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Cazaquistão

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Apesar de ter sido disputada em nível internacional, a corrida armamentista entre os Estados Unidos e a URSS ocorreu principalmente na zona rural, partes isoladas do mundo. Os norte-americanos testaram suas bombas nucleares em um trecho inóspito de Nevada. Os russos escolheram uma área desabitada e estéril no que se tornou hoje o Cazaquistão.

O fotógrafo Nadav Kander foi preso duas vezes enquanto visitava o “Polígono” – codinome do local de testes de Semipalatinsk, uma área desabitada tão grande quanto o estado do Espírito Santo, onde a URSS detonou cerca de 500 bombas nucleares de 1949 até a queda da União Soviética. Kander estava visitando o local para retratar seu último livro, Dust (Poeira), que documenta os lugares onde a Rússia criou e mais tarde abandonou seu programa nuclear.

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Em alguns casos, os cientistas construíram cidades falsas e estruturas para testar o impacto de suas bombas. Em outros casos, as cidades eram reais, porque a área não era realmente remota em tudo. Na verdade, situava-se muito próxima de assentamentos humanos, incluindo a cidade anteriormente fechada de Kurchatov, ondeThe New York Times diz ser o local onde Kander foi preso. Ao abandonar o Polígono, a URSS deixou um legado de taxas altíssimas de câncer, defeitos de nascimento e outros problemas de saúde no Cazaquistão.

E assim como o CTBTO explica, as pessoas que viviam ali eram, para todos os efeitos, eram parte dos experimentos:

Eles normalmente eram instruídos a abster-se de acender seus fogões de cozinha  quando um teste estava ocorrendo, no caso de o fogo deflagrar contra a casa. Eles também foram avisados ​​para sair de casa quando uma explosão estava prevista, uma vez que poderia haver o colapso da estrutura. Relatos históricos de moradores que foram estudantes até o ano 1962 indicam que as janelas de suas escolas foram explodidas e que seus corpos entraram em convulsão quando testes ocorriam.

Deformidades causadas pela presença de radioatividade.
Deformidades causadas pela presença de radioatividade.
Deformidades causadas pela presença de radioatividade. (Greenpeace)
Deformidades causadas pela presença de radioatividade. (Greenpeace)

A área tornou-se um lugar fechado, um segredo que só foi “posto no mapa”, por assim dizer, com o advento de informações via satélite. Hoje, você pode visitar a área com a ajuda de equipamentos turísticos especializados.

Embora os testes tenham acabado, a área ainda representa uma ameaça para o mundo de hoje. Poucos registros foram mantidos sobre os locais de teste, e por causa da queda da União Soviética e a transição rápida na criação do atual Cazaquistão, a área está repleta de material radioativo. De acordo com o Boletim de Cientistas Atômicas, a área foi tão saturada com plutônio e material radioativo, que teria sido possível fazer mais uma dúzia de bombas. E lá estão, livres para o acesso de qualquer pessoa disposta a colocar os olhos sobre o local.

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Então, por 17 anos, uma coalizão de cientistas americanos, russos e cazaques trabalharam em uma missão ultra-secreta para mapear, descobrir e assegurar a perigosa evidência da vida anterior do Polígono, a área de testes do poderio nuclear da URSS. Essa é uma história real e na verdade, já foi até escrita: A Montanha de Plutônio: Dentro da Missão de 17 Anos para Garantir o Legado dos Testes Nucleares Soviéticos.Apesar do esforço de US$ 150 milhões, a área ainda é altamente contaminada (embora mais segura), e as pessoas que vivem perto dela ainda estão lutando contra o legado dos testes, que provavelmente vai perdurar por gerações.

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O Lago Chagan surgiu após uma explosão subterrânea de uma bomba nuclear de 140 quilotons em 15 de Janerio de 1965.
O Lago Chagan surgiu após uma explosão subterrânea de uma bomba nuclear de 140 quilotons em 15 de Janerio de 1965.

Você pode acessar a galeria do projeto Dust aqui.

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