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Arqueologia

A carcaça de um avião da Segunda Guerra Mundial e os restos do francês que o pilotava quando o aparelho se acidentou, em 1945, foram desenterrados neste sábado (8) no sudoeste da Alemanha, informou a agência de notícias DPA.

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O avião de combate americano, um Thunderbolt P47, caiu em 14 de fevereiro de 1945, em Ottersweier en Bade-Wurtemberg, fronteira com a França. O piloto, Antoine Allard, 25, procedia de Paris, segundo a DPA.

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O “buscador de restos” Uwe Benkel localizou o aparelho quatro metros abaixo da terra. No local, havia um monumento comemorativo pelo qual Werner Doll, um vizinho de 77 anos, passava com frequência.

Testemunha, aos 7 anos, do acidente, causado pela colisão com outro avião, Doll “sempre dizia algo” ao piloto sepultado, contou à agência alemã.

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Soldados alemães depositaram hoje uma bandeira francesa e uma coroa de flores no local da escavação, diante de dezenas de pessoas. Os restos do piloto serão levados para um cemitério.

Fonte: Speroforum

Um cidadão o norte da Alemanha encontrou o equivalente a €45,000 em ouro da era Nazista – mas irá embolsar apenas uma parte deste achado.

O sonho de todo caçador de tesouros se tornou realidade para Florian Bautsch no último mês de outubro quando ele encontrou 207 moedas de ouro da era da Alemanha de Hitler em Lüneburg.

Bausch estava explorando antigos locais de sepultamento na cidade que fica ao sul de Hamburgo quando topou com a primeira peça em ouro.

 

Após uma busca mais aprofundada no local, debaixo de folhagens ele encontrou mais moedas, Bautsch fez uma pesquisa local e entrou em contato com arqueólogos locais.

Durante duas semanas eles escavaram, desenterrando 207 moedas de ouro – que acumulavam um valor em torno de 45.000 euros.

Os arqueólogos também encontraram reminiscências de cera e dois carimbos com estampas em no formato da conhecida suástica, águia imperial e também um outro escrito: “Reichsbank Berlin 244”.

O achado foi exibido no Museu de Lüneburg na terça feira – e causou um considerável espanto entre os experts, de acordo com o arqueólogo de Lüneburg Edgar Ring.

Moedas de ouro nazista

Apesar do valor das moedas, Bautsch está permitido a receber apenas uma pequena quantia deste montante como sendo o responsável pelo achado – mas explicou honestamente ao dizer que o que foi mais importante para ele foi o conhecimento científico que adquiriu ao contar com o apoio dos profissionais que o ajudaram.

Um golpe de sorte

No entanto, achados similares foram feitos no passado, quase todos sem contexto arqueológico, sendo feitos por detectores de metal ilegais que frequentemente destruíam pistas cruciais sobre a origin das moedas.

O fato de que este achado foi feito por alguém tão bem informado foi um golpe de sorte, disse o arqueólogo do estado da Baixa Saxônia, Henning Hassmann.

Isso significa que o achado pode ser datado ao período imediatamente após a Segunda Guerra Mundial.

 

As moedas foram originalmente colocadas em dois recipientes separados, onde permanecem apenas os carimbos atualmente.

Foram enterrados em aproximadamente um metro de profundidade, ao redor das raízes de uma árvore – mas espalhados na área onde a árvore removida mais tarde.

Dentre as moedas, 128 possuíam relevos Belgas, enquanto outras 74 da França e 12 da Itália. As últimas três possuíam relevos Austro-Húngaros.

Todas possuem o diâmetro de 21mm e pesam em torno de 6,45 gramas, num total de 1,4kg, e muitas foram cunhadas entre 1850 e 1910 – com a mais velha datando de 1831.

Análises químicas da cera encontrada mostram que as moedas foram embaladas em algum período entre 1940 e 1950.

Ring disse que este ouro certamente pertencia ao Banco Central do Reich (Reichsbank) e fazia parte de uma coleção de moedas roubadas.

De acordo com Hassmann, as moedas podem ter sido cunhadas com o objetivo de serem edições comemorativas limitadas, à serem usadas como forma de investimento aos bancos e investidores privados.

