Segunda Guerra Mundial

Relato do correspondente Joel Silveira sobre a conquista do monte italiano realizada pela FEB, em fevereiro de 1945.

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Na véspera do dia 21 eu havia pedido um jipe ao Major Souza Júnior, encarregado dos correspondentes, para ir a Nápoles esperar o quarto escalão de tropas brasileiras que chegaria no dia 23. O major, então, me perguntou:

– Você prefere esperar o escalão ou uma coisa melhor?

A “coisa melhor” era a ofensiva brasileira do dia 21 sobre o Monte Castelo. Manhã cedo, no QG recuado, fomos avisados de que a nossa artilharia abrira fogo cerrado, naquela noite, contra posições defensivas inimigas nas montanhas que há três meses nos barravam o caminho. Tomamos um café apressado, enchemos os bolsos de chocolate e chicle, e soltamos nossas viaturas até o QG avançado. Os jipes necessários já esperavam os correspondentes, e cada qual subia no seu e procurou, na frente, o melhor lugar para uma observação total da luta. Creio que a sorte me protegeu, que meu jipe andou mais depressa, não sei: o certo é que tomei de assalto o PO avançado do General Cordeiro de Faria e lá me instalei por todo o dia. Eram 8h da manhã quando o general me cedeu seu lugar diante da luneta binocular e me disse:

O brasileiro que aprendeu a guerrear na guerra

– Começamos a atacar às 6 da manhã. As tropas em ofensiva constituem o 1º Regimento de Infantaria, o Sampaio. Os seus três batalhões avançam na seguinte ordem: o 1º comandado pelo Major Olívio Godim de Uzeda, segue pela esquerda; o 2º comandado pelo Major Sizeno Sarmento, vai pelo centro; e o 3º, comandado pelo Tenente Coronel Emílio Rodrigues Franklin, partirá da direita. Nossa intenção é envolver todo o morro e, em coordenação com a ofensiva americana que já conquistou Belvedere, arrancá-lo das mãos nazistas até o fim da tarde de hoje.

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Vejo, através da luneta, os nossos pracinhas agachados lá na frente, grupos aqui e ali rastejando na direção do cume de onde atiram, com suas curtas e sinistras gargalhadas, as terríveis “lurdinhas” alemãs. Agora mesmo um deles encostou-se num pedaço de muro destruído e aponta sua Thompson para qualquer lugar lá em cima. 24_fab-na-segunda-guerra-p47-em-voo-de-combateOs morteiros nazistas rebentam nas faldas do sul, mas nossa artilharia reinicia seu canhoneio sistemático e certeiro, como fizera toda à noite. Escuto os silvos das granadas sobre nós, vejo-as explodirem lá adiante, numa coroa de fumaça que cai sobre o Castelo como uma auréola de chumbo. Uma de nossas baterias parece que perdeu a mira, e seis tiros caem muito aquém, quase num determinado setor brasileiro.
O General Cordeiro dá ordens secas e rápidas, e durante alguns minutos seus ajudantes-de-ordens procuram, através dos cinco telefones de campanha e dos dois rádios, localizar o canhão amalucado. Finalmente o Capitão Durval de Alvarenga Souto Maior, comandante da 1ª Bateria do 1º Grupo, descobre que o canhão pertence à sua unidade. Há uma ordem rápida pelo rádio, e os tiros agora estão perfeitamente ajustados no eficiente conjunto de toda a artilharia. À esquerda, sobre posições americanas além de Belvedere, cinco ou seis Thunderbolts descem em picada, rápidos como um peso despencado de cima, e metralham impiedosamente os nazistas em defensiva.

Marcas do Nazismo em fazendas do interior de São Paulo

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Quando cheguei ao Posto de Observação do General Cordeiro, duas ou três horas depois de iniciada a ofensiva, a situação era mais ou menos esta: os batalhões avançaram, com exceção do 2º, comandado pelo Major Sizeno, que partiria às 11h 35min de Gaggio Montano. Os nazistas tentavam impedir a progressão dos brasileiros com um fogo concentrado de morteiros. Eu sabia que a conquista de Castelo só seria efetuada depois que os americanos, que partiram de Belvedere, houvessem se apoderado de Toraccia, um pico que, atrás, dominava certa parte do morro sobre o qual avançavam nossos homens.

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O ataque americano, que começara na noite anterior, estava sendo efetuado por toda uma divisão especializada, a 10ª de Montanha, recentemente chegada a este setor. Naquele momento, 10 da manhã, os norte-americanos se encontravam em determinado ponto além de Menzacona, meio caminho entre Belvedere e Toraccia. Menzacona ficara em poder de um dos batalhões de brasileiros, com o qual os americanos haviam-se encontrado pela manhã. Então a ofensiva combinada, no lado direito, tomou o seguinte aspecto: os brasileiros deixaram alguns homens em Menzacona e seguiram em direção a Castelo, pela esquerda e comandados pelo Major Uzeda: os americanos foram à frente, em direção a Toraccia.

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Daí por diante, os acontecimentos se sucederam nesta ordem, conforme me dizem os quase indecifráveis apontamentos que fui tomando às carreiras, entre uma olhada de binóculo e uma informação dos rádios:

– Ao meio dia, o General Clark, comandante da frente italiana, o General Truscott, comandante do V Exército, o General Crittenberger e o comandante-chefe das forças aéreas do Mediterrâneo estiveram em visita ao General Mascarenhas de Moraes, no seu posto de observação precisamente três quilômetros à direita do PO do General Cordeiro.

– Às 12h 30min, o Major Uzeda, que avança pela esquerda, pede proteção de artilharia para que possa alcançar um ponto na sua frente, e o General Cordeiro ordena às baterias: “Cinco rajadas de morteiro sobre 813.”

José Dequech: À serviço da artilharia da FEB

– Às 13h 55min, um dos batalhões avisa que foram avistados reforços alemães que começam a chegar a Castelo. Ao lado direito, o Coronel Franklin está detido com o seu 3º Batalhão. O Major Uzeda previne pelo rádio que tentará envolver Castelo pela esquerda.

– Às 14h 20min, o Major Uzeda avisa que vai atacar 920, penúltimo ponto antes da crista de Castelo. Pede mais tiro ao General Cordeiro, que transmite, através de seus auxiliares (o Coronel Miranda Correia e o Capitão Souto Maior são dois deles), ordens às baterias. O Major Uzeda se encontra precisamente a cinco quilômetros do PO, tendo realizado já uma progressão de dois quilômetros. O diálogo entre Alma I, Alma II e Alma III (observadores junto aos batalhões) e Lata I, Lata II e Lata III (oficiais de ligação em plena luta) se repete de minuto a minuto.

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– Às 15h, o Major Uzeda se encontra firme em 930, mas neutralizado por metralhadoras alemãs. Seu objetivo final será 977, ou seja, o cume de Castelo, onde tenciona chegar depois das 16h 30min. Fica combinado então que, às 16h 20min, quando seu batalhão iniciar a definitiva marcha sobre a crista de Castelo, toda a artilharia divisionária concentrará seus fogos sobre as faldas e o cume do monte. Estamos disparando com canhões de 105, 155 mm e morteiros.

– Às 15h 5min, escuto do General Cordeiro que, até aquele instante, calculava já ter gasto uns 8 milhões de cruzeiros de munição com os disparos da sua artilharia.

– Às 15h 30min o Major Uzeda diz pelo rádio: “Meus homens estão prontos para atacar.” Olho pelo binóculo que me emprestou o Coronel Miranda Correia e vejo, lá em cima, no 930, os soldados em formação de ataque, esparsos pelos pequenos vales e deitados na pouca neve que o sol ainda não conseguira mandar embora.

Entre 15h 30min e 15h 50min há uma relativa calma: somente os morteiros nazistas, os aviões mergulhando nas faldas de Toraccia e um teco-teco brasileiro, plácido como uma asa estendida, que navega solitário sobre o campo de luta. O PO do General Cordeiro de Faria fica localizado numa elevação de terreno – lá embaixo, é o vale que nos separa de Castelo, e aqui atrás, seiscentos metros distante, está localizado um dos grupos de nossa artilharia. Quando suas peças disparam, há um violento estremecimento de toda a casa, e xícaras e copos trepidam na mesa com um barulho cristalino. Os paisanos que aqui residiam, neste chalé amarelo, foram expulsos pela guerra e parece que não tiveram tempo de levar suas coisas. Os móveis estão intactos, há litogravuras nas paredes, um Cristo desalentado e pálido, fotografias de cavalheiros fardados e senhoras em trajes de inverno. Num dos cantos da sala onde o general colocou sua luneta, descubro um ricordo nuziale cercado por uma moldura dourada. Ali se recorda que, no dia 11 de dezembro de 1927, numa igreja de Bolonha, se consorciaram Dino Bettochi e Caterina Cionni. Uma paz distante.

Monte Castello atualmente.
Monte Castello atualmente.

– Às 16h 3min o Coronel Franklin informa pelo rádio que seus homens ocuparam Fornelo, à direita de Castelo e próximo ao seu cume. Tratava-se de um ponto forte inimigo, eriçado de metralhadoras, que foi dominado pelos nossos soldados. Fornelo foi um dos pontos em que foram barrados, em novembro e dezembro últimos, os anteriores ataques brasileiros contra a montanha tão cruel. Continua progredindo o batalhão do Coronel Franklin.

– Sem dúvida alguma, o instante mais sensacional de toda a luta do dia 21 aconteceu às 16h 20min, quando toda a artilharia divisionária concentrou seus fogos sobre Castelo. Já havia lá fora qualquer coisa da noite, e os obuses explodiam em chamas altas, que o binóculo me mostra, tão próximas e reais.

