Veículos, armamentos e tecnologia militares

Em março de 1945, os artilheiros soviéticos que defendiam as cabeças-de-ponte no Rio Oder não acreditavam no que os seus olhos viam. Ao longe avistava-se um avião com uma estranha silhueta. O aparelho picou em grande velocidade e, depois, pareceu dividir-se em dois. A parte menor virou, afastando-se bruscamente, enquanto a maior continuava a aproximar-se. Os russos não sabiam, mas estavam sendo atacados pela maior bomba voadora com características muito particulares, como recorda um dos pilotos daquele tempo: “Mergulhamos num vertiginoso voo picado, para ganhar velocidade e atingir os 600 km/h. O Oberfeldwebel (primeiro-sargento) que comandava a formação, começou a sua aproximação final, apontando para as pontes do Sul. Pouco tempo depois, picou ainda mais, e eu o segui. Tive de fazer um esforço para manter o objetivo, uma ponte ferroviária em Steinau, no centro da minha mira”.

Voar com os nervos

“Esta era a fase mais importante da missão. Era preciso manter firmemente o avião no rumo para aproximação final. O menor desvio influenciaria os delicados giroscópios do piloto automático que controlava a enorme bomba voadora que estava debaixo do meu caça. Era uma experiência que chamamos “voar com os nervos”, especialmente quando se tratava de ataques sobre alvos bem defendidos. O ponto ideal para a largada era a cerca de mil metros do objetivo; a essa distância a bomba voadora dificilmente falharia o seu objetivo; mas a artilharia antiaérea inimiga também não falhava. O velocímetro indicava 650 km/h e o Mistel continuava o seu voo picado. O piloto automático estava funcionando perfeitamente e o conjunto avião-bomba voadora podia voar sem intervenção do piloto. Mas, onde estava a temida antiaérea inimiga?”

“Já podia distinguir claramente todos os pormenores da ponte: uma estrutura de vigas de ferro apoiada sobre sólidos pilares de alvenaria. Para ter certeza de que seria destruída, mesmo tendo uma ogiva de 3T, o Mistel devia acertar em cheio um dos pilares, o que requeria uma precisão milimétrica e uma boa dose de sorte.

“Podia ver uma seção de ponte centrada na minha mira. Uma pequena correção e o retângulo luminoso coincidia perfeitamente com um dos pilares da ponte. Vamos lá! Uma ligeira pressão sobre o botão de lançamento foi seguida pelo som abafado das cavilhas explosivas, e de repente meu BF109 estava livre. Uma brusca guinada para oeste e começo a retirada”.

Onde está a ponte?

“Um aluvião enorme foi cuspido para fora do céu. Devido à grande nuvem de fumaça que cobria a ponte, não consegui perceber se era água, lama, terra ou a sólida estrutura da pontem mas agora tinha outras coisas em que pensar. Passada a surpresa, os artilheiros soviéticos começaram a disparar a esmo. De repente, outro avião surge ao meu lado; após um instante de terror, reconheço o BF109 que estava sobre o Mistel que encabeçava o ataque, o medo deu lugar a um enorme alívio. Ambos levantamos os polegares em sinal de satisfação. Nenhum problema! Não sabíamos bem onde estávamos, mas não sendo “marinheiros de primeira viagem”, não seria um problema descobrir e reconhecer uma estrada de ferro, um povoado ou uma estrada para nos orientarmos em plena luz do dia. Além disso, tínhamos completado com sucesso a nossa primeira missão com o Mistel!”

Mistel 2

A ideia de um avião montado sobre o dorso de outro não era nova. Os ingleses haviam feito o mesmo com um hidroavião Short Mayo, originalmente projetado para o serviço postal transatlântico.

A aplicação da Luftwaffe era ligeiramente diferente. Durante grande parte da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha não teve um bombardeiro pesado de longo alcance. No entanto, um dos objetivos que o Oberkommando der Wehrmacth (Comando Supremo Alemão) queria atingir, nas Ilhas Órcadas, ao norte da Escócia requeria uma enorme quantidade de bombas e de autonomia. O Mistel parecia a resposta adequada. A teoria era simples: um bombardeiro bimotor. não pilotado, seria repleto de explosivos e conduzido até o alvo por um avião menor, montado sobre o dorso. As primeiras experiências começaram em 1942.

A combinação definitiva

Em 1943 encontrou-se a combinação perfeita, associando-se o velho bombardeiro Junkers Ju 88 a um caça Fw 190 ou a um BF 109. O piloto do caça pilotava o conjunto utilizando os motores do bombardeiro até o momento da separação.

Assim, ambos os componentes aumentavam o seu raio de ação, o bombardeiro por que não tinha de voltar, o caça porque não gastava combustível na ida. Como bombas voadoras, os Ju 88 eram impressionantes: eram reconstruídos para transportar uma carga oca de 3,8T, com um detonador muito sofisticado. Durante os testes, a carga tinha perfurado, sem dificuldade, até 8m de aço e 20m de cimento armado reforçado.

Os primeiros Mistel entraram em serviço numa unidade especial da Luftwaffe, a KG 200, em maio de 1944. No entanto, o ataque a Scapa Flow teve que ser abandonado quando o desembarque na Normandia criou objetivos novos e mais urgentes. Foram realizadas algumas missões relativamente bem sucedidas contra os cais flutuantes dos portos aliados, ao longo das praias de desembarque.

Foram reunidos na Dinamarca quase 60 Mistel 1 operacionais, para atacarem a frota britânica em Scapa Flow. A operação foi várias vezes adiada devido às péssimas condições meteorológicas e, finalmente, cancelada.

Os Mistel só voltaram a ser utilizados em 1945, quando a situação da Alemanha ficou desesperadora. Foi então planejado um ataque estratégico contra usinas elétricas nos arredores de Moscou, que foi posteriormente abandonado, e os Mistel foram utilizados no vão esforço de bloquear o avanço do Exército Vermelho, destruindo pontes. Durante algumas semanas, pareceu que os Mistel estavam fazendo milagres, mas o sucesso era ilusório. O inimigo soviético era forte demais e os Mistel eram como gotas d’água num incêndio devastador.


Desenvolvimento do Mistel

Nos primeiros voos do mistel, em 1942, usou-se um avião ligeiro de ligação montado no dorso de um planador rebocado por um Ju 52 de transporte. Os testes levaram ao protótipo MIstel 1: uma combinação de caça e bombardeiro.

A combinação BF 109/Ju 88, foi a primeira a entrar em serviço. Pouco depois do desembarque na Normandia, em junho de 1944, os Mistel 1 baseados na Franla realizaram ataques contra a navegação aliada na Baia do Sena.

Mistel 1

Depois dos ataques sobre o Sena, 75 caças noturnos Ju 88G foram transformados em Mistel 2 com um caça Fw 190A-8 como avião de comando. A falta de Ju 88G-1 levou ao Mistel S.3A. A combinação Ju 88A-6/Fw 190 causou problemas, poisos aviões usavam combustíveis diferentes. Devido à sua baixa autonomia, esses aviões eram utilizados para treinamento.

Mistel 2

Os novos caças Ju 88 Zerstörer foram usados como componente inferior do Mistel. O modelo final foi o Fuehrugsmaschine, que acoplava um caça Fw 190A-8 a um Ju 88H-4. Esse binômio deveria ter funcionado como avião de guia e exploração de grande alcance.

Mistel S.3A, junção do Ju 88A-6 com um Fw 190 sobre o dorso

Destruidor de pontes

O Mistel 1 foi a principal combinação operacional e obteve o seu maior sucesso em março de 1945. Usado para bloquear o avanço soviético em zonas estrategicamente importantes como as pontes do Oder e do Neisse ( a menos de 80 km de Berlim) e a ponte ferroviária de Steinau, conseguiu deter os soviéticos durante dois dias.

[caption id="attachment_1864" align="aligncenter" width="1100"] Mistel 1[/caption]


Mistel 2 – Março de 1945

Conhecido como “Vater und Sohn” (pai e filho), por uns desenhos animados, populares na época, essa combinação foi utilizada pelo KG 200, a unicade especial da Luftwaffe para missões clandestinas.

Este Mistel 2, um dos aparelhos destinados à Operação Eisenhammer, foi capturado intacto pelo Exército dos Estados Unidos.
  • Ambos os aviões eram propulsados por motores radiais BMW 801 e usavam o mesmo combustível
BMW 801
  • O componente superior do Mistel 2 dispunha de uma segunda série de instrumentos e comandos para os motores do componente inferior. A ligação era feita através de simples cabos elétricos que passavam por dentro da estrutura de suporte.
  • Ao chegar perto do alvo, o piloto regulava o comando do componente inferior, para poder aproximar-ase em voo planado. O suporte posterior deformava-se de modo que o caça abaixava a cauda e elevava o nariz. A separação efetuava-se através de um sistema pirotécnico.

 

  • O cockpit original do Ju 88 foi substituído por uma ogiva de carga oca de 3,8T. O detonador de impacto fazia explodir a ogiva pouco antes que o bombardeiro se chocasse contra o alvo.


Caderno de Missões
  • 1943. São realizados com sucesso alguns testes de ataque contra o velho couraçado francês Ocean;
  • Junho 1944. Pouco depois do desembarque na Normandia, quatro Mistel atacam navios aliados na baía do Sena. São atingidos, mas não afundam;
  • Dezembro 1944. Um “golpe decisivo” contra a Home Fleet britânica, em Scapa Flow, é cancelado devido ao mau tempo;
  • Março de 1945. Outro “golpe falho”: a Operação Eisenhammer (martelo de ferro), contra a indústria soviética, é cancelada quando o Exército Vermelho conquista as bases do Mistel na Prússia Oriental;
  • Março 1945. Tem início os ataques contra as pontes de importância estratégica na vã tentativa de brecar o Exército Vermelho;
  • Foram fabricados pelo menos 250 Mistel. Muitos foram capturados intactos após a capitulação da Alemanha.

Fonte: Asas de Guerra

 

Equipamento usado por sargentos britânicos durante a Batalha do Somme, 1916.
O fotógrafo Thom Atkinson retorna com mais uma de suas séries de fotografias com equipamentos militares. Desta vez, são os utilizados pelos britânicos, franceses, alemães, russos e americanos durante as batalhas da Primeira Guerra Mundial.
Equipamento usado por sargentos britânicos durante a Batalha do Somme, 1916.
Equipamento usado por sargentos britânicos durante a Batalha do Somme, 1916.

Há algum tempo atrás, postamos um artigo sobre a série de fotografias tiradas por Atkinson documentando os kits dos soldados britânicos através de 1000 anos de história. Dá Batalha de Hastings (1066) à Bosworth (1485), passando por Naseby (1645), Ilhas Malvinas (1982) e a Província de Helmand, no Afeganistão –  em seguida mostrando o kit do Sapeiro de Suporte dos Engenheiros Reais.

A última série de fotografias de Atkinson, novamente publicada na Revista Telegraph (18 de junho), faz uma análise através dos kits usados por algumas das nações envolvidas na Grande Guerra.

Foto de capa: equipamento usado por sargentos britânicos durante a Batalha do Somme, 1916. Acima: equipamento do soldado alemão durante a Batalha do Somme, 1916, 
Equipamento do soldado alemão durante a Batalha do Somme, 1916

É possível ver nestas imagens as evoluções do armamento militar durante o curso da guerra. Por exemplo, quando os americanos juntaram-se ao esforço aliado em 1917, eles vestiam chapéus de campanha feitos em couro de castor e feltro, e as cintas eram feitas com fibras de corda.

Eles rapidamente optaram por usar os capacetes franceses ou britânicos feitos em aço. Já os alemães tinham suas típicas botas que cobriam as canelas, que muitas vezes eram sugadas ao pisar na espessa camada de lama durante as batalhas na “terra de ninguém”. Para suas botas, a falta de couro levou os aliados a calçá-las juntamente com bandagens enroladas em suas canelas.

Em termos de camuflagem, os franceses entraram na guerra vestindo calças e quepes vermelhos. Os quepes foram mais tarde cobertos com um espécie de tecido mais grosso, e então foi criado e introduzido o Capacete de Adriano, em 1915. Em ambos os lados da guerra os soldados carregam uma baioneta, agulha e linha, e uma pequena bíblia, livro de orações ou talismã. Estes itens eram muito frequentes nas fileiras.

O kit usado pelo soldado raso francês durante a Batalha de Verdun, 1916.
O kit usado pelo soldado raso francês durante a Batalha de Verdun, 1916.

