Primeira Guerra Mundial

Equipamento usado por sargentos britânicos durante a Batalha do Somme, 1916.
O fotógrafo Thom Atkinson retorna com mais uma de suas séries de fotografias com equipamentos militares. Desta vez, são os utilizados pelos britânicos, franceses, alemães, russos e americanos durante as batalhas da Primeira Guerra Mundial.
Equipamento usado por sargentos britânicos durante a Batalha do Somme, 1916.
Equipamento usado por sargentos britânicos durante a Batalha do Somme, 1916.

Há algum tempo atrás, postamos um artigo sobre a série de fotografias tiradas por Atkinson documentando os kits dos soldados britânicos através de 1000 anos de história. Dá Batalha de Hastings (1066) à Bosworth (1485), passando por Naseby (1645), Ilhas Malvinas (1982) e a Província de Helmand, no Afeganistão –  em seguida mostrando o kit do Sapeiro de Suporte dos Engenheiros Reais.

A última série de fotografias de Atkinson, novamente publicada na Revista Telegraph (18 de junho), faz uma análise através dos kits usados por algumas das nações envolvidas na Grande Guerra.

Foto de capa: equipamento usado por sargentos britânicos durante a Batalha do Somme, 1916. Acima: equipamento do soldado alemão durante a Batalha do Somme, 1916, 
Equipamento do soldado alemão durante a Batalha do Somme, 1916

É possível ver nestas imagens as evoluções do armamento militar durante o curso da guerra. Por exemplo, quando os americanos juntaram-se ao esforço aliado em 1917, eles vestiam chapéus de campanha feitos em couro de castor e feltro, e as cintas eram feitas com fibras de corda.

Eles rapidamente optaram por usar os capacetes franceses ou britânicos feitos em aço. Já os alemães tinham suas típicas botas que cobriam as canelas, que muitas vezes eram sugadas ao pisar na espessa camada de lama durante as batalhas na “terra de ninguém”. Para suas botas, a falta de couro levou os aliados a calçá-las juntamente com bandagens enroladas em suas canelas.

Em termos de camuflagem, os franceses entraram na guerra vestindo calças e quepes vermelhos. Os quepes foram mais tarde cobertos com um espécie de tecido mais grosso, e então foi criado e introduzido o Capacete de Adriano, em 1915. Em ambos os lados da guerra os soldados carregam uma baioneta, agulha e linha, e uma pequena bíblia, livro de orações ou talismã. Estes itens eram muito frequentes nas fileiras.

O kit usado pelo soldado raso francês durante a Batalha de Verdun, 1916.
O kit usado pelo soldado raso francês durante a Batalha de Verdun, 1916.

Abaixo, este interessante grupo de equipamentos pertencenteu a um membro do Exército Russo, e foi de fato usado por um membro do 1º Batalhão Feminino da Morte. Em 1917, antes da Revolução Bolchevique, batalhões inteiramente compostos por mulheres foram criados com o intuito de reascender a moral do exército russo, já dizimado e desmoralizados pelo combate incessante. Pensava-se que instituindo uma concorrência utilizando mulheres, o sexo frágil para a época, criaria-se um novo espírito de combate. Mas nada aconteceu. Este kit é o de uma Suboficial Mladhsi (oficial não comissionado).

As soldados mulheres, assim como os homens, usavam uma camisa (pullover) chamado de “gymnasterka”. A touca com duas caudas (ao lado dos chapéus à esquerda) eram usadas sobre o bashlik, que era vestido na cabeça e enrolado sobre a face. Soldados eram proibidos de usá-lo a menos que a temperatura caísse para -5º celsius.

Equipamento usado pelo 1º Batalhão Feminino da Morte
Equipamento usado pelo 1º Batalhão Feminino da Morte
Uniforme de Infantaria do exército americano (Doughboy), logo após sua chegada na França, 1917.
Uniforme de Infantaria do exército americano (Doughboy), logo após sua chegada na França, 1917.

 

Ases da Primeira Guerra Mundial
Manfred von Richthofen, o famoso Barão Vermelho, foi o mais condecorado piloto alemão da Primeira Guerra Mundial. No entanto, haviam outros ases tão bons quanto e até melhores e mais habilidosos.
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Max Immelmann

O lendário Max Immelmann foi o primeiro ás alemão de todos os tempos. E também foi o primeiro aviador a ser condecorado com a mais alta comenda de sua nação, a Pour le Merite, que ficou conhecida como “The Blue Max” em sua honra. Nascido em setembro de 1890, Immelman reintegrou-se às forças armadas alemãs como piloto no início da guerra. Ele havia se pré-alistado como cadete aprendiz ainda com 14 anos antes de deixar o exército em 1912 para estudar.

Durante seu primeiro alistamento (ao trabalhar como carregador e mensageiro entre os campos de aviação), Immelmann foi agraciado com a Cruz de Ferro de Segunda Classe, conduzir e pousar seu avião seriamente danificado dentro das linhas alemãs. Sua primeira vitória chegou em 1 de agosto de 1915, quando abateu um dos 10 aviões que fizeram um ataque ao aeródromo alemão de Douai, dando a ele a Cruz de Ferro de Primeira Classe.

Em outubro de 1915, Immelmann defendeu sozinho a cidade de Lille contra os pilotos aliados. Por esta façanha ele foi apelidado pelo povo alemão de “Adler von Lille” (“A Águia de Lille”). Em um de seus grandes feitos nos ares de Lille foi quando entrou em um combate aéreo contra o famoso Capitão O’Hara Wood e Ira Jones em um BE-2c. No entanto, perderam suas armas no início da batalha, e tiveram sorte de escaparem ilesos pois Immelmann ficou sem munição. Em janeiro de 1916, ele tornaria-se o primeiro ás a somar oito vitórias aéreas e ser agraciado com a Pour le Merite.

Em 18 de junho de 1916, A Águia de Lille deparou-se com seu fim. Como muitos ases da época, a causa da morte de Immelmann ainda é uma incógnita. Enquanto os aliados alegam que ele foi abatido pelo Tenente G.R. McCubbin e seu artilheiro, Cabo J.H., em um FE-2, autoridades alemãs constataram que ele foi vítima de fogo anti-aéreo amigo. A contagem final das batalhas de Immelmann somavam 15 vitórias, apesar de algumas fontes afirmarem 17.

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Oswald Boelcke

Durante guerras, poucas pessoas foram reconhecidas em ambos os lados do conflito. Oswald Boelcke foi uma destas durante a Primeira Guerra Mundial. Ele se alistou às vésperas da guerra em 1914 como observador juntamente com seu irmão, Wilhelm. Logo transferiu-se para um esquadrão aéreo, Sessão 62, onde conseguiu sua primeira vitória em agosto de 1915. Tornou-se amigo de Max Immelmann, e juntos criaram um grande espírito competitivo.

Em janeiro de 1916, Boelcke fez sua oitava vitória no mesmo dia que Immelmann, tornando-se o segundo ás alemão. Foram os primeiros pilotos a serem agraciados com a Pour le Merite. Após a morte de Immelmann em junho, Boelcke foi ordenado pelo kaiser a não levantar vôo por um mês para que não corresse o risco de ser morto. Enquanto permaneceu no solo, contribuiu para reformas que resultaram na reorganização do Serviço Aéreo do Exército Imperial. Instituiu o uso da formação de vôo ao invés dos comuns esforços individuais, originando a criação dos Esquadrões Jasta (Jagdstaffel – esquadrão de caça). Como sendo o líder do recém criado Jasta 2, criou o trio de ases composto por Manfred von Richtofen, Hans Reinmann e Erwin Boehme para compor seu esquadrão.

Apesar de Boelcke possuir o sangue de muitos pilotos aliados em suas mãos, ele também ganhou fama de estar entre os poucos homens cavalheiros a zunirem nos céus europeus. Dias após sua primeira vitória, ele salvou um garoto francês de afogar-se em um canal próximo ao aeródromo alemão. Foi agraciado com a Medalha Prussiana do Salva-vidas após todos os esforços do pai do garoto para que recebesse a Medalha de Honra da Legião Francesa. Outro feito heróico e respeitável de Boelcke aconteceu em janeiro de 1916, quando abateu dois pilotos franceses. Enquanto visitava um deles em um hospital em território alemão, o francês o entregou uma carta, Boelcke cumpriu seu favor ao francês e despejou atrás das linhas inimigas apesar do fogo pesado.

Boelcke perdeu sua vida em 28 de outubro de 1916, quando seu avião colidiu com o de Behme. Na época de sua morte, o piloto de 25 anos era o ás de de maior reconhecimento somando 40 vitórias confirmadas. O legado de Boelcke, além de ser o patrono da força aérea alemã (Luftstreitkräfte), incluía sua obra literária chamada Dicta Boelcke, o primeiro livro contendo regras de combate aéreo. Até mesmo depois de sua morte, seus apadrinhados, especialmente o Barão Vermelho, contemplavam esta obra em alta conta.

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Lothar Von Richthofen

Mais lembrado atualmente como sendo o único irmão mais novo do Barão Vermelho, Lothar von Richthofen era ainda um pequeno ás durante a Primeira Guerra Mundial, mas considerado ainda mais temido e mortal do que seu famoso irmão. Nascido dois anos depois de Manfred, Lothar era um oficial de cavalaria antes do início da guerra. Ele então transferiu-se para o Serviço Aéreo Imperial e recebeu sua aeronave em 1915. Ele voou como observador com o Esquadrão Jasta 23 até 1917, quando foi transferido para o Jasta 11, o esquadrão que seu irmão fazia parte na época.