Fonte: The Local

 

 

 

 

Restos de soldados habsburguêses encontrados em 2004
As geleiras dos Alpes Italianos estão derretendo, revelando lentamente e os horrores da Grande Guerra preservados por quase um século.
Tropas italianas em suas trincheiras, Capitão Berni é o soldado logo à frente. Foto retirada do livro 'Il Capitano Sepolto nei Ghiacci'
Tropas italianas em suas trincheiras, Capitão Berni é o soldado logo à frente. Foto retirada do livro ‘Il Capitano Sepolto nei Ghiacci’

À primeira vista, Peio é um pequeno resort para esquiadores como muitos outros no norte da Itália. No inverno ele é muito popular entre os italianos de classe média, assim como para o crescente número de turistas russos. No verão, sem a neve, há muitas trilhas no Parque Nacional Stelvio que fica na mesma região. Possui um spa, lojas que vendem dúzias de diferentes tipos de grappa. Um teleférico foi inaugurado anos atrás, e um estacionamento de com vários andares acaba de ser concluído.

Mas em Peio, lembranças do passado da região nunca ficam no limbo. Subindo pela vila e, passando por um pequeno museu da Primeira Guerra Mundial à esquerda, você chega à velha Igreja de São Rocco, construída no século XV com seu cemitério austro-húngaro e uma placa ordenando “massimo rispetto”. Aqui, em um dia de sol em setembro de 2013, 500 pessoas estiveram presentes no funeral de dois soldados que caíram em batalha no mês de maio de 1918.

Em Peio, parece que a Grande Guerra nunca acabou. Um senso bem real que ainda sobrevive, graças ao gelo que o preserva. Peio uma vez foi a vila mais alta dentro do território do Império Austro-Húngaro, e tinha uma vista bem abrangente do conflito chamado de Guerra Branca.

Funeral em Peio, 2012, dois soldados que caíram na Batalha de Presena, maio de 1918.
Funeral em Peio, 2012, dois soldados que caíram na Batalha de Presena, maio de 1918.

Em 1914, Trentino – província onde fica Peio – e os arredores do sul do Tirol era onde estavam os domínios de Habsburgo. A Itália, recém unificada e sem suas fronteiras delimitadas, ainda possuía “terras sem dono” em maio de 1915. Com objetivo de recapturá-las, o país entrou na guerra no lado dos aliados. À esta altura o conflito já estava em meio a grandes batalhas no fronte ocidental e oriental; agora com um terceiro fronte aberto. O território começava nos Alpes Julianos, onde a Itália compartilha fronteiras com a Eslovênia no leste, e ia até os pés Monte Ortler próximo à Suiça mais ao oeste – em torno de 250 km.

Como muitas partes do fronte ficavam acima dos 2000 metros, um novo tipo de combate teve de ser desenvolvido. Os italianos já tinham especialistas em montanhas – os Alpini e seus famosos chapéus adornados com penas – mas os austríacos tiveram de se igualar e criaram os Kaiserschützen. Eles receberam suporte da artilharia e engenheiros para construir os abrigos e a infraestrutura alpina, incluíndo trincheiras cavadas no gelo e sistemas de cabos rudimentares para transportar homens e munições aos picos.

Jovem soldado Alpini em seu uniforme
Jovem soldado Alpini em seu uniforme

Nas décadas que se seguiram após o armistício, o mundo começou um processo de aquecimento gradativo e as geleiras recuaram, revelando os traços mortais da Guerra Branca. O material que, no início dos anos 90, começou a surgir das montanhas ficou incrivelmente preservado. Incluíndo uma carta de amor endereçada a Maria, que nunca foi enviada, e um poema a um “amigo dos meus longos dias” escrito nas páginas do diário de um soldado austríaco.

A linha de frente entre as forças aliadas e as forças austríacas vistas de Punta Linke, 1918.
A linha de frente entre as forças aliadas e as forças austríacas vistas de Punta Linke, 1918.