Abaixo, este interessante grupo de equipamentos pertencenteu a um membro do Exército Russo, e foi de fato usado por um membro do 1º Batalhão Feminino da Morte. Em 1917, antes da Revolução Bolchevique, batalhões inteiramente compostos por mulheres foram criados com o intuito de reascender a moral do exército russo, já dizimado e desmoralizados pelo combate incessante. Pensava-se que instituindo uma concorrência utilizando mulheres, o sexo frágil para a época, criaria-se um novo espírito de combate. Mas nada aconteceu. Este kit é o de uma Suboficial Mladhsi (oficial não comissionado).

As soldados mulheres, assim como os homens, usavam uma camisa (pullover) chamado de “gymnasterka”. A touca com duas caudas (ao lado dos chapéus à esquerda) eram usadas sobre o bashlik, que era vestido na cabeça e enrolado sobre a face. Soldados eram proibidos de usá-lo a menos que a temperatura caísse para -5º celsius.

Equipamento usado pelo 1º Batalhão Feminino da Morte
Equipamento usado pelo 1º Batalhão Feminino da Morte
Uniforme de Infantaria do exército americano (Doughboy), logo após sua chegada na França, 1917.
Uniforme de Infantaria do exército americano (Doughboy), logo após sua chegada na França, 1917.

 

Há algum tempo, em 2014, alguns trabalhadores rurais de Lumby, na Columbia Britânica — 400 km ao norte da fronteira dos Estados Unidos — toparam com um artefato proveniente de balão bomba japonês de 70 anos atrás.

japanese_fire_balloon_moffet_custom-e95deda2012dbd3e1cf578f934c0caa6f94f727d-s400-c85Esta engenhoca faz parte das milhares de balão bomba lançados em direção à América do Norte durante os anos 40 como parte do plano secreto japonês de sabotagem. Até hoje, apenas algumas centenas destes dispositivos foram encontrados e a maioria destes ainda continuam desaparecidos.

Em algum ponto da Segunda Guerra Mundial, engenheiros japoneses encontraram uma corrente de ar que varria parte da costa do Japão em direção ao Oceano Pacífico — e então colocaram em prática a estratégia de enviar balões carregados com explosivos e bombas à costa americana.

O projeto — chamado Fugo — “criado para enviar balões carregando explosivos ou bombas desde o Japão para atear fogo às vastas florestas americanas. Esperava-se que o fogo criaria um rastro de destruição que minaria a moral dos civis no esforço de guerra americano,” descreve James M. Powles em um jornal sobre a Segunda Guerra Mundial no ano 2003. Os balões, ou “envelopes”, foram desenvolvidos pelo exército japonês e fabricados com papel leve feito à partir de cascas de árvores. Conectados à eles estavam bombas compostas por sensores, tubos de pólvora, espoletas e outros mecanismos de detonação que iam dos mais simples aos mais complexos.

Águas vivas no céu

“Os envelopes eram realmente impressionantes, feitos de centenas de pedaços de papel unidos com um tipo de cola extraída de tubérculos,”diz Marilee Schmit Nason do Anderson-Abruzzo Albuquerque International Balloon Museum no estado do Novo Mexico. “O sistema e controle era uma obra de arte.”

“Auschwitz” na Ásia – O Japão Imperial e sua macabra Unidade 731

Assim como a descrição feita por J. David Rodgers da Universidade de Ciência e Tecnologia do Missouri, os balões bomba “tinham 10 metros de diâmetro e podiam suspender 450 kg, mas a porção mortal de sua carga eram compostas por 15 kg de explosivo de fragmentação anti-pessoal, preso a uma espoleta de 17 metros que queimava por 82 minutos antes de iniciar a detonação.”

Uma vez no alto, alguns dispositivos incendiários criados pelos japoneses — contrabalançados por sacos de areia dispensáveis — flutuavam do Japão até a costa americana e Canadá. A viagem levava vários dias.

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“A distribuição dos balões era bem ampla,” diz Nason. Eles surgiam desde o norte do México até o Alasca, e do Havaí ao Michigan. “Quando lançados — em grupos — diziam que se pareciam com águas vivas flutuando no céu.

Michihiko Hachiya, e a bomba atômica de Hiroshima, 6 de agosto de 1945

Munições misteriosas

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Avistamentos de bombas flutuantes começaram a serem relatadas no oeste dos EUA no final de 1944. Em dezembro, trabalhadores de uma mina de carvão em Thermopolis, no estado de Wyoming, viram “um paraquedas no ar com luzes brilhantes, após ouvir um assobio estranho, ouviram uma explosão seguida de fumaça em um campo próximo a mina por volta de 18:15,” escreveu Powles.

Outra bomba foi vista poucos dias depois próximo à Kalispell, Montana. De acordo com Powles, “uma investigação feita por xerifes locais determinou que o objeto não era um paraquedas, mas um grande balão de papel com cordas conectadas e uma válvula de gás descartável, uma grande espoleta conectada à uma bomba incendiária e uma grande corda de borracha. O balão e seus pedaços foram levados à Butte, Montana, onde o FBI, Exército e Marinha examinaram tudo cuidadosamente. As autoridades determinaram que o balão possuía origem japonesa, mas como chegou até o estado de Montana e de onde havia saído ainda era um mistério.”

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Cientistas e engenheiros, mais tarde, conseguiram desvendar o quebra-cabeças. No fim das contas, os japoneses haviam lançado mais de 6.000 destas armas secretas. Centenas foram avistadas no ar ou encontradas no solo dentro dos EUA. Para evitar que os japoneses rastreassem os efeitos causados pelos balões, o governo americano pediu para que os noticiários e as empresas não publicassem ou disseminassem o caos com notícias sobre estes dispositivos. Com isso, é muito provavel que nunca se saiba a amplitude do alcance destes balões.

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Balões sendo alvejados por baterias anti-aéreas na costa dos Estados Unidos

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Há registros de um incidente trágico: Durante a primavera de 1945, escreve Powles, uma mulher grávida e seus cinco filhos foram mortos por “uma bomba de anti-pessoal de grande poder destrutivo despejada por um balão japonês” em Gearhart Mountain próximo a Bly, estado de Oregon. Este é o único registro de um incidente envolvendo mortes por balões bomba.

Outro balão bomba se prendeu a uma torre de alta tensão no estado de Washington, cortando a eletricidade da fábrica Hanford Engineer Works, onde os EUA estavam conduzindo um projeto secreto, enriquecendo urânio que seria aplicado em bombas nucleares.

A Espada de Stalingrado

Logo após a guerra, alguns incidentes com estas bombas foram registrados. O jornal Beatrice Daily Sun publicou que estas armas voadoras desprovidas de pilotos aterrissaram em sete cidades diferentes no Nebraska, incluindo Omaha. O jornal Winnipeg Tribune registrou que um balão bomba fora sido encontrado há 15 km de Detroit e outra próxima às corredeiras Grand Rapids.

Com o passar dos anos, os dispositivos foram aparecendo aqui e ali. Em novembro de 1953, uma balão bomba foi detonado pelo pessoal do exército em Edmonton, Alberta (Canadá) de acordo com o Brooklyn Daily Eagle. Em janeiro de 1955, o jornal Albuquerque Journal registrou que Força Aérea Americana havia descoberto mais uma no Alasca.

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Imagem mostra a corrente de ar e a extensão dos registros de balões bomba no continente norte americano

Em 1984, o jornal Santa Cruz Sentinel publicou que Bert Webber, um autor e pesquisador, havia localizado 45 balões bomba no Oregon, 37 no Alasca, 28 em Washington e 25 na Califórnia. Uma bomba caiu em Medford, Oregon, disse Webber. “Fez uma grande cratera no chão.”

O Sentinela registrou que uma bumba havia sido descoberta no sudoeste do Oregon em 1978.

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A bomba encontrada recentemente na Columbia Britânica — em outubro de 201 — “ficou enterrada no solo por 70 anos,” disse Henry Proce do Departamento de Polícia Montada ao jornal Canadian Press. “Teria sido muito perigoso examiná-la.”

Afinal, como eles lidam com estas situações? “Eles colocam C-4 em ambos os lados do dispositivo,” disse Proce, “e aí o explodem em milhares de pequenos pedaços.”

 

UM POUCO DA HISTÓRIA

Nas primeiras décadas do século XX, o Brasil não possuía nenhum arsenal ou fábrica de armas, fosse ela privada ou não, capaz da produção em larga escala de equipamentos militares para suprir a demanda do Governo Brasileiro. O armamento aqui empregado, tanto nas Forças Armadas como nas Polícias Militares estaduais era um misto de contratos e importações oriundo, basicamente, da França e da Alemanha.  Já naquela época o mais bem equipado e armado estado da então República dos Estados Unidos do Brasil era São Paulo, cuja milícia denominada de Força Pública, pelo número de homens e quantidade de equipamentos, podia ser comparada a um pequeno exército.

O Governo Brasileiro já havia efetuado vários contratos de importação de armamentos leves, mas o mais importante deles foi a dotação do fuzil Mauser modelo 1893, no ano de 1894, em calibre 7mm X 57mm, para substituir o seu antecessor, o fuzil da comissão alemã G88, que aliás é objeto de um artigo neste site. Posteriormente, em 1908, outra grande aquisição do governo junto à D.W.M. (Deutsche Waffen und Munitionsfabrik) veio se juntar à anterior, mas agora com os novos modelos Mauser 1898, que aqui passaram a ser denominados de modelo 1908. Falaremos disso mais adiante, com mais detalhes.

Com a federalização oriunda após a proclamação da República, os estados possuíam autonomia para adquirirem armamento sem necessitar passar por aprovações dos
federais, de forma que isso facilitou muito a aquisição de armas diretamente dos fornecedores na Europa.

Desta maneira, a Força Pública de São Paulo também adquiriu grande quantidade destes fuzis diretamente da D.W.M. (Deutsche Waffen und Munitionsfabrik, de Berlim , Alemanha. Da França, o Governo do Brasil também importou em razoável quantidade as metralhadoras Hotchkiss, onde se escolheu manter, para essas armas, o calibre padronizado de 7mm X 57mm Mauser, o mesmo dos fuzis importados da Alemanha. Na área das armas curtas, houve aquisições importantes de diversas nações, como o revólver “D’ Ordenance Mdle. 1892”, erroneamente chamado de Lebel, os revólveres do tipo Nagant, oriundos da Bélgica (Pieper) e da Alemanha (Simson & Son) , bem como as pistolas semi-automáticas alemãs Parabellum (Luger), trazidas em um lote de 5.000 peças, em 1906.

Em 16 de julho de 1934 funda-se a Fábrica de Canos e Sabres para Armamento Portátil, na cidade de Itajubá, estado de Minas Gerais, inaugurada em 1935. Paralelamente, em 1939, foi reestruturada a antiga Real Fábrica de Pólvora da Estrela na cidade de Majé, estado do Rio de Janeiro, criada em 1808 na Lagoa Rodrigo de Freitas, pelo imperador D. João VI. Ela funcionou como uma organização militar vinculada ao Ministério do Exército até 1975.

Em 1960 a F.I. chegou a produzir cerca de 50.000 pistolas M1911A1, sob licença da Colt, a fim de suprir demanda do Exército Brasileiro. Em 1975, durante o regime militar, o governo brasileiro funda a IMBEL, Indústria de Material Bélico do Brasil, que mantém sob sua alçada as unidades de Itajubá, Juiz de Fora e de Magé.

Segundo informações da própria Imbel em seu site, há indicativos que a criação desta empresa pública ocorreu em decorrência do rompimento, no ano de 1974, pelo Governo de Ernesto Geisel, do Acordo de Cooperação Militar Brasil – Estados Unidos, firmado durante a 2ª Guerra Mundial.

Fábrica de Itajubá

Com a  sua criação, as Fábricas Militares do Exército foram transferidas para a estatal, e com isso, o setor de defesa, integrado com as demais empresas privadas da época, passou a ser uma atividade estratégica para o país, com uma tecnologia nacional em evolução, que permitiria ao Brasil tornar-se mais independente na produção de equipamentos militares.

Em 1893 atravessou período conturbano financeiramente e acabou cedendo sua fábrica de munições, situada em Realengo, para a CBC. Em 1985 fechou um contrato com a Springfield Armory e produziu diversas variantes da pistola, chegando algumas delas a serem adotadas pelo F.B.I. Pelo menos até o ano de 2004, a Imbel detinha 30% das ações da CBC e mantinha uma joint-venture com as empresas South America Ordnance, a Royal Odnance e a Schahin Participações, essa última de controle nacional.

Entrada da Fábrica de Itajubá, MG

Mas, voltando bastante no tempo, vamos nos posicionar quanto à dotação de armas longas efetuadas pelo Governo Brasileiro após a Guerra de Canudos. Como já explorado em outro artigo neste site, ainda em 1873 o governo havia adotado as carabinas belgas Comblain, que teve uma longa participação ativa nas fileiras militares brasileiras. Somente em 1892 é que começaram a ser substituídas pelos fuzís alemães modelo 88, o “Gewehr 88”, em calibre 7,92X57mm, uma vez que no mundo todo a tendência era a de substituição de armas longas utilizando cartuchos de pólvora negra pelos novos cartuchos de pólvora sem fumaça, em calibres mais baixos e mais velozes.

