, mirar de forma precisa e abate-las. É muito importante ser diligente em qualquer situação. No primeiro estágio de aprendizagem de combate aéreo, aprende-se as táticas da batalha aérea e como abater uma aeronave inimiga. O segundo estágio começa no treinamento antes das batalhas, e Ivan participou de várias batalhas e em cada uma tirou fortes lições.

Ao tornar-se comandante de esquadrão, ele começo a liderar grupos de aeronaves e a direcionar as ações dos pilotos em combate. O próximo estágio que ele passou foi o denominado, operações de lobo solitário. Sendo sub-comandante do regimento a partir do 1º Front da Bielorrússia, ele passou a voar com um ala, em caça livre, em busca de alvos de oportunidade.

Mapa do avanço máximo das forças alemãs em território soviético
Mapa do avanço máximo das forças alemãs em território soviético
Aperfeiçoamento em combate e o La-7

Em meados de outubro de 1943 o experiente Tenente Kozhedub havia completado 146 combates aéreos e abatido 20 aviões inimigos. Naquela época ele já acumulava o mesmo nível de experiência que seus rivais alemães, grandes mestres da aviação de caça tendo acumulado experiência em outras frentes de batalha ao longo da guerra que já se estendia por 4 anos. Koszhedub combinava suas técnicas de pilotagem com sua exímia habilidade de tiro.

Legado de Kozhedub na Segunda Guerra Mundial

Sobre o Dniepre, pilotos do regimento de Kozhedub enfrentaram o Esquadrão Jagdgeschwader 51 (JG 51) Mölders e venceram o duelo. Ivan Kozhedub aumentaria sua contagem naquela oportunidade. Em dias de combate intenso ele derrubou 11 aviões inimigos. Foi então agraciado com a Ordem do Herói da União Soviética em 4 de fevereiro de 1944.

Violento, incansável, bravo e habilidoso, Kozhedub era o caçador ideal. Seu apreço por sua aeronave era como uma religião. Ivan disse certa vez “O motor funciona com precisão. O avião é obediente a cada movimento. Não estou sozinho – meu companheiro de combate está comigo como um único corpo, somos um só.” Para Kozhedub isto não era poesia, exagero ou metáfora, ao se aproximar do cockpit antes de cada voo sempre lhe rendiam palavras carinhosas à sua máquina de combate.

Ivan Kozhedub sobre o cockpit de seu avião, donato pelo fazendeiro V. Konev, 1944.
Ivan Kozhedub sobre o cockpit de seu avião, donato pelo fazendeiro V. Konev, 1944.

Em maio de 1944, Kozhedub foi promovido a capitão e tornou-se comandante de um esquadrão. Com 38 vitórias em sua contagem, ele receberia o novo La-5F – um presente de um fazendeiro chamado Vasily Konev. Konev doou dinheiro ao Exército Vermelho e solicitou que a aeronave levasse o nome de seu sobrinho, o Tenente Coronel Georgy Konev, um piloto de caça que havia morrido em combate. A solicitação foi então atendida e o avião foi transferido a Kozhedub. Obtendo oito vitórias com a nova aeronave em apenas sete dias. Esta aeronave era uma versão simplificada do La-5 desenvolvido em 1942, mas possuía um motor melhorado, com injeção direta de combustível. Dessas oito vitórias, cinco foram contra caças Fw-190.

Na metade do ano 1944 o Capitão da Guarda Ivan Kozhedub havia somado 256 missões de combate e abatido 48 aviões inimigos. Em 19 de agosto de 1944 foi agraciado com a segunda medalha, desta vez a Estrela Dourada de Herói da União Soviética.

Ainda em 1944, tornou-se sub-comandante do 176º Regimento de Caça operando no front da Bielorrússia e voando a aeronave La-7 Nº 27, no qual obteve suas últimas 17 vitórias. Ivan inicialmente não havia gostado deste novo posto, pois acreditava que não poderia mais voar, mas ao descobrir as missões de lobo solitário ficou satisfeito. Realizava essas missões logo pela manhã, e tinha o resto do dia para coordenar as operações do regimento, analisando os resultados obtidos. Às 21 horas, ele juntava o pessoal no cassino de oficiais e comentava os resultados obtidos no dia. Nessa fase da guerra ele voava com seu amigo Dmitry Titarenko.

