Guerra Fria

Logo após o fim da guerra, Berlim jazia em ruínas. Imagens feitas por correspondentes soviéticos mostram a extensão da destruição. 70 anos depois o fotógrafo Fabrizio Bensch visitou os mesmos lugares novamente.

Samariter / Rua Riga (Friedrichshain)
Reichstag (Tiergarten)
Alexandrinenstraße (Kreuzberg)
Auguststraße (centro)
Vista lateral do Reichstag (Tiergarten)
Borsigstraße (centro)
Vista da Marie-Elisabeth-Lueders-Haus (Tiergarten)
Frankfurter Allee (Friedrichshain)
Voßstraße (centro)
Rua Kadiner (Friedrichshain)
De volta no tempo.

Em 1945, o correspondente soviético Georgiy Samsonov juntamente com o 5ª Exército sob o comando do General Coronel Berzarin estavam em Berlim. Sua câmera estava carregada com filme e pronta para fotografar. Uma réplica soviética sem a licença da empresa Leica II foi capaz de capturar imagens impressionantes da cidade em ruínas. Alguns soldados soviéticos são vistos em situações hostis. Se isto ocorrera com fins de propaganda, isso ninguém sabe. 70 anos depois o fotógrafo berlinense Fabrizio Bensch foi aos lugares em que Samsonov esteve e os fotografou novamente. O que não foi fácil: Seu colega soviético deixou quase nenhuma informação ou referência sobre os lugares.

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Bensch adquiriu velhos mapas das ruas, fotografias aéreas e deixou agendas de telefone ao alcance das mãos para conseguir localizar as cenas. Um trabalho de detetive.
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As estradas do leste da Ucrânia estão repletas de entulhos de guerra: bloqueios, crateras, blindados e caminhões camuflados. Volta e meia, uma camionete Mitsubishi L200 com uma chamativa pintura em padrão geométrico de camuflagem dá as caras. É o polêmico Batalhão Azov. A estampa de guerra, marca registrada do Azov, cobre caminhões e jipes de transporte e anuncia a chegada do batalhão prestes a lutar em carros de combate personalizados e blindados.

No subúrbios de Kiev é onde são construídos os “blindados Mad Max”, como os soldados se referem aos seus transportes militares. (O apelido cinematográfico se deve ao estilo da construção: assim como nos filmes, os membros do grupo erguem seus transportes a partir de sucatas e peças descartadas.)

A linha de montagem dos Azov situa-se em uma antiga fábrica de tratores, onde o Grupo de Engenharia da agremiação mantém uma sede. No andar de cima do galpão da frente, encontram-se um trator enferrujado e uma roda de engrenagem com a foice e martelo estampados. Embaixo, uma grande bandeira do Batalhão Azov.

Um guarda e um amigável pastor alemão nos dão boas vindas. A fábrica de tratores foi abandonada anos atrás. O terreno foi destinado a um desenvolvimento residencial, mas acabou vítima de papelada burocrática e invasores.

Panorama da garagem do Grupo de Engenharia Azov, 9 de setembro de 2015, Kiev, Ucrânia. À esquerda, um chassi invertido de um tanque se encontra em processo de desmontagem, antes de ser reconstruído como um novo veículo, muito semelhante ao “Azovette” (canto superior direito), que passou por construção similar. Créditos: Pete Kiehart
Panorama da garagem do Grupo de Engenharia Azov, 9 de setembro de 2015, Kiev, Ucrânia. À esquerda, um chassi invertido de um blindado se encontra em processo de desmontagem, antes de ser reconstruído como um novo veículo, muito semelhante ao “Azovette” (canto superior direito), que passou por construção similar. Créditos: Pete Kiehart

O membro do Azov e capataz da fábrica, Bogdan Zvarych, conta que o grupo se mudou para o estabelecimento no começo do ano, depois que a polícia pediu a ajuda do batalhão para esvaziá-lo. “Estava cheio de criminosos. Havia pessoas com armas, drogas, fazendo falsas bebidas alcoólicas”, disse. “A polícia comum não conseguia entrar aqui, era muito difícil.”

Ao perceber que tinham esbarrado com a oficina ideal, os Azov assinaram um contrato de aluguel e se instalaram por ali.

“Antes, preparávamos os nossos caminhões em garagens comuns ao redor de Kiev. Esses veículos blindados e foguetes anticarro estavam dando sopa na garagem de um cidadão”, ele ri. “Esta é a nossa realidade, a realidade da Ucrânia.”

O orçamento do exército ucraniano entrou em queda depois que o país deixou a União Soviética, em 1991, tendência que só se reverteu recentemente. Quando as agressões separatistas começaram no leste, em março de 2014, a força de defesa do país totalizava 150 mil membros (dentro de uma população de 45 milhões), dos quais apenas 5 mil estavam prontos para combate.