Após sua primeira vitória em 28 de março, o irmão mais novo do Barão saiu rapidamente da sombra de seu irmão ao somar 24 vitórias em um mês e meio. Entre uma destas vitórias havia a imbatível façanha de derrubar o famoso ás inglês, Albert Ball. Foi agraciado com a Pour le Merite em 14 de maio. Reconhecido por seus companheiros por seu estilo agressivo de combate, Lothar passou mais tempo na cama do hospital do que em batalha. Após uma de suas estadias no hospital, Lothar voltou para a guerra por alguns meses antes de ser abatido novamente em 12 de agosto de 1918, encerrando sua guerra.

Após a guerra, Lothar trabalhou por um tempo curto em uma fazenda antes de tornar-se piloto comercial. Perdeu sua vida em um acidente aéreo em julho de 1922. Acreditado com 40 vitórias, o jovem Richthofen talvez tivesse sido tão famoso e respeitado quanto se irmão caso tivesse adotado um método de combate mais seguro.

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Ernst Udet

O trágico fim de Ernst Udet, o maior ás a sobreviver a guerra, teve um grande contraste com sua vida peculiar. Após passar por dificuldades ao alistar-se no exército devido à sua altura, nascido em Frankfurt, Udet juntou-se ao programa de voluntários motociclistas aos 18 anos. Em 1915, conseguiu transferir-se para o Serviço Aéreo Alemão. Como muitos pilotos amadores, começou como observador antes de ser transferido para o Flieger Abteilung 68, onde conseguiu sua primeira vitória sozinho contra 22 aeronaves inimigas em 18 de março de 1916. Foi agraciado com a Cruz de Ferro de Primeira Classe.

No início de 1917, o Flieger Abteilung 68, agora nomeado Jasta 15, ficou estacionado no fronte de Champagne no lado oposto ao Esquadrão Spork, que tinha consigo Georges Guynemer, o grande ás francês. Como ironia do destino, Udet cruzou com Guynemer em uma das mais prolíficas batalhas aéreas da guerra. O ás alemão colocou seu oponente francês em sua mira, mas sua arma emperrou. Guynemer, percebendo a sorte grande que havia tido, simplesmente acenou e poupou o amedrontado ás alemão frente a situação inusitada.

No ano seguinte Udet, recém promovido, liderou diversos esquadrões incluíndo o Circo Voador, aumentando sua contagem de vitórias a 16. Foi então agraciado com a Pour le Merite no início de 1918. Após uma ausência por doença, retornou à guerra como líder do Jasta 4. Recebeu então seu novo avião, um Fokker D VII, pintado com as palavras Lo (em homenagem à sua namorada, Lola Zink) e du doch nicht (“você não”) com o objetivo de provocar os pilotos aliados. Somava 62 batalhas antes do fim da guerra após uma impressionante série de abatimentos que resultaram em 27 aeronaves ao final de setembro.

Após a guerra, Udet viveu o ponto alto de sua vida quando atuou em vários filmes, escreveu uma autobiografia, e fez inúmeros show aéreos ao redor do mundo. Em 1934, teve a infeliz decisão de alistar-se na Luftwaffe e lentamente subiu à patente de Coronel General. Udet sofreu um surto após ser acusado por Hermann Goring de ter sido o principal responsável pela perda de muitas batalhas alemãs. Em 17 de novembro de 1941, suicidou-se com um tiro na cabeça. Foi sepultado como herói pelos nazistas, que alegavam que ele havia sido morto por engano ao testar uma nova arma.

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Erich Lowenhardt

Erich Lowenhardt

Antes de Erich Lowenhardt ter se voluntariado ao Serviço Aéreo Alemão em 1916, foi agraciado com a Cruz de Ferro de Primeira Classe por sua bravura como membro de uma unidade de infantaria um ano antes. Após um tempo curto como observador, foi transferido ao Jasta 10 no início de 1917. Logo, ganhou uma temida reputação entre seus colegas após nomeado líder de seu esquadrão. Em novembro de 1917, Lowenhardt teve sorte de escapar ileso de um sério acidente aéreo quando seu avião foi abatido por fogo anti-aéreo inimigo. Ele foi agraciado com a Pour le Merite após completar 24 vitórias em maio de 1918.

Envolveu-se em uma competição aérea por vitórias juntamente com Ernst Udet e Lothar von Richthofen, foi apontado como líder número um dos circos voadores em junho de 1918. Em agosto, tornaria-se um dos únicos três alemães a somarem mais de 50 vitórias aéreas na guerra. (O Barão Vermelho e Udet eram os outros dois.) Em 10 de agosto, o avião de Lowenhardt chocou-se com o avião de um colega alemão, Alfred Wentz. Lowenhardt saltou, mas seu paraquedas falhou durante a abertura, resultando em sua morte. Wentz sobreviveu. Lowenhardt é visto hoje como um dos melhores pilotos da Primeira Guerra Mundial por suas 54 vitórias confirmadas, sendo metade delas acumuladas seis semanas antes de sua morte.

5

Eduard Von Schleich

Eduard Von Schleich

Em 1908, Eduard von Schleich juntou-se às linhas de frente do Exército Alemão. Mais tarde transferiu-se para o serviço aéreo enquanto recuperava-se de um sério ocorrido que o feriu em uma batalha ao final de 1914. Em 1915, juntou-se ao Feldflieger-Abteilung 2b como piloto e logo recebia sua Cruz de Ferro de Primeira Classe, por completar uma missão vital mesmo tendo um de seus braços severamente ferido. Após recuperar-se, von Schleich solicitou e recebeu transferência para o Jasta 21 em março de 1917.

O Jasta 21, que não possuía grandes feitos nos registros de combate entre os esquadrões alemães, evoluiu rapidamente sob o comando de Schleich. Em julho, ele perdia um grande amigo, o Tenente Erich Limpert, fato que mais tarde o levaria a pintar sua aeronave inteiramente de preto em sua honra. Com isto, ele seria então conhecido como “O Cavaleiro Negro”, e seu esquadrão receberia o apelido de “O Esquadrão do Homem Morto”. Em setembro, o Esquadrão do Homem Morto entrava em uma sequência de batalhas com abatimentos bem sucedidos tirando 40 aeronaves inimigas de combate, 17 delas acreditadas ao Cavaleiro Negro.

Após uma breve ausência devido a ferimentos, von Schleich foi transferido ao Jasta 32. O motivo por trás deste realinhamento era uma ordem onde permitia que apenas prussianos liderassem unidades ou esquadrões, pois von Schleich era bávaro. Em dezembro, ele recebia seu Pour le Merite após alcançar 25 vitórias confirmadas. Por um curto período de tempo ele comandou um dos circos voadores o Jagdgruppe Número 8, uma unidade composta por três Jastas (23, 32, e 35), antes do armistício. Von Schleich terminou a guerra com 35 vitórias confirmadas apesar de passar mais de um ano no fronte em terra. Após a guerra, trabalhou na Lufthansa e mais tarde alistou-se na Luftwaffe, onde recebeu a patente de general antes de se aposentar. Ele faleceu em 1947.

4

Hans-Joachim Buddecke

Hans-Joachim Buddecke

Em 1904, Hans-Joachim Buddecke seguia os passos de seu pai ao alistar-se no corpo de cadetes do Exército dos Estados Unidos. Nove anos depois, mudou-se para Indianapolis após pedir baixa do serviço militar. Durante o ano seguinte, trabalhou como mecânico de aeronaves e teve a oportunidade de aprender a pilotar. Quando a guerra eclodiu na Europa, Buddecke voltou à Alemanha para entrar para o Serviço Aéreo ao final de 1914. Voou como observador antes de ser transferido para o 23º Esquadrão FFA (Feldflieger Abteilung).

A primeira batalha aérea de Buddecke ocorreu em 19 de setembro de 1915 e rendeu a ele a Cruz de Ferro de Primeira e Segunda Classes, após capturar tripulantes de uma aeronave abatida. Seriam eles o Tenente W.H. Nixon e o Capitão J.N.S. Stott. Em 1916, após uma brilhante atuação na Batalha de Dardanelos, na Turquia, ele foi agraciado com a Pour le Merite ao abater seu oitavo oponente. Tornaria-se então, o terceiro ás alemão, apenas atrás de Immelmann e Boelcke, a receber a Blue Max.

Buddecke foi reconvocado à Europa, onde liderou o Jasta 4 antes de ser transferido ao Jasta 14. E mais tarde seria obrigado a voltar à Turquia, onde liderou com sucesso a campanha de Gallipoli e recebeu a medalha turca Liakat Dourada (algo similar a medalha de honra ao mérito). Os soldados turcos que puderam contemplar as atuações de Buddecke o apelidaram de “El Schahin”, que significa “O Falcão Caçador.”

Mais tarde, e mais uma vez, Buddecke era convocado a atuar na Europa onde comandaria diferentes Jastas antes de ser morto durante um combate em céus franceses no dia 10 de março de 1918, com 27 anos. Buddecke foi acreditado com 13 vitórias confirmadas antes de sua morte.

3

Werner Voss

Pergunte à qualquer um, quem foi o maior ás da Primeira Guerra Mundial e você certamente vai ouvir o nome do Barão Vermelho. No entanto, Werner Voss é tido pelos historiadores como o equivalente a ele ou talvez até melhor. Voss juntou-se ao Exército Alemão para atuar na cavalaria em novembro de 1914 com 17 anos. Mais tarde transferia-se ao Serviço Aéreo e rapidamente já estava voando como observador antes de ser integrado ao Jasta 2 para ser avaliado temporariamente em novembro de 1916.