O regimento realizou 9.450 missões nesse período, das quais 4.016 eram do tipo lobo solitário. Nas missões de lobo solitário foram realizados 750 combates com 389 vitórias.

O La-7 era uma aeronave com excelente desempenho e características de vôo. Era muito obediente ao piloto, e bastante veloz para os padrões da época. Para Ivan o La-7, o La-9 e o Yak-3 eram aeronaves perfeitas, atingindo o máximo possível de uma aeronave à pistão.

Perfil do La-7 pilotado por Kozhedub
Perfil do La-7 pilotado por Kozhedub

O La-7, mesmo sendo uma aeronave de madeira, era robusta e confiável, sendo que a de Nº 27 permaneceu com Ivan por mais de 10 meses de combate. A resposta está na simplicidade dos Lavochkins, e seus projetistas ouviam muito a área operacional. A margem de segurança da aeronave era tanta que os pilotos podiam exceder em muito os limites previstos. Era muito comum Ivan ultrapassar a força G prevista em projeto em mais de duas vezes, chegando a atingir a velocidade de 700 quilômetros por hora ou mais. O La-7 era uma versão melhorada do já bom La-5FN, equipado com um motor M-82FN. Lavochkin modificou as derivas, trocou a posição das entradas de ar e reforçou a parte central das asas.

O encontro com o Me-262

No dia 19 de fevereiro de 1945, durante uma operação militar próxima a Frankfurt (Oder), Kozhedub subiu aos seus com seu ala Dmitry Titorenko, Ivan então avistaria uma aeronave desconhecida voando à uma velocidade inalcançável ao La-7 num altitude de 3500 metros.

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Kozhedub mais tarde descrevera o duelo: “O que é aquilo? Meu parceiro não pestanejou e abriu fogo contra o inimigo! Mas a aeronave começou a mover-se à esquerda, em minha direção mas perdendo velocidade. A distância foi rapidamente reduzida e eu me aproximei do inimigo. Com uma ação quase involuntária eu disparei contra ele. O jato logo guinou em direção ao solo.” Aquele era o recém introduzido Me-262, pilotado popr Kurt Lange, e uma das últimas armas secretas da Luftwaffe que fora utilizada em combate ao fim da guerra, num esforço desesperado para mudar as marés do conflito, inutilmente. Ivan utilizava uma tática de sempre atacar as aeronaves inimigas em curvas, ascendentes ou descendentes, nunca em linha reta.

Abaixo, uma gravação da época durante combate aéreo entre um P-51 Mustang americano e um Messerschmitt Me-262.

Último combate aéreo e o estágios finais da guerra

Seu último combate aconteceu na tarde do dia 17 de abril, numa missão de lobo solitário, sobre os subúrbios de Berlim, acompanhado com o Tenente Titorenko. Eles foram surpreendidos ao encontrar uma formação de quarenta Focke-Wulf Fw-190 com bombas, voando a uma altitude de 3.500 metros em sua direção. Ele subiu com sua aeronave pela esquerda, e posicionou-se nas nuvens por trás da formação inimiga. Ivan não estava em vantagem, mas decidiu atacar de qualquer maneira, já que os caça-bombardeiros dirigiam-se contra as tropas russas. Voando a velocidade máxima, aproximaram-se da parte de trás da formação, tendo o Sol pela retaguarda. Abriu fogo quase a queima roupa, no ala do último par de aeronaves, que caiu em chamas nos subúrbios da cidade. Algumas aeronaves voltaram-se para oeste, abandonando o ataque, mas outras prosseguiram em seu rumo.

Fw-190 - World o Tanks
Fw-190 – World o Tanks

Ivan e seu ala decidiram continuar o ataque, tentando quebrar a formação das aeronaves que dirigiam-se em direção às tropas russas. Realizaram então um mergulho por dentro da formação germânica, confundindo-os. Os caças alemães ejetaram suas bombas e formaram um círculo defensivo e começaram a ataca-los.  Seu ala logo abateu um Fw-190 que perseguia Ivan, mas em seguida eles vislumbraram outros caças russos chegando ao local da batalha e decidiram abandonar o combate. Nessa hora ele vislumbrou um solitário Fw-190 ainda mantendo sua bomba e mergulhando sobre a cidade. Imediatamente Ivan mergulhou seu caça, alcançou o 190 e o abateu. Retornaram a sua base, com os tanques de combustível quase vazios.

