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Arma

Quando tropas aliadas desembarcaram nas praias da Normandia no Dia-D, eles o fizeram juntamente com uma vasta variedade de blindados fora do comum designados a executar funções especiais

Os blindados que venceram o Dia-D

Em 19 de agosto de 1942, os aliados faziam seu plano de como invadir a Europa ocupada ao desembarcar tropas nas praias na tentativa de capturar os portos franceses.

Os franceses, à esta altura, já estavam sob o controle alemão por mais de dois anos. Os desembarques em Dieppe (Operação Rutter – Executada pelos ingleses, canadenses, americanos e tropas livres francesas) seriam um teste prático com o objetivo de simular uma invasão aliada com contingente suficiente para quebrar as fortes defesas alemãs.

As defesas das praias da Normandia eram formadas por casamatas, bunkers contendo canhões de grosso calibre, arame farpado e trincheiras.
As defesas das praias da Normandia eram formadas por casamatas, bunkers contendo canhões de grosso calibre, arame farpado e trincheiras.

Os desembarques foram um desastre.

Em menos de 10 horas, mais de 60% dos 6.000 ingleses, canadenses e tropas americanas que desembarcaram nas praias foram mortas, feridas ou capturadas. Todos os 28 blindados que alcançaram as praias com eles – algo essencial se as tropas conseguissem penetrar as defesas alemãs – foram destruídos. Muitos ficaram atolados, impossibilitados de moverem-se no solo arenoso e foram alvos de armas anti-carro alemãs.

O grande fracasso nos desembarques em Dieppe ensinaram muito aos aliados. A tentativa de capturar portos fortemente defendidos foi provada como sendo um fracasso à vista dos comandantes. Tropas tiveram de desembarcar em praias de areia muito fofa, e os blindados foi dada a tarefa de abrir caminho através das praias sobre os bancos de areia e outros obstáculos construídos pelos alemães.

Parecia que, apenas um homem, teria uma solução. E dois anos depois, sua frota altamente especializada – e composta por blindados bizarros – tornaria-se um dos maiores motivos que provariam o Dia-D como sendo uma operação de total sucesso.

O nome era Percy Hobart, um comandante britânico visionário. Durante a Primeira Guerra Mundial ele serviu na França e Mesopotamia (atualmente Iraque) e em 1920 ele já vinha percebendo o grande potencial dos carros de combate nos campos de batalha modernos.

Naquela época os primeiros blindados eram primitivos, designs pioneiros nasciam ao passo de um senhor de 90 anos a passos curtos. Estes blindados viriam a surgir apenas nos últimos dois anos da Grande Guerra, ainda assim, provaram-se como um fator decisivo durante as últimas ofensivas aliadas sobre as trincheiras alemãs. Após a Primeira Guerra Mundial, libertos da Guerra de Trincheiras, os blindados diminuíram de escala, ganharam mais velocidade e mobilidade. Um novo conceito de blindados seriam algo como as cargas de cavalaria do passado mas de cara nova.

David Willey, o curador do Britain’s Tank Museum em Bovington, alega que Hobart tornou-se pioneiro na cavalaria mecanizada com uma incrível rapidez. Em 1934, Hobart tornou-se inspetor do Royal Tank Corps, e encarregado de táticas utilizando estes blindados. Ele foi uma figura tão influente que Heinz Guderian, um dos grandes estrategistas alemães das batalhas de blindados e um grande nome nas primeiras vitórias alemãs na Segunda Guerra Mundial, traduziu seus relatórios e os estudou intensamente, diz Willey.

Hobart baseou suas ágeis colunas de blindados nas estratégias de batalhas dos Mongóis utilizadas durante a Idade Média, e foi um dos primeiros comandantes a prever que aviões poderiam dar cobertura e suprimento muita além das frentes inimigas.

Mas após treinar uma nova unidade no deserto do norte da África, Hobart foi forçado a se aposentar – parte, ao que se entende, devido à sua hostilidade e formas “inconvencionais” de estratégias militares utilizando blindados. Como a Inglaterra já vinha sofrendo ameaças de invasão, seu grande expert foi demovido a patente de cabo, e forçado a servir a Guarda Real numa pequena vila chamada Cotswolds, onde vivia.