Para amenizar a lacuna, voluntários se organizaram rapidinho, formaram batalhões e partiram para a frente de guerra.

Membros do Grupo de Engenharia Azov utilizam uma das poucas ferramentas de trabalho disponíveis em um mar de máquinas abandonadas. Este galpão, adjacente à garagem de trabalho, está repleto de fileiras e mais fileiras de maquinaria dilapidada; é um estoque abundante de peças de reposição. Créditos: Pete Kiehart
Membros do Grupo de Engenharia Azov utilizam uma das poucas ferramentas de trabalho disponíveis em um mar de máquinas abandonadas. Este galpão, adjacente à garagem de trabalho, está repleto de fileiras e mais fileiras de maquinaria dilapidada; é um estoque abundante de peças de reposição. Créditos: Pete Kiehart

A maioria dos batalhões voluntários, Azov incluso, foi incorporada à força de defesa ucraniana. Quase todos operam anonimamente com uma estrutura de comando própria — “somos todos irmãos”, afirma Zvarych. Cada grupo possui programas próprios de recrutamento e treinamento e, no caso do Azov, carros de combate próprios.

“Somos o único batalhão voluntário com uma fábrica de viaturas e carros de combate própria”, nos contou Zvarych, de peito estufado.

O Azov tem uma reputação controversa. Em grande parte por causa de seu fundador, um supremacista ariano, e de uma queda por simbologia nazista. A insígnia do batalhão – que muitos membros tatuaram no antebraço – é o símbolo do Wolfsangel modificado sobre outro favorito nazista, o símbolo do Sol Negro. Muitos membros do Azov riem do rótulo de neonazi e enfatizam que a Rússia é o único inimigo. Contudo, a reputação gerou consequências graves para o batalhão, incluindo a exclusão doprograma americano de treinamento militar.

Um membro do Grupo de Engenharia Azov trabalha no “Azovette”, um veículo de combate blindado, construído sobre o chassi de um tanque T-64. Créditos: Pete Kiehart
Um membro do Grupo de Engenharia Azov trabalha no “Azovette”, um veículo de combate blindado, construído sobre o chassi de um MBT T-64. Créditos: Pete Kiehart

O Azov e outros batalhões voluntários até têm blindados fornecidos pelo governo, mas Zvarych deixou claro que eles podem tomá-los de volta a qualquer momento. O mesmo não se aplica aos carros de combate Azov, que pertencem ao batalhão por completo, das esteiras à torre.

Zvarych nos convidou para entrar na oficina, onde uma pequena equipe de soldadores aprendizes, engenheiros e rapazes que trabalhavam lá desde que a fábrica produzia tratores concluíam sua criação mais recente, o “Azovette”.

O batalhão tem uma frota de veículos blindados diversos, inclusive um caminhão de lixo modificado que chamam carinhosamente de “Pechyvo”, termo ucraniano para “biscoito”. Agora eles estão tentando transformar um trator de fazenda – que no passado era um carro de combate – de volta em carro de combate.

Zvarych nos conduziu ao redor da fera metálica. Apontou para as camadas de blindagem, cada uma com 7 centímetros de grossura, repletas de fileiras de explosivos, projetados para dispersar o impacto de qualquer golpe. A maioria dos projéteis capazes de penetrar os 7 cm de blindagem é de mísseis de carga oca, isto é, cones ocos com projéteis de ponta côncava recheados de explosivos.

Quando são detonados, os explosivos atingem o ápice do cone e o impulsionam para frente. O cone então vira do avesso: um jato centralizado de energia explosiva que impulsiona o projétil para frente, de modo a produzir máximo impacto. Os explosivos da blindagem do Azovette servem para contra-atacar a carga oca; conduzem energia na direção oposta e, assim, o cone não vira do avesso e não concentra a explosão.

Um membro do Grupo de Engenharia Azov trabalha no “Azovette”, um veículo de combate blindado, construído sobre o chassi de um tanque T-64. Créditos: Pete Kiehart
Um membro do Grupo de Engenharia Azov trabalha no “Azovette”, um veículo de combate blindado, construído sobre o chassi de um MBT T-64. Créditos: Pete Kiehart

A blindagem é espaçada em camadas. Formam-se câmaras que mantêm os danos contidos em sua camada respectiva. Há sete câmaras na parte frontal e três nas laterais.

“Geralmente os MBTs têm uma blindagem de 10 ou 20 cm na frente, mas colocamos 1,4 m. Esse blindado aguenta de tudo, até mesmo alguns tipos de míssil ar-terra. Aguenta todo tipo de equipamento moderno, de quaisquer forças armadas”, disse Zvarych.