Os fuzis modelo 88 (veja artigo sobre ele, aqui no site) tiveram uma vida de serviço curta no Brasil, devido a uma série de problemas ocorridos com a arma durante a Revolução Federalista e posteriormente, no conflito de Canudos. Em 1894, a Comissão Técnica Consultiva, que estranhamente já havia deixado de lado a ideia de adotar as carabinas “belgas” da Mauser modelo 1889, em favor dos fuzis 88, voltou a pensar nelas como alternativa.

Mas a essa altura, decidiu-se sabiamente por importar algo mais moderno, um modelo similar ao fuzil que já era utilizado na Espanha, e que chegou por aqui como sendo o Mauser modelo 1893, denominado de mod. 1894 em virtude de que a maioria deles vieram com suas câmaras datadas com este ano. Para complicar ainda mais o detalhe das datas, as carabinas belgas F.N. que chegaram nos primeiros lotes, vieram datadas de 1895.

Fuzil Mauser mod. 1894, em cal. 7X57
Fuzil Mauser mod. 1894, em cal. 7X57

Cerca de 75.000 armas foram entregues ao Governo. Em 1899, um inventário acusou 57.000 delas, só no Rio de Janeiro. Mas, é por volta de 100.000 armas a quantidade estimada da compra desse modelo, que desembarcaram em terras tupiniquins ainda em tempo de participar de diversos conflitos armados tais como a Revolução Federalista, a Revolta da Armada e a Guerra de Canudos, mas ainda convivendo lado a lado com as carabinas belgas Comblain e os fuzís modelo 1888. Como o Exército, na época, contava com um efetivo em tempos de paz de 28.000 homens, e cerca do dobro disso em período de guerra, essa aquisição serviu para substituir todo o estoque de armas antigas existentes, tanto as Comblain como o modelo 1888, e mais ainda, o que restava dos fuzis Kropatcheks e das raras carabinas belgas de 1889 em calibre 7,65mmX53.

As dimensões do fuzil Mod. 1894 eram: Comprimento: 1,231m – Peso: 3,75Kg – Comprimento do cano: 0,741m. O raiamento consistia de 4 raias destrógiras. As carabinas 1894, bem mais raras de se encontrar hoje em dia, mediam 0,949m, cano com 0,457m e peso de 3,103 Kg.

Detalhe da ação Mauser do modelo 1894
Detalhe da ação Mauser do modelo 1894

Em 1908, o governo resolve substituir o modelo 1894 pelo mais moderno e reforçado modelo da Mauser, o 1898, mas ainda em calibre 7X57mm, embora as armas do modelo 1894 continuaram em uso até meados da década de 50. Muitas delas foram equipar as Polícias Militares de alguns estados, como o do Rio de Janeiro, que mesmo nos anos 90 ainda eram vistas nas mãos de integrantes da PM daquele estado. Este fuzil passou a ser denominado aqui como Mauser modelo 1908. O fuzil M1908 media 1,247m, cano com 0,742m e peso de 3,796 Kg.

O fuzil Mauser “brasileiro” Modelo 1908, em calibre 7X57mm, modelo 1898, importado da D.W.M. e conhecido aqui como F.O. 08, Fuzil Ordinário “zero-oito”.
O fuzil Mauser “brasileiro” Modelo 1908, em calibre 7X57mm, modelo 1898, importado da D.W.M. e conhecido aqui como F.O. 08, Fuzil Ordinário “zero-oito”.

O período de maior aquisição de Mausers da D.W.M. feito pelo Governo Brasileiro foi entre 1908 e 1914, quando eclodiu a I Guerra e a D.W.M. não tinha sequer condições de suprir o mercado interno em tempos de guerra. Posteriormente, a aquisição de armas fornecida pela C.Z., da Tchecoslováquia, ocorreu principalmente de 1922 a 1924, com o fuzil conhecido como VZ24. (N.A.: as letras VZ é uma abreviatura da palavra tcheca “vzor”, que significa “modelo”; portanto se trata de uma redundância o costume de alguns autores citarem esse fuzil como “modelo VZ 24”). Um detalhe histórico interessante foi a importação feita pelo governo do Estado de São Paulo, de 15.000 carabinas da C.Z. (Tchecoslováquia), no ano de 1932, para suprir as tropas revolucionárias que se ergueram contra Getúlio Vargas; a chamada Revolução Constitucionalista.

Da Fabrique Nationale D’Armes de Guerre, a F.N. de Herstal, Bélgica, o Exército importou grande quantidade de carabinas, também entre os anos de 1922 a 1924, para uso de tropas de artilharia e cavalaria. A quantidade correta de armas importadas ainda não é devidamente comprovada. A ação era do Mauser 98, em calibre 7mmX57mm, alavanca de ferrolho curvada para baixo e a coronha seguia o estilo “inglês”, sem punho-pistola. A telha era de madeira do tipo inteiriça, apenas com uma abertura, de onde emergia a alça de mira. A braçadeira dianteira era do tipo estreito, não a tradicional em forma de H mais comumente encontrada nos fuzís. As carabinas mediam 1,063 m de comprimento, cano com 0,558 m e peso total de 3,601 Kg.

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As carabinas Mauser de fabricação belga “Fabrique Nationale D’Armes de Guerre”, importadas pelo Exército Brasileiro em 1922, calibre 7mmX57mm. Note que essas carabinas, embora utilizando ação 1898, possuíam a coronha sem punho-pistola e não havia o rebaixo na coronha, sob a manopla do ferrolho.
As carabinas Mauser de fabricação belga “Fabrique Nationale D’Armes de Guerre”, importadas pelo Exército Brasileiro em 1922, calibre 7mmX57mm. Note que essas carabinas, embora utilizando ação 1898, possuíam a coronha sem punho-pistola e não havia o rebaixo na coronha, sob a manopla do ferrolho.

Em 1930, a reviravolta política causada pela ascensão de Getúlio Vargas e a proclamação do “Estado Novo”, sistema modelado em vários aspectos à ditadura fascista de Mussolini, alavancou sobremaneira a re-equipação das Forças Armadas. Além disso, do nordeste do país vinha crescendo a ameaça constante do cangaço. Por essa razão, e com a produção um pouco limitada da Fábrica de Itajubá, o governo aceitou uma proposta da Mauser Werke, da Alemanha, já sob controle do partido nazista, que cultivava uma simpatia discreta com o Governo Getulista.

Acima, Mauser 1908 (M1898) do contrato brasileiro, com a marca B dentro de um círculo (acervo particular)
Acima, Mauser 1908 (M1898) do contrato brasileiro, com a marca B dentro de um círculo (acervo particular)
Mauser 1908, do contrato brasileiro, em calibre 7mmX57, com o ferrolho retirado
Mauser 1908, do contrato brasileiro, em calibre 7mmX57, com o ferrolho retirado

A Mauser, embora ainda  debaixo do Tratado de Versalhes e produzindo “secretamente” armas para equipar o Exército Alemão, ofereceu ao governo brasileiro o preenchimento desta demanda, com o Modelo 1935, em versões de fuzil ou de carabina. Essas armas, uma produção pré-guerra, apresentavam o que de mais perfeito a Mauser podia exibir no que tocava à acabamento e qualidade.

Carabina Mauser modelo 1935, ferrolho reto, em calibre 7mm X 57 Mauser; foi muito utilizada nas campanhas militares contra o cangaço nordestino – a arma acima foi negociada em leilão nos USA, totalmente original e sem uso – note o dispositivo cobre-mira atachado à boca do cano.
Carabina Mauser modelo 1935, ferrolho reto, em calibre 7mm X 57 Mauser; foi muito utilizada nas campanhas militares contra o cangaço nordestino – a arma acima foi negociada em leilão nos USA, totalmente original e sem uso – note o dispositivo cobre-mira atachado à boca do cano.
Detalhe da carabina de fabricação Mauser, mod. 1935, em calibre 7mm X 57.
Detalhe da carabina de fabricação Mauser, mod. 1935, em calibre 7mm X 57.

Na verdade essas armas eram idênticas ao modelo alemão de 1898, aqui adotado como M1908, com exceção da alça de mira tangencial já utilizada neste último modelo, além da incorporação de um rebaixo efetuado na parte frontal da coronha para melhorar a aderência da mão. Desta forma, essa similaridade não apresentava dificuldades maiores para o treinamento dos soldados, já acostumados à arma. Grande parte dessa importação permaneceu em arsenais brasileiros praticamente sem uso até a sua substituição pelo Mosquetão Itajubá, a partir de 1950, com a adoção do calibre .30-06 Springfield pelas Forças Armadas Brasileiras. Acredita-se que grande parte desses Mauser foram posteriormente retrabalhados e transformados no Mosquetão M1949.

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Mauser M1935, fabricação Mauser Werke, na versão longa (fuzil), em cal. 7mm X 57.
Mauser M1935, fabricação Mauser Werke, na versão longa (fuzil), em cal. 7mm X 57.
No alto, detalhe da ação da carabina Mauser 1935 – note o acabamento oxidado de primeira qualidade e o Brasão de Armas do Brasil – em baixo, detalhe lateral da ação e coronha em nogueira européia.
No alto, detalhe da ação da carabina Mauser 1935 – note o acabamento oxidado de primeira qualidade e o Brasão de Armas do Brasil – em baixo, detalhe lateral da ação e coronha em nogueira européia.

O MAUSER “BRASILEIRO”

Devido à grande demanda de fuzis para suprir as Forças Armadas Brasileiras durante a primeira metade do século XX, a Fábrica de Itajubá iniciou a fabricação “em casa” dos Mauser mod. 1908 como alternativa às importações que eram geralmente feitas junto à D.W.M. na Alemanha (Deutsche  Waffen und Munitionsfabrik) e da C.Z. (Ceska Sbrojovka), na então Tchecoslováquia, com a utilização de madeiras locais ao invés das nogueiras européias.  Foi então que a partir de 1934, e como forma de minimizar a dependência de importação de armas, a Fábrica de Itajubá decidiu produzir fuzís e carabinas no Brasil, originando assim o chamado modelo 1908/34, uma versão “nacionalizada” e encurtada, nos moldes das carabinas.

Carabina de cavalaria do modelo 1908/34, fabricado pela Fábrica de Itajubá em calibre. 7X57mm
Carabina de cavalaria do modelo 1908/34, fabricado pela Fábrica de Itajubá em calibre. 7X57mm

Em 1949, após a II Guerra, onde o Brasil participou com a F.E.B. nos campos de batalha da Itália, por influência e acordo militar com o governo norte-americano, o Exército resolveu adotar o calibre .30-06 como regulamentar, embora o 7X57mm continuou ainda, e por muito tempo, presente em algumas unidades do Exército, bem como nos “Tiro de Guerra”. Com essa modificação, a Fábrica de Itajubá começa a produzir uma carabina Mauser, baseada no 08/34 mas em calibre .30-06 Springfield, aqui batizada por Mosquetão Itajubá M1949. Posteriormente, uma segunda série com pequeníssimas mudanças, tais como a boca do cano rosqueada para permitir montagem de lança-granadas e quebra-chamas, foi fabricada em 1954, originando assim 0 Mosquetão Itajubá M954.

Mosquetão F.I. modelo 1949 em calibre .30-06 Springfield, baseado na ação Mauser de 1898
Mosquetão F.I. modelo 1949 em calibre .30-06 Springfield, baseado na ação Mauser de 1898
Uma das páginas interiores do manual, tratando da nomenclatura de algumas peças
Uma das páginas interiores do manual, tratando da nomenclatura de algumas peças
Capa do Manual de Campanha do Mosquetão 1949, edição do M.G. de 1956
Capa do Manual de Campanha do Mosquetão 1949, edição do M.G. de 1956

Em 1964, o Exército Brasileiro resolve adotar o fuzil semi e automático belga, o F.N. denominado F.A.L. (Fuzil Automatique Legère), ou fuzil automático leve, utilizando o cartucho padrão da OTAN, o 7,62mmX51, cartucho baseado no .308 Winchester. Paulatinamente, esse fuzil começou a substituir os mosquetões Itajubá M949 e M954, ainda em calibre .30-06. Em 1967, a fim de reduzir custos e poder padronizar mais rapidamente o calibre utilizado pelo Exército Brasileiro, a Fábrica de Itajubá resolve modificar cerca de 10.000 mosquetões para que pudessem usar o novo cartucho, aproveitando também para aliviar o peso da arma. Assim nascia o M968, apelidado pelo exótico nome de “Mosquefal”.