Os corpos, quando surgiram, estavam sempre mumificados. Os dois soldados que morreram no glacial de Presena e foram enterrados em setembro de 2013, eram louros de olhos azuis, austríacos entre 17 e 18 anos. Eles foram enterrados por seus camaradas, apesar do frio intenso, dos pés a cabeça em uma fenda. Ambos possuíam marcas de ferimentos por disparos em seus crânios. Um deles ainda possuía uma colher em uma de suas grevas (caneleiras) – uma prática comum entre soldados que iam de trincheira em trincheira e tiravam comida das cuias comuns. Quando Franco Nicolis do Escritório Arqueológico da capital provincial, Trento, os viu, ele disse, “o que veio em mente foi as mães destes jovens. Parecem que morreram ontem pois saíram do gelo da mesma forma que entraram”. E provavelmente as mães destes soldados nunca souberam o destino de seus filhos.

Acessório de escalada utilizado pelos soldados
Acessório de escalada utilizado pelos soldados

Um dos fatos mais horríveis sobre a Guerra Branca foi de que ambos os Alpini e os Kaiserschützen, recrutaram moradores locais como guias, pois estes conheciam as montanhas como a palma da mão. O que também significava que eles conheciam uns aos outros.

A guerra obrigava as pessoas a romperem a lealdade familiar. “Existem muitas histórias de pessoas que ouviam vozes de um irmão ou primo no meio da batalha,” disse Nicoli.

Para ambos os lados o pior inimigo era o clima, que matou mais do que as batalhas. Em tais altitudes, a temperatura podia cair para -30 graus celsius, e a “morte branca” – morte por avalanche – levara milhares de vidas.

 

Restos de soldados encontrados no Glacial de Presena.
Restos de soldados encontrados no Glacial de Presena.

O povo de Peio viveu estas histórias por que ao contrário de habitantes de outras vilas na linha de frente, eles permaneceram lá, enterrados na neve. “O imperador decretou que esta vila não deveria ser evacuada,” disse Angelo Dalpez, prefeito de Peio. “Sendo a vila mais alta do império, isso era simbólico – um exemplo ao restante.” Elas forneceram carregadores e suprimentos de comida. Tratavam os feridos, enterravam os mortos, e testemunharam a mudança em sua antiga paisagem (os bombardeios de artilharia rebaixaram o pico de uma montanha, a San Matteo, em 20 metros).

Em 1919 o tratado de Saint-German-en-Laye deu a região de Trentino à Itália. “Nunca houve um conflito,” disse Nicolis. “Nenhuma revolução. Foi uma transição tranquila.” As pessoas daqui sempre se sentiram autônomas em suas regiões montanhosas próximas à fronteira, e sob um novo consenso o governo italiano os concedeu um certo grau de autonomia. Eles bebiam grappa, comiam knödel e falavam italiano (que era uma das 12 línguas do império), mas eles nunca esqueceram sua história. Muitos de seus parentes lutaram do lado de Habsburgo, e quando so soldados surgiram em meio ao gelo, eles os consideraram como sendo seus bisavós ou tataravós.

Isso ficou claro em 2004, quando Maurizio Vicenzi, um guia alpinista local e o diretor do Museu de Guerra de Peio, que teve parentes lutando do lado austríaco, topou com os restos mumificados de três soldados habsburguêses pendurados de ponta cabeça no lado externo de um muro de gelo próximo ao San matteo – à 3700 metros de altitude, local de uma das batalhas de maior altitude da história. Os três estavam desarmados e possuíam bandagens em seus bolsos, sugerindo que eles deviam ser maqueiros que morreram na última batalha pela montanha, em 3 de setembro de 1918. Quando um patologista obteve permissão para estudar um dos corpos, para tentar entender o processo de mumificação, houveram vários comentários pela cidade de que “os mortos estavam sendo profanados”.

Restos de soldados hapsburgos encontrados em 2004
Restos de soldados habsburguêses encontrados em 2004
Restos de soldados hapsburgos encontrados em 2004
Restos de soldados habsburguêses encontrados em 2004
Restos de soldados hapsburgos encontrados em 2004
Restos de soldados habsburguêses encontrados em 2004

Os três agora estão sepultados em um cemitério em San Rocco próximos aos dois do Glacial de Presena, sob cinco lápides sem marcações.