Ele argumenta que o Azovette é o blindado perfeito e compara seu veículo de 50 toneladas e cinco assentos com o Panzer VIII Maus, a super máquina blindada da Alemanha nazista, um golias de 188 toneladas completamente vedado, de proporções mitológicas, que nunca saiu da fase de protótipo.

As esteiras de um carro de combate costumam ser o seu ponto fraco. Os engenheiros do Azov então revestiram a base das esteiras com camadas de blindagem. Segundo Zvarych, projéteis precisariam acertar a base três vezes no mesmo ponto exato para atravessar o veículo.

Cabines de veículos descartadas, modificadas pelo Grupo de Engenharia Azov, em 9 de setembro de 2015, Kieiv, Ucrânia. A cabine amarela, no topo, veio de um tanque que foi transformado em escavadora e agora será transformado em um “Azovette”, um veículo de combate blindado. Créditos: Pete Kiehart
Cabines de veículos descartadas, modificadas pelo Grupo de Engenharia Azov, em 9 de setembro de 2015, Kiev, Ucrânia. A cabine amarela, no topo, veio de um carro de combate que foi transformado em escavadora e agora será transformado em um “Azovette”, um veículo de combate blindado. Créditos: Pete Kiehart

Por baixo de todo a blindagem, está o chassi de um velho carro de combate T-64, o melhor modelo de carro de combate soviético, de acordo com Zvarych.

“Os novos, o T-52 e o T-80, não são tão bons”, disse ele. “Os T-64 foram feitos apenas para a Rússia e a Ucrânia, não foram liberados para exportação, pois são os melhores.”

Ao que parece, é bem fácil encontrar um T-64 na Ucrânia. Durante o período de paz no país – da independência, em 1991, até o conflito atual que começou em março de 2014 – os blindados foram usados para outras coisas.

“A fábrica que fez os blindados os legalizou para uso cotidiano. Fizeram escavadoras e equipamentos agrícolas com as esteiras”, disse Zvarych, apontando para o corpo amarelo de um trator que já fez parte de um T-64 e agora está em construção novamente. “Qualquer pessoa pode comprar um.”

Veículo usado em testes. Um BRDM 2, viatura de reconhecimento leve. Créditos: Pete Kiehart
Veículo usado em testes. Um BRDM 2, viatura anfíbia de patrulha/reconhecimento leve dos tempos da Guerra Fria. Créditos: Pete Kiehart

“Comprar um blindado do governo custa em torno de 2 milhões de dólares, mas este trator custa menos de 50 mil, e com a ajuda dos nossos engenheiros, conseguimos construir um carro de combate muito melhor”, disse ele.

O Grupo de Engenharia Azov contém cerca de dez homens trabalhando sob a direção criativa do “professor maluco” do batalhão, Mykola Stepanov.

Stepanov trabalhou 46 anos na Fábrica Malyshev, como engenheiro e vice-diretor. A fábrica, propriedade do governo, era a maior produtora de carros de combate da URSS e foi o berço do T-64, que agora se encontra na nossa frente.

“Ele consegue criar o blindado que bem entender”, disse Zvarych.

Bogdan Zvarych (à direita), capataz do Grupo de Engenharia Azov, posa para um retrato com Mikael Skillt, conselheiro sueco e sniper do Batalhão Azov. Créditos: Pete Kiehart
Bogdan Zvarych (à direita), capataz do Grupo de Engenharia Azov, posa para um retrato com Mikael Skillt, conselheiro sueco e sniper do Batalhão Azov. Créditos: Pete Kiehart

Stepanov estava na área quando fizemos a visita. Ele ficou o tempo todo de pé em uma estação de trabalho, com os óculos na ponta do nariz, quieto e silencioso, exceto por batidas ocasionais do lápis na planta do projeto.

“Para ele, esse é o trabalho dos sonhos. É o nosso cientista maluco”, disse Zvarchy. “É muito mais fácil construir os blindados que ele quer aqui, porque ele não precisa atender grandes reuniões para definir a instalação de cada parafuso.”

Quando Stepanov coloca uma ideia no papel, os engenheiros e soldadores a transformam em realidade. “Se os russos tentassem fazer algo do tipo, levaria 10 anos. Na Ucrânia, talvez 8 anos. Em Azov, leva cerca de seis meses”, disse Zvarych.

Zvarych acredita que o Azovette ficará pronto nos próximos dois meses.

Um veículo de esteiras anfíbias que foi doado ao batalhão aguarda modificações do lado de fora da garagem do Grupo de Engenharia Azov. Créditos: Pete Kiehart
Um PTS-M (Plavayushij Transportyer – Sryednyij), veículo médio de transporte anfíbio que foi doado ao batalhão aguarda modificações do lado de fora da garagem do Grupo de Engenharia Azov. Créditos: Pete Kiehart

Dois canhões de calibre de 23 mm, de cano duplo, capazes de atirar 3.400 projéteis por minuto cada, serão instalados no blindado, além de um lançador carregado com 8 mísseis. Dentro, a cabine não tem janelas de visualização. No lugar das janelas, a equipe conta com câmeras frontais, traseiras e laterais no carro de combate, e opera a torre e as armas com joysticks.