As faldas do monte estão cavadas e lá em cima o cume ficou transformado numa cratera de vulcão em erupção. O Major Uzeda avança protegido pela função dos tiros de fuligem, e nossas metralhadoras estão trabalhando ativamente. Aqui dentro, ninguém diz nada. O general colocou definitivamente os olhos na luneta, e seus dedos – vejo bem – alisam automaticamente um pedaço da mesa. O Coronel Correia diz num fiapo de voz:

– Todo mundo está andando…

– Às 17h 40min os homens do Major Uzeda alcançam Esperança, outro ponte forte nazista no setor 930.

– Às 17h 45min o General Cordeiro de Faria afasta-se das lunetas, vira-se para mim e diz: “Praticamente Castelo está conquistado.” Chegam também informações sobre a situação dos americanos: eles não conseguiram ainda tomar Toraccia, e o avanço brasileiro sobre Castelo terá que ser feito com aquela estratégica posição ainda em mãos dos nazistas.

– Às 17h 50min a voz do Coronel Franklin vem, forte pelo rádio: “Estou no cume do Castelo.” E pede fogos de artilharia sobre pontos inimigos além do monte. “Castelo é nosso”, diz-me o general. Mais três minutos, e as baterias estão canhoneando Caselina, Serra e Bela Vista. Os nazistas respondem com morteiros. Mas nada mais adiantaria, porque, como me diria no dia seguinte o Coronel Franklin, “estamos em Castelo e ninguém mais nos tira daqui.”

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São mais de sete da noite quando seguimos, eu e o fotógrafo Horácio, pela estrada deserta e fria a caminho do nosso jipe que ficou distante. Nossa artilharia continua incansável. O Castelo está bem a nossa frente, mas é agora uma coleção de faldas amansadas. Já não nos domina com suas casamatas, já não vigia implacável nossos caminhos e estradas, já não nos persegue com seus mil olhos nazistas. É um morro brasileiro, e amanhã estarei lá em cima, junto com os pracinhas vitoriosos, passeando pela sua arrogância domada.

O Capitão Vernom Walters canta com os 'Pracinhas' o Hino Brasileiro
O Capitão Vernom Walters canta com os ‘Pracinhas’ o Hino Brasileiro
Inaugurado ao pé do Monte Castello em 21/06/2001, o Monumento ai Caduti Brasiliani, projetado pela brasileira Mary Vieira, homenageia os soldados brasileiros mortos na Itália. Um dos arcos brancos aponta para a terra e simboliza a morte, ao passo que o outro aponta para o céu, isto é, para a transcendência que as mortes dos soldados significaram. Ademais, na concepção do monumento, a escultora Mary Vieira imaginou o movimento contínuo do sol que, ao meio-dia, projeta sobre o solo uma cruz, símbolizando o heroísmo brasileiro.
Inaugurado ao pé do Monte Castello em 21/06/2001, o Monumento ai Caduti Brasiliani, projetado pela brasileira Mary Vieira, homenageia os soldados brasileiros mortos na Itália.
Um dos arcos brancos aponta para a terra e simboliza a morte, ao passo que o outro aponta para o céu, isto é, para a transcendência que as mortes dos soldados significaram.
Ademais, na concepção do monumento, a escultora Mary Vieira imaginou o movimento contínuo do sol que, ao meio-dia, projeta sobre o solo uma cruz, símbolizando o heroísmo brasileiro.

 

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Fonte deste artigo: História de Pracinha – Joel Silveira – Edições de Ouro

Fonte na internet: Grandes Guerras

Há algum tempo, em 2014, alguns trabalhadores rurais de Lumby, na Columbia Britânica — 400 km ao norte da fronteira dos Estados Unidos — toparam com um artefato proveniente de balão bomba japonês de 70 anos atrás.

japanese_fire_balloon_moffet_custom-e95deda2012dbd3e1cf578f934c0caa6f94f727d-s400-c85Esta engenhoca faz parte das milhares de balão bomba lançados em direção à América do Norte durante os anos 40 como parte do plano secreto japonês de sabotagem. Até hoje, apenas algumas centenas destes dispositivos foram encontrados e a maioria destes ainda continuam desaparecidos.

Em algum ponto da Segunda Guerra Mundial, engenheiros japoneses encontraram uma corrente de ar que varria parte da costa do Japão em direção ao Oceano Pacífico — e então colocaram em prática a estratégia de enviar balões carregados com explosivos e bombas à costa americana.

O projeto — chamado Fugo — “criado para enviar balões carregando explosivos ou bombas desde o Japão para atear fogo às vastas florestas americanas. Esperava-se que o fogo criaria um rastro de destruição que minaria a moral dos civis no esforço de guerra americano,” descreve James M. Powles em um jornal sobre a Segunda Guerra Mundial no ano 2003. Os balões, ou “envelopes”, foram desenvolvidos pelo exército japonês e fabricados com papel leve feito à partir de cascas de árvores. Conectados à eles estavam bombas compostas por sensores, tubos de pólvora, espoletas e outros mecanismos de detonação que iam dos mais simples aos mais complexos.

Águas vivas no céu

“Os envelopes eram realmente impressionantes, feitos de centenas de pedaços de papel unidos com um tipo de cola extraída de tubérculos,”diz Marilee Schmit Nason do Anderson-Abruzzo Albuquerque International Balloon Museum no estado do Novo Mexico. “O sistema e controle era uma obra de arte.”

“Auschwitz” na Ásia – O Japão Imperial e sua macabra Unidade 731

Assim como a descrição feita por J. David Rodgers da Universidade de Ciência e Tecnologia do Missouri, os balões bomba “tinham 10 metros de diâmetro e podiam suspender 450 kg, mas a porção mortal de sua carga eram compostas por 15 kg de explosivo de fragmentação anti-pessoal, preso a uma espoleta de 17 metros que queimava por 82 minutos antes de iniciar a detonação.”

Uma vez no alto, alguns dispositivos incendiários criados pelos japoneses — contrabalançados por sacos de areia dispensáveis — flutuavam do Japão até a costa americana e Canadá. A viagem levava vários dias.

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“A distribuição dos balões era bem ampla,” diz Nason. Eles surgiam desde o norte do México até o Alasca, e do Havaí ao Michigan. “Quando lançados — em grupos — diziam que se pareciam com águas vivas flutuando no céu.

Michihiko Hachiya, e a bomba atômica de Hiroshima, 6 de agosto de 1945

Munições misteriosas

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Avistamentos de bombas flutuantes começaram a serem relatadas no oeste dos EUA no final de 1944. Em dezembro, trabalhadores de uma mina de carvão em Thermopolis, no estado de Wyoming, viram “um paraquedas no ar com luzes brilhantes, após ouvir um assobio estranho, ouviram uma explosão seguida de fumaça em um campo próximo a mina por volta de 18:15,” escreveu Powles.

Outra bomba foi vista poucos dias depois próximo à Kalispell, Montana. De acordo com Powles, “uma investigação feita por xerifes locais determinou que o objeto não era um paraquedas, mas um grande balão de papel com cordas conectadas e uma válvula de gás descartável, uma grande espoleta conectada à uma bomba incendiária e uma grande corda de borracha. O balão e seus pedaços foram levados à Butte, Montana, onde o FBI, Exército e Marinha examinaram tudo cuidadosamente. As autoridades determinaram que o balão possuía origem japonesa, mas como chegou até o estado de Montana e de onde havia saído ainda era um mistério.”

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Cientistas e engenheiros, mais tarde, conseguiram desvendar o quebra-cabeças. No fim das contas, os japoneses haviam lançado mais de 6.000 destas armas secretas. Centenas foram avistadas no ar ou encontradas no solo dentro dos EUA. Para evitar que os japoneses rastreassem os efeitos causados pelos balões, o governo americano pediu para que os noticiários e as empresas não publicassem ou disseminassem o caos com notícias sobre estes dispositivos. Com isso, é muito provavel que nunca se saiba a amplitude do alcance destes balões.

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Balões sendo alvejados por baterias anti-aéreas na costa dos Estados Unidos

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Há registros de um incidente trágico: Durante a primavera de 1945, escreve Powles, uma mulher grávida e seus cinco filhos foram mortos por “uma bomba de anti-pessoal de grande poder destrutivo despejada por um balão japonês” em Gearhart Mountain próximo a Bly, estado de Oregon. Este é o único registro de um incidente envolvendo mortes por balões bomba.

Outro balão bomba se prendeu a uma torre de alta tensão no estado de Washington, cortando a eletricidade da fábrica Hanford Engineer Works, onde os EUA estavam conduzindo um projeto secreto, enriquecendo urânio que seria aplicado em bombas nucleares.

A Espada de Stalingrado

Logo após a guerra, alguns incidentes com estas bombas foram registrados. O jornal Beatrice Daily Sun publicou que estas armas voadoras desprovidas de pilotos aterrissaram em sete cidades diferentes no Nebraska, incluindo Omaha. O jornal Winnipeg Tribune registrou que um balão bomba fora sido encontrado há 15 km de Detroit e outra próxima às corredeiras Grand Rapids.

Com o passar dos anos, os dispositivos foram aparecendo aqui e ali. Em novembro de 1953, uma balão bomba foi detonado pelo pessoal do exército em Edmonton, Alberta (Canadá) de acordo com o Brooklyn Daily Eagle. Em janeiro de 1955, o jornal Albuquerque Journal registrou que Força Aérea Americana havia descoberto mais uma no Alasca.

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Imagem mostra a corrente de ar e a extensão dos registros de balões bomba no continente norte americano

Em 1984, o jornal Santa Cruz Sentinel publicou que Bert Webber, um autor e pesquisador, havia localizado 45 balões bomba no Oregon, 37 no Alasca, 28 em Washington e 25 na Califórnia. Uma bomba caiu em Medford, Oregon, disse Webber. “Fez uma grande cratera no chão.”

O Sentinela registrou que uma bumba havia sido descoberta no sudoeste do Oregon em 1978.