“Nós temos aqui no museu o “bastão” que foi lhe presenteado – muito dos equipamentos militares ingleses foram deixados na França, então ao invés de um rifle ele tinha uma espécie de bastão com uma baioneta conectada em uma de suas extremidades. Era isso que ele usaria se os alemães tivessem nos invadido.”

Bernard Montgomery, um dos mais respeitados comandantes britânicos, soube que Hobart havia recebido dispensa; Hobart tinha uma má reputação por ser áspero demais, e tinha uma tendência de tratar pessoas de maneira errada.

O blindado DD, o blindado nadador, visto aqui com sua cortina de lona rebaixada
O blindado DD, o blindado nadador, visto aqui com sua cortina de lona rebaixada

Uma reunião entre Hobart e o Primeiro Ministro Winston Churchill foi então organizada; Willey diz que Hobart perguntou se deveria “guardar seu uniforme de Guarda Real e vestir seu velho uniforme de guerra”. Após a reunião, Hobart foi reintegrado e recebeu a tarefa de utilizar seus conhecimentos para melhorar as táticas e tecnologias da cavalaria blindada inglesa.

Após as ameaças iminentes de uma invasão alemã terem diminuído significativamente após a vitória inglesa na Batalha da Grã-Bretanha, o planejamento estratégico militar voltou-se para como os ingleses fariam um possível desembarque nas praias da Normandia e adentrar em território francês. Os alemães haviam preparado grandes defesas que viriam a ser chamadas de Muro do Atlântico, E estendiam-se desde a fronteira franco-espanhola até o norte da Noruega. Quaisquer praias que pudessem ser usadas como chão seguro para um desembarque era defendida por enormes estruturas de concreto portando grandes canhões, casamatas, trincheiras e valas anti-carro juntamente com extensos campos minados.

Quando os aliados invadiram a França em 6 de junho de 1944, cinco praias da costa da Normandia foram utilizadas. As tropas desembarcaram utilizando uma frota de blindados especializados que Hobart – contando com suas experiências em Dieppe – havia ajudado a desenhar e colocar em funcionamento. Os blindados ficaram conhecidos como “Brinquedos de Hobart”. Eles foram utilizados nas praias invadidas pelos canadenses e britânicos – Gold, Sword, e Juno – e foram um sucesso.

Hobart havia percebido que uma força de invasão precisaria de muito mais suporte de blindados – e seu momento mais vulnerável se dava quando abriam caminho entre as águas e areias da praia e terra firme. A solução foi a criação do Sherman DD (Duplex Drive) – o “blindado nadador”.

O Sherman DD exibido no Museu de Bovington, completo, contendo a cortina de lona em canvas que uma vez estendida, ajudava a fazer com o que o blindado pudesse flutuar em mar aberto. O motor movimentava uma hélice instalada na traseira, que permitia que o DD flutuasse em direção a praia a uma velocidade de 8km/h. A lona foi desenhada para suportar ondas de até 30cm – a tripulação, sem contar o motorista, permanecia do lado de fora, sobre o blindado para que fosse mais fácil de saltar em caso de o blindado afundar.

O plano era desembarcar os blindados à partir de seu transporte naval a alguns quilômetros de distância da praia para reduzir o risco de serem atingidos por disparos de artilharia, testes mostraram que os blindados provavelmente teriam mais chances de sobreviver se fossem lançados mais próximos da praia.

Aqui o Sherman Açoitador limpando campos minados e cercas de arame farpado
Aqui o Sherman Açoitador limpando campos minados e cercas de arame farpado

Durante o Dia-D, a maioria dos DDs combatendo ao lado dos ingleses e canadenses – nas praias Gold, Sword e Juno – foram lançados bem próximos a praia; o mar estava mais bravio do que o esperado, e os comandantes decidiram trazer os navios mais próximos da praia para dar uma chance de sucesso maior aos blindados.

Porém, durante os desembarques americanos – praias de codinome Utah e Omaha – os DDs foram um fracasso. Os comandantes americanos mantiveram o plano inicial de lançar seus blindados de até 3km de distância das praias. Em Omaha, a maioria dos DDs afundaram com as ondas.