Suas duas primeiras vitórias ocorreram em 27 de novembro de 1916, dando a ele lugar fixo no Esquadrão Jasta 2. Em maio do mesmo ano, Voss chamou a atenção do Barão Vermelho após sua 28ª vitória, que resultaria na prestigiada Pour le Merite em abril do mesmo ano. O Barão, então, ofereceu sua amizade ao único homem que parecia ameaçar sua fama. A verdade era que Manfred era um bom piloto, não tão espetacular voando, enquanto Voss era altamente eficiente em ambos. Voss foi convidado pelo Barão a juntar-se a um dos circos voadores onde conseguiu mais 14 vitórias antes de ser morto em 23 de setembro de 1917, em uma de suas maiores batalhas aéreas.

Naquele dia, Voss foi atacado por uma esquadrilha de sete aeronaves britânicas. Conseguiu mantê-los ocupados por 10 minutos antes de ser abatido por Arthus Rhys Davids. Voss, que somava 48 vitórias a seu nome na época de sua morte, foi descrito por James McCudden, o grande ás britânico, como o mais bravo piloto alemão que ele já tinha visto combater.

2

Josef Jacobs

Josef Jacobs

Josef Jacobs alistou-se no Serviço Aéreo Alemão em 1914. Após uma breve atuação como piloto de reconhecimento, Jacobs conseguiu sua primeira vitória em fevereiro de 1916, mas foi declarada não confirmada devido a falta de testemunhas. Em outubro, foi transferido para o Jasta 22, onde subsequentemente conseguiu sua confirmação de primeira vitória em 23 de janeiro de 1917. Acumulou três vitórias confirmadas e oito não confirmadas com no Jasta 22 antes de ser transferido para o Jasta 7, onde foi designado a comandá-lo em 2 de agosto de 1917.

Jacobs foi agraciado com a Pour le Merit após abater seu 24º oponente em 19 de julho de 1918. Ainda no mesmo esquarão, Josef abateu mais 24 aeronaves entre 13 de setembro e 27 de outubro, onde venceu a sua última batalha aérea da guerra.

Josef viveu o bastante para se tornar o mais antigo recipiente da Pour le Merite. Ele faleceu em 1978. Em uma entrevista reveladora uma década antes de sua morte, Josef confessou que apesar de seu longo tempo de serviço militar no Exército Alemão e sendo o quarto colocado (empatado com Werner Voss) entre os ases alemães, nunca recebeu as pensões por seus feitos por ser apenas um oficial de reserva durante a guerra.

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Rudolf Berthold

Rudolf Berthold

Rudolf Berthold alistou-se no Exército Alemão em 1909 e foi transferido ao Serviço Aéreo Alemão para atuar em missões de reconhecimento quando a guerra eclodiu. Mais tarde transferiu-se a um esquadrão de combate, e no início de 1916, já somava cinco vitórias. Berthold ganhou reputação rapidamente por ser um piloto inconsequente levando a fama de ser facilmente abatido em combate. Após uma atuação breve no Jasta 4, ele foi nomeado comandante do Jasta 14 e logo ganharia sua Pour le Merite após atingir sua 12ª vitória. Em maio de 1917, Berthold sofreria uma fratura no crânio, pelvis e teve seu nariz quebrado após ser derrubado. Apesar de sua carreira parecer ter terminado devido aos ferimentos à aquela altura, Berthold levou apenas três meses para voltar ao combate, apesar de não estar completamente recuperado.

Em seguida, ele foi escolhido para liderar o Jasta 18, onde feriu seu braço direito severamente o deixando aleijado. Berthold, que não era desses que desistiam facilmente, aprendeu a voar com apenas uma mão. Tornou-se líder de um dos circos voadores e conseguiu abater mais 16 aeronaves com total sucesso antes de seu tempo de serviço chegar ao fim em 10 de agosto de 1918, quando foi abatido novamente.

Conhecido como “Homem de Ferro” por seus colegas devido a sua fama de ser quase imortal, Berthold atingiu 44 vitórias antes do fim da guerra. Foi morto em um protesto em solo alemão em 1920 com 29 anos ao receber tiros do mesmo povo que o motivou a entrar na guerra para protegê-los. Algumas fontes alegam falsamente que ele foi estrangulado até a morte com sua própria medalha Pour le Merite. Um fim trágico para um ás dos céus.

 

1066 – Húskalar, Batalha de Hastings

‘O guerreiro anglo-saxão de Hastings talvez não seja tão diferente do “Tommy” britânico das trincheiras’ disse o fotógrafo Thom Atkinson. Na Batalha de Hastings, a escolha do soldado em termos de armamento era bem extensiva. Dentre as diversas batalhas nas quais estes guerreiros ferozes participaram, provavelmente a mais famosa é a de Hastings. Liderados por Harold Godwinson ou Haroldo II da Inglaterra, chefe dos ingleses, lutaram contra William II da Normandia, que comandava a coalizão dos franceses e normandos. Apesar da derrota sofrida contra os normandos, os húskarlar mostraram-se extremamente úteis em combate.

Guardas de Elite

Os húskarlar foram utilizados como guardas de elite pessoal dos vários nobres da Europa. Dentre os mais famosos corpos de guardas, está a elite militar de Canuto, rei da Inglaterra, que governou o país no século XII d.C. Através da Lex Castrensis, Canuto estabeleceu que sua guarda particular seria composta de guerreiros húskarlar. O guerreiro huskarl era um dos poucos que tinha o privilégio de permanecer no salão real nas festividades e comer na mesa do rei juntamente com ele. Mas, com os privilégios, vieram também as obrigações do dever: traição e ações consideradas graves eram punidas com o exílio ou a morte. Estes guerreiros eram submetidos a um código militar muito mais severo do que os seus companheiros de armas de patentes mais baixas. Até mesmo seus julgamentos eram realizados por um tribunal específico: o Huskarlesteffne, cujas decisões eram assistidas pelo próprio soberano.

Aqui neste kit podemos ver a forte presença da cota de malha utilizada até a chegada das armas de pólvora e o conhecido elmo nasal em forma de cuia com a haste para proteger o nariz do soldado.

1066 – Húskalar, Batalha de Hastings

1244 – Cavaleiro montado, Cerco de Jerusalém

O Cerco de Jerusalém de 1244 aconteceu durante a Sexta Cruzada, quando os Corásmios (a convite dos Aiúbidas) conquistaram a cidade sobre Frederico II da Germânia em 15 de julho de 1244.

Aqui já podemos notar o uso da maça medieval, uma evolução do primitivo porrete mas com uma cabeça de metal facetado. A maça foi inventada por volta de 12 000 a.C. e, rapidamente, tornou-se uma arma importante. Essas primeiras maças de madeira, com pedra sílex ou obsidiana encravadas, tornaram-se menos populares devido ao aprimoramento das armaduras de couro curtido que podiam absorver grande parte do impacto. Algumas maças tinham a cabeça inteira de pedra, mas eram muito mais pesadas e de difícil manejo. Maças eram muito utilizadas na idade do Bronze no Oriente Próximo.

A adaga vista aqui neste kit também, era um item multiuso, mas principalmente utilizado fora das batalhas como ferramenta de corte universal, tanto para a alimentação quanto para o corte de madeira fina e outros materiais mais simples.

1244 – Cavaleiro montado, Cerco de Jerusalém

1415 – Arqueiro combatente ou arqueiro de arco longo, Batalha de Azincourt

Batalha de Azincourt foi uma batalha decisiva ocorrida na Guerra dos Cem Anos. Acontecida em 25 de outubro de 1415 (Dia de São Crispim), no norte da França, resultou em uma das maiores vitórias inglesas durante a guerra.

Um detalhe muito importante nesta batalha foi o emprego dos arcos longos (na foto, o item de madeira clara com um adorno escuro no centro), estes que foram eficazmente utilizados pelos ingleses contra os franceses ao longo de séculos. O arco longo inglês pode ser considerado uma das armas mais letais e importantes da história. Foi usado principalmente na Idade Média, e era o maior causador de baixas se usado corretamente. No exército inglês o arco longo já se encontrava intrinsecamente ligado à sua cultura, pois os jovens aprendiam seu manuseio desde cedo para caçar e mais tarde, combater.

1415 – Arqueiro combatente ou arqueiro de arco longo, Batalha de Azincourt

1485 – ‘Homem de armas’ iorquino, Batalha de Bosworth Field

‘Homem de armas’ foi um termo usado desde os períodos da alta Idade Média até o Renascimento para descrever um soldado, quase sempre um guerreiro profissional no sentido de serem bem-treinados no uso de armas, que servia como um cavaleiro pesado totalmente armado. Também podia referir-se a cavaleiros ou nobres, e aos membros das suas comitivas ou mercenários. Os termos cavaleiro e homem de armas são muitas vezes usados como sinônimos, mas ao mesmo tempo todos os cavaleiros equipados para a guerra, certamente, eram homens de armas, mas nem todos os homens de armas eram cavaleiros.

As guerras eram responsabilidades exclusiva dos nobres, segundo a lógica do Feudalismo, portanto esses comandantes eram de famílias nobres, o que permitia a eles o acesso a equipamentos que para a época eram muito caros. A cavalaria era uma arma que criava espaço apenas para membros da nobreza, e isso perdurou até a Primeira Guerra Mundial onde os pilotos de aviões eram normalmente membros da cavalaria, algo visível pelo aspecto de sua indumentária, onde era normal o uso de botas e calças de montaria.