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A bomba encontrada recentemente na Columbia Britânica — em outubro de 201 — “ficou enterrada no solo por 70 anos,” disse Henry Proce do Departamento de Polícia Montada ao jornal Canadian Press. “Teria sido muito perigoso examiná-la.”

Afinal, como eles lidam com estas situações? “Eles colocam C-4 em ambos os lados do dispositivo,” disse Proce, “e aí o explodem em milhares de pequenos pedaços.”

 

Batalha das Ardenas

A Batalha das Ardenas foi um dos últimos “seja o que Deus quiser” para um ditador que já se encontrara sem muitas opções. Hitler precisava desesperadamente de uma vitória, seja ela no fronte oeste ou leste. Ao lembrar de sua série de vitórias após esgueirar-se na Floresta das Ardenas em 1940, Hitler tentou repetir o mesmo feito em 1944.

31 de dezembro de 1944, tropas aliadas e carros de combate avançam em direção às linhas alemãs nos arredores de Bastogne - foto: US Army
31 de dezembro de 1944, tropas aliadas e carros de combate avançam em direção às linhas alemãs nos arredores de Bastogne – foto: US Army

Em dezembro, 200.000 tropas alemãs e 1.000 carros de combate chocaram-se contra 80.000 tropas aliadas. Aqui estão nove fatos que muitos não sabem sobre o que aconteceu por lá.

1. Os aliados ignoraram vários avisos sobre a iminência de uma grande batalha.

Soldados entrincheiram-se num momento de rotina
Soldados entrincheiram-se num momento de rotina

Uma das grandes vantagens da Alemanha durante a Batalha das Ardenas foi o fato de que os aliados foram pegos de surpresa. Comandantes aliados se oriantavam por intermédio de comunicações feitas lado a lado com um órgão de inteligência britânico chamado “Ultra”, que consistia em decifrar as transmissões de rádio feitas com o uso da conhecida Máquina Enigma. Mas os alemães agiam sob o total sigilo e comunicavam-se tipicamente por linhas telefônicas quando ainda dentro de suas fronteiras. Alguns comandantes americanos submeteram vários relatórios indicando a presença de um grande contingente alemão próximo às Ardenas, enquanto outros debochavam de prisioneiros inimigos durante alegações de que um grande ataque estava por vir. Muitos ainda diziam que os americanos estavam cegos devido ao seu histórico de vitórias pela Europa – colocando os alemães em posições defensivas desde o Dia-D – mas os alto comando americano, além disso, considerava aquela região inóspita e íngreme demais para acomodar o planejamento de um possível contra-ataque alemão. Como resultado, quando a ofensiva alemão finalmente começou, a região possuía poucas defesas e apenas alguns soldados americanos exaustos e inexperientes.

2. Mais de 1 milhão de homens envolveram-se no combate.

Foto: US Army
Foto: US Army

A batalha começou com o ataque de 200.000 alemães contra 80.000 tropas aliadas. Mas, como o 3º Exército de Patton fez a famosa guinada de 90º para atingir o flanco alemão e outras tropas aliadas correram desesperadamente para auxiliar os defensores, 600.000 tropas aliadas expulsaram o contingente alemão que aumentara em mais 500.000 homens ao final da batalha.

3. Inicialmente, as tropas aliadas concentravam-se na região apenas para descanso e treinamento.

Soldado Frank Vukasin de Great Falls, Montana, recarrega seu rifle em Houffalize, Bélgica, em 15 de janeiro de 1945. FOTO: US Army
Soldado Frank Vukasin de Great Falls, Montana, recarrega seu rifle em Houffalize, Bélgica, em 15 de janeiro de 1945. FOTO: US Army

As Ardenas eram usadas como campo de treinamento para soldados inexperientes e para o descanso de tropas que voltavam da linha de frente. Americanos estacionados naquela área eram vistos como soldados que possivelmente iriam morrer ou recuar. Todo o plano estratégico de Hitler baseava-se e dependia crucialmente deste fator.

Ao invés disso, recrutas se tornaram experientes da noite para o dia e veteranos cansados cavavam suas trincheiras para frear o avanço alemão. Esquadrões anti-carro escolhiam pontos chave nas vilas e passagens entre as montanhas, criando barricadas em chamas feitas com blindados alemães abatidos em combate para driblar e frear a Blitzkrieg com o objetivo de manterem as tropas inimigas expostas em locais já conhecidos e explorados pelos aliados.

4. A primeira vez em que o Exército dos EUA uniu soldados afro-descendentes com soldados brancos na 2ª G.M.

Tropas afro-americanas durante a Batalha das Ardenas
Tropas afro-americanas durante a Batalha das Ardenas

As Forças Armadas dos Estados Unidos aboliram oficialmente a segregação racial em suas linhas em 1948, mas a situação desesperada em que se encontravam os aliados durante a Batalha das Ardenas os inspirou a solicitarem o uso de tropas afro-americanas e mais de uma ocasião. Aproximadamente 2.500 soldados afro-descendentes participaram do combate, muitos deles combatendo lado a lado com seus compatriotas brancos. O 333º e o 969º Batalhão de Artilharia era 100% composto por negros, e mais tarde recebeu a uma Citação Presidencial de Unidade – a primeira na história a ser dedicada para soldados negros. Em algum outro lugar do campo de batalha a 578ª Cia de Artilharia agarrou seus rifles para apoiar a 106ª Divisão de Leões Dourados, e uma outra solicitou a ajuda da 761ª dos “Panteras Negras”, que tornou-se a primeira divisão mecanizada composta apenas por negros à ir para o combate sob o comando do General George S. Patton. À medida em que a batalha acabava, os generais Dwight D. Eisenhower e John C.H. Lee solicitaram que tropas negras dessem cobertura à tropas americanas feridas em combate. Milhares destes soldados negros ainda voluntariaram-se até o final do combate.

5. A famosa resposta de McAuliffe ao pedido de rendição incondicional alemão, “NUTS!”, não passou de uma piada feita por paraquedistas entediados.

Gen. Anthony C. McAuliffe e Col. Harry Kinnard II em Bastgone após a Batalha que marcou o fim do ano de 1944. Foto: US Army.
Gen. Anthony C. McAuliffe e Col. Harry Kinnard II em Bastgone após a Batalha que marcou o fim do ano de 1944. Foto: US Army.

Uma das mais famosas “respostas” a uma solicitação de rendição aconteceu durante a batalha. Brig. Gen. Anthony C. McAuliffe respondeu com “NUTS” (loucos) no centro de um pedaço de papel.

McAuliffe havia dito duas vezes, “Nuts,” quando discursou sobre a demanda de rendição, primeiro para o seu encarregado ao acordá-lo e mais tarde para sua guarnição no quartel general. Quando se tratou de escrever a resposta formal, McAuliffe não conseguiu pensar no que escrever. Seus homens, consideraram os comentários engraçados quando encontraram os pedaços de papel rabiscado, e suplicaram a ele uma resposta com aquelas quatro letras.

6. Soldados alemães vestiram uniformes americanos para atacá-los secretamente pela retaguarda.

Dois paraquedistas avançam sobre o terreno coberto de neve em Bastogne.
Dois paraquedistas avançam sobre o terreno coberto de neve em Bastogne.

Liderada pelo comandante das tropas especiais da Waffen-SS, Otto Skorzeny, uma das maiores estratégias ordenadas por Hitler consistia em causar desordem entre as linhas americanas ao inserir tropas especiais fluentes em inglês com o objetivo de implantar planos de sabotagens generalizadas no equipamento aliado. Esta operação foi nomeada de Operação Grifo.

Ela consistia em vestir os soldados com os uniformes, armas, e carros de combate capturados em batalhas anteriores. Os sabotadores mudaram placas, cortaram comunicações e cometeram outros pequenos atos para confundir as tropas americanas na região, mas acabaram por serem mais eficazes ao espalhar a confusão e o terror.

Soldados americanos descobriram rapidamente a identidade dos impostores e iniciaram uma operação que consistia em criar pontos de checagem em determinadas áreas para identificar estas tropas ao indagar perguntas sobre a cultura pop e a vida nos Estados Unidos.

7. Um dos piores crimes de guerra cometidos contra tropas aliadas na 2ª G.M.

O Massacre de Malmédy ocorreu em 17 de dezembro de 1944, quando um grupo de aproximadamente 100 americanos, na grande maioria operadores de artilharia aquartelados com a 285º Batalhão de Artilharia de Observação, foram capturados por tropas da SS que faziam parte do corpo de ataque alemão.

Enquanto os detalhes exatos ainda são discutidos entre os historiadores, aproximadamente 84 soldados americanos mantidos prisioneiros foram mortos quando soldados alemães abriram fogo contra os mesmos. Ao menos 21 outros prisioneiros escaparam e reportaram os assassinatos, mas a evolução da batalha tornou as investigações do caso impossíveis de serem concluídas.

8. A falta de combustível contribuiu para a derrocada da ofensiva alemã

Logística americana na Batalha das Ardenas

As máquinas mais temidas e mortíferas do Terceiro Reich, seus Tigers, Panthers e Panzers bebiam litros de gasolina, e ao final de 1944, a máquina de guerra alemã já aleijada, sofria com as dificuldades com o racionamento do combustível para mantê-los rodando. Os alemães destinaram 5 milhões de galões para a Batalha das Ardenas, mesmo assim, quando as operações deram início, as más condições das estradas e trapalhadas logísticas resultaram em um grande desperdício, e também, em carregamentos que nunca chegaram à seu destino. A infantaria alemã improvisou o uso de 50.000 cavalos para o transporte nas Ardenas, e o alto comando alemão construiu seu plano de batalha em cima de planos cujo o objetivo principal era o de capturar depósitos de combustíveis dos aliados à medida em que avançavam. Forças aliadas evacuaram ou queimaram milhões de galões de gasolina para evitar que caíssem nas mãos do inimigo, no entanto, perto do Natal muitas unidades mecanizadas estavam rodando aos frangalhos. Sem outra alternativa para cruzar o Rio Meuse, o contra-ataque logo desbancou-se. Por volta da segunda quinzena de janeiro de 1945, os aliados haviam finalizado sua vitória na Batalha das Ardenas definitivamente e haviam empurrado os alemães de volta à suas posições iniciais.