Acima, o Mosquetão M968 “Mosquefal”, em calibre 7,62mmX51 NATO
Acima, o Mosquetão M968 “Mosquefal”, em calibre 7,62mmX51 NATO

Essa transformação era de natureza simples. Como o culote do cartucho 7,62mmX51 tem exatamente o mesmo diâmetro do .30-06, não houve necessidade de se modificar nada no ferrolho, caixa de culatra e mecanismo de disparo. A alça de mira tipo Mauser foi eliminada, sobre o cano, e a telha de madeira, agora, não tinha mais a abertura superior para ela. Foi desenvolvida uma alça de mira traseira, tipo “peep-sight”, algo semelhante à usada no fuzil norte-americano Enfield 1917. Além disso, foi acrescentada uma massa de mira mais alta e um quebra-chamas, com suporte para possibilitar montagem de um lança-granadas, o mesmo utilizado pelo FAL. Essa arma ainda se encontra em uso até hoje em diversas unidades de “Tiro de Guerra”. Desta forma, foi decretada a “morte” definitiva do cartucho .30-06 Springfield nos quartéis brasileiros.

Durante as décadas de 70 a 80 a Fábrica de Itajubá lançou algumas carabinas baseadas nas ações Mauser de fuzís que eram, progressivamente, sendo recolhidos nas unidades do Exército, além do que ocorria com os leilões organizados pelo E.B. a fim de vender essas armas, ora obsoletas, para militares e colecionadores registrados.

Algumas dessas carabinas, feitas em muito pouca quantidade, foram distribuídas para algumas unidades policiais e para serem usadas em veículos militares. Eram carabinas curtas, chamadas de Officer, talvez uma alusão ao fato de serem utilizadas por oficiais. Segundo meu amigo e expert em fuzis, J. Renato M. Figueira, a intenção era de se fazer uma carabina do tamanho da americana .30M1. Tanto as ações de fuzis Mauser 1894 e 1898 foram utilizadas. Várias dessas armas foram, posteriormente, leiloadas pela Imbel. Conta Figueira que várias dessas peças, em leilão, estavam com suas coronhas tomadas por carunchos. O acabamento era o parquerizado, mais barato e simples de se fazer do que oxidação à quente e eram fornecidos com bandoleiras de lona.

AS ESPINGARDAS

Em meados da década de 60, diversos fuzis remanescentes do modelo 1893 em cal. 7X57mm. se encontravam completamente fora de serviço e espalhados por várias unidades do Exército Brasileiro. Surgiu então a idéia de se reaproveitar esse armamento, a grande maioria deles em perfeito estado; ao invés de serem destruídos, e lançando mão de pouquíssimo investimento, a Fábrica de Itajubá resolve transformá-los em uma arma para venda no comércio, destinada à caça; uma espingarda de alma lisa.

A espingarda Itajubá em calibre 28 – note a coronha sem “pistol grip”, característica dos fuzis Mauser 1893 – foto do autor
A espingarda Itajubá em calibre 28 – note a coronha sem “pistol grip”, característica dos fuzis Mauser 1893 – foto do autor

Da grande quantidade de armas recuperadas dos quartéis e depois de passarem por uma triagem, aproveitava-se a coronha com a soleira de metal, a ação completa (caixa de culatra com mecanismo de disparo, ferrolho e armação do carregador) e os acessórios da coronha como anilhos e presilhas de bandoleira. O cano, bem como as miras,  eram removidos e em seu lugar entrava um novo cano de alma lisa, fabricado na própria Itajubá. Foram escolhidos dois calibres para estabelecerem as duas versões da espingarda; o calibre 28 e o 36. Como não havia mais a alça de mira regulável, a nova telha que recobre parte do cano teve que ser feita à parte, por não ser possível a original ser reaproveitada. Note a coronha típica dos Mauser 1893, sem punho-pistola.

De acordo com o leitor Marcos Letro, militar e instrutor de tiro, as primeiras espingardas em calibre 36 foram colocadas à venda em 1962, oferecida para sargentos e oficiais do Exército, na época pelo preço de Cr$ 1.000,00 (Um Mil Cruzeiros ). Os modelos em calibre 28 foram lançadas entre 1965 e 1966, pois ainda havia disponibilidade de muitas peças em estoque. A esta altura, as espingardas já se encontravam à venda nas lojas de caça e pesca do país. O autor adquiriu uma calibre 28 no final de 1965, ao preço de Cr$ 45.500,00. Os pistolões, mais difíceis de serem encontrados hoje em dia, em calibre 36, foram os últimos a serem fabricados, pois não havia mais disponibilidade de coronhas, diz o leitor colaborador.

Detalhe da culatra aberta mostrando um cartucho “Velox” da CBC calibre 28
Detalhe da culatra aberta mostrando um cartucho “Velox” da CBC calibre 28

A escolha desses dois calibres não foi feita tão somente pelo fato de serem, na época, muito populares para caças pequenas e de aves. O fato é que, no caso do calibre 28, havia uma feliz coincidência de que os cartuchos podiam se encaixar corretamente, de ambos os lados, nas abas do carregador, mas somente em número de dois, um em cima do outro. Havia a possibilidade de se colocar mais um cartucho diretamente na câmara, o que fazia a arma comportar tres cartuchos.

A Itajubá em calibre 36 – o autor supõe que, neste calibre, foi mantido o cano original da carabina Mauser, aberto para o calibre 36, uma vez que até a massa de mira foi mantida.
A Itajubá em calibre 36 – o autor supõe que, neste calibre, foi mantido o cano original da carabina Mauser, aberto para o calibre 36, uma vez que até a massa de mira foi mantida.

No caso do calibre 36, a coisa era mais fácil de se adaptar; nem foi necessário o uso de uma lâmina de transporte dos cartuchos de forma plana, como no caso da 28; podia-se usar a mesma lâmina original do fuzil, com a nervura de divisão central, visto que os cartuchos podiam ser carregados de forma bifilar tal como os originais calibre 7X57mm.

Culatra da Itajubá 28, aberta – note a inscrição “Full-Choke” sobre a câmara e a lâmina (lisa) levantadora dos cartuchos.
Culatra da Itajubá 28, aberta – note a inscrição “Full-Choke” sobre a câmara e a lâmina (lisa) levantadora dos cartuchos.

Infelizmente nos faltam dados sobre a produção e vendas dessas duas espingardas, bem como até que ano foram produzidas;  depois de várias tentativas de contato com a Imbel, não obtivemos resposta e colaboração dela neste sentido. Talvez, se um dia recebermos essas informações, elas serão sem dúvida adicionadas aqui. Mas, pode-se afirmar sem medo de errar que essas espingardas foram bem vendidas. O preço era convidadivo, custando um pouco mais que uma espingarda da Amadeo Rossi ou da CBC, modelos de um cano, de cão externo, armas bem mais simples.

Detalhe da ação Mauser 1893 usada na espingarda Itajubá calibre 28
Detalhe da ação Mauser 1893 usada na espingarda Itajubá calibre 28
Além de uma pequena diferença na usinagem da cabeça do ferrolho, na ação do modelo em calibre 36 não se nota mais nenhuma diferença em relação à calibre 28
Além de uma pequena diferença na usinagem da cabeça do ferrolho, na ação do modelo em calibre 36 não se nota mais nenhuma diferença em relação à calibre 28

Os modelos eram fornecidos com canos em “full-choke“, ou seja, com um certo estrangulamento, característica que aliada ao grande comprimento do cano (740 mm), permitia um alcance considerável para o calibre. O autor fez testes do tipo “pattern” na espingarda de calibre 28, em alvo de papel, para se avaliar a densidade de chumbos. A 1o metros de distância, o diâmetro da chumbada de número 7 estava em torno de 40 centímetros, o que mostra uma concentração muito grande.

Ferrolho completo da ação 1893 – a única alteração feita no desenho original foi a usinagem da parte dianteira, eliminando-se o rebaixo existente que comportava o culote dos cartuchos 7X57mm
Ferrolho completo da ação 1893 – a única alteração feita no desenho original foi a usinagem da parte dianteira, eliminando-se o rebaixo existente que comportava o culote dos cartuchos 7X57mm

Além disso, a confiabilidade era muito boa, pois mesmo se tratando de uma adaptação de um fuzil para uso com cartuchos de caça, a arma muito dificilmente dava problemas de alimentação e de ejeção. Porém, os cartuchos tinham que ser do tipo com boca rebordada, de papelão ou plástico. Cartuchos de metal, do tipo “Presidente” produzido pela CBC, em virtude de terem a boca em canto vivo, enroscavam na alimentação. Outro fator importante era a qualidade do produto e sua durabilidade, pois com excessão do cano, se tratava de um fuzil fabricado na Alemanha com os melhores materiais de que se dispunha na época. Sem dúvida, uma arma que duraria por várias dezenas de anos, se convenientemente bem tratada.

Na espingarda Itajubá em calibre 28, a lâmina transportadora do carregador dos cartuchos teve a sua nervura central aplainada, para poder comportar um cartucho de cada vez
Na espingarda Itajubá em calibre 28, a lâmina transportadora do carregador dos cartuchos teve a sua nervura central aplainada, para poder comportar um cartucho de cada vez
Culatra aberta do modelo em calibre 36 – nota-se a nervura existente na lâmina levantadora de cartuchos, que possibilita o posicionamento de 4 cartuchos, intercalados dois a dois.
Culatra aberta do modelo em calibre 36 – nota-se a nervura existente na lâmina levantadora de cartuchos, que possibilita o posicionamento de 4 cartuchos, intercalados dois a dois.

Uma variante bem mais rara, derivada do mesmo projeto, foi uma espécie de pistolão, lançado no calibre 36 nos finais da produção, por ainda possuírem em estoque o mecanismo da ação, mas não mais dispondo mais de coronhas. O pistolão usava uma coronha tipo pistola, com a empunhadura posicionada logo abaixo da culatra e um pequeno fuste colocado na parte anterior, sob o cano, que tinha pouco mais de 30 cm. de comprimento. Era um pouco desconfortável o manuseio da ação por ferrolho, uma vez que a mão esquerda deveria estar empunhando a arma enquanto a direita abria o ferrolho. Esse pistolão foi bem menos disponibilizado no mercado do que as espingardas.

Acima, o pistolão Itajubá, utilizando ação Mauser do tipo 1898 (gentileza de um leitor)
Acima, o pistolão Itajubá, utilizando ação Mauser do tipo 1898 (gentileza de um leitor)

Os últimos exemplares produzidos, já com a empresa utilizando seu novo nome, Imbel, usavam ações do Mauser tipo 1898, provavelmente oriundas de fuzis remanescentes do Contrato Brasileiro de 1908. Acredita-se que essas últimas saíram de linha no final dos anos 70. Mesmo nos fuzis Mauser, a ação modelo 1898 tem uma diferença marcante em relação à modelo 1893, dentre outras visando maior segurança: na ação 1898, o simples fato de se erguer a alavanca do ferrolho e baixá-la novamente, já arma o percussor. Na ação 1893, após a alavanca erguida, o ferrolho tem que ser puxado um pouco para trás para se proceder ao engatilhamento.

Espingarda Imbel calibre 28, últimas séries, já utilizando ação do fuzil Mauser 1908 – repare a coronha utilizada, original do fuzil 1908, com punho-pistola e agora sem a telha superior – (Foto cortesia de D.A.N.)
Espingarda Imbel calibre 28, últimas séries, já utilizando ação do fuzil Mauser 1908 – repare a coronha utilizada, original do fuzil 1908, com punho-pistola e agora sem a telha superior – (Foto cortesia de D.A.N.)
Detalhe da estampa da Imbel, gravada sobre a câmara e dados do calibre (Foto cortezia de D.A.N.)
Detalhe da estampa da Imbel, gravada sobre a câmara e dados do calibre (Foto cortezia de D.A.N.)
Detalhe do ferrolho aberto da Imbel calibre 28, onde se nota claramente as características da ação Mauser tipo 98, como a orelha lisa da trava de segurança, mais um dente de trancamento traseiro e o trilho/guia superior no cilindro do ferrolho. Note bem no centro da foto, fixada à armação via um parafuso, a alavanca de trava do ferrolho, utilizada para a retirada do mesmo e também como alojamento do ejetor de cartuchos. (Foto cortezia de D.A.N.)
Detalhe do ferrolho aberto da Imbel calibre 28, onde se nota claramente as características da ação Mauser tipo 98, como a orelha lisa da trava de segurança, mais um dente de trancamento traseiro e o trilho/guia superior no cilindro do ferrolho. Note bem no centro da foto, fixada à armação via um parafuso, a alavanca de trava do ferrolho, utilizada para a retirada do mesmo e também como alojamento do ejetor de cartuchos. (Foto cortezia de D.A.N.)