O Túnel de Punta Linke

Em 2005 Vicenzi começou a explorar um local chamado Punta Linke, quase 2000 metros acima de Peio. Ele encontrou uma gruta natural no gelo e material espalhado sobre sua superfície – capacetes de metal, fitas de couro, caixas de munição – e percebeu que havia uma estrutura logo abaixo. Com amigos vindos de Peio, todos grandes entusiastas da Grande Guerra, eles a investigaram. O grupo de Nicolis chegou ao local dois verões depois, e juntos eles escavaram a cabana de madeira – que era uma estação de um dos teleféricos que serviam para enviar suprimentos às tropas.

A cabana foi construída sobre o pico de Punta Linke, e atrás dela havia um túnel com aproximadamente 50 metros que cruzava o pico de um lado a outro. Quando o grupo encontrou o túnel, que possui a altura de um homem adulto, ele estava coberto de gelo que foi removido com o uso de grandes ventiladores. Durante a guerra, caixas de madeira trazidas pelo teleférico eram transportadas pelo túnel para serem lançadas na parte final de sua jornada – um impressionante penhasco de 1200 metros de altitude – usando cabos soltos através do glacial até a linha de frente. Ao lado da saída do túnel há uma janela que permitia ver as caixas em sua rota até a linha de frente.

O túnel cavado por soldados austríacos atrás da estação do teleférico em Punta Linke.
O túnel cavado por soldados austríacos atrás da estação do teleférico em Punta Linke.

Dentro da cabana existe um pequeno motor fabricado em Munique, destruído pelos austríacos que já estavam de saída com o fim da guerra e que agora se encontra restaurado. Dos documentos que estavam nas paredes, os arqueólogos deixaram apenas 3 deles intactos no lugar onde estavam: instruções escritas à mão para operar o motor, uma página de um jornal ilustrado, Wiener Bilder, mostrando os Vienenses em fila para comprar comida – Viena que em 1916 passava por uma temporada de pobreza devido à queda do império – e um cartão postal endereçado a um cirurgião do corpo de engenheiros, Georg Kristof, enviado por sua esposa que vivia na Boêmia. O cartão mostra uma mulher dormindo tranquilamente e está assinado, em tcheco, “sua amada esquecida”.

Em seu laboratório em Trento, Nicolis e seu colega Nicola Cappellozza mostram a carta de amor escrita para Maria, encontrada numa caixa de cartas que aguardavam postagem, em Punta Cadini (5000 metros de altitude), e datava de 1918. (Os arqueólogos não queriam revelar o conteúdo da carta até que conseguissem traçar o paradeiro da família de Maria.) “Talvez as hostilidades tenham terminado antes que estas cartas fossem enviadas,” diz Nicolis. Outras incluem fragmentos de papel impresso em cirílico. Os turistas russos que visitam Peio anualmente não devem saber disto, mas outros russos já estiveram lá antes deles – prisioneiros trazidos do fronte leste e usados como transportadores, ou colocados para trabalhar tecendo as galochas de palha para proteger os pés dos austríacos da gangrena.

Documentos presos às paredes pelos soldados no teleférico de Punta Linke.
Documentos presos às paredes pelos soldados no teleférico de Punta Linke.

Mais de 80 soldados que caíram em batalha durante a Guerra Branca ressurgiram nas últimas décadas. E certamente há mais por vir. Entre eles ainda há um corpo que continua muito a eludir os resgatantes – o de Arnaldo Berni, o capitão de 24 anos que liderou os italianos em sua conquista do Monte San Matteo em 13 de agosto de 1918. A história de Berni ilustra a tragédia de uma guerra onde, como o historiador britânico Mark Thompson explica em seu livro de 2008, A Guerra branca, “Proezas hercúleas geraram ganhos territoriais, e ninguém lá embaixo deu muita importância”.

Um rifle austríaco (provavelmente um Steyr-Mannlicher M1888) encontrando após o derretimento parcial da geleira.
Um rifle austríaco (provavelmente um Steyr-Mannlicher M1888) encontrando após o derretimento parcial da geleira.

Após sua vitória, em uma carta que provavelmente deve ter se perdido, Berni reclamava da cobertura da mídia. “Há uma breve e confusa descrição sobre nossa batalha, que de fato foi brilhante e implicou em pouquíssimas baixas entre nossos soldados… Os jornalistas não vem até aqui, a estas grandes altitudes para vislumbrar as grandes façanhas conquistadas por nossos bravos soldados.” Berni morreu três semanas depois, quando os austríacos – à caminho de capturar o Monte San Matteo – desferiram uma salva de artilharia sobre a fenda onde ele se abrigava. Dois meses depois, os italianos enfrentaram uma grande ofensiva austro-húngara sobre Vittorio Veneto, na planície veneziana, e a guerra acabara logo após este ocorrido.