Estas armaduras, ao contrário do que se diz e do que muitos pensam, eram feitas para serem leves e permitirem com que o soldado pudesse se movimentar sem grandes problemas. Tal fato alegando que os soldados que sofriam quaisquer quedas de costas vestindo uma armadura destas o impediria de se levantar, são apenas boatos.

1485 – ‘Homem de armas’ iorquino, Batalha de Bosworth Field

1588 – Caliveiro miliciano, Tilbury

O Arcabuz é uma antiga arma de fogo portátil, espécie de bacamarte. Era chamada vulgarmente de espingarda nas crônicas portuguesas do século XVI. O Caliver (arma da foto) nada mais era do que um arcabuz improvisado, de menor porte e utilizado pelas milícias especialmente na Europa, sendo mais presente na Inglaterra. O Arcabuz e o Caliver foram os predecessores do mosquete, todos estes eram carregados diretamente pelo cano e possuíam o característico fecho de mecha para realizar a ignição da pólvora e assim, concluir o disparo.

Note também o Capacete Morrião ou chamado apenas por Morrião, o popular capacete de conquistador, usado entre os séculos XVI e XVII.

1588 – Caliveiro miliciano, Tilbury

1645 – Mosqueteiro do exército, Primeira Guerra Civil Inglesa

A Batalha de Naseby foi a batalha decisiva durante a Primeira Guerra Civil Inglesa, onde o exército do Rei Carlos I foi dizimado pelo Exército Novo dos cabeças redondas comandados por Sir Thomas Fairfax e Oliver Cromwell.

O Exército Novo foi formado em 1645 pelo Parlamento e dissolvido em 1660 após a Restauração. Era diferente dos demais exércitos à época, uma vez que foi concebido como uma força responsável pelo serviço em todo o país, ao invés de estar circunscrito a uma única área ou guarnição. Como tal, era constituído por soldados em tempo integral, ao invés da milícia usual à época. Além disso, possuía militares de carreira, não tendo assento em qualquer das Casas (dos Lordes ou dos Comuns) e, portanto, não eram ligados a nenhuma facção política ou religiosa entre os parlamentares.

Oliver Cromwell remodelou o exército e, a frente dele, venceu várias batalhas, os soldados passaram a ser promovidos com base na competência e não mais pelo nascimento em uma família de prestigio. Ou seja, o critério de nascimento foi substituído pelo de merecimento, este novo exército (New Model Army) venceu o exército do rei na Batalha de Naseby, que pôs fim à luta. O Rei Carlos Ι foi condenado à morte e executado. A república foi proclamada e Oliver Cromwell assumiu o governo do seu país.

É possível notar o cinto de carregadores (centro direito da foto), onde os pequenos cilindros de madeira carregavam pequenas quantidades específicas de pólvora para auxiliar no recarregamento ágil do mosquete após cada disparo. Também a bolsa de couro com biqueira, algo similar ao que mais tarde chamaríamos de cantil, o pequeno punhal para uso universal e o baralho, o conhecido jogo de cartas com figuras popularizado no sul da Europa à partir do século XIV.

1645 – Mosqueteiro do exército, Primeira Guerra Civil Inglesa

1709 – Sentinela, Batalha de Malplaquet

A Batalha de Malplaquet se deu no dia 11 de setembro de 1709 no marco da Guerra de Sucessão Espanhola. Tropas da França foram vencidas pelas tropas da Aliança – composta pela Áustria, Inglaterra e Holanda – comandadas pelo Duque de Marlborough e pelo Príncipe Eugênio de Saboya. Às 8 da manhã do dia 11 de setembro, o Duque de Marlboroug, à direita do Príncipe Eugênio, cujo exército constava de soldados imperiais e dinamarqueses, avançou para atacar pelo flanco, sem ser bem-sucedido. A infantaria prussiana e holandesa, comandada pelo Príncipe de Orange e o Barão Nagel, encontrou também uma intensa resistência francesa pelo flanco esquerdo.

Depois de serem rejeitados dois ataques, o Príncipe Eugênio dirigiu pessoalmente o terceiro. Suas tropas romperam as linhas francesas e as expulsaram do território de Malplaquet (França). Os aliados perderam 25.000 homens e os franceses sofreram 11.000 baixas e sofreram a derrota definitiva neste confronto. A Batalha de Malplaquet foi uma das batalhas mais sangrentas da Guerra de Sucessão Espanhola.

Aqui já é evidente o uso da baioneta, uma lâmina que podia ser instalada na ponta do cano do mosquete. Algo que se demonstra eficiente até os dias de hoje. A origem do uso da “baioneta” é incerto, mas há registros que alegam que esta arma era utilizada durante a caça, após um tiro mal-sucedido sobre o alvo, onde possibilitava ao caçador a desferir um golpe de lâmina sobre o animal à curta distância. Na França, a baioneta foi introduzida pelo General Jean Martinet e foi comumente utilizada na grande maioria dos exércitos europeus após a década de 1660.

Podemos ver o característico chapéu tricorne (três pontas) no topo à esquerda e uma pequena bíblia no canto inferior esquerdo.

1709 – Sentinela, Batalha de Malplaquet

1815 – Soldado raso, Batalha de Waterloo

O mosquete com pederneira modelo Brown Bess foi desenvolvido em 1722 e usado na época da expansão do Império Britânico. Adquiriu importância simbólica, pelo menos, tão importante quanto a sua importância física. Ele estava em uso há mais de cem anos, com muitas mudanças incrementais no seu design. Estas versões incluem o Long Land Pattern, Short Land Pattern, India Pattern, New Land Pattern Musket, Sea Service Musket e outros. Um soldado bem treinado podia efetuar quatro disparos dentro de um minuto utilizando um mosquete com pederneira.

A origem do nome “Brown Bess” ainda é incerto mas pode ser uma derivação do alemão ou holandês para “marrom” e “cano.” (Os primeiros ferreiros de armas aplicavam uma camada de verniz sobre o metal e a coronha de armas de fogo)

Um detalhe interessante é que neste kit pode-se notar a inclusão da caneca de estanho e o caderno de anotações. Também vale ressaltar a presença de kits de jogos para a distração como xadrez e damas. É visível também, mudança do chapéu Tricorne para o Chacó, esta espécie de quepe comprido com a insígnia em sua face frontal. O cantil veio a se tornar parte do equipamento padrão ao invés de cuias e copos para coletar água de fontes comuns ou rios e lagos. E por fim, o retorno dos calçados com cadarços.

1815 – Soldado raso, Batalha de Waterloo

1854 – Soldado raso da brigada de rifles, Batalha de Alma

A Batalha de Alma foi uma batalha da Guerra da Crimeia, travada entre o Império Russo e a coligação anglofrancootomana. Foi travada em 20 de setembro de 1854, na margem do Rio Alma, hoje em território da Ucrânia. Foi o primeiro grande confronto durante este conflito (1854 – 1856). A coligação aliada derrotou os russos, que perderam cerca de seis milhares de homens. É em memória desta batalha que uma das pontes de Paris recebeu o seu nome: a Ponte de Alma.

A importância da camuflagem já detinha uma certa atenção dentro do âmbito militar nesta época. Com a sofisticação dos rifles militares e sua precisão, a necessidade de o soldado permanecer oculto nos campos de batalha começara a aumentar exponencialmente.

1854 – Soldado raso da brigada de rifles, Batalha de Alma

1916 – Soldado raso, Batalha do Somme

Enquanto a Primeira Guerra Mundial foi a primeira guerra moderna, assim como ilustrado no grupo de itens abaixo, este ainda é considerado um kit primitivo. Juntamente com a máscara de gás, o soldado era equipado com uma espécie de “maça de trincheira”, algo que lembra uma arma medieval.

Durante a a Grande Guerra a camuflagem já era uma estratégia militar levada em conta por vários fatores, além da existência dos vôos de reconhecimento após a inclusão do avião como uma arma de guerra e também pela evolução dos rifles de precisão. Os sobrevoos eram usados para mapear as posições inimigas com o intuito de criar uma condição favorável para os rivais ao possibilitar cercos de artilharia, com isso, a camuflagem passou a ser parte essencial do estudo no desenvolvimento industrial dos novos uniformes militares.

O rifle presente neste kit é o Lee-Enfield, derivado do antigo Lee–Metford que já aplicava um novo método de ação de ferrolho. O Lee-Enfield foi utilizado pelo exército britânico durante as duas grandes guerras e entrou em serviço em 1895, permanecendo até 1957. Disparava de 20 a 30 vezes por minuto com um alcance de aproximadamente 500 metros.

O uso da pá de combate também era algo essencial na época devido à estratégia militar adotada por praticamente todas as nações na época, a guerra de trincheiras.

Nesta época também foi introduzida pela primeira vez o que era chamado de “Rações de Provisão”, que eram nada mais que comida empacotada para ser facilmente preparada e consumida pelas tropas no campo de batalha. Consistiam em três tipos, Ração Reserva, Ração de Trincheira e Ração de Emergência. O uso de rações de combate não era regra para todas as nações envolvidas na guerra, na época. Atualmente as rações de previsão recebem várias nomenclaturas dependendo de sua composição.

Assim como o amplo uso de lanternas portáteis na Segunda Guerra Mundial, algo relativamente novo para o ocidente naquela época eram as Dog Tags ou chapas de identificação. Elas foram introduzidas pelos chineses no século XIX e não demoraram a serem adotadas como instrumento de identificação por quase todas as nações algum tempo depois. A versão da Dog Tag da Primeira Guerra Mundial está logo acima da maça de trincheira, no centro esquerdo da imagem.