“Lá dentro é como um videogame”, disse um dos soldados Azov.

Zvarych nos conduziu oficina adentro, rumo a um saguão que aparentava ser um cemitério de máquinas. “Podem até ser um lugar feio, mas há máquinas únicas aqui”, disse.

“Usamos bastante equipamento que foi deixado para trás. Na época da União Soviética, faziam máquinas para durar 50 anos”, disse ele. “Ainda são muito bons e muito precisos. Na URSS, tudo era assim. Um carro simplíssimo funcionava. Dá uns trancos, é feio, mas funciona. E vai funcionar por mais 50 anos.”

Um veículo anfíbio que foi doado ao batalhão aguarda modificações do lado de fora da garagem do Grupo de Engenharia Azov. Créditos: Pete Kiehart
Um veículo anfíbio que foi doado ao batalhão aguarda modificações do lado de fora da garagem do Grupo de Engenharia Azov. Créditos: Pete Kiehart

Além de aproveitar ao máximo máquinas abandonadas, o batalhão vasculhou o estabelecimento atrás de sucatas de metal, e conta com doações de dinheiro e materiais de pessoas físicas e jurídicas ucranianas.

“Temos 1.200 combatentes e cerca de 50 mil pessoas ao nosso redor, trabalhando com o Azov. Há várias pessoas que querem simplesmente nos ajudar”, disse Zvarych. “Todo ucraniano sabe que o governo é inútil. Por isso, as pessoas nos ajudam com mão-de-obra, dinheiro, alimentos e roupas. Elas sabem que, com o Azov, estarão seguras. Com o governo, não.”

Sem dúvidas, a desconfiança em relação ao governo ucraniano é profunda aqui. Em bases militares, cafés e redes sociais, voam enxames de rumores sobre corrupção, incompetência e deslealdade.

“O governo ucraniano não seria capaz de construir esse blindado. Por quê? Porque roubam o dinheiro antes de aplicá-lo”, gracejou Zvarych.

Panorana do exterior da garagem do Grupo de Engenharia Azov, vigiada por um sentinela, 9 de setembro de 2015, Kiev, Ucrânia. Créditos: Pete Kiehart
Panorana do exterior da garagem do Grupo de Engenharia Azov, vigiada por um sentinela, 9 de setembro de 2015, Kiev, Ucrânia. Créditos: Pete Kiehart

Um soldado contou que, uma vez, ele e seus colegas “libertaram” 40 pacotes de óculos de visão noturna de um armázem do governo. Ele disse que os óculos foram doados à Ucrânia pelos EUA e Canadá como parte dos programas de assistência não letais desses países, mas, segundo o soldado, o governo ucraniano os trancafiou em um armazém a 50 km da linha de frente. Ele especula que o governo pretendia vender os óculos, em vez de repassá-los às tropas. A história do soldado não foi confirmada, mas é uma boa ilustração da pouca fé que os ucranianos depositam no governo.

“Sem brincadeira, o nosso governo não quer que este carro de combate ganhe vida”, disse Zvarych. Ele comentou que o governo está mais preocupado com dinheiro do que com o povo, uma postura que o Azov não engole. “A blindagem deste aqui custa 100 mil dólares, mas as cinco pessoas que estão dentro dele valem muito mais.”

Zvarych ecoa um sentimento que já ouvimos antes no discurso de soldados ucranianos: o governo não faz por onde deve. Zvarych disse que, desde que o Azov foi incorporado à força de defesa ucraniana, recebe apoio do governo, inclusive uniformes e armas. Mas, acrescentou, “Geralmente, as armas são uma merda. Tenho uma pistola fabricada em 1960… 1960!” Um soldado de passagem levantou uma pedra e comentou, “isto aqui é melhor”.

Um membro do Grupo de Engenharia Azov trabalha para desmontar um chassi de tanque invertido, 9 de setembro de 2015, Kiev, Ucrânia. O chassi será usado como base para outro veículo de batalha, semelhante ao “Azovette”. Créditos: Pete Kiehart
Um membro do Grupo de Engenharia Azov trabalha para desmontar um chassi invertido, 9 de setembro de 2015, Kiev, Ucrânia. O chassi será usado como base para outro veículo de batalha, semelhante ao “Azovette”. Créditos: Pete Kiehart

A insatisfação do Azov com o governo ucraniano e seus equipamentos é o motivo que os impulsiona a adicionar armas à linha de produção para o futuro próximo. No entanto, apesar do clima Mad Max no estabelecimento, não é uma distopia sem lei, e o Azov ainda pretende derrubar algumas barreiras burocráticas antes de expandir a fabricação de armas.