Devem ter havido muitas tentativas para encontrar o corpo de Berni ao passar dos anos. Primeiro por seus próprios homens, depois por sua devota irmã, Margherita, que após muito tempo do fim da guerra fazia peregrinações anuais para as montanhas, e finalmente por Vicenzi, Cappellozza e outros que em 2009 desceram na fenda onde o herói certamente encarou a morte. Eles não encontraram pistas dele, mas Cappellozza nunca esqueceu a experiência. “Por longos períodos de caminhada, nós conseguíamos andar somente para os lados. Lembro-me das cores do gelo – os azuis, os violetas.”

Dentro do Museu de Guerra de Peio
Dentro do Museu de Guerra de Peio

No verão de 2013, logo após o degelo da neve, o grupo de Nicoli fez os últimos ajustes na restauração da estação de Punta Linke. Nos próximos verões, trilheiros intrépidos poderão visitar este singelo monumento e, como ele diz, “sentir o cheiro da guerra.” As vezes, Nicolis tenta olhar para Punta Linke através da janela para enxergar a montanha da mesma forma que os soldados o faziam. Soldados como Kristof, que veio dos cantos longínquos do império, deve ter se mistificado no esforço deste inóspito ambiente selvagem.

Em ambos os lados seja o italiano e ou o austro-húngaro, ele acredita que as montanhas significavam para eles a morte certa, antes de fazer qualquer relação com a beleza alpina. “A neve é um aviso de morte,” diz Giuseppe Ungaretti, o poeta de guerra italiano, num poema que escreveu em 1917. Mas o prefeito de Peio tem uma visão diferente das coisas. No funeral do par de Presena, três hinos foram tocados – o italiano, o austríaco e o Ode á Alegria de Beethoven. “Pessoas combateram aqui,” disse ele, “eram Europeus fora de seu tempo.”

Fonte: The Telegraph

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Arqueólogos marítimos investigam maneiras de proteger os tanques afundados no mar próximo à Ilha de Wight.

Os tanques e outros equipamentos estavam sendo carregados num navio de desembarque que virou e perdeu sua carga enquanto seguia para a Normandia em 5 de junho de 1944. Eles estão no leito do oceano entre o leste de Wight e Selsey, em West Sussex.

Uma organização de arqueologia marítima de Wight está tentando descobrir um jeito de aplicar legislação terrestre ao mar. O projeto está sendo financiado pela English Heritage.

A organização está trabalhando em conjunto com o Southsea Sub-Aqua Club, que descobriu os veículos em 2008, para investigar e mapear o local. Victoria Millership, porta-voz da organização, disse que não somente destroços marítimos seculares deviam ser protegidos:

dday_bandeannoncefilm“A natureza da água marítima e o ambiente subaquático preservam muito mais material do que o normalmente encontrado em terra, e objetos que ficam sob a água frequentemente apresentam melhor estado de conservação”.

O navio de desembarque LCT 2428 zarpou para a Normandia no anoitecer de 5 de junho de 1944, mas apresentou problemas no motor ainda no Canal da Mancha, e foi rebocado pelo rebocador HMS Jaunty.

Em seu caminho de volta a Portsmouth, o navio virou e afundou junto com sua carga.

O Jaunty disparou contra o casco virado do navio até afundá-lo, para certificar que não causaria nenhuma obstrução no tráfego marítimo. Nenhum tripulante foi perdido.

MI-sunken-tankO navio carregava dois tanques Centaur CS IV, dois veículos blindados para destruir obstáculos antitanque nas praias, um jipe e outros equipamentos militares para o grupamento blindado de apoio dos Fuzileiros Reais.

A carga perdida e o navio criaram dois locais de destroços a 20 metros de profundidade.

O casco foi encontrado a 6 quilômetros a leste dos veículos. Ambos se encontram preservados por mais de 60 anos no leito do oceano.

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Fonte: BBC News, 28 de julho de 2011.