Outras inovações da época eram o kit de bandagens de primeiros socorros individual e o relógio de bolso.

1916 – Soldado raso, Batalha do Somme

1944 – Lance corporal, Brigada de Paraquedistas, Batalha de Arnhem

Batalha de Arnhem foi um grande combate travado entre as forças do Exército Alemão e das tropas Aliadas nas cidades holandesas de Arnhem, Oosterbeek, Wolfheze, Driel e no interior do país de 17 a 26 de setembro de 1944. Ela foi parte da Operação Market Garden, uma operação mal sucedida que aconteceu em parte dos territórios da Holanda e Alemanha e que tinha como objetivo principal de expulsar os alemães dos Países Baixos e garantir o avanço livre das tropas aliadas para dentro do território alemão. Ela também foi a maior operação envolvendo tropas aerotransportadas da história.

Nesta imagem notamos que a sofisticação e o número de itens dentro do equipamento militar já aumentara consideravelmente desde o kit do húskarlar da Batalha de Hastings. Para viabilizar um salto com o mínimo de peso possível, os paraquedistas necessitavam de um kit compacto. Sendo assim, foram desenvolvidos inúmeros instrumentos e itens menores que pudessem ser agrupados nas mochilas e bolsas com o objetivo de permitir que o soldado conseguisse saltar sem grandes complicações. Armas menores ou portáteis com coronha retrátil, calças repletas de bolsos e sistemas de fechos inteligentes criaram uma condição em que o equipamento pudesse ser rapidamente desatado do corpo do soldado permitindo uma maior mobilidade, e mesmo assim, os equipamentos de hoje se demonstram mais eficientes contando com apenas um ou dois fechos que se desconectados, liberam todo o equipamento carregado pelo soldado paraquedista.

A comida enlatada era algo amplamente utilizado durante a Segunda Guerra Mundial, uma vez que os soldados iriam percorrer grandes distâncias, isso criava a necessidade de alimentos duráveis para reduzir a necessidade do apoio logístico por parte do fornecimento de alimentos vindos de seus países de origem.

Uma grande mudança ocorrida nesta época foi o uso do chocolate como fonte de energia para os soldados, sendo ele incluído como parte íntegra do kit de rações.

1944 – Lance corporal, Brigada de Paraquedistas, Batalha de Arnhem

1982 – Royal Marine Commando, Guerra das Malvinas

A Guerra das Malvinas foi um conflito ocorrido nas Ilhas Malvinas (em inglês Falklands), Geórgia do Sul e Sandwich do Sul entre os dias 2 de abril e 14 de junho de 1982 pela soberania sobre estes arquipélagos austrais reivindicados em 1833 e dominados a partir de então pelo Reino Unido. Porém, a Argentina reclamou como parte integral e indivisível de seu território, considerando que elas encontram “ocupadas ilegalmente por uma potência invasora” e as incluem como partes da província da Terra do Fogo, Antártica e Ilhas do Atlântico Sul.

O saldo final da guerra foi a recuperação do arquipélago pelo Reino Unido e a morte de 649 soldados argentinos, 255 britânicos e 3 civis das ilhas.

Aqui já é possível vermos o esquema de camuflagem moderno com padrões de formas e de cores derivadas do verde, e também os itens portáteis como câmera fotográfica e rádio.

1982 – Royal Marine Commando, Guerra das Malvinas

2014 – Sapador de apoio, Royal Engineers, Província de Helmland

A evolução da tecnologia que emergiu nesta série de fotografias foi um processo que recebeu um grande avanço no último século. O relógio de bolso hoje é à prova d’água e possui visor digital; o Lee-Enfield de ação de ferrolho foi substituído por carabinas com mira a laser; os coletes camuflados de Kevlar tomaram o lugar das túnicas de lã.

A sofisticação do equipamento do soldado é gigantesca se formos comparar a primeira e esta última fotografia. Passamos de um equipamento pesado e rígido para a mobilidade, para um armamento mais eficiente, preciso e resistente. Saímos da espada para o arco, mosquete e no final, o rifle de precisão que pode atingir o alvo a 1km de distância. Hoje temos uma preocupação maior em manter o soldado vivo do que empregar “buchas de canhão” no campo de batalha com o intuito de ganhar tempo antes de enviar a carga de cavalaria. Aprendemos o quão importante é manter o soldado oculto por camuflagem e a orientação por mapas em território hostil.

A pergunta que fica é: se nos últimos 1000 anos a evolução do armamento militar acelerou-se gradativamente no decorrer dos séculos, o que nos espera nos próximos 50 anos?

2014 – Sapador de apoio, Royal Engineers, Província de Helmland

Fotografias: Thom Atkinson

Cruzador Bahia

O Brasil foi um dos países que participaram da Primeira Guerra Mundial, o país foi um dos integrantes da Tríplice Entente, a única nação da América do Sul que se envolveu no conflito.

A Primeira Guerra Mundial iniciada em 1914 teve o Brasil como um país neutro no conflito e isso permaneceu até 1917, quando nesse ano a nação cortou relações diplomáticas com a Alemanha depois de o navio brasileiro ser afundando por um submarino alemão.

O Brasil ainda teve outros navios afundados pelos alemães, o que possibilitou o Brasil a declarar guerra aos alemães e consequentemente a Tríplice Aliança.

Macau: Último navio torpedeado antes da declaração de guerra aos alemães
Macau: Último navio torpedeado antes da declaração de guerra aos alemães

A entrada do país na guerra aconteceu por pressão popular que estava insatisfeita com as perdas navais, além disso, o Brasil enxergava uma oportunidade de crescimento militar, político e econômico com a participação na guerra.

Militarmente, o país como integrante da Tríplice Entente, poderia adquirir uma linha de crédito para o aparelhamento do Exército e da Marinha, e reivindicar indenizações de guerra que poderiam servir para o pagamento deste crédito.

Na política e economia, a participação no conflito seria importante, pois daria o direito ao país de participar dos Tratados de Paz, o que possibilitaria um maior destaque à nação como integrante das discussões internacionais.

No aspecto econômico, a participação do país no Congresso de Paz era de grande importância, para se tentar resolver os problemas que vinham sendo enfrentados devido à dificuldade de comercializar café com os mares sendo usados como teatro de guerra. O Brasil tinha 1.900.000 sacas de café em portos da Europa que foram usados como garantia para empréstimos feitos pelo país, e com os conflitos as sacas de café que estavam na Alemanha foram usados por eles devido à dificuldade de conseguir fazer comércio.

O Brasil como país beligerante, enviou um grupo de 10 aviadores para se instruir na Inglaterra, uma divisão naval subordinada aos britânicos para patrulhar o Oceano Atlântico e uma equipe médica enviada à França.

Declaração de GuerraQuanto à participação da nação nos campos de batalha, houve diversos pensamentos divergentes, alguns integrantes do governo brasileiro, acreditavam que o país como um integrante da Tríplice Entente deveria participar das batalhas, no entanto, algumas nações como a Inglaterra acreditavam que a participação do Brasil deveria ser de outra forma, como de cooperação com a exportação de produtos alimentícios, entregando os navios alemães ancorados no Brasil e permitindo a liberação dos portos para os países aliados beligerantes.

O Brasil desejava passar para o mundo a grandiosidade das forças armadas brasileiras, e que ela poderia ter um papel importante no teatro de guerra, mas a situação era outra, existia um número insuficiente nos quadros militares, nos armamentos e uma deficiência nos chefes militares, pois a escolha desses oficiais não acontecia através de uma meritocracia, mas de acordo com a situação política local.

Charge declaração de guerraApós os acordos entre as nações beligerantes sobre como seria a participação do Brasil no conflito. O país de imediato enviou a DNOG (Divisão Naval em Operações de Guerra), formada pelos Cruzadores Bahia e Rio Grande do Sul, pelos contratorpedeiros Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Santa Catarina, pelo cruzador auxiliar Belmonte e o rebocador de alto-mar Laurindo Pita, para se integrarem as forças aliadas que faziam a vigilância e patrulhamento do Oceano Atlântico.

Cruzador Bahia
Cruzador Bahia

A participação da DNOG no conflito teve muitas dificuldades, o material utilizado pela divisão era obsoleto, os navios já tinham algum tempo de uso e as avarias demoravam muito para serem reparadas, os equipamentos não eram preparados para a guerra submarina, e após chegar em Dacar (Senegal) a tripulação brasileira, não pôde prosseguir viagem devido uma epidemia da Gripe Espanhola. A Gripe Espanhola deixou um saldo de 156 mortos, e diversos enfermos que acabaram voltando ao Brasil e outros permaneceram no local.

A DNOG só chegou a Gibraltar seu destino final com quatro navios: Bahia, Piauí, Paraíba e Santa Catarina, e durante a viagem passou por algumas incidentes: como a Batalha das Toninhas, momento que a divisão abriu fogo contra um cardume de toninhas acreditando ser um submarino alemão, e contra um navio de guerra norte-americano em um novo engano. A divisão só chegou a Gibraltar no dia 10/11/1918, um dia antes da assinatura do armistício que pôs fim a Guerra.

O envio de aviadores para Europa foi apenas para que eles pudessem se instruir diferente do julgamento do governo brasileiro que informava ao povo que eles haviam ido para combater na guerra.

A equipe médica enviada à França era composta por 100 médicos cirurgiões, de um corpo de estudantes, enfermeiras e soldados do exército que dariam proteção ao hospital construído pelo Brasil no teatro de operações.