“Temos muitos especialistas que sabem como uma arma deve ser e funcionar, então quando ´tivermos licença, poderemos fazer nossos próprios tipos de armas”, disse Zvarych.

Então, isso significa que o Azov tem licença para o Azovette e os demais blindados Mad Max?

“Isto é um trator. No que diz respeito à papelada, isto é um trator”, Zvarych disse em um tom ironicamente inocente, “Nós simplesmente acoplamos metais a um trator. Por que precisaríamos de uma licença?”

Fonte: Motherboard Vice

Soldados soviéticos em Praga
Acompanhado de unidades de outros países do Pacto de Varsóvia, Exército Vermelho entrou, em 20 de agosto, na República Tcheca. Governo tcheco liberalizara o regime comunista de forma sem precedentes no Leste Europeu.

Rádio Praga: “Na noite de ontem, por volta das 23h, tropas da União Soviética, da República Popular da Polônia, da República Democrática Alemã, da Hungria e da Bulgária ultrapassaram as fronteiras da Tchecoslováquia.”

Em poucas horas, o sonho de um “socialismo com face humana”, que ficou conhecido como a “Primavera de Praga”, se desmanchava sob as esteiras de 7 mil tanques de guerra do Pacto de Varsóvia.

Sob o comando do reformista Alexander Dubcek, 14 milhões de tchecos e eslovacos vinham gozando de maior democracia, sobretudo através da liberdade de imprensa e de opinião. No entanto, a iniciativa isolada do “irmão socialista” deixara o Kremlin em estado de alerta. “É uma contra-revolução”, sentenciou Moscou.

Líderes foram detidos

Naquela noite, o líder do partido comunista Dubcek e seus camaradas foram detidos e o presidente Ludvik Svoboda, colocado sob arresto. Soldados ocuparam pontos estratégicos nas ruas da capital tcheca. As pessoas protegiam-se apenas com as mãos, jogando pedras ou tentando conversar com os militares. Em vão. Tanques já atravessavam a histórica Ponte de Carlos e os soldados davam tiros – a princípio para o alto.

Mas, em pouco tempo, as armas começaram a ser disparadas na direção da multidão. Pessoas caíam vítimas das rajadas de metralhadora. Para muitos, a presença de militares alemães entre os invasores reavivava a memória de 1939, quando as tropas de Hitler marcharam sobre a Tchecoslováquia.

Já nas primeiras horas da manhã, o governo alemão-oriental justificou o episódio através do rádio: “No interesse de sua segurança, no interesse dos povos e da paz mundial, os irmãos socialistas não poderiam permitir que a República Tcheca rompesse com a comunidade dos Estados socialistas. Ao reagir imediatamente ao urgente pedido de ajuda dos patriotas tchecos, os governos de nossos países deram um exemplo claro do internacionalismo socialista”.

Memórias traumáticas

Para a artista judia Lisa Scheuer, que em 1939 fugira dos alemães e sobrevivera a Auschwitz, a cena era inacreditável. “Na noite de 20 de agosto, quando ouvi em meu pequeno rádio que as potências do Pacto de Varsóvia haviam atravessado as fronteiras, fui tomada por um pânico tal que eu só queria escapar.”

prague372Dois dias depois da ocupação, o presidente Svoboda e o líder Dubcek foram levados a Moscou. Levaria quatro dias até voltarem a Praga, derrotados.

O correspondente em Praga, Christian am Ende, relatou as primeiras frases desesperadas de Dubcek:

“Com lágrimas, voz contida e longas pausas, o secretário-geral do partido, Dubcek, declarou: ‘É com muita dificuldade que encontro palavras para agradecer a alta moral que este povo demonstrou. O que acertamos em Moscou não dependeu de nossa vontade.’ Dubcek prosseguiu com seu triste comunicado, informando que as tropas agora iriam se concentrar fora da cidade. Moscou teria prometido retirar gradualmente as unidades do Pacto de Varsóvia do território da República Tcheca.”

Falsas promessas de Moscou

Balanço da operação militar: 72 mortos, 200 feridos graves. A 28 de agosto, Alexander Dubcek anunciou a capitulação final e tentou, em discurso à população, evitar que as esperanças se esvaíssem:

“Nossa vida política chegou a uma encruzilhada. Estamos numa situação em que temos de escolher um caminho. O movimento comunista na República Tcheca tem sua tradição. Pode ser que estejamos num ponto em que talvez caiamos em uma crise atrás da outra. Podemos decidir seguir adiante e tomar mais uma vez o caminho que o partido definiu, ou deixamos a dianteira para forças diversas, correntes diversas. Em todo caso, temos que ponderar, porém, os diversos problemas da situação atual.”