Alguns destes DDs desembarcaram nas outras praias, utilizando sua cortina de lona, e assim, capazes de combater como um blindado convencional. Em sua retaguarda vinham as invenções únicas criadas por Hobart, cada uma delas com uma tarefa em particular.

Em meio aos mais bizarros estava o “Caranguejo” (Crab). Um Sherman portando uma sequência açoites (boleadeiras) – um grande tambor com correntes que golpeavam o solo a 140 rpm. O impacto serviria para detonar quaisquer minas enterradas à frente, e outros blindados poderiam então manobrar na retaguarda livres de ameaças.

O Sherman Crab abriria caminho através do campo minado, e faria o mesmo através de arame farpado. Os tripulantes eram informados de que se eles deixassem qualquer buraco para trás, a grande invasão ocorrendo em sua retaguarda iria falhar.

Não eram apenas as defesas alemãs que poderiam causar problemas – a praia em si poderia ser um grande fardo. Parte das preparações para o Dia-D foi feita por unidades de reconhecimento que foram secretamente às praias para coletar areia, e concluir se o solo era firme o suficiente para os blindados.

“Durante seu treinamento, eles tentaram encontrar praias contendo a mesma topografia geográfica,” diz o curador do Museu de Guerra, Paul Cornish. “E lá eles encontraram um certo tipo de areia, que chamaram de argila azul, cuja densidade causou o atolamento de vários veículos. Era um novo desafio.”

Muitas das invenções de Hobart foram feitas utilizando blindados modelo Churchill
Muitas das invenções de Hobart foram feitas utilizando blindados modelo Churchill

Novamente, Hobart e sua equipe encontraram uma solução; o Churchill Bobbin (bobina). Uma modificação do carro de combate inglês contendo duas hastes carregando uma grande bobina enrolada com uma esteira de tecido. Enquanto o blindado movia-se para a frente, a bobina desenrolaria o tecido sobre o solo, criando um carpete para que os blindados pudessem mover-se sem entraves. Este carpete possuía 3m de largura por 60m de comprimento.

“Este foi um dos mais extraordinários inventos em veículos de toda a guerra,” diz Cornish. “Se você pudesse imaginar a expressão dos alemães ao verem esta máquina movendo-se na praia. Eles devem ter ficado totalmente impressionados com o que estavam assistindo em sua frente.”

Outros Churchills receberam variações, um deles era o Churchill AVRE (Armoured Vehicle Royal Engineers), que carregava um grande morteiro feito para esfacelar concreto. Eles não haviam sido desenhados para combater outros blindados, mas para disparar contra os bunkers ou até mesmo muros de concreto, criando grandes crateras onde tropas e outros blindados pudessem fluir através delas.

O efeito dos AVRE era mais do que físico. Este morteiro gigante que disparava cargas do tamanho de lixeiras. As explosões eram enormes. Havia um fator psicológico crucial resultantes dos disparos destes blindados. Os AVREs tornaram-se ainda mais valiosos em terra firme, com seu morteiro provando-se ainda mais eficiente em áreas urbanas.

A engenhosidade dos veículos de Hobart ainda não terminou. Muitos Churchills caminharam sobre as praias da Normandia carregando toras e gravetos – um grande monte de madeira que seria despejado em uma vala para permitir que blindados pudessem atravessá-las. Alguns blindados já utilizavam esta técnica durante a Primeira Guerra Mundial, mas o conceito não contava com nada de novo – esta técnica usada para tapar valas remonta desde a Era Romana.

O morteiro gigante do AVRE podia disparar cargas de até 20kg do tamanho de lixeiras
O morteiro gigante do AVRE podia disparar cargas de até 20kg do tamanho de lixeiras

Por muitas vezes, estes problemas eram resolvidos como sendo problemas diferentes, mas as técnicas eram as mesmas. A genialidade de Hobart era sua habilidade em criar ideias – e mesmo usando velhas técnicas, elas poderiam ser melhoradas para adequarem-se às necessidades da guerra moderna.

Dentre os “brinquedos” também incluíam grandes blindados carregando pontes – alguns Churchills continham estruturas removíveis que poderiam ser posicionadas sobre largas valas, riachos ou para repor pontes que haviam sido destruídas durante batalhas. E eram resistentes o suficiente para carregarem os mais pesados blindados.