DETALHES DE FUNCIONAMENTO

De maneira análoga ao manuseio do fuzil Mauser, abre-se a culatra puxando-se o ferrolho totalmente para trás. Insere-se dois cartuchos no carregador (cal. 28), por cima, de forma que o último fique retido pelas abas traseiras. Um terceiro cartucho pode ser inserido diretamente na câmara. Neste caso, antes de fechar o ferrolho, exerce-se uma pequena pressão para baixo no último cartucho para que o ferrolho passe por cima dele e tranque sobre o cartucho existente na câmara.

Marca de fábrica do lado esquerdo da culatra na espingarda calibre 36
Marca de fábrica do lado esquerdo da culatra na espingarda calibre 36

Após cada disparo, o ferrolho necessita ser aberto até o final de seu curso, ejetando o cartucho vazio; fecha-se novamente o ferrolho, quando o cartucho seguinte no carregador se solta das abas, para ser alimentado. Em relação aos cartuchos utilizados, dever-se tomar o cuidado de se usar os designados para câmaras de 65mm e não os de 70mm, que poderá ocasionar problemas sérios.

O mecanismo de gatilho, mantido exatamente como o original, não é particularmente muito duro, mas tem a característica típica dos fuzis Mauser, que são os dois estágios bem definidos e com curso bem longo. De qualquer forma, mesmo se tratando se arma derivada de um fuzil militar, o acionamento do gatilho é macio.

A trava de segurança, que é de uma eficácia a toda prova pois impede de forma muito consistente o movimento do percussor, funciona da seguinte maneira:

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À esquerda, ferrolho destravado e desengatilhado; no centro, arma engatilhada e travada (o ferrolho pode ser manuseado desta forma com total segurança); à direita, trava total acionada, que não permite nem a abertura do ferrolho para manuseio.

Detalhe da desmontagem parcial do ferrolho, para limpeza interna e lubrificação – com a trava de segurança na posição intermediária, basta desatarrachar o conjunto traseiro do corpo cilíndrico do ferrolho. Em cima, o cilindro com alavanca de manejo e lâmina do extrator. Abaixo, conjunto do percussor com sua mola, guia e trava de segurança.
Detalhe da desmontagem parcial do ferrolho, para limpeza interna e lubrificação – com a trava de segurança na posição intermediária, basta desatarrachar o conjunto traseiro do corpo cilíndrico do ferrolho. Em cima, o cilindro com alavanca de manejo e lâmina do extrator. Abaixo, conjunto do percussor com sua mola, guia e trava de segurança.

O ferrolho pode ser retirado da arma com muita facilidade. Do lado esquerdo da culatra há um retém, articulado em um pino, com um ressalto serrilhado na parte superior. Abre-se o ferrolho até o final do curso, abre-se esse retém para fora, puxando-o para a esquerda e retira-se o ferrolho. Ao recolocar o ferrolho na arma, não é necessário se mover o retém, mas atenção com o posionamento correto da lâmina do extrator.

O funcionamento da calibre 36 era mais garantido do que na 28. Nesta última, o autor teve a oportunidade de usar várias delas, a extração nem sempre ocorria de forma adequada. Interessante citar que cartuchos carregados eram extraídos com mais eficiência do que os vazios. Muitas vezes, esses eram corretamente extraídos da câmara mas por questão de ajustes, eram “largados” pelo extrator no meio do percurso, antes de atingirem o ejetor, que fica localizado na trava do ferrolho, lado esquerdo da caixa da culatra.

CONCLUSÃO

Trata-se de uma arma curiosa, tanto nos aspectos técnicos como da forma como foi idealizada. No Brasil da década de 60, com pouquíssimos fabricantes concorrentes e nenhuma espingarda com padrões altos de qualidade, diga-se de passagem, a Fábrica de Itajubá teve a chance e a idéia interessante de reaproveitar armas militares, cujo destino certo seria a destruição, e lançar uma espingarda no mercado, com investimento baixíssimo e praticamente nenhum custo de desenvolvimento.

Mesmo se tratando de uma adaptação, a arma tinha suas virtudes como extrema resistência, qualidade dos materiais e robustez a toda prova. Sua semelhança com os fuzis Mauser de repetição podem ter inclusive, ajudado nas vendas pois era uma arma atraente e muito mais vistosa que as simples espingardas de um tiro e de um cano existentes na época.

À esquerda, caçador em ação com a Itajubá 28 na década de 60

A desvantagem ficava por conta do tamanho avantajado, embora os modelos em calibre 36 tiveram uma opção que utilizava canos mais curtos; em relação ao transporte, elas eram realmente um tanto incovenientes e chamavam muito a atenção, pois não tinham o recurso comum nas espingardas tradicionais de se separar o cano do resto da arma, inclusive sem uso de ferramentas.

O acabamento é muito bom, de modo geral, com o madeiramento bem conservado e envernizado brilhante, e peças em aço com oxidação negra brilhante. O ferrolho foi mantido em aço puro, sem acabamento algum. Estéticamente a arma peca um pouco pela parte dianteira onde, com a retirada do prolongamento do fuste do fuzil, a coronha termina de forma um tanto abrupta.

A ITAJUBÁ ATÉ 2010

Hoje, a fábrica de Itajubá é parte do complexo fabril da Imbel, fornecedora de armamento bélico para as forças armadas, incluindo aí o fuzil FAL M964, a carabina MD97, as pistolas baseadas no projeto 1911 M973 bem como armas para uso de civís e atiradores na categoria “Tiro Prático” (I.P.S.C.) como o modelo GC45. Além disso ainda produz munição de uso militar e vários tipos de pólvora destinados aos atiradores que se dedicam à recarga de cartuchos. A carabina MD1 em calibre .22LR é outra arma destinada ao público atirador esportivo, conforme nos mostra o material promocional abaixo.

Esta arma é a substituta de outra carabina no mesmo calibre, lançada pela Fábrica de Itajubá nas décadas de 70 a 80, com o intuito de competir no mercado com suas rivais da CBC e da Rossi. Era uma carabina com carregador destacável de 5 cartuchos, de repetição por ferrolho, muito bem construída com materiais de primeira linha. Em sua época, provou ser uma das mais agradáveis e precisas carabinas nacionais.

Detalhe do ferrolho aberto da carabina Itajubá em calibre .22 LR. Essa era a posição do ferrolho quando ele poderia ser retirado para limpeza.
Detalhe do ferrolho aberto da carabina Itajubá em calibre .22 LR. Essa era a posição do ferrolho quando ele poderia ser retirado para limpeza.

DADOS RESUMIDOS DA ESPINGARDA 28 E 36

  • Data de fabricação: entre 1965 a 1975 (estimado)
  • Calibre: 28 e 36
  • Capacidade: 28 (3 cartuchos) e 36 (5 cartuchos) incluindo um câmara
  • Acabamento: oxidada
  • Comprimento total: 125 cm (28) e 107 cm (36)
  • Comprimento do cano: 74mm (28) e 56mm (36)
  • Pêso: 2,500 Kg descarregada (28) e 2,325 Kg (36)

 

 

 

Fonte: Armas Online

“a curved and narrow blade, which glittered not like the swords of the Franks, but was, on the contrary, of a dull blue colour, marked with ten millions of meandering lines…”.

[“uma lâmina curvada e estreita, que não brilhava como as espadas dos francos, mas foi, pelo contrário, de uma cor azul rústica, marcada com dez milhões de linhas sinuosas …”]

Foi com esta demonstração de armas entre os dois reis, que Sir Walter Scott´s, recriou a cena de outrubro de 1192, quando Ricardo “Coração de Leão” da Inglaterra e Saladino “O Sarraceno” chegaram ao fim da 3ª Cruzada, em seu romance histórico “The Talisman” (O Talismã). Neste sentido, Ricardo empunharia uma boa Espada inglesa, enquanto Saladino teria, em suas mãos uma cimitarra de aço de damasco.

Esta tecnologia ficou conhecida na Europa quando os Cruzados chegaram ao Oriente Médio, no começo do século XI. Eles descobriram que as espadas confeccionadas utilizando esta técnica podiam cortar uma pena em pleno ar, e ainda manterem-se impecavelmente afiadas mesmo após muitas batalhas.

A tecnologia do aço de Damasco intimidou os cruzados e fez com que ferreiros da Europa realizassem tentativas de reproduzir este material por meio da técnica de camadas alternadas de aço e ferro, dobrando e torcendo o metal durante todo o processo. Mas este padrão de técnica de soldagem já era utilizado por celtas, no século VI, Vikings do século XI, ferreiros japoneses do século XIII e não era capaz de oferecer o mesmo resultado das forjas sarracenas. Por esta razão, os ferreiros da Europa gravavam a lâmina ou cobriam a superfície da espada com filigranas (técnica que envolvia amassar o metal até virar uma fina camada) de prata ou cobre para imitar o aspecto das lâminas do aço de Damasco.

Aspecto "ondulado" das lâminas de Aço de Damasco.
Aspecto “ondulado” das lâminas de aço de Damasco.

 

Segundos alguns estudiosos, este tipo de experimento no desenvolvimento do material – realizado por medievais na tentativa de descobrir o processo de criação deste material – pode ser considerado como a origem da ciência dos materiais. Entretanto, estes “pesquisadores” medievos jamais conseguiram replicar este processo, cujos segredo terminou por se perder na História.

Através dos séculos – talvez ainda na época de Alexandre o Grande no quarto século antes de cristo – os ferreiros que desenvolviam as espadas, escudos e armaduras feitas deste material mantinham esta tecnologia em absoluto sigilo. Com o advento das armas de fogo, esta técnica foi perdida e nunca descoberta apesar dos esforços de homens como Pavel Anossoff, o metalúrgico russo, que conhecia o aço como “Bulat”.

Em 1841, Anossoff declarou: “Nossos soldados logo estarão armados com lâminas Bulat, nossos agricultores irão abrir o solo com enxadas bulat… O Bulat irá superar todo o aço usado nos dias de hoje para fabricar artigos com afiação especial e de resistência.”

No entanto, seus esforços ao longo da vida para cumprir esse sonho foram em vão.

Aço “Wootz” e as espadas Sarracenas

O termo sarraceno foi uma adaptação latina da palavra grega “sarakenoi” que, por sua vez, foi uma flexão da palavra árabe “sharquiyin” (“orientais”) e foi utilizada pelos cristãos medievais desde o século XIII como uma forma pejorativa de se referirem aos povos islâmicos que viviam nas regiões do Leste Europeu, Oriente Médio e África. Para entender melhor em que consiste a religiosidade islâmica, você pode acessar o site Paleonerd.com.br que, de forma descontraída trata acerca deste assunto. Também é possível conhecer uma pouco mais sobre o processo de invasões muçulmanas na Europa, a partir do texto “A Bombarda Turca”, que temos em nosso acervo.

Atualmente, os pesquisadores sabem que o verdadeiro (ou “oriental”) aço de damasco era constituído por uma matéria prima que os pesquisadores denominaram de “aço wootz”, o qual era formado por um grau excepcional de minério de ferro. Desta maneira, os intelectuais especulam estas armas teriam sido criadas pela primeira vez no Sul e Sudeste da Índia e Sri Lanka durante a primeira metade do século IV d.C.. O “wootz” era extraído a partir do minério de ferro e transformado com auxílio de um cadinho (objeto no qual o ferro era derretido), no qual o material era derretido, limpo de impurezas e recebia a adição de outros ingredientes que incluíam alta quantidade de carbono (aproximadamente 1,5%, segundo um cálculo baseado no peso do ferro, o qual costuma ter apenas 1% deste minério).

Para entender melhor um pouco sobre forma como este material é no processo de forja contemporâneo, você pode assistir ao seguinte vídeo:

A alta concentração de carbono é o elemento chave no processo de manufatura do aço de damasco, da mesma forma que o problema destas armas. Isto porque a alta concentração de carbono permite o aperfeiçoamento do corte desta lâmina e torna sua durabilidade maior, todavia controlar a quantidade, presente na mistura é QUASE IMPOSSÍVEL!

Pouco carbono resultaria em um ferro demasiado maleável para estes propósitos, mas, carbono demais daria início ao processo de fundição, que é inútil para a confecção de armas; se o processo não desse certo, resultaria em placas de cementite, que é extremamente frágil. Todavia, de alguma maneira os metalúrgicos islâmicos foram capazes de controlar a concentração deste material e fazer armas de combate fantásticas, mas toda esta técnica se perdeu em meados do século XVIII.