A cínica promessa de Moscou de retirada das tropas e tanques foi cumprida somente 23 anos mais tarde. O último soldado russo deixou o país apenas em 23 de maio de 1991.

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Fonte: DW Brasil

Por mais de quatro décadas, o fotógrafo James Speed Hensinger manteve estas incríveis fotografias guardadas para si, sem as liberar para acesso público até junho de 2013.

Helsinger, paraquedista, tinha apenas 22 anos de idade quando esteve com a 173ª Brigada Paraquedista em abril de 1970 quando um atirador de elite Vietcongue lançou disparos semi-automáticos sobre a base de Helsinger em Phu Tai, próximo à cidade costeira de Da Nang.

Primeira salva: O ataque à posição do atirador começou com alguns tiros disparados pelos canhões automáticos de 40mm de uma bateria anti-aérea blindada M42.

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E então os soldados lançaram sinalizadores sobre a colina, enquanto um par de metralhadoras M60 em torres de guarda começaram debulhar a mata com chumbo quente. A munição traçante pode ser vista à esquerda.

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Soldados americanos tentavam atingir o sniper repetidamente com salvas alternadas por detrás das rochas. “Nós estávamos aborrecidos por estarmos levando tiros de sniper vindos da colina sobre nós por várias noites seguidas” disse Hensinger.

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“O desgraçado levantava em meio as rochas, disparava todo o seu carregador de sua AK-47. O sniper estava atirando de um ângulo tão agudo que projéteis estavam furando a lona de nossas cabanas” “Decidimos então usar fogo pesado na próxima vez que ele tentasse nos atingir”

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Na noite seguinte, Hensinger pegou sua Nikon FTN e a programou com longas exposições para capturar o combate. Quando o Vietcongue disparava, os americanos abriam fogo pesado. Aqui, uma bateria anti-aérea M42 atira com ambos os canhões e metralhadoras de apoio em direção as colinas.

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O M42 disparava projéteis calibre .50. que chegavam a iluminar as colinas. Os soldados não sabiam onde o atirador estava, eles esperavam que conseguiriam o atingir usando o máximo de poder de fogo que conseguissem.

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O atirador nunca foi encontrado, mas, os soldados encontraram traços de sangue durante uma varredura na área do combate. “As rochas onde ele se escondia eram do tamanho de um carro popular. Foi um grande equívoco por parte do general pinar o mapa em um local aleatório e dizer [vamos construir a base aqui!].”

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Apesar de ter sido disputada em nível internacional, a corrida armamentista entre os Estados Unidos e a URSS ocorreu principalmente na zona rural, partes isoladas do mundo. Os norte-americanos testaram suas bombas nucleares em um trecho inóspito de Nevada. Os russos escolheram uma área desabitada e estéril no que se tornou hoje o Cazaquistão.

O fotógrafo Nadav Kander foi preso duas vezes enquanto visitava o “Polígono” – codinome do local de testes de Semipalatinsk, uma área desabitada tão grande quanto o estado do Espírito Santo, onde a URSS detonou cerca de 500 bombas nucleares de 1949 até a queda da União Soviética. Kander estava visitando o local para retratar seu último livro, Dust (Poeira), que documenta os lugares onde a Rússia criou e mais tarde abandonou seu programa nuclear.

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Em alguns casos, os cientistas construíram cidades falsas e estruturas para testar o impacto de suas bombas. Em outros casos, as cidades eram reais, porque a área não era realmente remota em tudo. Na verdade, situava-se muito próxima de assentamentos humanos, incluindo a cidade anteriormente fechada de Kurchatov, ondeThe New York Times diz ser o local onde Kander foi preso. Ao abandonar o Polígono, a URSS deixou um legado de taxas altíssimas de câncer, defeitos de nascimento e outros problemas de saúde no Cazaquistão.

E assim como o CTBTO explica, as pessoas que viviam ali eram, para todos os efeitos, eram parte dos experimentos:

Eles normalmente eram instruídos a abster-se de acender seus fogões de cozinha  quando um teste estava ocorrendo, no caso de o fogo deflagrar contra a casa. Eles também foram avisados ​​para sair de casa quando uma explosão estava prevista, uma vez que poderia haver o colapso da estrutura. Relatos históricos de moradores que foram estudantes até o ano 1962 indicam que as janelas de suas escolas foram explodidas e que seus corpos entraram em convulsão quando testes ocorriam.