Para os grandes bancos de areia haviam os Churchill Ark. O Ark não possuía torre, e era equipado com rampas na parte frontal e traseira de sua carcaça. Ele era posicionado próximo a um banco de areia ou um grande obstáculo para que outros blindados pudessem transpor estes obstáculos.

Outros blindados eram apenas tratores dirigidos por engenheiros, que poderiam remover blindados destruídos ou fazer a limpeza de estradas em meio aos destroços. Eles também eram capazes de instalar cargas de explosivos sobre obstáculos e detoná-los de uma distância segura.

Alguns Churchills foram apelidados de “Crocodilos” (Crocodile), e portavam lança-chamas. Assim como os AVREs, estes blindados eram capazes de abrir caminho entre as tropas inimigas evitando um número significativo de baixas aliadas – a sensação de ser queimado vivo era sempre um medo constante para os defensores alemães. Em alguns casos os crocodilos movendo-se em direção a orla testavam seus lança-chamas desferindo alguns jatos, e grupos de alemães rendiam-se imediatamente sem que outro disparo fosse feito.

O Churchill Crocodilo era armado com lança-chamas, algo assustador para o inimigo
O Churchill Crocodilo era armado com lança-chamas, algo assustador para o inimigo

Armas como o AVRE e o Crocodilo parecem algo barbárico demais, mas Hobart estava ciente de que o emprego destas armas salvaria vidas em ambos os lados. Na época em que os desembarques aconteceram, a Inglaterra já estava em guerra por nove anos. Durante os preparativos da invasão, Montgomery, o comandante supremo inglês, teve de fundir várias unidades pelo fato de que as forças armadas inglesas já estavam ficando sem combatentes suficientes.

Para os “brinquedos”, o Dia-D era apenas o começo. Muitos dos veículos provaram sua exímia eficiência durante a Batalha de Villers-Bocage, que ocorreu nas vias estreitas cercadas por vegetação nas áreas adjacentes as praias da Normandia. Forças americanas, que inicialmente julgaram que as invenções de Hobart eram bizarras e ineficientes demais para o combate, acabaram por usá-las tanto quanto os britânicos mais tarde.

Ao final da guerra, a 79ª Divisão Blindada – a unidade encarregada de utilizar os “brinquedos” – foi a maior unidade mecanizada da Europa. Os blindados bizarros foram posteriormente empregados em pequenos grupos onde via-se sua necessidade, uma estratégia flexível que ampliava o alcance e a eficiência destas unidades.

A outra grande vantagem destes blindados era que, fora seus motoristas, eles eram tripulados por engenheiros. Estes sim eram os experts. Uma das grandes forças do Exército Real Britânico na Normandia era constituída por estes engenheiros especialistas em remover ou atravessar obstáculos com exímia rapidez.

O Ark era usado como rampa para que outros blindados pudessem transpor obstáculos grandes no meio do campo de batalha
O Ark era usado como rampa para que outros blindados pudessem transpor obstáculos grandes no meio do campo de batalha

Hobart foi um homem que fazia as coisas acontecerem. Era o homem certo na hora certa. E era muito determinado.

Haviam muitas histórias sobre ele entrando em seu carro e dirigindo a velocidades perigosíssimas à noite rumo a algum lugar onde havia algo sendo testado – “Teremos isto funcionando à todo vapor pela manhã, certo?” Dizia Hobart impondo sua fala sobre os encarregados.

Ele era também um homem que poderia extrair ou melhorar uma boa ideia à partir da fala de qualquer um. Não importava se fosse um cabo, um major aposentado, ou um cientista. Se você tivesse uma boa ideia, ele iria ouvi-la.

Setenta anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, a maioria dos exércitos no mundo usam blindados especiais que não criariam uma imagem bizarra se compusessem a força de blindados de Hobart naquela época. Os “brinquedos de Hobart” afinal, não tinham nada de brinquedos.