Não faz sentido o fato destes ferreiros terem “perdido” tal tecnologia tão útil e muitos pesquisadores tentativas de reencontrar esta técnica. Em artigo recente para a revista Nature o pesquisador da Universidade de Dresden, Peter Paufler, desenvolveu uma hipótese para explicar a mecânica por meio da qual o aço com alta concentração de carbono foi criado e por que motivo desapareceu. Para tanto, este pesquisador buscou auxílio da nanotecnologia como forma de entender melhor este processo.

Segundo artigo da National Geographic, ao colocar este material em análise com auxílio de um microscópio eletrônico, Paufler e seus colegas encontraram nanotubos de carbono nestas espadas. Estes nanotubos são muito fortes e estão presentes no aço mais suave das lâminas, tornando-as mais resistentes. Sobre Paufler afirma: “É um princípio geral da natureza. Materiais que são suaves podem ser fortalecidos com a inclusão de fios mais resistentes.”

Estrutura do Aço de Damasco onde é possível notar a existência dos nanotubos de carbono.
Estrutura do aço de Damasco onde é possível notar a existência dos nanotubos de carbono.

Para comprovar sua teoria, este pesquisador e sua equipe foram capazes de construir uma liga de aço mais poderosa, baseada na introdução de cementita, durante o processo de resfriamento – que é conhecido como têmpera. Entretanto outros pesquisadores permanecem céticos acerca de Paufler e sua equipe terem conseguido descobrir o segredo do aço de damasco. Como é o caso do especialista em metalurgia da Universidade Estadual do Iowa (EUA), John Verhoeven, o qual afirma que nanoestruturas tubulares podem ser encontradas também em espadas feitas com aço comum.

No denso artigo “The Key Role of Impurities in Ancient Damascus Steel Blades” (O papel central das impurezas nas antigas espadas de aço de Damasco) que escreveu junto com mestre em cutelaria e gerente geral aposentado da Nucor Steel Corporation para o site The Minerals, Metals and Materials Society (TMS), Verhoeven afirma que:

“…o lingote wootz teria que ter vindo de um depósito de minério que forneceu níveis significativos de determinados oligoelementos, nomeadamente, Cr, Mo, Nb, Mn, ou V. Essa idéia é consistente com a teoria de alguns autores que acreditam que as lâminas com bons padrões só foram produzidas a partir de lingotes wootz feitas no sul da Índia, aparentemente em torno de Hyderabad. Em segundo lugar […era necessário] o conhecimento anterior de que wootz lâminas Damasco com bons padrões são caracterizados por um nível de fósforo elevado.”

Característico padrão "orgânico" nas lâminas de aço de Damasco
Característico padrão “orgânico” nas lâminas de aço de Damasco

Para estes especialistas consideram pertinente a hipótese, na qual a produção deste metal teria sido interrompida, não pela perda da técnica, mas sim por causa do esgotamento da fonte do minério adequado para a produção destas armas. Quando foi encontrado um novo corpo de minério que apresentava as propriedades necessárias para a produção do aço de damasco, os ferreiros que conheciam o processo de extração e forja já teriam falecido, sem terem passado à frente o conhecimento aos seus aprendizes.

Os estudos das propriedades nanomateriais ainda estão nos primeiros passos de seu desenvolvimento e, provavelmente, ainda precisaremos esperar mais alguns anos até uma conclusão que seja reconhecida como um consenso entre os pesquisadores.

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1066 – Húskalar, Batalha de Hastings

‘O guerreiro anglo-saxão de Hastings talvez não seja tão diferente do “Tommy” britânico das trincheiras’ disse o fotógrafo Thom Atkinson. Na Batalha de Hastings, a escolha do soldado em termos de armamento era bem extensiva. Dentre as diversas batalhas nas quais estes guerreiros ferozes participaram, provavelmente a mais famosa é a de Hastings. Liderados por Harold Godwinson ou Haroldo II da Inglaterra, chefe dos ingleses, lutaram contra William II da Normandia, que comandava a coalizão dos franceses e normandos. Apesar da derrota sofrida contra os normandos, os húskarlar mostraram-se extremamente úteis em combate.

Guardas de Elite

Os húskarlar foram utilizados como guardas de elite pessoal dos vários nobres da Europa. Dentre os mais famosos corpos de guardas, está a elite militar de Canuto, rei da Inglaterra, que governou o país no século XII d.C. Através da Lex Castrensis, Canuto estabeleceu que sua guarda particular seria composta de guerreiros húskarlar. O guerreiro huskarl era um dos poucos que tinha o privilégio de permanecer no salão real nas festividades e comer na mesa do rei juntamente com ele. Mas, com os privilégios, vieram também as obrigações do dever: traição e ações consideradas graves eram punidas com o exílio ou a morte. Estes guerreiros eram submetidos a um código militar muito mais severo do que os seus companheiros de armas de patentes mais baixas. Até mesmo seus julgamentos eram realizados por um tribunal específico: o Huskarlesteffne, cujas decisões eram assistidas pelo próprio soberano.

Aqui neste kit podemos ver a forte presença da cota de malha utilizada até a chegada das armas de pólvora e o conhecido elmo nasal em forma de cuia com a haste para proteger o nariz do soldado.

1066 – Húskalar, Batalha de Hastings

1244 – Cavaleiro montado, Cerco de Jerusalém

O Cerco de Jerusalém de 1244 aconteceu durante a Sexta Cruzada, quando os Corásmios (a convite dos Aiúbidas) conquistaram a cidade sobre Frederico II da Germânia em 15 de julho de 1244.

Aqui já podemos notar o uso da maça medieval, uma evolução do primitivo porrete mas com uma cabeça de metal facetado. A maça foi inventada por volta de 12 000 a.C. e, rapidamente, tornou-se uma arma importante. Essas primeiras maças de madeira, com pedra sílex ou obsidiana encravadas, tornaram-se menos populares devido ao aprimoramento das armaduras de couro curtido que podiam absorver grande parte do impacto. Algumas maças tinham a cabeça inteira de pedra, mas eram muito mais pesadas e de difícil manejo. Maças eram muito utilizadas na idade do Bronze no Oriente Próximo.

A adaga vista aqui neste kit também, era um item multiuso, mas principalmente utilizado fora das batalhas como ferramenta de corte universal, tanto para a alimentação quanto para o corte de madeira fina e outros materiais mais simples.

1244 – Cavaleiro montado, Cerco de Jerusalém

1415 – Arqueiro combatente ou arqueiro de arco longo, Batalha de Azincourt

Batalha de Azincourt foi uma batalha decisiva ocorrida na Guerra dos Cem Anos. Acontecida em 25 de outubro de 1415 (Dia de São Crispim), no norte da França, resultou em uma das maiores vitórias inglesas durante a guerra.

Um detalhe muito importante nesta batalha foi o emprego dos arcos longos (na foto, o item de madeira clara com um adorno escuro no centro), estes que foram eficazmente utilizados pelos ingleses contra os franceses ao longo de séculos. O arco longo inglês pode ser considerado uma das armas mais letais e importantes da história. Foi usado principalmente na Idade Média, e era o maior causador de baixas se usado corretamente. No exército inglês o arco longo já se encontrava intrinsecamente ligado à sua cultura, pois os jovens aprendiam seu manuseio desde cedo para caçar e mais tarde, combater.

1415 – Arqueiro combatente ou arqueiro de arco longo, Batalha de Azincourt

1485 – ‘Homem de armas’ iorquino, Batalha de Bosworth Field

‘Homem de armas’ foi um termo usado desde os períodos da alta Idade Média até o Renascimento para descrever um soldado, quase sempre um guerreiro profissional no sentido de serem bem-treinados no uso de armas, que servia como um cavaleiro pesado totalmente armado. Também podia referir-se a cavaleiros ou nobres, e aos membros das suas comitivas ou mercenários. Os termos cavaleiro e homem de armas são muitas vezes usados como sinônimos, mas ao mesmo tempo todos os cavaleiros equipados para a guerra, certamente, eram homens de armas, mas nem todos os homens de armas eram cavaleiros.

As guerras eram responsabilidades exclusiva dos nobres, segundo a lógica do Feudalismo, portanto esses comandantes eram de famílias nobres, o que permitia a eles o acesso a equipamentos que para a época eram muito caros. A cavalaria era uma arma que criava espaço apenas para membros da nobreza, e isso perdurou até a Primeira Guerra Mundial onde os pilotos de aviões eram normalmente membros da cavalaria, algo visível pelo aspecto de sua indumentária, onde era normal o uso de botas e calças de montaria.

Estas armaduras, ao contrário do que se diz e do que muitos pensam, eram feitas para serem leves e permitirem com que o soldado pudesse se movimentar sem grandes problemas. Tal fato alegando que os soldados que sofriam quaisquer quedas de costas vestindo uma armadura destas o impediria de se levantar, são apenas boatos.

1485 – ‘Homem de armas’ iorquino, Batalha de Bosworth Field

1588 – Caliveiro miliciano, Tilbury

O Arcabuz é uma antiga arma de fogo portátil, espécie de bacamarte. Era chamada vulgarmente de espingarda nas crônicas portuguesas do século XVI. O Caliver (arma da foto) nada mais era do que um arcabuz improvisado, de menor porte e utilizado pelas milícias especialmente na Europa, sendo mais presente na Inglaterra. O Arcabuz e o Caliver foram os predecessores do mosquete, todos estes eram carregados diretamente pelo cano e possuíam o característico fecho de mecha para realizar a ignição da pólvora e assim, concluir o disparo.

Note também o Capacete Morrião ou chamado apenas por Morrião, o popular capacete de conquistador, usado entre os séculos XVI e XVII.

1588 – Caliveiro miliciano, Tilbury

1645 – Mosqueteiro do exército, Primeira Guerra Civil Inglesa

A Batalha de Naseby foi a batalha decisiva durante a Primeira Guerra Civil Inglesa, onde o exército do Rei Carlos I foi dizimado pelo Exército Novo dos cabeças redondas comandados por Sir Thomas Fairfax e Oliver Cromwell.

O Exército Novo foi formado em 1645 pelo Parlamento e dissolvido em 1660 após a Restauração. Era diferente dos demais exércitos à época, uma vez que foi concebido como uma força responsável pelo serviço em todo o país, ao invés de estar circunscrito a uma única área ou guarnição. Como tal, era constituído por soldados em tempo integral, ao invés da milícia usual à época. Além disso, possuía militares de carreira, não tendo assento em qualquer das Casas (dos Lordes ou dos Comuns) e, portanto, não eram ligados a nenhuma facção política ou religiosa entre os parlamentares.

Oliver Cromwell remodelou o exército e, a frente dele, venceu várias batalhas, os soldados passaram a ser promovidos com base na competência e não mais pelo nascimento em uma família de prestigio. Ou seja, o critério de nascimento foi substituído pelo de merecimento, este novo exército (New Model Army) venceu o exército do rei na Batalha de Naseby, que pôs fim à luta. O Rei Carlos Ι foi condenado à morte e executado. A república foi proclamada e Oliver Cromwell assumiu o governo do seu país.

É possível notar o cinto de carregadores (centro direito da foto), onde os pequenos cilindros de madeira carregavam pequenas quantidades específicas de pólvora para auxiliar no recarregamento ágil do mosquete após cada disparo. Também a bolsa de couro com biqueira, algo similar ao que mais tarde chamaríamos de cantil, o pequeno punhal para uso universal e o baralho, o conhecido jogo de cartas com figuras popularizado no sul da Europa à partir do século XIV.

1645 – Mosqueteiro do exército, Primeira Guerra Civil Inglesa

1709 – Sentinela, Batalha de Malplaquet

A Batalha de Malplaquet se deu no dia 11 de setembro de 1709 no marco da Guerra de Sucessão Espanhola. Tropas da França foram vencidas pelas tropas da Aliança – composta pela Áustria, Inglaterra e Holanda – comandadas pelo Duque de Marlborough e pelo Príncipe Eugênio de Saboya. Às 8 da manhã do dia 11 de setembro, o Duque de Marlboroug, à direita do Príncipe Eugênio, cujo exército constava de soldados imperiais e dinamarqueses, avançou para atacar pelo flanco, sem ser bem-sucedido. A infantaria prussiana e holandesa, comandada pelo Príncipe de Orange e o Barão Nagel, encontrou também uma intensa resistência francesa pelo flanco esquerdo.

Depois de serem rejeitados dois ataques, o Príncipe Eugênio dirigiu pessoalmente o terceiro. Suas tropas romperam as linhas francesas e as expulsaram do território de Malplaquet (França). Os aliados perderam 25.000 homens e os franceses sofreram 11.000 baixas e sofreram a derrota definitiva neste confronto. A Batalha de Malplaquet foi uma das batalhas mais sangrentas da Guerra de Sucessão Espanhola.

