Brasil

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As Relações entre Brasil, Estados Unidos e Alemanha, se iniciaram no inicio do século XX, no momento em que a Grã-Bretanha estava perdendo espaço na América.

Nesse período, os Estados Unidos tinham uma política de “América para os Americanos”, onde o Continente Americano seria dos próprios americanos, não havendo com isso a interferência dos países europeus na América.

Pato Donald e Zé Carioca (símbolo da boa relação dos 2 países)
Pato Donald e Zé Carioca (símbolo da boa relação dos 2 países)

A Alemanha olhava para a América como uma nova oportunidade de novos mercados, pois os outros continentes, já estavam dominados pelas “grandes potências”, e a América Latina era ainda um mercado aberto, ainda mais com o declínio da posição britânica no continente.

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha tinha dificuldades em readquirir a força que tinha antes da Grande Guerra na América Latina, assim a Grã-Bretanha aceitou mais facilmente a predominância dos Estados Unidos na região. Em 1930, os norte-americanos, já eram a principal potência política, econômica e em alguns países até cultural no continente.

Num primeiro momento as relações econômicas do Brasil com a Alemanha foram boas, principalmente nos primeiros anos da década de 1930,

As relações do Brasil no governo Vargas, para parte da historiografia brasileira, foram de uma “política de barganha”, e essa imagem, foi mais forte no meados da década de 1930. Nesse período a Alemanha conseguiu um crescimento na participação no comércio exterior do Brasil, sendo um exemplo disso, os Acordos de Compensação de 1934 e 1936, no qual os alemães importavam algodão, café, laranja, couro, tabaco e carne enlatada em grandes quantidades, e o Brasil importava da Alemanha produtos manufaturados.

Participação da Inglaterra e dos Estados Unidos nas Importações do Brasil (1901-1950)
Participação da Inglaterra e dos Estados Unidos nas Importações do Brasil (1901-1950)

Além disso, existia um encanto pela Wermarcht (Forças Armadas da Alemanha) por parte de Eurico Gaspar Dutra (Ministro da Guerra, 1936-1945) e Góes Monteiro (Comandante do Estado-Maior de Exército, 1937-1943), mas em nenhum momento havia simpatia por parte deles em relação à ideologia alemã. Os simpatizantes da Alemanha eram minoria no governo, enquanto os simpatizantes dos Estados Unidos eram maioria, encabeçado por Oswaldo Aranha (Embaixador do Brasil nos EUA, 1934-1937 e Ministro das Relações Exteriores, 1938-1944).

A aproximação com a Alemanha aconteceu devido à sua carência de matérias-primas, que eram necessárias as suas indústrias, e na década de 1930, a situação era difícil, por causa, da crise econômica internacional e do forte controle comercial dos países europeus para com as suas colônias. Assim, a Alemanha e alguns outros países, enxergavam na América uma região dependente do mundo desenvolvido para escoar seus produtos primários.

O grande volume exportado do Brasil para Alemanha fazia parte do excedente comercial feito com os norte-americanos, e os produtos importados da Alemanha para o Brasil, eram produtos que não competiam com os dos Estados Unidos.

As relações do Brasil com a Alemanha foram se tornando mais complicadas com a chegada da guerra, no ano anterior ao inicio da guerra, o Embaixador da Alemanha no Brasil, informa isso em um telegrama ao Ministério das Relações Exteriores, onde ele constata o seguinte,

“É difícil perceber-se por que o Govêrno brasileiro tem levado a efeito nos últimos meses uma campanha contra todos os elementos alemães no Brasil – contra os nacionais alemães e suas organizações, assim como contra os alemães de cidadania brasileira. Não me estou referindo agora aos artigos de propaganda contra a Alemanha, constantemente repetidos em um setor da imprensa brasileira… Estou-me referindo aqui, sobretudo, ao fato de que o próprio Govêrno Federal e vários órgãos estaduais, não só permitem que uma campanha seja feita contra a NSDAP , ou contra membros individuais do Partido, escolas alemães, etc., mas até a aprovam.”