Panzerkampfwagen VI Tiger II abandonado ao sul de Bastogne por falta de combustível
Panzerkampfwagen VI Tiger II abandonado ao sul de Bastogne por falta de combustível

9. Generais de Hitler foram totalmente contrários a operação.

Foto: Arquivo Nacional Alemão
Foto: Arquivo Nacional Alemão

Hitler iniciou o agrupamento das tropas necessárias para a ofensiva 4 meses antes, em agosto de 1944, mesmo assim, seus generais acreditavam que as tropas seriam melhor empregadas na luta contra a Rússia no fronte leste. Hitler recusou-se a ouvi-los e continuou com seus planos.

Em seu desfecho, a ofensiva alemã nas Ardenas falhou e os americanos continuaram seu avanço. Com amargas perdas ambas de homens e material bélico, a Alemanha sofreu um grande impacto com a Batalha das Ardenas, e o Terceiro Reich já dava sinais de ter seus dias contados. Hitler viria então a cometer suicídio em 30 de abril de 1945 (ou talvez não) e a Alemanha rendeu-se em 8 de maio do mesmo ano.

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Algo de incrível surgiu na costa da Argentina. Pesquisadores acreditam ser os restos de um mini-submarino ou um U-Boot de pequeno porte, da Segunda Guerra Mundial. O que os historiadores e pesquisadores enxergam como mais fascinante sobre este achado, é que ele faz com que os boatos sobre as fugas dos oficiais alemães para a Argentina venham a tornarem-se ainda mais verossímeis.

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Um historiador de Buenos Aires, Fernando Martin Gomez, diz que o submarino é um grande achado para seu país. Ele permaneceu oculto por 70 anos, mas mesmo assim ainda muito bem preservado. Gomez constatou que é particularmente um pequeno submarino, o que significa que poderia ter sido usado pelos nazistas que fugiam das perseguições após o fim da guerra para a America do Sul.

U-boot Seehund, submarino da mesma classe do submarino encontrado na Argentina
U-boot Seehund, submarino da mesma classe do que foi encontrado na Argentina

O que Gomez aparentemente se esqueceu é o fato de que a Alemanha de Hitler produziu uma grande quantidade de submarinos pequenos com o objetivo de contra atacarem uma possível invasão aliada. Um destes pequenos submarinos era o “Castor” (Der Biber em alemão). Armado com dois torpedos de 21 polegadas ou minas, montados na parte externa, com o objetivo de atacar navios próximos à costa e eram os menores submarinos da Kriegsmarine (marinha alemã).

Os “Der Biber” foram desenvolvidos e fabricados com uma certa rapidez devido às ameaças de um possível ataque aliado à Europa. Isto resultou em falhas técnicas básicas que, combinadas com a má formação dos seus operadores, significava que eles nunca representariam uma ameaça real para os navios aliados, apesar de 324 submarinos terem sido produzidos e entregues à Kriegsmarine. Um dos poucos sucessos desta classe de submarinos foi o afundamento do cargueiro Alan A. Dale.

O fato de que alguns membros do alto escalão alemão escaparam para a América do Sul já ser conhecido por décadas, até mesmo durante a guerra os primeiros militares que já percebiam o desfecho negativo da guerra, iniciaram os planos para uma rota de fuga com o objetivo de fugirem da Europa.

Estas rotas de fuga almejavam zonas seguras que se concentravam na América do Sul, particularmente na Argentina, Paraguai, Brasil, Uruguai, Chile e Bolívia. Outros destinos incluíam os EUA, Grã Bretanha, Canadá e o Oriente Médio. Existiam duas rotas principais primárias: a primeira ia da Alemanha para a Espanha, e então a Argentina; a segunda saía da Alemanha para Roma, depois Gênova, e então a América do Sul; as duas rotas foram “desenvolvidas independentemente” mas eventualmente acabaram se unindo numa espécie de esforço colaborativo.

Após o final da guerra na Itália, o “Diretor Espiritual dos Cidadãos Alemães residentes na Itália”, Bispo Hudal, se tornou o intérprete oficial para os prisioneiros falantes do alemão e também os internados em campos de prisioneiros em toda a Itália. E então em dezembro de 1944, a Secretaria do Estado do Vaticano recebeu permissão para nomear um representante para “visitar os civis alemães e os prisioneiros na Itália”, este, que seria então um trabalho atribuído a Hudal.

Hudal dez uso de sua posição para ajudar na fuga de alemães procurados por crimes de guerra, incluíndo Franz Stangl, o comandante do campo de Treblinka, Gustav Wagner, comandante do campo de Sobibor, Alois Brunner, responsável pelo campo de prisioneiros de Drancy, próximo à Paris e encarregado das deportações da Eslováquia para campos de concentração na Alemanha, e finalmente Adolf Eichmann, o oficial responsabilizado pela logística de extermínio de milhões de pessoas durante a guerra.

Passaporte da Cruz Vermelha concedido à Adolf Eichmann utilizando o nome de "Ricardo Klement" e usado para entrar em território argentino em 1950.
Passaporte da Cruz Vermelha concedido a Adolf Eichmann utilizando o nome de “Ricardo Klement” e usado para entrar em território argentino em 1950.

Alguns destes procurados estavam presos em campos: geralmente sem identidade ou papéis, eles seriam submetidos a registros internos utilizando nomes falsos. Outros militares que também estavam presos na Itália, procuraram Hudal por seu papel em facilitar as fugas e tornar-se conhecido entre os grupos de alemães naquele país.

De acordo com Mark Aarons e John Loftus em seu livro Unholy Trinity, Hudal foi o primeiro padre Católico a dedicar-se à construção de rotas de fuga. Aarons e Loftus afirmam que Hudal forneceu objetos disfarçados de doações de caridade que possuíam dinheiro em seu interior, e não menos importante, com falsos documentos incluíndo certidões de identidade homologadas pela Organização de Refugiados do Vaticano.

Estes papéis do Vaticano não eram passaportes completos, muito menos garantiam passe livre para fora da Europa. Eles eram, ao invés disso, a primeira parada na “rota dos documentos” – eles podiam ser usados para obter um passaporte de remanejo do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC), que consequentemente poderia ser utilizado para a concessão de vistos.

Em seu livro The Real Odessa (2002), o pesquisador argentino Uki Goñi ganhou acesso aos arquivos do país com objetivo de expor que diplomatas argentinos e oficiais da inteligência tinham, sob as ordens do próprio Perón, incentivado criminosos nazistas e fascistas a morarem na Argentina. De acordo com Goñi, os argentinos não apenas colaboraram com as rotas de fuga de Draganovic, mas que formaram uma rota própria através da Escandinavia, Suiça e Bélgica.

O tráfico de argentino de criminosos de guerra institucionalizou-se, de acordo com Goñi, quando o novo mandato de Perón começou em ferveriro de 1946. O então antropólogo Santiago Peralta foi apontado como Ministro da Imigração e um empregado de Ribbentrop, Ludwig Freude como seu assessor. Goñi argumenta que este dois estabeleceram uma espécie de “comissão de resgate” composta por agentes do serviço secreto e “conselheiros” de imigração, em que muitos eram eles mesmos criminosos de guerra, com passaporte, cidadania argentinas e empregos legalmente formalizados.

Foto da identidade de Josef Mengele (1956)
Foto da identidade de Josef Mengele (1956)

As rotas Ítalo-argentinas foram confirmadas apenas recentemente, principalmente devido à pesquisas em arquivos classificados como sigilosos que foram recém liberados. Até então, uma visão comum sobre as fugas dos ex-nazistas não passavam de especulações onde acreditava-se que cada um havia pavimentado sua própria rota sem grandes ajudas, até que vieram os trabalhos de pesquisa de Aarons, Loftus e Uki Goñi (2002).

A rota mais famosa é chamada de ODESSA (organizada por antigos membros da SS), fundada em 1946 e de acordo com Paul Manning, “eventualmente, mais de 10.000 antigos militares alemães chegaram à América do Sul utilizando rotas de fuga como ODESSA e Deutsche Hilfsverein…”

Simon Wiesenthal, aconselhou Frederick Forsyth na película/serie O Dossiê Odessa que trouxe o nome ao público, também nomes como “organizações de fugas nazistas” tais como a Spinne (“Aranha”) e Sechsgestirn (“A Constelação dos Seis”).

A lista dos criminosos de guerra que utilizaram as rotas de fuga incluem:

  • Adolf Eichmann, fugiu para a Argentina em 1950, capturado em 1960, executado em Israel em 1 de junho de 1962.
  • Franz Stangl, fugiu para o Brasil em 1951, preso em 1967 e extraditado para a Alemanha Ocidental, morreu em 1971 de causas naturais.
  • Gustav Wagner, fugiu para o Brasil em 1950, preso em 1978, cometeu suicídio em 1980.
  • Erich Priebke, fugiu para a Argentina em 1949, preso em 1994, morreu em 2013.
  • Klaus Barbie, fugiu para a Bolívia com a ajuda dos Estados Unidos, capturado em 1983, morreu numa prisão na França em 23 de setembro de 1991.
  • Eduard Roschmann, fugiu para a Argentina em 1948, mudou-se para o Paraguai para evitar extradição e morreu lá em 1977.
  • Aribert Heim, desapareceu em 1962, morreu provavelmente em 1992, no Egito.
  • Andrija Artuković, fugiu para os Estados Unidos, preso em 1984, morreu numa prisão na Croácia em 1988.
  • Ante Pavelić, fugiu para a Argentina em 1948, sobreviveu à uma tentativa de assassinato em 1957, mas morreu em decorrência dos ferimentos na Espanha em 1959.
  • Walter Rauff, fugiu para o Chile, nunca foi capturado, morreu em 1984.
  • Alois Brunner, fugiu para a Síria em 1954, morreu por volta de 2010.
  • Josef Mengele, fugiu para a Argentina em 1949, e então para outros países e veio a morrer no Brasil em 1979. Seus restos foram exumados em 1985 e provavelmente destruídos.
  • Johann Feil, fugiu para a Argentina em 1948, voltou para a Alemanha em 1956 para se tratar de um câncer. Ficou com sua família até morrer em 1957.