Equipe Médica enviada à Guerra
Equipe Médica enviada à Guerra

Quando eles chegaram a Dacar parte da equipe, também sofreu com os mesmo problemas da divisão naval e, pegaram Gripe Espanhola, causando a morte de várias pessoas, porém a equipe médica conseguiu cumprir a sua missão e instalou o hospital em Paris, prestando serviços até mesmo após a Guerra.

Após a guerra o Brasil participou da Conferência de Paz de Paris, e através da diplomacia conseguiu obter a resolução dos problemas econômicos, como o das sacas de café, dos navios alemães que estavam ancorados nos portos brasileiros e se tornou integrante da Liga das Nações, onde permaneceu até 1926.

Conferência de Paz Paris ,1919
Conferência de Paz Paris ,1919

Restos de soldados habsburguêses encontrados em 2004
As geleiras dos Alpes Italianos estão derretendo, revelando lentamente e os horrores da Grande Guerra preservados por quase um século.
Tropas italianas em suas trincheiras, Capitão Berni é o soldado logo à frente. Foto retirada do livro 'Il Capitano Sepolto nei Ghiacci'
Tropas italianas em suas trincheiras, Capitão Berni é o soldado logo à frente. Foto retirada do livro ‘Il Capitano Sepolto nei Ghiacci’

À primeira vista, Peio é um pequeno resort para esquiadores como muitos outros no norte da Itália. No inverno ele é muito popular entre os italianos de classe média, assim como para o crescente número de turistas russos. No verão, sem a neve, há muitas trilhas no Parque Nacional Stelvio que fica na mesma região. Possui um spa, lojas que vendem dúzias de diferentes tipos de grappa. Um teleférico foi inaugurado anos atrás, e um estacionamento de com vários andares acaba de ser concluído.

Mas em Peio, lembranças do passado da região nunca ficam no limbo. Subindo pela vila e, passando por um pequeno museu da Primeira Guerra Mundial à esquerda, você chega à velha Igreja de São Rocco, construída no século XV com seu cemitério austro-húngaro e uma placa ordenando “massimo rispetto”. Aqui, em um dia de sol em setembro de 2013, 500 pessoas estiveram presentes no funeral de dois soldados que caíram em batalha no mês de maio de 1918.

Em Peio, parece que a Grande Guerra nunca acabou. Um senso bem real que ainda sobrevive, graças ao gelo que o preserva. Peio uma vez foi a vila mais alta dentro do território do Império Austro-Húngaro, e tinha uma vista bem abrangente do conflito chamado de Guerra Branca.

Funeral em Peio, 2012, dois soldados que caíram na Batalha de Presena, maio de 1918.
Funeral em Peio, 2012, dois soldados que caíram na Batalha de Presena, maio de 1918.

Em 1914, Trentino – província onde fica Peio – e os arredores do sul do Tirol era onde estavam os domínios de Habsburgo. A Itália, recém unificada e sem suas fronteiras delimitadas, ainda possuía “terras sem dono” em maio de 1915. Com objetivo de recapturá-las, o país entrou na guerra no lado dos aliados. À esta altura o conflito já estava em meio a grandes batalhas no fronte ocidental e oriental; agora com um terceiro fronte aberto. O território começava nos Alpes Julianos, onde a Itália compartilha fronteiras com a Eslovênia no leste, e ia até os pés Monte Ortler próximo à Suiça mais ao oeste – em torno de 250 km.

Como muitas partes do fronte ficavam acima dos 2000 metros, um novo tipo de combate teve de ser desenvolvido. Os italianos já tinham especialistas em montanhas – os Alpini e seus famosos chapéus adornados com penas – mas os austríacos tiveram de se igualar e criaram os Kaiserschützen. Eles receberam suporte da artilharia e engenheiros para construir os abrigos e a infraestrutura alpina, incluíndo trincheiras cavadas no gelo e sistemas de cabos rudimentares para transportar homens e munições aos picos.

Jovem soldado Alpini em seu uniforme
Jovem soldado Alpini em seu uniforme

Nas décadas que se seguiram após o armistício, o mundo começou um processo de aquecimento gradativo e as geleiras recuaram, revelando os traços mortais da Guerra Branca. O material que, no início dos anos 90, começou a surgir das montanhas ficou incrivelmente preservado. Incluíndo uma carta de amor endereçada a Maria, que nunca foi enviada, e um poema a um “amigo dos meus longos dias” escrito nas páginas do diário de um soldado austríaco.

A linha de frente entre as forças aliadas e as forças austríacas vistas de Punta Linke, 1918.
A linha de frente entre as forças aliadas e as forças austríacas vistas de Punta Linke, 1918.

Os corpos, quando surgiram, estavam sempre mumificados. Os dois soldados que morreram no glacial de Presena e foram enterrados em setembro de 2013, eram louros de olhos azuis, austríacos entre 17 e 18 anos. Eles foram enterrados por seus camaradas, apesar do frio intenso, dos pés a cabeça em uma fenda. Ambos possuíam marcas de ferimentos por disparos em seus crânios. Um deles ainda possuía uma colher em uma de suas grevas (caneleiras) – uma prática comum entre soldados que iam de trincheira em trincheira e tiravam comida das cuias comuns. Quando Franco Nicolis do Escritório Arqueológico da capital provincial, Trento, os viu, ele disse, “o que veio em mente foi as mães destes jovens. Parecem que morreram ontem pois saíram do gelo da mesma forma que entraram”. E provavelmente as mães destes soldados nunca souberam o destino de seus filhos.

Acessório de escalada utilizado pelos soldados
Acessório de escalada utilizado pelos soldados

Um dos fatos mais horríveis sobre a Guerra Branca foi de que ambos os Alpini e os Kaiserschützen, recrutaram moradores locais como guias, pois estes conheciam as montanhas como a palma da mão. O que também significava que eles conheciam uns aos outros.

A guerra obrigava as pessoas a romperem a lealdade familiar. “Existem muitas histórias de pessoas que ouviam vozes de um irmão ou primo no meio da batalha,” disse Nicoli.

Para ambos os lados o pior inimigo era o clima, que matou mais do que as batalhas. Em tais altitudes, a temperatura podia cair para -30 graus celsius, e a “morte branca” – morte por avalanche – levara milhares de vidas.

 

Restos de soldados encontrados no Glacial de Presena.
Restos de soldados encontrados no Glacial de Presena.

O povo de Peio viveu estas histórias por que ao contrário de habitantes de outras vilas na linha de frente, eles permaneceram lá, enterrados na neve. “O imperador decretou que esta vila não deveria ser evacuada,” disse Angelo Dalpez, prefeito de Peio. “Sendo a vila mais alta do império, isso era simbólico – um exemplo ao restante.” Elas forneceram carregadores e suprimentos de comida. Tratavam os feridos, enterravam os mortos, e testemunharam a mudança em sua antiga paisagem (os bombardeios de artilharia rebaixaram o pico de uma montanha, a San Matteo, em 20 metros).

Em 1919 o tratado de Saint-German-en-Laye deu a região de Trentino à Itália. “Nunca houve um conflito,” disse Nicolis. “Nenhuma revolução. Foi uma transição tranquila.” As pessoas daqui sempre se sentiram autônomas em suas regiões montanhosas próximas à fronteira, e sob um novo consenso o governo italiano os concedeu um certo grau de autonomia. Eles bebiam grappa, comiam knödel e falavam italiano (que era uma das 12 línguas do império), mas eles nunca esqueceram sua história. Muitos de seus parentes lutaram do lado de Habsburgo, e quando so soldados surgiram em meio ao gelo, eles os consideraram como sendo seus bisavós ou tataravós.

Isso ficou claro em 2004, quando Maurizio Vicenzi, um guia alpinista local e o diretor do Museu de Guerra de Peio, que teve parentes lutando do lado austríaco, topou com os restos mumificados de três soldados habsburguêses pendurados de ponta cabeça no lado externo de um muro de gelo próximo ao San matteo – à 3700 metros de altitude, local de uma das batalhas de maior altitude da história. Os três estavam desarmados e possuíam bandagens em seus bolsos, sugerindo que eles deviam ser maqueiros que morreram na última batalha pela montanha, em 3 de setembro de 1918. Quando um patologista obteve permissão para estudar um dos corpos, para tentar entender o processo de mumificação, houveram vários comentários pela cidade de que “os mortos estavam sendo profanados”.

Restos de soldados hapsburgos encontrados em 2004
Restos de soldados habsburguêses encontrados em 2004
Restos de soldados hapsburgos encontrados em 2004
Restos de soldados habsburguêses encontrados em 2004
Restos de soldados hapsburgos encontrados em 2004
Restos de soldados habsburguêses encontrados em 2004

Os três agora estão sepultados em um cemitério em San Rocco próximos aos dois do Glacial de Presena, sob cinco lápides sem marcações.

O Túnel de Punta Linke

Em 2005 Vicenzi começou a explorar um local chamado Punta Linke, quase 2000 metros acima de Peio. Ele encontrou uma gruta natural no gelo e material espalhado sobre sua superfície – capacetes de metal, fitas de couro, caixas de munição – e percebeu que havia uma estrutura logo abaixo. Com amigos vindos de Peio, todos grandes entusiastas da Grande Guerra, eles a investigaram. O grupo de Nicolis chegou ao local dois verões depois, e juntos eles escavaram a cabana de madeira – que era uma estação de um dos teleféricos que serviam para enviar suprimentos às tropas.