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Um raro exemplar sobrevivente das famosas Armas de Vingança de Hitler, capturado pelo Real Corpo de Engenheiros ao fim da Segunda Guerra Mundial, será restaurado, remontado e exibido no Real Museu de Engenharia em Brompton.
O foguete V-2, que está num estado mediano, mas estável, com alguns de seus aparatos internos intactos, foi adquirido pelo museu 40 anos após a guerra, da Real Escola de Engenharia Militar em Chattenden, que hoje está fechada.
Atualmente numa oficina em Cambridge, onde a restauração tentará reforçar o foguete e devolvê-lo à sua condição original, espera-se que integre o acervo do museu ainda este ano.
Os V-2 foram a última cartada do ambicioso programas das Armas V alemãs, e mais de mil deles foram lançados contra alvos na Grã-Bretanha, matando milhares de pessoas.
Uma arma de terror, foi o primeiro míssil balístico do mundo, e chegava sem aviso para entregar sua carga de quase uma tonelada de explosivos, em altíssima velocidade.
No âmbito estratégico da Segunda Guerra o V-2 provou-se insignificante, mas apesar de sua limitada capacidade destrutiva o foguete pavimentou a estrada para a corrida espacial, bem como o desenvolvimento dos mísseis balísticos durante a Guerra Fria.
Estamos muito felizes em ter adquirido esta grande e fascinante peça para nossa coleção”, disse o porta-voz do museu, que confirmou que a instituição irá abrir uma nova exposição sobre o V-2 e a Guerra Fria antes do natal.
O foguete foi capturado pelos Reais Engenheiros em Nienburg, na Alemanha, onde tropas alemãs em retirada abandonaram seu equipamento de lançamento de foguetes na Bélgica e Holanda.
Uma vez pronto, este V-2 irá se juntar ao seleto e pequeno grupo de V-2s exibidos em museus britânicos, incluindo o que está no Imperial War Museum e no Museu de Ciência de Londres. O Museu da RAF também tem um V-2 em sua coleção.
Fonte: Culture 24, 13 de julho de 2012.

Durante o ano de 2004, investigadores alemães encontraram um machado mesopotâmico ao apreenderem um negociante, conhecido por vender antiguidades no mercado negro. A arma foi reconhecida como parte do sítio arqueológico da cidade-estado de Ur – atual cidade de Tell el-Mukayyar, no sudeste do Iraque.

Sobre a Mesopotâmia

A Mesopotâmia compreende a região situada entre os rios Tigre e Eufrates, no Oriente Médio, e constam entre as mais antigas organizações de Estado conhecidas pelos historiadores.  Uma região que, há milhares de anos, era marcada pela ocorrência de terras férteis, favorecidas pelas abundantes cheias sazonais destes complexos hídricos – por este motivo, a região recebeu esta denominação que pode ser traduzida do grego arcaico como “[terra] entre dois rios”.

Com suas nascentes situadas na região que compreende o atual Estado da Turquia, estas fontes de vida atravessam o Oriente Médio (para ser mais exato a Síria, Iraque e Iran) e desembocam no Golfo Pérsico. Fato que possibilitou o desenvolvimento de civilizações complexas, pautadas na agricultura irrigada e em uma intensa rede de comércio; conforme podemos ver no mapa baixo.

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Formada pelo agrupamento de cidades-estado – dotadas de autonomia política e econômica – esta reginão é considerada o berço de toda cultura do homem, uma vez que situam-se os mais antigos registros da escrita (pautada na caligrafia cuneiforme), assim como de histórias como a famosa “Epopéia de Gilgamesh”. Dentre as principais civilizações, podemos citar os Sumérios que foram responsáveis pela construção dos primeiros Zigurattes da região , há cerca de 5000 anos atrás.

Com uma cultura muito bem organizada, os sumérios eram governados por um líder militar e religioso denominado Patesi, que eram entendido como representante das divindades naturais e se mantinham nessas enormes construções, de onde governavam com o apoio de uma elite sacerdotal. Neste sentido, os Zigurates, terminavam por configurar como o centro religioso, político, administrativo e financeiro de cidades como Ur, Uruk, Nippur e Lagash.