Medidas tomadas por brasileiros tinham a influência dos Estados Unidos, em oposição à Alemanha, pelo fato dos norte-americanos temerem uma possível influência dos integralistas no governo brasileiro.

A discórdia entre Alemanha e o Brasil, se desenvolveu, a partir do posicionamento dos alemães e de descendentes de alemães que moravam no sul do Brasil. Muitos deles nascidos no Brasil, se consideravam mais alemães que brasileiros, o que agradava a Alemanha, e isso fazia com que muitas vezes o governo brasileiro pedisse explicações ao governo alemão.

A política entre alemães e brasileiros teve um dos grandes desgastes, em 1938, com as prisões de cidadãos alemães no país e a proibição do funcionamento Partido Nazista, que funcionava no Brasil desde 1928. A tentativa de golpe da AIB (Ação Integralista Brasileira), também serviu para dificultar as relações entre os dois países.

Crianças alemães da cidade de Presidente Bernardes (SP) fazendo saudação a Hitler
Crianças alemães da cidade de Presidente Bernardes (SP) fazendo saudação a Hitler

Nesse mesmo ano, o Brasil tomava medidas que consideravam importantes de cunho nacionalista, mas que estremecia suas relações com vários países, onde se dizia o seguinte:

“Os estrangeiros foram proibidos de participar, criar e manter agremiações, fundações e partidos políticos; de hastear ou usar os símbolos da sua pátria; de manter jornais ou outras publicações e, além disso, eram obrigados a falar português. Os professores deveriam ser de nacionalidade brasileira e as escolas existentes nas colônias deveriam ministrar a geografia e a história do Brasil.”

A crise entre Alemanha e Brasil teve como um dos momentos mais difíceis o ano de 1938, onde o Brasil intensificou uma postura nacionalista, na qual os estrangeiros tiveram varias restrições em demonstrar qual seria a sua nacionalidade e seus métodos de vida, na relação com o Embaixador alemão (Karl Ritter), já que o Brasil não desejava a sua permanência no país e nas prisões de alemães em campos de concentrações.

Curiosamente, as relações entre essas duas nações ficaram mais difíceis, no período menos democrático no Brasil, onde foi instaurado o Estado Novo, pois até esse período o país não tinha uma posição clara em relação aos alemães.

As relações do Brasil com os Estados Unidos no governo de Getúlio Vargas dão continuidade as relações na década de 1920, onde houve um grande crescimento entre os dois países. Na década de 1930, mesmo havendo períodos de estremecimento das relações, a afinidade entre eles sempre foi mantida.

A confirmação dessas boas relações acontece com os acordos comerciais do início dos anos de 1930 e a aliança no período da Segunda Guerra Mundial, onde o Brasil concede aos Estados Unidos bases aeronavais em lugares estratégicos para o envio de tropas para o Continente Africano e posteriormente a Europa e para o patrulhamento no Atlântico Sul.

Vargas e Roosevelt visitando Base no RN
Vargas e Roosevelt visitando Base no RN

Enquanto os norte-americanos ajudariam no reequipamento dos militares brasileiros e na construção da Indústria Siderúrgica Nacional. A Entrada da FEB (Força Expedicionária Brasileira) na Guerra, também fez parte desses acordos entre Brasil e os Estados Unidos, pois o Brasil foi o único país da América do Sul a enviar tropas para a Europa.

O Brasil na década de 1930 esperava das relações com os Estados Unidos e a Alemanha o máximo de acordos econômicos com as duas nações. O governo brasileiro desejava aproveitar ao máximo esse período de crise e de dificuldades das Guerras, pois a Alemanha ainda sofria com a Primeira Guerra Mundial e ainda tinha a Crise de 1929, onde todas as nações passavam por dificuldades, para conseguir aumentar favoravelmente sua balança comercial.

O país não desejava em nenhum momento um aumento das relações políticas com a Alemanha, e buscava uma maior autonomia com os Estados Unidos.