Fonte: BBC

 

Muitos pensam que realmente os silenciadores inibem todo o som da arma, mas não é bem assim. Eles não funcionam como nos filmes holywoodianos em que a arma fica simplesmente sem silenciosa, não emitindo som algum.
A pressão dos gases liberados pela arma durante o disparo é suprimido pelo silenciador e essa é sua única função. Apenas reduzir levemente o ruído. Mas o estouro da arma não é definido apenas pelos gases, este fator vai muito além disso.

silkenciador

A principal fonte do som emitido pela arma é o estampido que ela cria e além disso, também existe o ruído da a ação mecânica, o som do projétil quando atinge o objeto, pessoa ou o alvo ou até mesmo o vôo do projétil e diversas outras funções que fazem com que o estouro tenha intensidade. A ação mecânica é um dos principais fatores, sendo mais alto em certos tipos de armas.

Mas o que realmente os silenciadores fazem para diminuir o ruído?

Os silenciadores modernos reduzem o som em cerca de 14,3-43 decibéis, mas ainda é influenciado por uma grande quantidade de fatores como o comprimento, o tipo de munição e etc…

O nível médio de supressão das armas é cerca de 30 decibéis, o que está no mesmo nível dos redutores de som de ouvido, afinal esse som é muito prejudicial. Lembrando que um nível de 200 decibéis é estrondosamente maior do que 100 decibéis, sendo que a escala é em milhar, ou seja, uma redução de 40 decibéis é apenas 1/100 do som realmente feito.

Mesmo que não haja tanto efeito sobre o som da arma, há inúmeras vantagens para utilizar o silenciador/supressor:

  • Reduz o recuo em 30%, o que aumenta a precisão e reduz o uso de força de quem a está disparando;
  • Reduz a chama com mais eficiência que um corta-chama comum;
  • O som do disparo é razoavelmente modificado, fazendo com que indivíduos não percebam que o ruido seja proveniente do disparo de uma arma;
  • Diminui o risco de problemas de audição.

O funcionamento

O som que sai da arma é convertido em calor nas câmaras através da expansão da cavidade do ar lançado. Isso geralmente é proporcionado ao fato de que o diâmetro da câmara é maior que o do cano, e isso cria uma turbulência durante a fluxo do ar no supressor.

Durante o ano de 2004, investigadores alemães encontraram um machado mesopotâmico ao apreenderem um negociante, conhecido por vender antiguidades no mercado negro. A arma foi reconhecida como parte do sítio arqueológico da cidade-estado de Ur – atual cidade de Tell el-Mukayyar, no sudeste do Iraque.

Sobre a Mesopotâmia

A Mesopotâmia compreende a região situada entre os rios Tigre e Eufrates, no Oriente Médio, e constam entre as mais antigas organizações de Estado conhecidas pelos historiadores.  Uma região que, há milhares de anos, era marcada pela ocorrência de terras férteis, favorecidas pelas abundantes cheias sazonais destes complexos hídricos – por este motivo, a região recebeu esta denominação que pode ser traduzida do grego arcaico como “[terra] entre dois rios”.

Com suas nascentes situadas na região que compreende o atual Estado da Turquia, estas fontes de vida atravessam o Oriente Médio (para ser mais exato a Síria, Iraque e Iran) e desembocam no Golfo Pérsico. Fato que possibilitou o desenvolvimento de civilizações complexas, pautadas na agricultura irrigada e em uma intensa rede de comércio; conforme podemos ver no mapa baixo.

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Formada pelo agrupamento de cidades-estado – dotadas de autonomia política e econômica – esta reginão é considerada o berço de toda cultura do homem, uma vez que situam-se os mais antigos registros da escrita (pautada na caligrafia cuneiforme), assim como de histórias como a famosa “Epopéia de Gilgamesh”. Dentre as principais civilizações, podemos citar os Sumérios que foram responsáveis pela construção dos primeiros Zigurattes da região , há cerca de 5000 anos atrás.

Com uma cultura muito bem organizada, os sumérios eram governados por um líder militar e religioso denominado Patesi, que eram entendido como representante das divindades naturais e se mantinham nessas enormes construções, de onde governavam com o apoio de uma elite sacerdotal. Neste sentido, os Zigurates, terminavam por configurar como o centro religioso, político, administrativo e financeiro de cidades como Ur, Uruk, Nippur e Lagash.