Perspectiva panorâmica do Zigurate de Ur, em uma fotografia apresentada pela Enciclopédia Irânica.
Perspectiva panorâmica do Zigurate de Ur, em uma fotografia apresentada pela Enciclopédia Irânica.

Destes lugares esta elite enviava ordens e se comunicava por meio de pequenas tabuletas de argila com símbolos que variavam entre risco e cunhas. Esta forma de comunicação era utilizada, inclusive, para pequenos envios de recados e convites entre populares e, por este motivo, revela que a disseminação de informações era muito mais abrangente e refinada do que se costuma pensar, quando se trata a respeito deste período.

“Carta” envidada pelo alto sacerdote Lu´enna ao rei da cidade-estado de Lagash, informando-o da morte de seu filho (o príncipe) em combate. Datado de 2.400 a.C., este material foi encontrado em Telloh (atual Girsu), no Iraque, em uma escavação supervisionada por Gaston Cros, de 1904. Hoje a “carta” se encontra no Departamento de Antiguidades Orientais do Museu do Louvre. Fotografia por Marie-Lan Nguyen, disponível na Wikimedia Commons.
“Carta” envidada pelo alto sacerdote Lu´enna ao rei da cidade-estado de Lagash, informando-o da morte de seu filho (o príncipe) em combate. Datado de 2.400 a.C., este material foi encontrado em Telloh (atual Girsu), no Iraque, em uma escavação supervisionada por Gaston Cros, de 1904. Hoje a “carta” se encontra no Departamento de Antiguidades Orientais do Museu do Louvre. Fotografia por Marie-Lan Nguyen, disponível na Wikimedia Commons.

Entretanto, diferente do que muitos podem pensar, esta região estava longe de ser um paraíso pacífico, mas sim entrevado palco de batalhas constantes, no qual diversos povos – como os Acadianos, Assírios, Babilônicos e Persas – lutaram por obter o controle político e econômico da região; prática que recebeu a denominação de IMPERIALISMO e, marca a existência humana até os dias de hoje.

Por este motivo, as escavações arqueológicas costumam encontrar armas e armaduras construídas com a tecnologia do bronze em meio a enorme quantidade de potes de cerâmica, selos comerciais, esculturas, sementes e ossos. Pode parecer incoerente, mas a análise do material orgânico fossilizado nos sítios arqueológicos, apesar de muito trabalhosa, tem sido a maior fonte para o entendimento a respeito do clima e mudanças ocorridas no território, durante este período tão distante.

Uma cultura refinada

Para que possamos entender o como a cultura destes povos era refinada, deixo abaixo, a imagem de um selo que era utilizado para lacrar os potes de cerâmica, comercializado pelos povos. A marca do selo em um pote ou vaso apontava quem era o comerciante proprietário do material contido e, às vezes apontava o destinatário do produto.

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Selo acadiano (acompanhado da impressão em argila) que apresenta, no centro o deus-sol Shamash (Utu para os sumérios) nascendo no horizonte ao leste, com raios saindo de seus ombros. Ele segura uma serra na mão para cortar as montanhas – ou como simbolismo ao seu papel de juiz . à esquerda de Shamash está Ishtar (ou Inanna, para os sumérios) ao lado de uma árvore e, possivelmente, o herói Gilgamesh com seu arco e um leão. Na parte superior esquerda de Shamash podemos ver um pássaro (talvez Anzu que, de acordo com um conto, roubou a Tabuleta do Destino) e Ea (em sumério Enki), cuja natureza ligada à água é indicada pelos peixes que escorrem de seus ombros. Por fim, à direita de Ea está o mensageiro divino de duas faces Isimud e, na parte superior esquerda o nome e título da pessoa que seria o proprietário do selo, em escrita cuneiforme. Fonte: British Museum
Selo acadiano (acompanhado da impressão em argila) que apresenta, no centro o deus-sol Shamash (Utu para os sumérios) nascendo no horizonte ao leste, com raios saindo de seus ombros. Ele segura uma serra na mão para cortar as montanhas – ou como simbolismo ao seu papel de juiz . à esquerda de Shamash está Ishtar (ou Inanna, para os sumérios) ao lado de uma árvore e, possivelmente, o herói Gilgamesh com seu arco e um leão. Na parte superior esquerda de Shamash podemos ver um pássaro (talvez Anzu que, de acordo com um conto, roubou a Tabuleta do Destino) e Ea (em sumério Enki), cuja natureza ligada à água é indicada pelos peixes que escorrem de seus ombros. Por fim, à direita de Ea está o mensageiro divino de duas faces Isimud e, na parte superior esquerda o nome e título da pessoa que seria o proprietário do selo, em escrita cuneiforme. Fonte: British Museum