Aqui já é evidente o uso da baioneta, uma lâmina que podia ser instalada na ponta do cano do mosquete. Algo que se demonstra eficiente até os dias de hoje. A origem do uso da “baioneta” é incerto, mas há registros que alegam que esta arma era utilizada durante a caça, após um tiro mal-sucedido sobre o alvo, onde possibilitava ao caçador a desferir um golpe de lâmina sobre o animal à curta distância. Na França, a baioneta foi introduzida pelo General Jean Martinet e foi comumente utilizada na grande maioria dos exércitos europeus após a década de 1660.

Podemos ver o característico chapéu tricorne (três pontas) no topo à esquerda e uma pequena bíblia no canto inferior esquerdo.

1709 – Sentinela, Batalha de Malplaquet

1815 – Soldado raso, Batalha de Waterloo

O mosquete com pederneira modelo Brown Bess foi desenvolvido em 1722 e usado na época da expansão do Império Britânico. Adquiriu importância simbólica, pelo menos, tão importante quanto a sua importância física. Ele estava em uso há mais de cem anos, com muitas mudanças incrementais no seu design. Estas versões incluem o Long Land Pattern, Short Land Pattern, India Pattern, New Land Pattern Musket, Sea Service Musket e outros. Um soldado bem treinado podia efetuar quatro disparos dentro de um minuto utilizando um mosquete com pederneira.

A origem do nome “Brown Bess” ainda é incerto mas pode ser uma derivação do alemão ou holandês para “marrom” e “cano.” (Os primeiros ferreiros de armas aplicavam uma camada de verniz sobre o metal e a coronha de armas de fogo)

Um detalhe interessante é que neste kit pode-se notar a inclusão da caneca de estanho e o caderno de anotações. Também vale ressaltar a presença de kits de jogos para a distração como xadrez e damas. É visível também, mudança do chapéu Tricorne para o Chacó, esta espécie de quepe comprido com a insígnia em sua face frontal. O cantil veio a se tornar parte do equipamento padrão ao invés de cuias e copos para coletar água de fontes comuns ou rios e lagos. E por fim, o retorno dos calçados com cadarços.

1815 – Soldado raso, Batalha de Waterloo

1854 – Soldado raso da brigada de rifles, Batalha de Alma

A Batalha de Alma foi uma batalha da Guerra da Crimeia, travada entre o Império Russo e a coligação anglofrancootomana. Foi travada em 20 de setembro de 1854, na margem do Rio Alma, hoje em território da Ucrânia. Foi o primeiro grande confronto durante este conflito (1854 – 1856). A coligação aliada derrotou os russos, que perderam cerca de seis milhares de homens. É em memória desta batalha que uma das pontes de Paris recebeu o seu nome: a Ponte de Alma.

A importância da camuflagem já detinha uma certa atenção dentro do âmbito militar nesta época. Com a sofisticação dos rifles militares e sua precisão, a necessidade de o soldado permanecer oculto nos campos de batalha começara a aumentar exponencialmente.

1854 – Soldado raso da brigada de rifles, Batalha de Alma

1916 – Soldado raso, Batalha do Somme

Enquanto a Primeira Guerra Mundial foi a primeira guerra moderna, assim como ilustrado no grupo de itens abaixo, este ainda é considerado um kit primitivo. Juntamente com a máscara de gás, o soldado era equipado com uma espécie de “maça de trincheira”, algo que lembra uma arma medieval.

Durante a a Grande Guerra a camuflagem já era uma estratégia militar levada em conta por vários fatores, além da existência dos vôos de reconhecimento após a inclusão do avião como uma arma de guerra e também pela evolução dos rifles de precisão. Os sobrevoos eram usados para mapear as posições inimigas com o intuito de criar uma condição favorável para os rivais ao possibilitar cercos de artilharia, com isso, a camuflagem passou a ser parte essencial do estudo no desenvolvimento industrial dos novos uniformes militares.

O rifle presente neste kit é o Lee-Enfield, derivado do antigo Lee–Metford que já aplicava um novo método de ação de ferrolho. O Lee-Enfield foi utilizado pelo exército britânico durante as duas grandes guerras e entrou em serviço em 1895, permanecendo até 1957. Disparava de 20 a 30 vezes por minuto com um alcance de aproximadamente 500 metros.

O uso da pá de combate também era algo essencial na época devido à estratégia militar adotada por praticamente todas as nações na época, a guerra de trincheiras.

Nesta época também foi introduzida pela primeira vez o que era chamado de “Rações de Provisão”, que eram nada mais que comida empacotada para ser facilmente preparada e consumida pelas tropas no campo de batalha. Consistiam em três tipos, Ração Reserva, Ração de Trincheira e Ração de Emergência. O uso de rações de combate não era regra para todas as nações envolvidas na guerra, na época. Atualmente as rações de previsão recebem várias nomenclaturas dependendo de sua composição.

Assim como o amplo uso de lanternas portáteis na Segunda Guerra Mundial, algo relativamente novo para o ocidente naquela época eram as Dog Tags ou chapas de identificação. Elas foram introduzidas pelos chineses no século XIX e não demoraram a serem adotadas como instrumento de identificação por quase todas as nações algum tempo depois. A versão da Dog Tag da Primeira Guerra Mundial está logo acima da maça de trincheira, no centro esquerdo da imagem.

Outras inovações da época eram o kit de bandagens de primeiros socorros individual e o relógio de bolso.

1916 – Soldado raso, Batalha do Somme

1944 – Lance corporal, Brigada de Paraquedistas, Batalha de Arnhem

Batalha de Arnhem foi um grande combate travado entre as forças do Exército Alemão e das tropas Aliadas nas cidades holandesas de Arnhem, Oosterbeek, Wolfheze, Driel e no interior do país de 17 a 26 de setembro de 1944. Ela foi parte da Operação Market Garden, uma operação mal sucedida que aconteceu em parte dos territórios da Holanda e Alemanha e que tinha como objetivo principal de expulsar os alemães dos Países Baixos e garantir o avanço livre das tropas aliadas para dentro do território alemão. Ela também foi a maior operação envolvendo tropas aerotransportadas da história.

Nesta imagem notamos que a sofisticação e o número de itens dentro do equipamento militar já aumentara consideravelmente desde o kit do húskarlar da Batalha de Hastings. Para viabilizar um salto com o mínimo de peso possível, os paraquedistas necessitavam de um kit compacto. Sendo assim, foram desenvolvidos inúmeros instrumentos e itens menores que pudessem ser agrupados nas mochilas e bolsas com o objetivo de permitir que o soldado conseguisse saltar sem grandes complicações. Armas menores ou portáteis com coronha retrátil, calças repletas de bolsos e sistemas de fechos inteligentes criaram uma condição em que o equipamento pudesse ser rapidamente desatado do corpo do soldado permitindo uma maior mobilidade, e mesmo assim, os equipamentos de hoje se demonstram mais eficientes contando com apenas um ou dois fechos que se desconectados, liberam todo o equipamento carregado pelo soldado paraquedista.

A comida enlatada era algo amplamente utilizado durante a Segunda Guerra Mundial, uma vez que os soldados iriam percorrer grandes distâncias, isso criava a necessidade de alimentos duráveis para reduzir a necessidade do apoio logístico por parte do fornecimento de alimentos vindos de seus países de origem.

Uma grande mudança ocorrida nesta época foi o uso do chocolate como fonte de energia para os soldados, sendo ele incluído como parte íntegra do kit de rações.

1944 – Lance corporal, Brigada de Paraquedistas, Batalha de Arnhem

1982 – Royal Marine Commando, Guerra das Malvinas

A Guerra das Malvinas foi um conflito ocorrido nas Ilhas Malvinas (em inglês Falklands), Geórgia do Sul e Sandwich do Sul entre os dias 2 de abril e 14 de junho de 1982 pela soberania sobre estes arquipélagos austrais reivindicados em 1833 e dominados a partir de então pelo Reino Unido. Porém, a Argentina reclamou como parte integral e indivisível de seu território, considerando que elas encontram “ocupadas ilegalmente por uma potência invasora” e as incluem como partes da província da Terra do Fogo, Antártica e Ilhas do Atlântico Sul.

O saldo final da guerra foi a recuperação do arquipélago pelo Reino Unido e a morte de 649 soldados argentinos, 255 britânicos e 3 civis das ilhas.

Aqui já é possível vermos o esquema de camuflagem moderno com padrões de formas e de cores derivadas do verde, e também os itens portáteis como câmera fotográfica e rádio.

1982 – Royal Marine Commando, Guerra das Malvinas

2014 – Sapador de apoio, Royal Engineers, Província de Helmland

A evolução da tecnologia que emergiu nesta série de fotografias foi um processo que recebeu um grande avanço no último século. O relógio de bolso hoje é à prova d’água e possui visor digital; o Lee-Enfield de ação de ferrolho foi substituído por carabinas com mira a laser; os coletes camuflados de Kevlar tomaram o lugar das túnicas de lã.

A sofisticação do equipamento do soldado é gigantesca se formos comparar a primeira e esta última fotografia. Passamos de um equipamento pesado e rígido para a mobilidade, para um armamento mais eficiente, preciso e resistente. Saímos da espada para o arco, mosquete e no final, o rifle de precisão que pode atingir o alvo a 1km de distância. Hoje temos uma preocupação maior em manter o soldado vivo do que empregar “buchas de canhão” no campo de batalha com o intuito de ganhar tempo antes de enviar a carga de cavalaria. Aprendemos o quão importante é manter o soldado oculto por camuflagem e a orientação por mapas em território hostil.

A pergunta que fica é: se nos últimos 1000 anos a evolução do armamento militar acelerou-se gradativamente no decorrer dos séculos, o que nos espera nos próximos 50 anos?

2014 – Sapador de apoio, Royal Engineers, Província de Helmland

Fotografias: Thom Atkinson

Adolf Hitler mencionou o bombardeiro Heinkel He 177 Greif (Grifo) pela primeira vez a seu alto comando em 1 de fevereiro de 1943.

Em diálogo com o Generaloberst (Coronel) Hans Jeschonnek, o chefe de gabinete da Luftwaffe, como parte de uma reunião sobre tanques e aviões, o Führer disse:

“Eu não preciso dizer mais de uma vez que: eu considero todo o modelo 177 um equívoco por que já foi comprovado durante a Grande Guerra que usar dois motores em um eixo é algo de extrema dificuldade, e que gerara uma série de problemas recorrentes.”

Talvez o He 177 não tenha sido o grande erro de de Hitler – existe uma lista vasta de candidatos –  mas foi um erro total do time de engenheiros de aeronaves da Ernst Heinkel e da Luftwaffe. Ele é a personificação da falha durante os tempos em que a Alemanha tentava se armar com bombardeiros de longo alcance.

O desenvolvimento era secreto e foi classificado como “plano de bombardeiro pesado”. A promessa era criar uma aeronave de performance superior à qualquer aeronave no mundo (na época), armado com duas toneladas de bombas para atingir alvos em até 2300 km dentro do território inimigo a uma velocidade de 360 kph. Ele permitiria que a Luftwaffe chegasse aos comboios aliados no Atlântico e instalações soviéticas além dos Montes Urais.

Protótipo do bombardeiro pesado Heinkel He 177 V5 em vôo, 1942/43. Foto da marinha americana.
Protótipo do bombardeiro pesado Heinkel He 177 V5 em vôo, 1942/43. Foto da marinha americana.

Ao invés de melhorar a força ofensiva da Luftwaffe, o He 177 ficou conhecido pelas falhas estruturais, problemas de motor (incluíndo frequentes problemas de aquecimento e incêndios nos motores) e no geral a falta de confiabilidade. A superfície da cauda teve de ser redesenhada e alargada. Haviam problemas constantes não apenas com os motores gêmeos mas com o complexo sistema de hélices de quatro pás de quatro metros e meio por oito polegadas de espessura.

Especificações e grandes expectativas

Desenvolvido no início de 1939, o He 177 foi desenhado mediante a uma especificação do Ministério de Aviação Alemão, que solicitava um bombardeiro pesado com capacidade para duas toneladas de bombas. Enquanto ainda estava se preparando para seu primeiro vôo, o Generaloberst Ernst Udet, talvez um dos pilotos mais famosos da Luftwaffe, decretou que todos os aviões de combate alemães deveriam ter a capacidade de efetuar bombardeios de mergulho da mesma forma que faziam os Junkers Ju 87 Stuka. Jeschonnek (seu sucessor) continuou esta política após a morte de Udet em 1941. Esta nova regra, que era impossível para um bombardeio pesado, criou a necessidade da engenharia de motores gêmeos que se tornaram o coração de todos os problemas do Grifo.