 Fonte: war history online

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ADN-ZB-Löwe Hen-Schä Dresden nach dem britisch-amerikanischen Luftangriff am 13.-14.2.1945 Das wieder aufgestellte Lutherdenkmal und die Ruine der Frauenkirche, ein bleibendes Denkmal für die sinnlose Zerstörung der Stadt. Aufn.Nov.1958

Há uma década, igreja era reinaugurada em Dresden, no leste da Alemanha. Após ser destruído na Segunda Guerra Mundial, templo foi reerguido e transformou-se em símbolo da cidade e atração turística.

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Dresden church before war

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Quase 5 décadas em ruínas.

 

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Logo após o final da guerra.

 

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Logo após o final da guerra.

 

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Logo após o final da guerra.

 

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Durante a Guerra Fria

 

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Durante a Guerra Fria

 

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A Restauração

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1066 – Húskalar, Batalha de Hastings

‘O guerreiro anglo-saxão de Hastings talvez não seja tão diferente do “Tommy” britânico das trincheiras’ disse o fotógrafo Thom Atkinson. Na Batalha de Hastings, a escolha do soldado em termos de armamento era bem extensiva. Dentre as diversas batalhas nas quais estes guerreiros ferozes participaram, provavelmente a mais famosa é a de Hastings. Liderados por Harold Godwinson ou Haroldo II da Inglaterra, chefe dos ingleses, lutaram contra William II da Normandia, que comandava a coalizão dos franceses e normandos. Apesar da derrota sofrida contra os normandos, os húskarlar mostraram-se extremamente úteis em combate.

Guardas de Elite

Os húskarlar foram utilizados como guardas de elite pessoal dos vários nobres da Europa. Dentre os mais famosos corpos de guardas, está a elite militar de Canuto, rei da Inglaterra, que governou o país no século XII d.C. Através da Lex Castrensis, Canuto estabeleceu que sua guarda particular seria composta de guerreiros húskarlar. O guerreiro huskarl era um dos poucos que tinha o privilégio de permanecer no salão real nas festividades e comer na mesa do rei juntamente com ele. Mas, com os privilégios, vieram também as obrigações do dever: traição e ações consideradas graves eram punidas com o exílio ou a morte. Estes guerreiros eram submetidos a um código militar muito mais severo do que os seus companheiros de armas de patentes mais baixas. Até mesmo seus julgamentos eram realizados por um tribunal específico: o Huskarlesteffne, cujas decisões eram assistidas pelo próprio soberano.

Aqui neste kit podemos ver a forte presença da cota de malha utilizada até a chegada das armas de pólvora e o conhecido elmo nasal em forma de cuia com a haste para proteger o nariz do soldado.

1066 – Húskalar, Batalha de Hastings

1244 – Cavaleiro montado, Cerco de Jerusalém

O Cerco de Jerusalém de 1244 aconteceu durante a Sexta Cruzada, quando os Corásmios (a convite dos Aiúbidas) conquistaram a cidade sobre Frederico II da Germânia em 15 de julho de 1244.

Aqui já podemos notar o uso da maça medieval, uma evolução do primitivo porrete mas com uma cabeça de metal facetado. A maça foi inventada por volta de 12 000 a.C. e, rapidamente, tornou-se uma arma importante. Essas primeiras maças de madeira, com pedra sílex ou obsidiana encravadas, tornaram-se menos populares devido ao aprimoramento das armaduras de couro curtido que podiam absorver grande parte do impacto. Algumas maças tinham a cabeça inteira de pedra, mas eram muito mais pesadas e de difícil manejo. Maças eram muito utilizadas na idade do Bronze no Oriente Próximo.

A adaga vista aqui neste kit também, era um item multiuso, mas principalmente utilizado fora das batalhas como ferramenta de corte universal, tanto para a alimentação quanto para o corte de madeira fina e outros materiais mais simples.

1244 – Cavaleiro montado, Cerco de Jerusalém

1415 – Arqueiro combatente ou arqueiro de arco longo, Batalha de Azincourt

Batalha de Azincourt foi uma batalha decisiva ocorrida na Guerra dos Cem Anos. Acontecida em 25 de outubro de 1415 (Dia de São Crispim), no norte da França, resultou em uma das maiores vitórias inglesas durante a guerra.

Um detalhe muito importante nesta batalha foi o emprego dos arcos longos (na foto, o item de madeira clara com um adorno escuro no centro), estes que foram eficazmente utilizados pelos ingleses contra os franceses ao longo de séculos. O arco longo inglês pode ser considerado uma das armas mais letais e importantes da história. Foi usado principalmente na Idade Média, e era o maior causador de baixas se usado corretamente. No exército inglês o arco longo já se encontrava intrinsecamente ligado à sua cultura, pois os jovens aprendiam seu manuseio desde cedo para caçar e mais tarde, combater.

1415 – Arqueiro combatente ou arqueiro de arco longo, Batalha de Azincourt

1485 – ‘Homem de armas’ iorquino, Batalha de Bosworth Field

‘Homem de armas’ foi um termo usado desde os períodos da alta Idade Média até o Renascimento para descrever um soldado, quase sempre um guerreiro profissional no sentido de serem bem-treinados no uso de armas, que servia como um cavaleiro pesado totalmente armado. Também podia referir-se a cavaleiros ou nobres, e aos membros das suas comitivas ou mercenários. Os termos cavaleiro e homem de armas são muitas vezes usados como sinônimos, mas ao mesmo tempo todos os cavaleiros equipados para a guerra, certamente, eram homens de armas, mas nem todos os homens de armas eram cavaleiros.

As guerras eram responsabilidades exclusiva dos nobres, segundo a lógica do Feudalismo, portanto esses comandantes eram de famílias nobres, o que permitia a eles o acesso a equipamentos que para a época eram muito caros. A cavalaria era uma arma que criava espaço apenas para membros da nobreza, e isso perdurou até a Primeira Guerra Mundial onde os pilotos de aviões eram normalmente membros da cavalaria, algo visível pelo aspecto de sua indumentária, onde era normal o uso de botas e calças de montaria.

Estas armaduras, ao contrário do que se diz e do que muitos pensam, eram feitas para serem leves e permitirem com que o soldado pudesse se movimentar sem grandes problemas. Tal fato alegando que os soldados que sofriam quaisquer quedas de costas vestindo uma armadura destas o impediria de se levantar, são apenas boatos.

1485 – ‘Homem de armas’ iorquino, Batalha de Bosworth Field

1588 – Caliveiro miliciano, Tilbury

O Arcabuz é uma antiga arma de fogo portátil, espécie de bacamarte. Era chamada vulgarmente de espingarda nas crônicas portuguesas do século XVI. O Caliver (arma da foto) nada mais era do que um arcabuz improvisado, de menor porte e utilizado pelas milícias especialmente na Europa, sendo mais presente na Inglaterra. O Arcabuz e o Caliver foram os predecessores do mosquete, todos estes eram carregados diretamente pelo cano e possuíam o característico fecho de mecha para realizar a ignição da pólvora e assim, concluir o disparo.

Note também o Capacete Morrião ou chamado apenas por Morrião, o popular capacete de conquistador, usado entre os séculos XVI e XVII.

1588 – Caliveiro miliciano, Tilbury

1645 – Mosqueteiro do exército, Primeira Guerra Civil Inglesa

A Batalha de Naseby foi a batalha decisiva durante a Primeira Guerra Civil Inglesa, onde o exército do Rei Carlos I foi dizimado pelo Exército Novo dos cabeças redondas comandados por Sir Thomas Fairfax e Oliver Cromwell.

O Exército Novo foi formado em 1645 pelo Parlamento e dissolvido em 1660 após a Restauração. Era diferente dos demais exércitos à época, uma vez que foi concebido como uma força responsável pelo serviço em todo o país, ao invés de estar circunscrito a uma única área ou guarnição. Como tal, era constituído por soldados em tempo integral, ao invés da milícia usual à época. Além disso, possuía militares de carreira, não tendo assento em qualquer das Casas (dos Lordes ou dos Comuns) e, portanto, não eram ligados a nenhuma facção política ou religiosa entre os parlamentares.

Oliver Cromwell remodelou o exército e, a frente dele, venceu várias batalhas, os soldados passaram a ser promovidos com base na competência e não mais pelo nascimento em uma família de prestigio. Ou seja, o critério de nascimento foi substituído pelo de merecimento, este novo exército (New Model Army) venceu o exército do rei na Batalha de Naseby, que pôs fim à luta. O Rei Carlos Ι foi condenado à morte e executado. A república foi proclamada e Oliver Cromwell assumiu o governo do seu país.

É possível notar o cinto de carregadores (centro direito da foto), onde os pequenos cilindros de madeira carregavam pequenas quantidades específicas de pólvora para auxiliar no recarregamento ágil do mosquete após cada disparo. Também a bolsa de couro com biqueira, algo similar ao que mais tarde chamaríamos de cantil, o pequeno punhal para uso universal e o baralho, o conhecido jogo de cartas com figuras popularizado no sul da Europa à partir do século XIV.