Perspectiva panorâmica do Zigurate de Ur, em uma fotografia apresentada pela Enciclopédia Irânica.
Perspectiva panorâmica do Zigurate de Ur, em uma fotografia apresentada pela Enciclopédia Irânica.

Destes lugares esta elite enviava ordens e se comunicava por meio de pequenas tabuletas de argila com símbolos que variavam entre risco e cunhas. Esta forma de comunicação era utilizada, inclusive, para pequenos envios de recados e convites entre populares e, por este motivo, revela que a disseminação de informações era muito mais abrangente e refinada do que se costuma pensar, quando se trata a respeito deste período.

“Carta” envidada pelo alto sacerdote Lu´enna ao rei da cidade-estado de Lagash, informando-o da morte de seu filho (o príncipe) em combate. Datado de 2.400 a.C., este material foi encontrado em Telloh (atual Girsu), no Iraque, em uma escavação supervisionada por Gaston Cros, de 1904. Hoje a “carta” se encontra no Departamento de Antiguidades Orientais do Museu do Louvre. Fotografia por Marie-Lan Nguyen, disponível na Wikimedia Commons.
“Carta” envidada pelo alto sacerdote Lu´enna ao rei da cidade-estado de Lagash, informando-o da morte de seu filho (o príncipe) em combate. Datado de 2.400 a.C., este material foi encontrado em Telloh (atual Girsu), no Iraque, em uma escavação supervisionada por Gaston Cros, de 1904. Hoje a “carta” se encontra no Departamento de Antiguidades Orientais do Museu do Louvre. Fotografia por Marie-Lan Nguyen, disponível na Wikimedia Commons.

Entretanto, diferente do que muitos podem pensar, esta região estava longe de ser um paraíso pacífico, mas sim entrevado palco de batalhas constantes, no qual diversos povos – como os Acadianos, Assírios, Babilônicos e Persas – lutaram por obter o controle político e econômico da região; prática que recebeu a denominação de IMPERIALISMO e, marca a existência humana até os dias de hoje.

Por este motivo, as escavações arqueológicas costumam encontrar armas e armaduras construídas com a tecnologia do bronze em meio a enorme quantidade de potes de cerâmica, selos comerciais, esculturas, sementes e ossos. Pode parecer incoerente, mas a análise do material orgânico fossilizado nos sítios arqueológicos, apesar de muito trabalhosa, tem sido a maior fonte para o entendimento a respeito do clima e mudanças ocorridas no território, durante este período tão distante.

Uma cultura refinada

Para que possamos entender o como a cultura destes povos era refinada, deixo abaixo, a imagem de um selo que era utilizado para lacrar os potes de cerâmica, comercializado pelos povos. A marca do selo em um pote ou vaso apontava quem era o comerciante proprietário do material contido e, às vezes apontava o destinatário do produto.

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Selo acadiano (acompanhado da impressão em argila) que apresenta, no centro o deus-sol Shamash (Utu para os sumérios) nascendo no horizonte ao leste, com raios saindo de seus ombros. Ele segura uma serra na mão para cortar as montanhas – ou como simbolismo ao seu papel de juiz . à esquerda de Shamash está Ishtar (ou Inanna, para os sumérios) ao lado de uma árvore e, possivelmente, o herói Gilgamesh com seu arco e um leão. Na parte superior esquerda de Shamash podemos ver um pássaro (talvez Anzu que, de acordo com um conto, roubou a Tabuleta do Destino) e Ea (em sumério Enki), cuja natureza ligada à água é indicada pelos peixes que escorrem de seus ombros. Por fim, à direita de Ea está o mensageiro divino de duas faces Isimud e, na parte superior esquerda o nome e título da pessoa que seria o proprietário do selo, em escrita cuneiforme. Fonte: British Museum
Selo acadiano (acompanhado da impressão em argila) que apresenta, no centro o deus-sol Shamash (Utu para os sumérios) nascendo no horizonte ao leste, com raios saindo de seus ombros. Ele segura uma serra na mão para cortar as montanhas – ou como simbolismo ao seu papel de juiz . à esquerda de Shamash está Ishtar (ou Inanna, para os sumérios) ao lado de uma árvore e, possivelmente, o herói Gilgamesh com seu arco e um leão. Na parte superior esquerda de Shamash podemos ver um pássaro (talvez Anzu que, de acordo com um conto, roubou a Tabuleta do Destino) e Ea (em sumério Enki), cuja natureza ligada à água é indicada pelos peixes que escorrem de seus ombros. Por fim, à direita de Ea está o mensageiro divino de duas faces Isimud e, na parte superior esquerda o nome e título da pessoa que seria o proprietário do selo, em escrita cuneiforme. Fonte: British Museum