Os motores foram colocados em duas nacelas tornando-o um avião quadrimotor – ou algo parecido. O conceito foi criado em cima dos motores Daimler Benz DB 606, que somavam dois DB 601A-1/B-1 invertidos de 1350 cavalos de potência cada, instalados lado a lado com cilindros internos quase verticais, formando um W. Os motores estavam fadados ao superaquecimento e incêndios durante o vôo eram quase certos. Seis dos oito aviões originalmente criados foram perdidos, a maioria por problemas de incêndio, e muitos dos 35 primeiros (produzidos inicialmente pela Arado) também tiveram o mesmo destino.

O protótipo He 177V-1 fez seu vôo inaugural em 9 de novembro de 1939, pelo Tenente Carl Francke, chefe do Centro de Testes de Rechlin. O vôo terminou abruptamente após 12 minutos de superaquecimento nos motores. Fracke elogiou a manobrabilidade mas reclamou da vibração nos eixos propulsores, superfícies inadequadas na cauda, e a trepidação constante que afetava a posição dos profundores, algo de perigo extremo.

Manutenção nos motores problemáticos de um He 177. Foto Bundesarchive
Manutenção nos motores problemáticos de um He 177. Foto Bundesarchive

Este era o começo de uma longa série de incêndios, acidentes e quedas. Em junho de 1942, o inspetor da Luftwaffe, o Marechal de Campo Erhard Milch e o Ministro de Armamento, Albert Speer visitavam a base por um outro propósito e viram, por acaso, o novo He 177 decolar com o compartimento de bombas lotado. Após sumir do campo de visão, quando estava há 150 metros (500 pés) de altitude o Grifo guinou abruptamente e deslizou de lado em direção ao solo, matando todos que estavam à bordo. Só após este ocorrido, Milch veio a ser informado sobre outros acidentes fatais que não eram de seu conhecimento até então.

No livro The Rise and Fall of the Luftwaffe, a biografia de Milch, o autor David Irving escreve sobre o Reichsmarschall Hermann Göring reclamando da regra de Jeschonnek à respeito dos aviões com capacidade para bombardeio de mergulho. “É uma idiotice sem tamanho criar bombardeiros quadrimotores pesados com capacidade de mergulho,” disse Göring. “Se eu tivesse sido informado sobre isso à tempo, eu teria dito logo de início: que tipo de maluquice é essa?” Mas o projeto já havia sido enviado, e, como disse Göring, “agora já está aí, temos que engolir.”

Irving cita a crítica de Milch, “Para que serve o melhor avião do mundo se ele desmonta enquanto no ar?”

Mudanças nas configurações

Enquanto os motores eram constantemente redesenhados no He 177, novas versões do bombardeiro foram criadas, e que mais tarde foram também modificadas. Armeiros da linha de frente em Stalingrado, que receberam meia-dúzia de He 177A usados como transporte, instalaram canhões BK-5 anti-carro de 50mm debaixo do nariz. Uma outra tentativa para instalar canhões de 70mm criou novos problemas aerodinâmicos e foram cancelados após cinco He 177A-3/R-5 receberem as armas.

He 177A  em um mergulho raso. O He 177 foi desenhado para possuir a capacidade de efetuar bombardeios de mergulho, uma solicitação ridícula para um bombardeiro quadrimotor. Foto: Bundesarchiv
He 177A em um mergulho raso. O He 177 foi desenhado para possuir a capacidade de efetuar bombardeios de mergulho, uma solicitação ridícula para um bombardeiro quadrimotor. Foto: Bundesarchiv

Nenhuma das mudanças criaram grandes avanços mediante aos problemas do He 177, incluíndo uma grande tendência a guinadas nas decolagens. “Isqueiro voador” era o apelido dado ao Grifo pelos homens da Luftwaffe.

Até a interrupção das linhas de produção de todas as aeronaves que não fossem caças ocorrida em outubro de 1944, a Heinkel e a Arado produziram aproximadamente 1100 He 177s, incluíndo outros 826 exemplares do modelo He 177A-5, que foi amplamente melhorado se comparado a versões anteriores. A utilidade do bombardeiro nunca foi acreditada. Em uma ocasião, Göring assistiu catorze aeronaves decolarem em missões de ataque a Londres. Treze decolaram. Oito retornaram imediatamente com superaquecimento nos motores, um caiu em algum lugar e apenas quatro conseguiram completar seus objetivos, mas nenhum foi derrubado.

 

O He 177 foi o maior avião alemão operado sobre a Inglaterra durante a guerra.

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O arqueólogo de aeronaves Julian Evan-Hart escavou o local de queda de um He 177 que foi derrubado por um De Havilland Mosquito da Força Aérea Real em 1944 próximo à cidade de Saffron.

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  Fabricante: Lockheed Martin
  Função principal: Ataque ao solo
  Alcance: 7km   Velocidade: Variável / discutido
  Tipo de ogiva : Explosivo   Peso da ogiva : 4.7Kg.
  Peso total: 16Kg   Comprimento: 1.9 M.
  Diâmetro: 70mm   Sistema orientação: Inercial e Infravermelhos na fase final

O míssil DAGR (sigla em inglês para Foguete de Ataque Direto Dirigido) de 2.75 polegadas/70mm é um armamento de alta precisão, multi-função, de munição multi-plataforma que neutraliza efetivamente blindados leves e alvos de alto valor que estejam próximos à áreas que possuem presença de civis ou forças aliadas. O DAGR oferece a alta capacidade de precisão e a confiabilidade de um HELLFIRE II, limitando ainda mais os danos colaterais.

O sistema DAGR coloca o míssil Hellfire II com a tecnologia integrada de mísseis Ar-Terra num lançador convencional que utilizaria mísseis Hydra 70, ou seja, totalmente adaptável. Como o Hellfire, o DAGR é capaz de ativar o lock-on pós-disparo (LOAL) e ante-disparo (LOBL), mudança de alvo,  bem como codificação a laser a partir do cockpit. O resultado é um míssil guiado por laser, que oferece capacidades além daquelas que possuem um foguete guiado simples.

O DAGR provou-se em mais de 30 disparos guiados bem sucedidos, lançado a partir de plataformas de asa-rotativa como o AH-64D Apache, AH-6 Little Bird e OH-58 Kiowa Warrior em março de 2014. E cada acerto do DAGR em alvos deu-se a um raio de menos de um metro de distância do objetivo designado pelo laser.

DAGR-Missile-2

Ele combina a capacidade de ser dirigido para o alvo, o que dá ao sistema uma enorme precisão, bem como uma alta redução de custos resultante da utilização de um foguete com menos sofisticação e complexidade que a necessária para fabricar um míssil convencional.

A evolução da guerra assimétrica, em que forças equipadas com sistemas de armas hiper-sofisticados se defrontam a formações irregulares com grande flexibilidade, geram a necessidade de utilização de um número cada vez maior de mísseis e ameaçam tornar as operação de combate com UAVs demasiadamente caras.

O alcance do foguete quando lançado por uma aeronave desde uma altitude de 6.000 metros pode atingir 12.000 metros.

Está em desenvolvimento um sistema de lançamento, compatível com os mísseis Hellfire. Cada um desses suportes pode transportar até 4 mísseis deste modelo e em substituição de cada um deles pode levar quatro foguetes DAGR.

Um foguete do tipo DAGR poderá custar algo como 390 a 645 dólares, ou seja, um custo de 1% (um centésimo) do custo de um missil Hellfire.

Iniformação genérica:

Os foguetes de 70mm começaram a ser estudados pela marinha dos Estados Unidos na década de 40, com o intuito de serem utilizados como artilharia convencional.

Este tipo de arma, com estabilizadores que lhe davam uma precisão fora do comum para a época, foi rapidamente adaptado para utilização em aeronaves.

É especialmente interessante a utilização que lhe foi dada para armar os caças interceptadores norte-americanos. A probabilidade de atingir um bombardeiro soviético porém, foi considerada muito reduzida.

Rapidamente o sistema foi adaptado como base para uma miríade de sistemas equivalentes, fabricados nos Estados Unidos e em outros países da OTAN. O tipo foi igualmente produzido em vários exércitos por todo o mundo, desde o Brasil até a África do Sul.

Muitos pensam que realmente os silenciadores inibem todo o som da arma, mas não é bem assim. Eles não funcionam como nos filmes holywoodianos em que a arma fica simplesmente sem silenciosa, não emitindo som algum.
A pressão dos gases liberados pela arma durante o disparo é suprimido pelo silenciador e essa é sua única função. Apenas reduzir levemente o ruído. Mas o estouro da arma não é definido apenas pelos gases, este fator vai muito além disso.

silkenciador

A principal fonte do som emitido pela arma é o estampido que ela cria e além disso, também existe o ruído da a ação mecânica, o som do projétil quando atinge o objeto, pessoa ou o alvo ou até mesmo o vôo do projétil e diversas outras funções que fazem com que o estouro tenha intensidade. A ação mecânica é um dos principais fatores, sendo mais alto em certos tipos de armas.

Mas o que realmente os silenciadores fazem para diminuir o ruído?

Os silenciadores modernos reduzem o som em cerca de 14,3-43 decibéis, mas ainda é influenciado por uma grande quantidade de fatores como o comprimento, o tipo de munição e etc…

O nível médio de supressão das armas é cerca de 30 decibéis, o que está no mesmo nível dos redutores de som de ouvido, afinal esse som é muito prejudicial. Lembrando que um nível de 200 decibéis é estrondosamente maior do que 100 decibéis, sendo que a escala é em milhar, ou seja, uma redução de 40 decibéis é apenas 1/100 do som realmente feito.

Mesmo que não haja tanto efeito sobre o som da arma, há inúmeras vantagens para utilizar o silenciador/supressor:

  • Reduz o recuo em 30%, o que aumenta a precisão e reduz o uso de força de quem a está disparando;
  • Reduz a chama com mais eficiência que um corta-chama comum;
  • O som do disparo é razoavelmente modificado, fazendo com que indivíduos não percebam que o ruido seja proveniente do disparo de uma arma;
  • Diminui o risco de problemas de audição.

O funcionamento

O som que sai da arma é convertido em calor nas câmaras através da expansão da cavidade do ar lançado. Isso geralmente é proporcionado ao fato de que o diâmetro da câmara é maior que o do cano, e isso cria uma turbulência durante a fluxo do ar no supressor.

HM 4 Jaguar

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O silêncio no terreno é absoluto, o grupo de combate espera pacientemente em sua posição. Armados, equipados e camuflados, esses homens estão prontos para avançar sobre o inimigo a qualquer instante.

Ao longe um ruído que lhes é familiar posta todos em alerta, está vindo! A tropa já exaurida pela missão executada ganha novo ânimo. Todos tomam sua posição para garantir a segurança de uma pequena clareira no meio de um matagal. A cada instante o barulho aumenta, a ansiedade toma conta, o inimigo pode estar perto.

Logo, um vulto imenso passa por sobre a clareira, retorna e pousa. É um HM-4 Jaguar, helicóptero de origem francesa baseado no Airbus EC725, com um detalhe, fabricado no Brasil. Assim que o pouso é efetuado, a tropa toma posição, os mecânicos saltam para fora da aeronave com o rotor ainda ligado e iniciam a preparação para o embarque. Rapidamente os soldados tomam posição e embarcam. Tranquilamente o monstro de metal ergue voo e retorna a base.

Essa típica cena é comumente vista em filmes de guerra ou em áreas de combate, porém ocorreu realmente em uma fazenda na região sul. Na Semana do Soldado, um desses helicópteros Jaguar atuou em missões por batalhões do sul do país (a missão em questão era de exfiltração), para adestrar as tropas terrestres com esse mais novo meio das forças armadas. Um desses batalhões foi o 62º Batalhão de Infantaria, localizado em Joinville. Durante o tempo que ficou baseado no batalhão, o helicóptero foi aberto a visitação.

IMG_20140823_212431O Jaguar é realmente um gigante. Possui capacidade para 31 pessoas em seus quase 20 metros de comprimento (sendo 29 combatentes e 2 pilotos), decola com 11.000 kg e tem autonomia para 909 km. É utilizado também pela Petrobras para transporte entre as plataformas petrolíferas, demonstrando sua robustez. Apesar do tamanho e da potência, voar nele é uma sensação agradável e prazerosa, demonstrando-se firme no voo, mesmo com ventos contrários (experiência própria do autor).

O plano do governo federal é de adquirir cerca de meia centena de helicópteros, o que daria as forças terrestres uma grande capacidade de locomoção e de missões possíveis, já que ele é capaz de executar missões de transporte, reconhecimento, busca e salvamento entre outras.

Além do Brasil, que detém o know-how da aeronave, e da França que a produz originalmente, mais cinco países o empregam: Indonésia, Cazaquistão, México, Malásia e Tailândia.

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  Passados 3 meses desde o lançamento do filme (12 de Julho de 2017), creio que todos os nossos leitores provavelmente já assistiram este nostálgico...