1645 – Mosqueteiro do exército, Primeira Guerra Civil Inglesa

1709 – Sentinela, Batalha de Malplaquet

A Batalha de Malplaquet se deu no dia 11 de setembro de 1709 no marco da Guerra de Sucessão Espanhola. Tropas da França foram vencidas pelas tropas da Aliança – composta pela Áustria, Inglaterra e Holanda – comandadas pelo Duque de Marlborough e pelo Príncipe Eugênio de Saboya. Às 8 da manhã do dia 11 de setembro, o Duque de Marlboroug, à direita do Príncipe Eugênio, cujo exército constava de soldados imperiais e dinamarqueses, avançou para atacar pelo flanco, sem ser bem-sucedido. A infantaria prussiana e holandesa, comandada pelo Príncipe de Orange e o Barão Nagel, encontrou também uma intensa resistência francesa pelo flanco esquerdo.

Depois de serem rejeitados dois ataques, o Príncipe Eugênio dirigiu pessoalmente o terceiro. Suas tropas romperam as linhas francesas e as expulsaram do território de Malplaquet (França). Os aliados perderam 25.000 homens e os franceses sofreram 11.000 baixas e sofreram a derrota definitiva neste confronto. A Batalha de Malplaquet foi uma das batalhas mais sangrentas da Guerra de Sucessão Espanhola.

Aqui já é evidente o uso da baioneta, uma lâmina que podia ser instalada na ponta do cano do mosquete. Algo que se demonstra eficiente até os dias de hoje. A origem do uso da “baioneta” é incerto, mas há registros que alegam que esta arma era utilizada durante a caça, após um tiro mal-sucedido sobre o alvo, onde possibilitava ao caçador a desferir um golpe de lâmina sobre o animal à curta distância. Na França, a baioneta foi introduzida pelo General Jean Martinet e foi comumente utilizada na grande maioria dos exércitos europeus após a década de 1660.

Podemos ver o característico chapéu tricorne (três pontas) no topo à esquerda e uma pequena bíblia no canto inferior esquerdo.

1709 – Sentinela, Batalha de Malplaquet

1815 – Soldado raso, Batalha de Waterloo

O mosquete com pederneira modelo Brown Bess foi desenvolvido em 1722 e usado na época da expansão do Império Britânico. Adquiriu importância simbólica, pelo menos, tão importante quanto a sua importância física. Ele estava em uso há mais de cem anos, com muitas mudanças incrementais no seu design. Estas versões incluem o Long Land Pattern, Short Land Pattern, India Pattern, New Land Pattern Musket, Sea Service Musket e outros. Um soldado bem treinado podia efetuar quatro disparos dentro de um minuto utilizando um mosquete com pederneira.

A origem do nome “Brown Bess” ainda é incerto mas pode ser uma derivação do alemão ou holandês para “marrom” e “cano.” (Os primeiros ferreiros de armas aplicavam uma camada de verniz sobre o metal e a coronha de armas de fogo)

Um detalhe interessante é que neste kit pode-se notar a inclusão da caneca de estanho e o caderno de anotações. Também vale ressaltar a presença de kits de jogos para a distração como xadrez e damas. É visível também, mudança do chapéu Tricorne para o Chacó, esta espécie de quepe comprido com a insígnia em sua face frontal. O cantil veio a se tornar parte do equipamento padrão ao invés de cuias e copos para coletar água de fontes comuns ou rios e lagos. E por fim, o retorno dos calçados com cadarços.

1815 – Soldado raso, Batalha de Waterloo

1854 – Soldado raso da brigada de rifles, Batalha de Alma

A Batalha de Alma foi uma batalha da Guerra da Crimeia, travada entre o Império Russo e a coligação anglofrancootomana. Foi travada em 20 de setembro de 1854, na margem do Rio Alma, hoje em território da Ucrânia. Foi o primeiro grande confronto durante este conflito (1854 – 1856). A coligação aliada derrotou os russos, que perderam cerca de seis milhares de homens. É em memória desta batalha que uma das pontes de Paris recebeu o seu nome: a Ponte de Alma.

A importância da camuflagem já detinha uma certa atenção dentro do âmbito militar nesta época. Com a sofisticação dos rifles militares e sua precisão, a necessidade de o soldado permanecer oculto nos campos de batalha começara a aumentar exponencialmente.

1854 – Soldado raso da brigada de rifles, Batalha de Alma

1916 – Soldado raso, Batalha do Somme

Enquanto a Primeira Guerra Mundial foi a primeira guerra moderna, assim como ilustrado no grupo de itens abaixo, este ainda é considerado um kit primitivo. Juntamente com a máscara de gás, o soldado era equipado com uma espécie de “maça de trincheira”, algo que lembra uma arma medieval.

Durante a a Grande Guerra a camuflagem já era uma estratégia militar levada em conta por vários fatores, além da existência dos vôos de reconhecimento após a inclusão do avião como uma arma de guerra e também pela evolução dos rifles de precisão. Os sobrevoos eram usados para mapear as posições inimigas com o intuito de criar uma condição favorável para os rivais ao possibilitar cercos de artilharia, com isso, a camuflagem passou a ser parte essencial do estudo no desenvolvimento industrial dos novos uniformes militares.

O rifle presente neste kit é o Lee-Enfield, derivado do antigo Lee–Metford que já aplicava um novo método de ação de ferrolho. O Lee-Enfield foi utilizado pelo exército britânico durante as duas grandes guerras e entrou em serviço em 1895, permanecendo até 1957. Disparava de 20 a 30 vezes por minuto com um alcance de aproximadamente 500 metros.

O uso da pá de combate também era algo essencial na época devido à estratégia militar adotada por praticamente todas as nações na época, a guerra de trincheiras.

Nesta época também foi introduzida pela primeira vez o que era chamado de “Rações de Provisão”, que eram nada mais que comida empacotada para ser facilmente preparada e consumida pelas tropas no campo de batalha. Consistiam em três tipos, Ração Reserva, Ração de Trincheira e Ração de Emergência. O uso de rações de combate não era regra para todas as nações envolvidas na guerra, na época. Atualmente as rações de previsão recebem várias nomenclaturas dependendo de sua composição.

Assim como o amplo uso de lanternas portáteis na Segunda Guerra Mundial, algo relativamente novo para o ocidente naquela época eram as Dog Tags ou chapas de identificação. Elas foram introduzidas pelos chineses no século XIX e não demoraram a serem adotadas como instrumento de identificação por quase todas as nações algum tempo depois. A versão da Dog Tag da Primeira Guerra Mundial está logo acima da maça de trincheira, no centro esquerdo da imagem.

Outras inovações da época eram o kit de bandagens de primeiros socorros individual e o relógio de bolso.

1916 – Soldado raso, Batalha do Somme

1944 – Lance corporal, Brigada de Paraquedistas, Batalha de Arnhem

Batalha de Arnhem foi um grande combate travado entre as forças do Exército Alemão e das tropas Aliadas nas cidades holandesas de Arnhem, Oosterbeek, Wolfheze, Driel e no interior do país de 17 a 26 de setembro de 1944. Ela foi parte da Operação Market Garden, uma operação mal sucedida que aconteceu em parte dos territórios da Holanda e Alemanha e que tinha como objetivo principal de expulsar os alemães dos Países Baixos e garantir o avanço livre das tropas aliadas para dentro do território alemão. Ela também foi a maior operação envolvendo tropas aerotransportadas da história.

Nesta imagem notamos que a sofisticação e o número de itens dentro do equipamento militar já aumentara consideravelmente desde o kit do húskarlar da Batalha de Hastings. Para viabilizar um salto com o mínimo de peso possível, os paraquedistas necessitavam de um kit compacto. Sendo assim, foram desenvolvidos inúmeros instrumentos e itens menores que pudessem ser agrupados nas mochilas e bolsas com o objetivo de permitir que o soldado conseguisse saltar sem grandes complicações. Armas menores ou portáteis com coronha retrátil, calças repletas de bolsos e sistemas de fechos inteligentes criaram uma condição em que o equipamento pudesse ser rapidamente desatado do corpo do soldado permitindo uma maior mobilidade, e mesmo assim, os equipamentos de hoje se demonstram mais eficientes contando com apenas um ou dois fechos que se desconectados, liberam todo o equipamento carregado pelo soldado paraquedista.

A comida enlatada era algo amplamente utilizado durante a Segunda Guerra Mundial, uma vez que os soldados iriam percorrer grandes distâncias, isso criava a necessidade de alimentos duráveis para reduzir a necessidade do apoio logístico por parte do fornecimento de alimentos vindos de seus países de origem.

Uma grande mudança ocorrida nesta época foi o uso do chocolate como fonte de energia para os soldados, sendo ele incluído como parte íntegra do kit de rações.

1944 – Lance corporal, Brigada de Paraquedistas, Batalha de Arnhem

1982 – Royal Marine Commando, Guerra das Malvinas

A Guerra das Malvinas foi um conflito ocorrido nas Ilhas Malvinas (em inglês Falklands), Geórgia do Sul e Sandwich do Sul entre os dias 2 de abril e 14 de junho de 1982 pela soberania sobre estes arquipélagos austrais reivindicados em 1833 e dominados a partir de então pelo Reino Unido. Porém, a Argentina reclamou como parte integral e indivisível de seu território, considerando que elas encontram “ocupadas ilegalmente por uma potência invasora” e as incluem como partes da província da Terra do Fogo, Antártica e Ilhas do Atlântico Sul.

O saldo final da guerra foi a recuperação do arquipélago pelo Reino Unido e a morte de 649 soldados argentinos, 255 britânicos e 3 civis das ilhas.

Aqui já é possível vermos o esquema de camuflagem moderno com padrões de formas e de cores derivadas do verde, e também os itens portáteis como câmera fotográfica e rádio.