Arqueologia e Guerra

Segundo a agência de notícias Reuters, o material foi entregue aos pesquisadores do Roman-Germanic Central Museum (RGZM), os quais perceberam evidências que sugerem que esta arma foi roubada de um museu ou de sítio de escavação.

A explicação mais plausível para este fato está relacionada com o enorme caos gerado pela invasão norte-americana no Iraque (em 2003), movida pelo desejo de retaliação aos atentados terroristas de World Trade Center, assim como pelo enorme interesse econômico dos EUA sobre as reservas de petróleo presentes na região. Neste sentido, esta situação favoreceu a ocorrência de uma enorme quantidade de saques destas antiguidades, que eram retiradas dos museus e sítios arqueológicos para serem entregues em mãos de colecionadores dispostos a pagar verdadeiras fortunas por estes objetos no mercado negro.

Soldados norte-americanos sobem as escadarias do Zigurate de Ur.
Soldados norte-americanos sobem as escadarias do Zigurate de Ur.

O caso destes objetos arqueológicos chamou a atenção dos investigadores alemães, quando um antigo vaso de ouro foi colocado para leilão por uma tradicional casa, chamada Gerhard Hirsch Nachfolger, como pertencente à Idade do Ferro, em Roma. Tal fato gerou um debate entre especialista que, após analisarem o objeto, concluíram ser, na verdade, mesopotâmico.

Segundo o ex embaixador do Iraque na Alemanha Alaa Al-Hashimy, em 2009 para o jornal especializado The Art Newspaper,  a Alemanha acabou por se transformar em um centro receptor de todo este material ilegal que, por apresentar uma engessada legislação, torna muito difícil que estes objetos sejam reconhecidos como roubados e devolvidos à nação de origem. De qualquer forma, após o início do processo judicial pelo retorno do vaso de ouro, surgiram indícios de que outros 28 artefatos da Mesopotâmia foram contrabandeados do Iraque para a Alemanha.

Foto do sítio arqueológico da Babilônia, retirada por membros do exército norte-americano quando invadiram uma das casas do ditador Saddam Hussein. A foto foi tirada desde a sacada da casa de Hussein e, na parte inferior, podemos ver um Humvee
Foto do sítio arqueológico da Babilônia, retirada por membros do exército norte-americano quando invadiram uma das casas do ditador Saddam Hussein. A foto foi tirada desde a sacada da casa de Hussein e, na parte inferior, podemos ver um Humvee
Soldado norte-americano, com fragmento de pedra marcado por inscrições em escrita cuneiforme. Fonte: The Iraq War & Archaeology
Soldado norte-americano, com fragmento de pedra marcado por inscrições em escrita cuneiforme. Fonte: The Iraq War & Archaeology

Todavia, segundo o blog The History Blog, foram necessários 7 anos de trâmites burocráticos para que, finalmente, o machado apontado no início do texto fosse entregue nas mãos do, então embaixado do Iraque em Berlin, Hussain M. Fadhlalla al-Khateeb. Já, no ano de 2012, o jarro de ouro e outras 44 relíquias mesopotâmicas foram devolvidas ao Iraque em uma cerimônia oficial, no Ministério de Assuntos Externos da Alemanha.

Algo que é pequena parte, perto dos milhares de objetos que foram roubados do Museu Nacional do Iraque – 10.000, segundo afirma o diretor geral do museu, Amira Eidan – e se encontram espalhados por países como Grã-Bretanha, Estados Unidos e Canada. Algo que não será deixado de lado, conforme afirma o chefe do departamento de recuperação de artefatos históricos do Iraque Abbas al-Quraishi:

“We are heading in coming months to retrieve Iraqi artifacts from Britain, from the United States of America, and Canada … we will follow Iraq’s antiquities wherever they are,”

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