Arqueologia e Guerra

Segundo a agência de notícias Reuters, o material foi entregue aos pesquisadores do Roman-Germanic Central Museum (RGZM), os quais perceberam evidências que sugerem que esta arma foi roubada de um museu ou de sítio de escavação.

A explicação mais plausível para este fato está relacionada com o enorme caos gerado pela invasão norte-americana no Iraque (em 2003), movida pelo desejo de retaliação aos atentados terroristas de World Trade Center, assim como pelo enorme interesse econômico dos EUA sobre as reservas de petróleo presentes na região. Neste sentido, esta situação favoreceu a ocorrência de uma enorme quantidade de saques destas antiguidades, que eram retiradas dos museus e sítios arqueológicos para serem entregues em mãos de colecionadores dispostos a pagar verdadeiras fortunas por estes objetos no mercado negro.

Soldados norte-americanos sobem as escadarias do Zigurate de Ur.
Soldados norte-americanos sobem as escadarias do Zigurate de Ur.

O caso destes objetos arqueológicos chamou a atenção dos investigadores alemães, quando um antigo vaso de ouro foi colocado para leilão por uma tradicional casa, chamada Gerhard Hirsch Nachfolger, como pertencente à Idade do Ferro, em Roma. Tal fato gerou um debate entre especialista que, após analisarem o objeto, concluíram ser, na verdade, mesopotâmico.

Segundo o ex embaixador do Iraque na Alemanha Alaa Al-Hashimy, em 2009 para o jornal especializado The Art Newspaper,  a Alemanha acabou por se transformar em um centro receptor de todo este material ilegal que, por apresentar uma engessada legislação, torna muito difícil que estes objetos sejam reconhecidos como roubados e devolvidos à nação de origem. De qualquer forma, após o início do processo judicial pelo retorno do vaso de ouro, surgiram indícios de que outros 28 artefatos da Mesopotâmia foram contrabandeados do Iraque para a Alemanha.

Foto do sítio arqueológico da Babilônia, retirada por membros do exército norte-americano quando invadiram uma das casas do ditador Saddam Hussein. A foto foi tirada desde a sacada da casa de Hussein e, na parte inferior, podemos ver um Humvee
Foto do sítio arqueológico da Babilônia, retirada por membros do exército norte-americano quando invadiram uma das casas do ditador Saddam Hussein. A foto foi tirada desde a sacada da casa de Hussein e, na parte inferior, podemos ver um Humvee
Soldado norte-americano, com fragmento de pedra marcado por inscrições em escrita cuneiforme. Fonte: The Iraq War & Archaeology
Soldado norte-americano, com fragmento de pedra marcado por inscrições em escrita cuneiforme. Fonte: The Iraq War & Archaeology

Todavia, segundo o blog The History Blog, foram necessários 7 anos de trâmites burocráticos para que, finalmente, o machado apontado no início do texto fosse entregue nas mãos do, então embaixado do Iraque em Berlin, Hussain M. Fadhlalla al-Khateeb. Já, no ano de 2012, o jarro de ouro e outras 44 relíquias mesopotâmicas foram devolvidas ao Iraque em uma cerimônia oficial, no Ministério de Assuntos Externos da Alemanha.

Algo que é pequena parte, perto dos milhares de objetos que foram roubados do Museu Nacional do Iraque – 10.000, segundo afirma o diretor geral do museu, Amira Eidan – e se encontram espalhados por países como Grã-Bretanha, Estados Unidos e Canada. Algo que não será deixado de lado, conforme afirma o chefe do departamento de recuperação de artefatos históricos do Iraque Abbas al-Quraishi:

“We are heading in coming months to retrieve Iraqi artifacts from Britain, from the United States of America, and Canada … we will follow Iraq’s antiquities wherever they are,”

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