1982 – Royal Marine Commando, Guerra das Malvinas

2014 – Sapador de apoio, Royal Engineers, Província de Helmland

A evolução da tecnologia que emergiu nesta série de fotografias foi um processo que recebeu um grande avanço no último século. O relógio de bolso hoje é à prova d’água e possui visor digital; o Lee-Enfield de ação de ferrolho foi substituído por carabinas com mira a laser; os coletes camuflados de Kevlar tomaram o lugar das túnicas de lã.

A sofisticação do equipamento do soldado é gigantesca se formos comparar a primeira e esta última fotografia. Passamos de um equipamento pesado e rígido para a mobilidade, para um armamento mais eficiente, preciso e resistente. Saímos da espada para o arco, mosquete e no final, o rifle de precisão que pode atingir o alvo a 1km de distância. Hoje temos uma preocupação maior em manter o soldado vivo do que empregar “buchas de canhão” no campo de batalha com o intuito de ganhar tempo antes de enviar a carga de cavalaria. Aprendemos o quão importante é manter o soldado oculto por camuflagem e a orientação por mapas em território hostil.

A pergunta que fica é: se nos últimos 1000 anos a evolução do armamento militar acelerou-se gradativamente no decorrer dos séculos, o que nos espera nos próximos 50 anos?

2014 – Sapador de apoio, Royal Engineers, Província de Helmland

Fotografias: Thom Atkinson

A carcaça de um avião da Segunda Guerra Mundial e os restos do francês que o pilotava quando o aparelho se acidentou, em 1945, foram desenterrados neste sábado (8) no sudoeste da Alemanha, informou a agência de notícias DPA.

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O avião de combate americano, um Thunderbolt P47, caiu em 14 de fevereiro de 1945, em Ottersweier en Bade-Wurtemberg, fronteira com a França. O piloto, Antoine Allard, 25, procedia de Paris, segundo a DPA.

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O “buscador de restos” Uwe Benkel localizou o aparelho quatro metros abaixo da terra. No local, havia um monumento comemorativo pelo qual Werner Doll, um vizinho de 77 anos, passava com frequência.

Testemunha, aos 7 anos, do acidente, causado pela colisão com outro avião, Doll “sempre dizia algo” ao piloto sepultado, contou à agência alemã.

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Soldados alemães depositaram hoje uma bandeira francesa e uma coroa de flores no local da escavação, diante de dezenas de pessoas. Os restos do piloto serão levados para um cemitério.

Fonte: Speroforum

Oradour sur Glane é um vilarejo que fica na região de Limusine (francês Limousin), com aproximadamente 2500 habitantes, e foi o local onde se organizou a resistência francesa, denominado Maquis, durante a Segunda Guerra Mundial. O nome Maquis é em homenagem a Napoleão Bonaparte, que nasceu na Córsega e onde se predomina os Maquis, um arbusto típico da região.

Ruínas de Orador-sur-Galne
Ruínas de Orador-sur-Glane

O vilarejo entrou nos anais da Segunda Guerra Mundial, em 1944 quando a Alemanha Nazista com a 2ª Divisão Panzer SS Das Reich, da Waffen-SS, entrou no local e massacrou os habitantes, resultando em 642 mortes, com 190 homens, 245 mulheres e 207 crianças, nesse período, o numero de habitantes era de aproximadamente 1000 pessoas.

A região entrou na rota alemã, após o acontecimento que para alguns historiadores mudaram o rumo da Segunda Guerra Mundial na Europa, o Dia D, que aconteceu dias antes do massacre.

Dia-D é o termo militar usado para classificar a data de início em operações de combate pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, e durante a Segunda Guerra o mesmo termo foi usado para a invasão dos aliados na região da Normandia, no dia 06 de Junho de 1944, quando mais de 150 mil soldados chegaram à costa da França e abriram mais uma frente de batalha. O ataque a Normandia, tinha sido acordado na Conferência de Teerã, que ocorreu entre os governantes Stalin (Rússia), Roosevelt (EUA) e Churchill (Inglaterra), onde Stalin desejava que os ocidentais abrissem uma nova frente de batalha. A URSS tinha o receio de ficar enfraquecida após a guerra contra os alemães, e os ocidentais se aproveitarem no pós-guerra.

A invasão foi bem sucedida depois que informações falsas foram enviadas e descobertas pelos alemães, com o objetivo de distrair o setor de inteligência alemão. Os aliados haviam criado a Operação Fortitude, que tinha como finalidade indicar que os aliados iriam desembarcar na região de Pas de Calais, com isso, as fortificações naquela região foram intensificadas no aguardo de uma possível invasão.

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Após o ataque do Dia-D, a Operação Fortitude se mostrou eficaz e as forças armadas alemãs haviam sido concentradas em outros locais, e acabaram indo para a região da Normandia, e nesse trajeto, é que a Divisão Panzer atacou o vilarejo de Oradour sur Glane, no dia 10 de Junho, quatro dias após o ataque a Normandia.

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Quando a tropa alemã chegou ao vilarejo sob o comando de Adolf Diekmann, logo separaram as mulheres e crianças dos homens, enquanto os primeiros foram enviados para uma igreja, os demais foram colocados num celeiro. O motivo para essa atitude era uma verificação de rotina, porém a justificativa pelo grande número de mortes é que na região se encontrava um militar alemão que era prisioneiro dos grupos de resistência.

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As consequências dessas pessoas foram à morte, após serem alvejados com um fuzilamento e depois atearam fogo nos corpos desses cidadãos que alguns deles ainda estavam vivos.

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Na década de 1960, quando a França estava sob a presidência de Charles de Gaulle, ficou decidida que o vilarejo não seria reconstruído, permanecendo as ruínas como uma lembrança do ato dos Nazistas na França. Em 1999, foi feito um centro de memória e foi nomeada como “cidade mártir”.

Centro de Memória de Oradour Sur Glane
Centro de Memória de Oradour Sur Glane

Adolf Diekmann não chegou a ser julgado pelos seus crimes, ele acabou morrendo dias depois nos confrontos na Normandia.

Massacres como o que aconteceu em Oradour sur Glane, aconteceram diversos em diferentes momentos na História, e na Segunda Guerra Mundial inclusive, e por ambos os lados (Aliados e Eixo), como os de Lidice, Nemmersdorf, Katyn, entre outros.

O neto de Alexander Bonnyman Jr ajudou nas pesquisas para encontrar os restos de seu avô em Tarawa, onde ele caiu em batalha no de 1943.

Uma ONG norte americana descobriu a localização de 36 corpos de soldados americanos em Kiribati, incluíndo o famoso ganhador póstumo da mais alta condecoração militar dos Estados Unidos, a Medalha de Honra do Congresso, no local de uma das batalhas mais sangrentas no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial.

A Batalha de Tarawa ou Taraua aconteceu durante a Guerra do Pacífico, na Segunda Guerra Mundial, entre 20 e 23 de novembro de 1943. Foi a segunda grande ação ofensiva terrestre dos Estados Unidosna guerra — após a Batalha de Guadalcanal e a subsequente retomada das Ilhas Salomão – e a primeira na região central do teatro do Oceano Pacífico.

Como todas as batalhas travadas entre Japoneses e Norte-Americanos, enfrentaram grande resistência japonesa. Os 4500 japoneses entrincheirados no atol, bem armados e preparados, lutaram praticamente até o último homem, causando mais de 3100 baixas aos americanos, o maior proporcionalmente ao total de soldados envolvidos, de toda a guerra.

O diretor da History Flight, Mark Noah, disse que uma combinação de pesquisas em registros da locais originais de sepultamento, buscas utilizando sistemas de radar, e entrevistas com moradores locais vem fornecendo vastas informações sobre os locais corretos onde jazem os corpos desde o ano de 2007.

“Todos os indivíduos que morreram na Batalha de Tarawa, ou na Segunda Guerra em geral, acreditavam que se fosse para sacrificar suas vidas em favor da liberdade de suas país, eles teriam a opção de serem repatriados e enterrados de acordo com as vontades de suas famílias,” disse ele.

“Isto está escrito no lado de fora de um dos cemitérios daqui, um epitáfio dizendo “Descansem, guerreiros, descansem / Para continuar então esta nova jornada ao amanhã / Mãos calmas guiar-te-ão / Para seu tão esperado lar.”

Alexander Bonnyman Jr (quarto à direita) e seu pelotão em missão de ataque a uma posição japonesa em Tarawa, novembro de 1943.
Alexander Bonnyman Jr (quarto à direita) e seu pelotão em missão de ataque a uma posição japonesa em Tarawa, novembro de 1943.

Os restos dos Marines foram descobertos depois de quatro meses de escavações na Ilha de Betio, parte do Atol de Tarawa, em uma somatória de nove anos de pesquisa.

Sr. Noah disse que 18 dos 36 locais contendo os restos destes soldados foram identificados, incluíndo os homens do Tenente Alexander ‘Sandy’ Bonnyman Jr, postumamente agraciado com a mais alta condecoração americana, a Medalha de Honra, por bravura em batalha.

“Os dentes do Tenente Bonnyman eram bem distintos, nós comparamos suas restaurações com as de outros 50.000 indivíduos e havia apenas uma igual,” disse ele.

A citação de Bonnyman conta que ele liderou uma série de ataques quando os Marines invadiram a ilha, finalmente caindo quando liderava um ataque bem sucedido contra um abrigo à prova de bombas mantido por 150 soldados japoneses que impediam o avanço.

O ataque deste bunker foi filmado pelo fotógrafo e fuzileiro, Norman Hatch, cujo documentário da batalha, With the Marines at Tarawa (Com os Fuzileiros em Tarawa), que ganhou um Óscar em 1945 e contém uma dos únicos trechos onde o ganhador da Medalha de Honra aparece em meio à ação em que lhe rendeu a condecoração.