Em 18 de agosto de 1945 receberia novamente a medalha de Herói da União Soviética por seus feitos durante o conflito, habilidades e exímia coragem em combate.

Selo comemorativo com a medalha de Herói da União Soviética
Selo comemorativo com a medalha de Herói da União Soviética
Pós-Guerra, carreira militar e seu legado

Após a guerra, Ivan finalmente graduou-se pela Academia Militar e passou a ocupar diversos postos importantes, mas ele sempre lembra com orgulho de sua época como instrutor.

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Foto tirada em 1967, na capital soviética.

Ele sempre preferiu voar no La-7, pois considerava-o o melhor entre os melhores e adorava ir até o Museu de Aeronáutica em Monino, à cerca de 35 km a noroeste de Moscou e sentar na cabine de seu La-7. Ele dizia que entrar na cabine do La-7 sempre o fazia feliz.

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Ivan Kozhedub realizou um total de 330 missões de guerra, com 120 combates aéreos, abatendo 62 aeronaves confirmadas. Seu apelido era Ivan o Terrível. Sempre favoreceu os caças Lavochkin e usou táticas de ataques-surpresa para atingir os inimigos à queima-roupa. A alta velocidade e robusta construção dos Lavochkins permitiram que ele aperfeiçoasse esse tipo de ataque. A maioria de seus oponentes não percebeu que estavam em sua mira até serem alvejados.

Ivan Kozhedub como Coronel-General (em 1985 seria promovido a Marechal do Ar), três vezes Herói da União Soviética, foto de 1980 - RIA Novosti - Vladimir Malyshev
Foto de 1980 – Ivan Kozhedub como Coronel-General (em 1985 seria promovido a Marechal Aviador), três vezes Herói da União Soviética – RIA Novosti – Vladimir Malyshev

Durante a Guerra da Coréia, ele demonstrou excepcional liderança, quando sua unidade abateu 239 aeronaves da ONU sendo 12 delas bombardeiros Boeing B-29 Superfortress, com a perda de apenas vinte e sete MiG-15 e 9 pilotos. Mais tarde, entre 1956 e 1963,  ele tornou-se Inspetor de Treinamento Aéreo da VVS, e em janeiro de 1964 tornou-se Sub-Comandante das Forças de Moscou. Em 1967 foi nomeado Presidente da Federação de Esportes de Aviação e Vice-Presidente da Federação Internacional de Aviação. Mais tarde foi promovido a Marshal Aviatsii (Marechal Aviador) e designado Inspetor do Ministério de Defesa Soviético.

Ele acredita que o número total de suas vitórias é muito maior do que 100, pois muitas não foram confirmadas ou ele creditou a seus alas.

Ivan Kozhedub distribui autógrafos na Praça Vermelha em Moscou durante as comemorações do Nove de Maio - Oleg Ivanov/TASS (Foto por TASS via Getty Images)
Ivan Kozhedub distribui autógrafos na Praça Vermelha em Moscou durante as comemorações do Nove de Maio – Oleg Ivanov/TASS (Foto por TASS via Getty Images)

Kozhedub somava inúmeras condecorações sendo elas as de Herói da União Soviética e a Ordem de Lenin por três vezes (1944, 1944 e 1945), sete Ordem do Estandarte Vermelho, duas Ordem de Alexander Nevsky, duas Ordem da Estrela Vermelha, Ordem da Guerra Patriótica de Primeira Classe, e outras inúmeras medalhas. Foi promovido a Marechal pouco antes de sua aposentadoria.

O Marechal Aviador Ivan Nikitovich Kozhedub morreu em 8 agosto de 1991, aos 71 anos de idade. Em sua honra a Universidade da Força Aérea Kozhedub, localizada em Karkhov, foi batizada em seu nome.

Uma dos últimos registros fotográficos da lenda um ano antes de seu falecimento
Uma dos últimos registros fotográficos da lenda um ano antes de seu falecimento

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