Deformidades causadas pela presença de radioatividade.
Deformidades causadas pela presença de radioatividade.
Deformidades causadas pela presença de radioatividade. (Greenpeace)
Deformidades causadas pela presença de radioatividade. (Greenpeace)

A área tornou-se um lugar fechado, um segredo que só foi “posto no mapa”, por assim dizer, com o advento de informações via satélite. Hoje, você pode visitar a área com a ajuda de equipamentos turísticos especializados.

Embora os testes tenham acabado, a área ainda representa uma ameaça para o mundo de hoje. Poucos registros foram mantidos sobre os locais de teste, e por causa da queda da União Soviética e a transição rápida na criação do atual Cazaquistão, a área está repleta de material radioativo. De acordo com o Boletim de Cientistas Atômicas, a área foi tão saturada com plutônio e material radioativo, que teria sido possível fazer mais uma dúzia de bombas. E lá estão, livres para o acesso de qualquer pessoa disposta a colocar os olhos sobre o local.

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Então, por 17 anos, uma coalizão de cientistas americanos, russos e cazaques trabalharam em uma missão ultra-secreta para mapear, descobrir e assegurar a perigosa evidência da vida anterior do Polígono, a área de testes do poderio nuclear da URSS. Essa é uma história real e na verdade, já foi até escrita: A Montanha de Plutônio: Dentro da Missão de 17 Anos para Garantir o Legado dos Testes Nucleares Soviéticos.Apesar do esforço de US$ 150 milhões, a área ainda é altamente contaminada (embora mais segura), e as pessoas que vivem perto dela ainda estão lutando contra o legado dos testes, que provavelmente vai perdurar por gerações.

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O Lago Chagan surgiu após uma explosão subterrânea de uma bomba nuclear de 140 quilotons em 15 de Janerio de 1965.
O Lago Chagan surgiu após uma explosão subterrânea de uma bomba nuclear de 140 quilotons em 15 de Janerio de 1965.

Você pode acessar a galeria do projeto Dust aqui.

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O piloto de testes Bill Dana assiste o sobrevôo do NB-52B cruzando o céu após ter lançado o HL-10 para mais um vôo experimental

“Lifting Body” (Corpo Sustentante) foi um conceito desenvolvido pela NASA pra verificar a possibilidade de controle de aeronaves sem asas ou com asa mínima em voo. O objetivo era usar este design e conhecimento em espaçonaves reutilizáveis, como o ônibus espacial anos mais tarde.

O Centro de Experimentos Aéreos de Dryden (Armstrong Flight Research) foi o lar de algumas das mais avançadas aeronaves desde a década de 1940. Ao longo da história da aviação, a NASA registrou inúmeros momentos impressionantes destas aeronaves e seus pilotos de teste nestas fotografias que você verá abaixo.

A aeronave experimental X-2 logo após um colapso no trem de pouso dianteiro – 1952
A aeronave experimental X-2 logo após um colapso no trem de pouso dianteiro – 1952

Esta fotofrafia de 1952 mostra o X-2 #2 com o trem de pouso dianteiro quebrado após um pouso na Base Aérea de Edwards. O trem de pouso dianteiro quebrou após a aeronave ter inclinado excessivamente ao tocar o solo, forçando a resistência de sua estrutura.

Major Cecil Powell de pé em frente ao seu X-24A logo após um vôo experimental – 1971
Major Cecil Powell de pé em frente ao seu X-24A logo após um vôo experimental – 1971

Construído para a Força Aérea pela Martin Marietta, o X-24A foi desenhado em formato de “gota”, com três asas verticais na cauda, que funcionavam como lemes, para o controle direcional. Pesava 3 toneladas, possuia 7,5 metros de comprimento por 4,2 metros de largura.

Os quatro principais pilotos do HL-10.
Os quatro principais pilotos do HL-10.

Da esquerda para a direita: Major da Força Aérea Jerauld R. Gentry, piloto de testes da Força Aérea Peter Hoag, e os pilotos da NASA John A. Manke e Bill Dana. O HL-10 foi uma das cinco aeronaves do programa “lifting body” que voaram no centro de testes da NASA, de julho de 1966 a novembro de 1975 para estudar e avaliar o conceito de manobra e pouso destas aeronaves desenhadas para serem usadas na reentrada na atmosfera a partir de missões futuras no espaço.

Cowboy Joe (Joseph Walker, piloto de testes da Estação de Vôos de Alta Velocidade ) e seu corcel, o X-1A da Bell Aircraft Corporation – 1955
Cowboy Joe (Joseph Walker, piloto de testes da Estação de Vôos de Alta Velocidade ) e seu corcel, o X-1A da Bell Aircraft Corporation – 1955

O X-1A vôou por seis vezes nas mãos do piloto Jean “Skip” Ziegler em 1953. O famoso piloto da Segunda Guerra, Major Charles “Chuck” Yeager e o Major Arthur “Kit” Murray, ambos se tornaram pilotos de testes e fizeram 18 vôos no X-1A durante novembro de 1953 e agosto de 1954.