A cabana foi construída sobre o pico de Punta Linke, e atrás dela havia um túnel com aproximadamente 50 metros que cruzava o pico de um lado a outro. Quando o grupo encontrou o túnel, que possui a altura de um homem adulto, ele estava coberto de gelo que foi removido com o uso de grandes ventiladores. Durante a guerra, caixas de madeira trazidas pelo teleférico eram transportadas pelo túnel para serem lançadas na parte final de sua jornada – um impressionante penhasco de 1200 metros de altitude – usando cabos soltos através do glacial até a linha de frente. Ao lado da saída do túnel há uma janela que permitia ver as caixas em sua rota até a linha de frente.

O túnel cavado por soldados austríacos atrás da estação do teleférico em Punta Linke.
O túnel cavado por soldados austríacos atrás da estação do teleférico em Punta Linke.

Dentro da cabana existe um pequeno motor fabricado em Munique, destruído pelos austríacos que já estavam de saída com o fim da guerra e que agora se encontra restaurado. Dos documentos que estavam nas paredes, os arqueólogos deixaram apenas 3 deles intactos no lugar onde estavam: instruções escritas à mão para operar o motor, uma página de um jornal ilustrado, Wiener Bilder, mostrando os Vienenses em fila para comprar comida – Viena que em 1916 passava por uma temporada de pobreza devido à queda do império – e um cartão postal endereçado a um cirurgião do corpo de engenheiros, Georg Kristof, enviado por sua esposa que vivia na Boêmia. O cartão mostra uma mulher dormindo tranquilamente e está assinado, em tcheco, “sua amada esquecida”.

Em seu laboratório em Trento, Nicolis e seu colega Nicola Cappellozza mostram a carta de amor escrita para Maria, encontrada numa caixa de cartas que aguardavam postagem, em Punta Cadini (5000 metros de altitude), e datava de 1918. (Os arqueólogos não queriam revelar o conteúdo da carta até que conseguissem traçar o paradeiro da família de Maria.) “Talvez as hostilidades tenham terminado antes que estas cartas fossem enviadas,” diz Nicolis. Outras incluem fragmentos de papel impresso em cirílico. Os turistas russos que visitam Peio anualmente não devem saber disto, mas outros russos já estiveram lá antes deles – prisioneiros trazidos do fronte leste e usados como transportadores, ou colocados para trabalhar tecendo as galochas de palha para proteger os pés dos austríacos da gangrena.

Documentos presos às paredes pelos soldados no teleférico de Punta Linke.
Documentos presos às paredes pelos soldados no teleférico de Punta Linke.

Mais de 80 soldados que caíram em batalha durante a Guerra Branca ressurgiram nas últimas décadas. E certamente há mais por vir. Entre eles ainda há um corpo que continua muito a eludir os resgatantes – o de Arnaldo Berni, o capitão de 24 anos que liderou os italianos em sua conquista do Monte San Matteo em 13 de agosto de 1918. A história de Berni ilustra a tragédia de uma guerra onde, como o historiador britânico Mark Thompson explica em seu livro de 2008, A Guerra branca, “Proezas hercúleas geraram ganhos territoriais, e ninguém lá embaixo deu muita importância”.

Um rifle austríaco (provavelmente um Steyr-Mannlicher M1888) encontrando após o derretimento parcial da geleira.
Um rifle austríaco (provavelmente um Steyr-Mannlicher M1888) encontrando após o derretimento parcial da geleira.

Após sua vitória, em uma carta que provavelmente deve ter se perdido, Berni reclamava da cobertura da mídia. “Há uma breve e confusa descrição sobre nossa batalha, que de fato foi brilhante e implicou em pouquíssimas baixas entre nossos soldados… Os jornalistas não vem até aqui, a estas grandes altitudes para vislumbrar as grandes façanhas conquistadas por nossos bravos soldados.” Berni morreu três semanas depois, quando os austríacos – à caminho de capturar o Monte San Matteo – desferiram uma salva de artilharia sobre a fenda onde ele se abrigava. Dois meses depois, os italianos enfrentaram uma grande ofensiva austro-húngara sobre Vittorio Veneto, na planície veneziana, e a guerra acabara logo após este ocorrido.

Devem ter havido muitas tentativas para encontrar o corpo de Berni ao passar dos anos. Primeiro por seus próprios homens, depois por sua devota irmã, Margherita, que após muito tempo do fim da guerra fazia peregrinações anuais para as montanhas, e finalmente por Vicenzi, Cappellozza e outros que em 2009 desceram na fenda onde o herói certamente encarou a morte. Eles não encontraram pistas dele, mas Cappellozza nunca esqueceu a experiência. “Por longos períodos de caminhada, nós conseguíamos andar somente para os lados. Lembro-me das cores do gelo – os azuis, os violetas.”

Dentro do Museu de Guerra de Peio
Dentro do Museu de Guerra de Peio

No verão de 2013, logo após o degelo da neve, o grupo de Nicoli fez os últimos ajustes na restauração da estação de Punta Linke. Nos próximos verões, trilheiros intrépidos poderão visitar este singelo monumento e, como ele diz, “sentir o cheiro da guerra.” As vezes, Nicolis tenta olhar para Punta Linke através da janela para enxergar a montanha da mesma forma que os soldados o faziam. Soldados como Kristof, que veio dos cantos longínquos do império, deve ter se mistificado no esforço deste inóspito ambiente selvagem.

Em ambos os lados seja o italiano e ou o austro-húngaro, ele acredita que as montanhas significavam para eles a morte certa, antes de fazer qualquer relação com a beleza alpina. “A neve é um aviso de morte,” diz Giuseppe Ungaretti, o poeta de guerra italiano, num poema que escreveu em 1917. Mas o prefeito de Peio tem uma visão diferente das coisas. No funeral do par de Presena, três hinos foram tocados – o italiano, o austríaco e o Ode á Alegria de Beethoven. “Pessoas combateram aqui,” disse ele, “eram Europeus fora de seu tempo.”

Fonte: The Telegraph

A Primeira Guerra Mundial teve como estopim para a Primeira Guerra Mundial, o atentado em Sarajevo do Arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, Império que foi criado em 1867 e teve seu fim após a Guerra. Entretanto esse acontecimento foi uma das causas de uma guerra já anunciada, pois desde o século XIX com o Imperialismo europeu no continente Africano e Asiático, as grandes potências europeias já vinham entrando em conflitos diplomáticos sobre a posse de territórios nesses continentes.

Arquiduque Francisco Fernando da Áustria-Hungria
Arquiduque Francisco Fernando da Áustria-Hungria

Os europeus usaram como justificativa para esse expansionismo/colonialismo a ideia da necessidade de civilizar povos inferiores, Darwinismo Social, e para isso, Inglaterra, França e Bélgica começaram a dividir os territórios dos continentes africanos e asiáticos de acordo com os seus interesses. Não houve a preocupação em relação aos nativos que viviam nessas regiões, o que provocou posteriormente no século XX, diversas guerras civis entre esses povos que eram muito divergentes em relação a línguas e culturas.

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Os outros motivos para o Imperialismo europeu, nesses continentes foram, a busca por mercado consumidor e matérias primas, devido grande parte da Europa estarem passando pela Segunda Revolução Industrial.

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As crises entre as nações europeias começaram após a unificação da Itália e Alemanha, 1870 e 1871 respectivamente, quando principalmente os alemães começaram a reivindicar para si alguns territórios que eram de interesses de franceses e ingleses.

Nesse momento, foi feita a Conferência de Berlim (1885) no qual diversos países conseguiram a posse de alguns territórios dentro do Continente Africano. Entretanto, a Conferência não foi suficiente para diminuir as tensões entre os países europeus.

Representação da Conferência de Berlin, 1885, feito para o documentário que leva o mesmo nome. De autoria do canal “The Afrika Channel UK”, da televisão britânica.

Diversas nações participaram de conflitos, como a Guerra dos Bôeres (1899-1902) entre a Inglaterra e os colonos de origem holandesa, pela disputa entre as terras ricas em recursos minerais, e em alguns momentos a guerra parecia iminente como no caso da Crise do Marrocos (1905 e 1911) entre Alemanha e França.

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As duas nações já tinham divergências antigas, no período da Unificação Alemã, quando os alemães depois da guerra de unificação contra os franceses, conseguiram a posse dos territórios da Alsácia-Lorena, com a assinatura do Tratado de Frankfurt, e que provocaram nos franceses um sentimento de revanchismo, que foi visto quando a França conseguiu de volta os territórios e com a imposição do Tratado de Versalhes, após o fim da Primeira Guerra Mundial.

Em um período de crise foi criado um Sistema de Alianças no qual em 1882, se unem a Alemanha, Itália e o Império Austro-Húngaro, formando a Tríplice Aliança e em 1907, é formada a Tríplice Entente, unindo França, Inglaterra e Rússia.

No final do século XIX e início do século XX, existiram diversos acontecimentos que serviram de exemplos para anunciarem a Grande Guerra, como a Paz Armada, que tinha uma corrida armamentista entre as potências europeias que disputavam territórios em outros continentes, e que tinham como interesse um desenvolvimento industrial, cientifico e tecnológico para o aparato militar.

O período da Primeira Guerra Mundial criou e desenvolveu diversas armas que foram usadas nesse conflito, como as metralhadoras Gatling e Maxim que foram modernizadas neste período e a Hotchkiss francesa, a produção de gases para o combate, lança chamas, os aviões como arma de guerra, e os tanques Tank e Mark.

Nessa visão de desenvolvimento militar desse período, um teórico importante é Alfred Mahan, que acreditava na supremacia do poder naval, onde a nação que tivesse a marinha mais forte teria uma superioridade maior em um conflito. Nesse sentido houve uma corrida naval entre ingleses e alemães por essa hegemonia.