No vídeo abaixo (em inglês) Norman conta como foi registrar os momentos decisivos naqueles dias. Ao final, um pouco sobre o trabalho dos arqueólogos e pesquisadores na busca pelos restos dos soldados que mais tarde viraria um documentário.

Assim como a Medalha de Honra, o Tenente Bonnyman foi condecorado com a Purple Heart (Coração Púrpura), a Presidential Unit Citation (Citação Presidencial da Unidade com uma estrela azul, a Asiatic-Pacific Area Campaign Medal (Medalha da Campanha Pacífico-Asiática) com duas estrelas de bronze por ter atuado em Guadalcanal e Tarawa, e a World War II Victory Medal (Medalha da Vitória da Segunda Guerra Mundial).

Sua família acreditava que seu corpo nunca seria encontrado, sendo informados de que ele foi sepultado no mar. Ele é um dos únicos quatro ganhadores da Medalha de Honra pela campanha de Tarawa que não voltaram para casa.

Um depoimento no site History Flights diz que as filhas de Bonnyman decidiram que seus restos seriam enterrados em um jazigo familiar situado em Knoxville, Tennessee, ao lado de seus pais, em uma cerimônia pública.

Noah disse que os restos serão repatriados ainda este mês de julho de 2015.

Todos os restos foram identificados usando uma combinação de registros dentários com amostras de DNA coletadas de seus parentes ainda vivos.

Fonte: ABC News

Uma das maiores preocupações das tropas britânicas durante o combate contra a resistência alemã não foi a bomba V-1, que ameaçava os soldados e até mesmo suas famílias, nem o constante fracasso em capturar o porto de Cherbourg. A maior preocupação deles, acreditem, era a falta de cerveja!

No dia 20 de junho de 1944, duas semanas depois do Dia D, um correspondente especial da Reuters, na França, escreveu para os jornais no Reino Unido que tudo o que estava disponível nas tabernas recém-liberadas, a algumas milhas para o interior das praias, era uma cidra local. Aquela notícia entristeceu todos que estavam ali. Era possível ver os britânicos encomendando uma garrafa de cidra de uma forma bem melancólica.

Graças a todos os soldados, no dia 12 de julho daquele mesmo ano, a Royal British Beer chegou oficialmente até as tropas que lutavam na Normandia, e mesmo assim, a quantidade foi suficiente para apenas um litro por pessoa – o que não era nada! Muito antes disso, algumas tropas se empenharam a usar pilotos da RAF e USAAF para transportar cerveja para o Norte da França.

Pelas tropas, essas aeronaves receberam o apelido de “pubs voadores”. Para se entender a grande importância para a guerra que tal bebida possui, os militares desenvolveram rolhas especiais para as garrafas que seriam entregues aos soldados, evitando que o produto fosse perdido. Ainda foi emitida uma nota, pedindo que evitassem perder as tampas das garrafas, já que isso impactaria o fornecimento rápido por parte dos fornecedores.

pubs voadores“Um país não pode ser um país de verdade se não tiver, ao menos, uma cerveja e uma empresa aérea. Ajuda se tiver armas nucleares, mas o mais importante é a cerveja.”. E realmente, essa frase é exatamente o que os militares da RAF e USAF passaram naquele momento, ainda mais por conta do transporte ser tão imprevisível.As primeiras tentativas para levar cerveja sobre o Canal da Mancha, depois do Dia D, foram feitas com aeronaves como o Spitfire e Typhoon, com os tanques totalmente cheios e ainda com tanques extras, para que atingissem grandes distâncias correr o risco de perder a carga que transportavam.

Esses esforços parecem ter sidos semi-oficiais. O Ministério da Aeronáutica distribuiu uma fotografia aos jornais, que mostrava um Spitfire norueguês do Esquadrão Tangmere em um aeródromo em Sussex. Enquanto o piloto relaxava sobre a asa, o Spitfire estava equipado com um recipiente adaptado, enquanto dois tonéis de madeira com capacidade para 45 litros cada enchiam o recipiente, fornecido pela Chichester.

Pubs voadoresNo total, foram 270 litros de cerveja fornecidos naquele recipiente de forma aerodinâmica, transportados sob três Spitfire Mk IXbs de Tangmere para um aeródromo em Bény-Sur-Mer, na Normandia, cerca de 110 km ao sul da Inglaterra e a três quilômetros do mar.

Durante essas missões, no dia 17 de junho de 1944 – quatro dias após o desembarque em Berryman, e onze dias após ter começado a invasão – um Spitfire do 416º esquadrão da Royal Canadian Air Force sobrevoou a Inglaterra, indo para um aeródromo construído recentemente em Bazenville. Lá, ele “presenteou” os infantes ingleses ao soltar um barril cheio de cerveja, que estava pendurado sob sua fuselagem. Mesmo com o tanque lavado a vapor, para o azar de todos, a cerveja tinha sabor de combustível de avião.
Pubs voadores
Esses transportes se mostraram eficientes, mas problemáticos para as cervejas dentro dos tanques adaptados. Em uma tentativa com um Typhoon de atravessar o Canal da Mancha com dois tanques sob as asas, após depositar o produto, o pessoal da RAF, ansioso por beber tal cerveja que chegaria, percebeu outro problema: as cervejas estavam com um sabor metálico, estragando novamente a bebida.

Os americanos, pelo contrário, para que não tivessem toda a cerveja perdida, sobrevoaram o Canal a 15.000 pés ou mais, utilizando fibra de papel vulcanizado dentro dos tanques. Os P-47 transportavam as cervejas geladas até em estado de congelamento, mas em perfeitas condições, mostrando não ser improvável um transporte sem estragar a cerveja. Essa técnica pode ter sido tirada a partir dos navios da Marinha dos EUA.

Além dos problemas da perda de toda a cerveja, ou alterações no sabor com os tanques adaptados para o transporte, outro problema ainda maior estava ocorrendo durante os transportes “emergentes” para as tropas no Canal da Mancha, e também para outras bases mais afastadas pelo continente.

Os Typhoon eram facilmente confundidos com os Focke-Wulf Fw 190 alemães, por parte dos pilotos inexperientes. Com isso, durante as entregas realizadas com os Typhoon, estes eram atacados pelos pilotos mais inexperientes, equipados com o P-47. Às vezes, ocorriam até dois ataques no mesmo dia, forçando os pilotos britânicos a abandonarem os tanques carregados no Canal.

Segundo o comandante das tropas britânicas, cerveja custava muito dinheiro a eles, e os dois primeiros ataques no mesmo dia custaram muito caro. Os voos tiveram que ser interrompidos subitamente. Os poucos que ainda eram feitos não continham mais cerveja pura. Eram misturados com champagne e outras coisas que barateassem os custos. A tropa tinha que gostar dessa bebida.

Uma das cartas e relatos resgatados da Segunda Guerra dizia: “A utilização de tanques de combustível auxiliares, acoplados à parte inferior dos aviões de combate na Segunda Guerra Mundial para aumentar sua autonomia, foi muito utilizada na invasão da Normandia em 1944.

Equipes terrestres britânicas corriam pela pista de pouso em meio à poeira e o calor da província francesa, o que deixava todos com sede. A queixa de todos com relação à sede pode ter sido ouvida. Typhoons vindos da Inglaterra, a caminho dos alvos alemães, realizavam um pouso não previsto para a retirada de seus tanques de combustível extras, cheios de cerveja.

Os primeiros tanques chegavam com um sabor horrível, por causa dos revestimentos internos. Antes da segunda viagem, os tanques foram tratados quimicamente, e a bebida foi recolocada de uma forma mais sofisticada, tornando a cerveja bem mais consumível, mesmo que com um leve sabor ruim.”

Pubs voadoresOutro método utilizado pela RAF para aliviar os sabores estranhos, que afetavam a cerveja, eram barris. A aeronave utilizada foi o Spitfire Mk IXs, que equipava as unidades de caças-bombardeiros. No lugar das bombas, barris de cervejas ficavam presos sob as asas.

Os pilotos desse esquadrão afirmaram ter criado uma nova ideia, as “bombas de cerveja”, usando barris caseiros em forma de cone, mas feitos da forma mais simples possível. No dia 03 de agosto de 1944, um Spitfire voou da Inglaterra para o aeródromo de Plamentot, perto de Caen, e começou um “bombardeio de cerveja”.

Pubs voadoresA missão foi feita em benefício da humanidade com sede. Como os barris eram simples, isso implicava na sua integridade durante a entrega, que era basicamente um bombardeio de forma bem “cuidadosa”. Para os militares que estavam no aeródromo de Plumentot, nunca bombas haviam sido tão bem-vindas.

Em novembro de 1944, o governo britânico decidiu que o fornecimento de cerveja para as tropas no exterior deveria ser igual a cinco por cento da produção total nacional. Ou seja, todas as cervejas mais fortes em exportação, todas as cervejas que poderiam ser pasteurizadas, deveriam ser colocadas nas mãos dos serviços de restauração das forças de infantaria.

Algumas das fabricantes de cervejas culparam a falta de mão de obra suficiente. Diziam que as mulheres trabalhadoras, que tinham substituído os homens convocados para as forças, haviam sido evacuadas com os seus filhos, por conta do aumento das ameaças das bombas alemãs V1 e V2.

Em alguns pubs, houve uma espécie de surto de “pânico potável”. Os clientes bebiam suas cervejas e gritavam, com medo de que os suprimentos dos bares acabassem por causa dos militares. Ao mesmo tempo, em alguns distritos, era comercializada cerveja de baixa qualidade. As melhores foram destinadas para as tropas.

A Segunda Guerra trouxe diversos problemas no fornecimento de cervejas para a população britânica, prejudicando algumas pousadas que não eram mais capazes de comercializar a bebida para seus clientes. Em troca disso, xícaras de chá foram colocadas no lugar das cervejas, algo muito desanimador para qualquer hóspede!

Fonte: Canal Piloto

 

 

 

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