O piloto de testes Bill Dana assiste o sobrevôo do NB-52B cruzando o céu após ter lançado o HL-10 para mais um vôo experimental
O piloto de testes Bill Dana assiste o sobrevôo do NB-52B cruzando o céu após ter lançado o HL-10 para mais um vôo experimental

À esquerda é possível ver John Reeves ao lado do cockpit do HL-10, ele foi usado entre 1966 e 1975. A Northrop Corporation desenhou o HL-10 e o M2-F2, as duas primeiras aeronaves do programa Lifting Body de alta performance a serem testadas pela NASA. O contrato de fabricação destes aviões custou algo em torno de 1.8 milhões de dólares, um valor bem alto para a época se tratando apenas da fabricação industrial da aeronave. “HL” significa “vôo horizontal” (horizontal landing), e “10” refere-se ao décimo design estudado e desenvolvido pelos engenheiros do NASA Langley Research Center. Estas aeronaves dependiam de lançamentos feitos a partir de outras aeronaves em pleno vôo, neste caso, a partir do bombardeiro NB-52B.

O M2-F1 descansa no solo cozinhado do que antes já foi um lago, no Deserto de Mojave, California.
O M2-F1 descansa no solo cozinhado do que antes já foi um lago, no Deserto de Mojave, California.

O piloto Chuck Yeager, sentado no cockpit, conversa com seus companheiros de teste. Da esquerda para a direita, Milt Thompson, Don Malick e Bruce Peterson. Todos os três pilotaram estas aeronaves inúmeras vezes. Durante um vôo sob o comando de Peterson, o M2-F1 sofreu uma pane hidráulica em seus trens de pouso devido à falta de preparo para suportar as baixas temperaturas em que o corpo da aeronave era submetida durante os testes. Os danos foram mínimos mas o susto foi grande.

Neil Armstrong é visto aqui ao lado do X-15, logo após uma aterrisagem bem sucedida
Neil Armstrong é visto aqui ao lado do X-15, logo após uma aterrisagem bem sucedida

O X-15 possía 15,2 metros de comprimento por 6,7 metros de largura. Ele voou por 10 anos, de junho de 1959 a outubro de 1968. As informações adquiridas com os testes altamente positivos no X-15 contribuíram para o desenvolvimento dos programas Mercury, Gemini e Apollo. O X-15 alcançou a marca de 199 vôos, e foi desenolvido pela North American Aviation. Hoje ele está no National Air and Space Museum em Washigton DC.

Durante um vôo utilizando o X-15-3, a aeronave caiu durante uma falha e causou a morte do Major Michael J. Adams em 15 de novembro de 1967.
Durante um vôo utilizando o X-15-3, a aeronave caiu durante uma falha e causou a morte do Major Michael J. Adams em 15 de novembro de 1967.
Conectando o M2-F2 à asa direita do B-52
Conectando o M2-F2 à asa direita do B-52

Aqui vemos Jay L. King, Joseph D. Huxman e Orion D. Billeter ajudando o piloto Milt Thopsom (na escada) a entrar no cockpit do M2-F2.

E aquipe do X-15, da esquerda para a direita: Capitão da Força Aérea Joseph H. Engle, Major da Força Aérea Robert A.Rushworth, piloto da NASA John B. “Jack” McKay, Major da Força Aérea William J. “Pete” Knight, piloto da NASA Milton O. Thompson e o piloto da NASA Bill Dana
E aquipe do X-15, da esquerda para a direita: Capitão da Força Aérea Joseph H. Engle, Major da Força Aérea Robert A.Rushworth, piloto da NASA John B. “Jack” McKay, Major da Força Aérea William J. “Pete” Knight, piloto da NASA Milton O. Thompson e o piloto da NASA Bill Dana

O X-15 foi desenvolvido para estudar dados de aerodinâmica, estrutura, controles de vôo e os aspectos fisiológicos de vôos de alta velocidade e de grande altitude. A turbina à jato do X-15 criava uma força de empuxo para os primeiros 80 a 120 segundos durante um vôo de 10 a 11 minutos, então, a aeronave planava numa velocidade de 320 km até tocar o solo. Ele alcançava uma altitude de 354,200 pés e uma velocidade máxima de 7,274 km (mach 6.7).

X-1-3 durante sua instalação na barriga do EB-50A Superfortress
X-1-3 durante sua instalação na barriga do EB-50A Superfortress

O terceiro X-1, conhecido como “Queenie” é instalado na barriga do EB-50A na Base Aérea de Edwards, Califórnia. As duas aeronaves foram destruídas durante um incêncido que ocorreu no desabastecimento.

Fazendo história
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