O atentando em Sarajevo contra o Arquiduque Francisco Ferdinando foi somente um estopim e faz parte de um processo de acontecimentos iniciados com o Imperialismo europeu e com o nacionalismo germânico e eslavo, local onde aconteceu o atentado.

A Crise nos Balcãs aconteceu devido o expansionismo do Império Austro-Húngaro, que em 1908 tinha conquistado o território que hoje é a Bósnia-Herzegovina, impedindo com isso a Sérvia de conquistar seu objetivo de criar a “Grande Sérvia”.

O atentado propiciou que o Império Austro-Húngaro enviasse a Servia um ultimato com algumas exigências, como houve a negação dos Sérvios, o sistema de alianças foi acionado e as Tríplices Alianças e Ententes declararam guerra entre si, dando inicio a Grande Guerra.

O Gräf & Stift Double Phateon que foi palco do atentado é hoje acervo do Museu Militar de Viena
O Gräf & Stift Double Phateon que foi palco do atentado é hoje acervo do Museu Militar de Viena
Gavrilo Princip assassinando o arquiduque e sua esposa
Gavrilo Princip assassinando o arquiduque e sua esposa

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Os dirigíveis classe Hindenburg, com seus 244 metros de comprimento, ainda são as maiores aeronaves já construídas pelo homem. Esses gigantes de hidrogênio cruzavam o Atlântico ligando as Américas à Europa em 3 dias, quando navios levavam semanas para fazer o mesmo percurso.
Embora sua silhueta prateada seja bastante conhecida, poucas oportunidades temos de conhecer o luxuoso interior destes dirigíveis – que pouco deviam aos cruzeiros de luxo da época. Faça uma viagem no tempo, com essas impressionantes fotografias coloridas:
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O Hindenburg voou pela primeira vez em 4 de março de 1936 em um voo teste em Friedrichshafen com 87 pessoas a bordo. A pintura inicial continha os anéis olímpicos numa forma de promover os Jogos Olímpicos de 1936, fazendo um voo de demonstração durante a cerimônia de abertura.

O primeiro voo comercial se deu em 31 de março de 1936 em uma viagem de 4 dias de Friedrichshafen para o Rio de Janeiro, um dos quatro motores quebrou e o dirigível teve de fazer um pouso em Recife. Na viagem de volta, outro motor quebrou no deserto do Saara forçando aterrisagens não programadas no Marrocos e na França.

No total, o Hindenburg cruzou 17 vezes o oceano Atlântico, sendo 10 viagens para os Estados Unidos e 7 para o Brasil, uma viagem da Alemanha para os Estados Unidos custava US$ 400.

Em sua última viagem saiu de Hamburgo e cruzou o Atlântico a 110 km/h, chegando à costa leste norte-americana em 6 de maio de 1937 .

O desastre

Em 6 de maio de 1937 ao preparar-se para aportar no campo de pouso da base naval de Lakehurst (Lakehurst Naval Air Station), em Nova Jersey, nos Estados Unidos, o gigantesco dirigível Hindenburg contava com 97 ocupantes a bordo, sendo 36 passageiros e 61 tripulantes, vindos da Alemanha. Durante as manobras de pouso, às 19 horas e 30 minutos, um incêndio tomou conta da aeronave e o saldo foi de 13 passageiros e 22 tripulantes mortos e um técnico em solo, no total de 36 pessoas. Sendo o gás hidrogênio, usado para mantê-lo no ar, altamente inflamável, esse foi inicialmente responsabilizado pelo enorme incêndio tomou conta da aeronave e durou exatos 30 segundos. Logo após o evento, o governo alemão também sugeriu, de imediato, que uma sabotagem derrubara o grandioso zeppelin, que representava a superioridade tecnológica daquele país. Ambas as afirmações iam-se mostrar, contudo, essencialmente incorretas após as investigações.

O locutor da rádio WLS Chicago Herbert Morrison narrou o acidente, que foi ao ar no dia seguinte. O sistema de gravação acelerou as suas falas, dando um tom dramático, com a expressão “Oh, a humanidade” entrando para a cultura popular estadunidense.4

O incêndio do Hindenburg encerrou a era dos dirigíveis na aviação comercial de passageiros.

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Os tempos estão mudando e com o avanço da tecnologia e a facilidade de obtenção de objetos militares pela internet as feiras de militaria vão desaparecer – mas não tão cedo, ainda há muito a acontecer.

Estes encontros ainda estão bem organizados e atendem milhares de colecionadores em diversas partes do mundo, principalmente na Europa e Estados Unidos da América.

Para muitos colecionadores estes eventos são muito apreciados e valiosos, porque nestes locais há oportunidades de ver in loco os objetos, discutir a autenticidade com outros colegas e ainda poder barganhar preços e/ou executar trocas.

As feiras surgiram no início dos anos 1980, quando os jovens estavam se tornando conscientes e, portanto, estavam começando a apreciar a beleza, o artesanato e importância histórica dessas “relíquias de guerra” que agora saíam de sótãos de seus pais e das vendas de garagem do vizinho para locais organizados.

Hoje em dia, em comparação à uma década atrás, os colecionadores e comerciantes migraram para o comércio online e serviços de leilões online, as vendas se multiplicaram e milhares de vendas de militaria são executados anualmente.

Uma nova geração de colecionadores está surgindo em cena, mais tendenciosos a disputas de leilões online e vendas pela internet pela sua conveniência e eficiência, e com esta demanda cada vez mais comerciantes tradicionais estão se voltando para serviços online.

Mas as vantagem das feiras de militaria ainda está muito longe de ganhar seu obituário.

O problema para os comerciantes de militaria que organizam estas feiras são os negócios em paralelo que frequentemente ocorrem nos quartos dos hoteis ou lugares próximos as feiras, ou seja, as feiras são grandes mostruários ao vivo para os colecionadores avaliarem preços ou selecionarem objetos que eles desejam para suas coleções e acabam combinando com outros colecionadores pontos de troca ou venda em particular tirando uma importante fatia do bolo que é tão necessária para manter grandes eventos.

Exemplificação de uma venda num quarto de hotel:
Vendas em quarto de hotel
Vendas em quarto de hotel
Vendas em quarto de hotel
Vendas em quarto de hotel

Algumas feiras bem conhecidas:

 

Inglaterra:

  • GHQMilitariaFairs – Farnham
  • War and Peace Military Vehicle Show – Beltring

Alemanha:

Bélgica:

França*:

*Existem muitas feiras de militaria em várias cidades no interior da França e nas feiras de antiguidades de grandes cidades, como Paris, Lion e Marseille.

Estados Unidos:

  • Raleigh NC Military Show
  • West Coast Historical Militaria Collectors Show

A Disneylândia da Militaria fica …

MAX Show – A idéia de criar o MAX Show deu-se em 1984, a partir de um encontro de vendedores de militaria muito conhecidos que constataram que o hobby de Militaria estava começando a crescer. Ao longo dos anos 1970 e início dos anos 1980, houve feiras de armas trazidas e comercializados por veteranos. Desde a sua primeira edição, o local desta feira é estudado para ser numa região central, de fácil acesso rodoviário ou por avião, num hotel que tenha um centro de convenções suficiente para 750 mesas, com segurança e recursos extras, como seminários gratuitos sobre coleções, bem como um leilão ao vivo à noite. O primeiro show foi realizado em novembro de 1985 e apesar de baixas temperaturas e vento tempestuoso, que provavelmente foi o melhor de todos as feiras de Militaria realizadas em qualquer lugar, até hoje. Hoje, quase 30 anos depois, o MAX Show é ainda o mais conhecido encontro do gênero no Mundo.

Algumas imagens:

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Radmin-ajaxicardo M. Nácul, 45 anos, administrador de empresas, especialista em Marketing e Planejamento Estratégico, empresário no ramo da Educação, colecionador e pesquisador de militaria há mais de 30 anos, palestrante e expositor de assuntos militares em instituições de ensino, colaborador emérito do Exército Brasileiro e da Força Expedicionária Brasileira (FEB), bem como de diversas unidades militares. Vice-presidente (Fundador) da Associação dos Amigos do Museu Militar do CMS e Curador do Museu Militar que em breve será inaugurado na Serra Gaúcha.




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Milhares de tropas francesas e alemãs morreram defendendo colinas e vales franceses durante a grande guerra, e quase 100 anos depois seus restos mortais já embalsamados pelo barro e o clima úmido ainda continuam sendo descobertos. Assim também com os explosivos: granadas de mão que relembram o formato de batatas.

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Existem aproximadamente 500 cavernas, muitas delas repletas de complexos de túneis e salas por onde perambulavam soldados sujos e fadigados após dias de combate intenso e cargas de artilharia ao redor. E aina assim estas cavernas não são parte regular dos campos de batalha.

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Estas cavernas eram inicialmente usadas como hospitais. Mas quando chegava o inverno, à medida em que o campo de batalha se transformava em um lamaçal de proporções gigantescas, as paredes rochosas eram tornavam-se um abrigo valioso para estas tropas em rodízio com a linha de frente. Estas cavernas também eram frequentemente usadas como estábulos, também como prisão para os capturados durante o avanço. Sapatos ainda permanecem espalhados pelo local, assim como vergalhões fincados nas paredes onde passavam os fios de eletricidade e telefone.

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As temperaturas dentro das cavernas fazem com que seu interior permaneça seco, o que é positivo para a conservação dos murais entalhados nas paredes.

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