Assim, as relações do Brasil com a Alemanha e os Estados Unidos, não podem ser considerada uma “política de barganha”, pois as relações políticas e militares com os Estados Unidos em nenhum momento sofreram risco, ou até mesmo diminuíram a ponto de outra nação superá-la, a condição de principal parceiro do Brasil pelos Estados Unidos nunca esteve ameaçada. O Brasil nunca esteve perto de participar da Segunda Guerra Mundial do lado do Eixo, mas aproveitou-se das condições que estavam sendo colocadas na década de 1930, para conseguir buscar novos parceiros comerciais.

Soldados alemães se rendendo da 232º e 148º Batalhão de Infantaria aos soldados da FEB
Soldados alemães se rendendo da 232º e 148º Batalhão de Infantaria aos soldados da FEB

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O Brasil, durante todo o século XX esteve presente nas discussões sobre a Paz no Mundo. O País fez parte da criação da Liga das Nações, após a Primeira Guerra Mundial, e como a organização não foi capaz de impedir a Segunda Guerra Mundial, ao término do conflito, foi criada a ONU (Organização das Nações Unidas), no qual, o Brasil foi um dos membros fundadores.

As Operações de Paz da ONU tinham como objetivo inicial, garantir a ordem, e buscar o cessar-fogos em territórios em conflito. Esses interesses, eram algo que não havia sido criado com as missões, desde a criação da Liga das Nações e depois com a ONU, entendia-se que as maiores potências militares deveriam intervir para garantir a paz e evitar que os conflitos tomassem grandes proporções.

As Operações de Paz da ONU, com uma quantidade de contingente para a resolução de um conflito começou em 1948, quando foi criada a UNTSO, Organização de Supervisão de Trégua das Nações Unidas, que tinha como objetivo, o cessar-fogo na Guerra da Israel-Palestina. O Brasil iniciou sua participação em 1956, através da UNEF (Força de Emergência das Nações Unidas), com o chamado “Batalhão de Suez”, que visava contribuir para a manutenção da paz no conflito entre egípcios e israelenses, depois na nacionalização do Canal de Suez.

Soldados do 13º contingente brasileiro do Batalhão de Suez.
Soldados do 13º contingente brasileiro do Batalhão de Suez.

A participação do Brasil nessas missões acontece de acordo com o artigo 4º da Constituição Brasileira, que determina que a “República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I – independência nacional; II – prevalência dos direitos humanos; III – autodeterminação dos povos; IV – não-intervenção; V – igualdade entre os Estados; VI – defesa da paz; VII – solução pacífica dos conflitos; VIII – repúdio ao terrorismo e ao racismo; IX – cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; X – concessão de asilo político”, assim para o Brasil fazer parte de uma Operação de Paz, deve existir uma aceitação da nação envolvida em um conflito, da presença de estrangeiras em seu território.

Nesse contexto, o Brasil considera as Operações de Paz como um instrumento importante para solucionar conflitos, ajudando a promover negociações político-diplomáticas. As missões devem ter os princípios da imparcialidade, promovendo negociações com todas as partes envolvidas, aplicando o mínimo de força necessária e depois de esgotadas as tentativas diplomáticas.

Soldado brasileiro no Haiti, Cité Soleil.
Soldado brasileiro no Haiti, Cité Soleil.

As polícias militares também fazem parte da história da participação do Brasil nas Operações de Paz, desde a década de 1990, os policiais brasileiros integraram as missões na Angola (1991), e contribuem até hoje com as forças da nação.

Operação Especial Anjo, Cidade de Deus, Porto Príncipe.
Operação Especial Anjo, Cidade de Deus, Porto Príncipe.

O papel da mulher nas operações de paz também merece ser destacado. No Brasil, a participação feminina nas três forças armadas é recente, década de 1980, com a criação do Corpo Auxiliar Feminino da Reserva, que objetivava atuar na área técnica e administrativa. Nas missões de paz, a primeira militar brasileira a participar de uma missão foi uma capitão médica, que foi para o Timor-Leste em 2003.

No Haiti, as mulheres se incorporaram as tropas brasileiras em 2006, e até esse momento, 124 mulheres do Exército (62 praças e 62 oficiais) estiveram naquele país como médicas, dentistas, enfermeiras, tradutoras e engenheiras.

O Brasil não integra somente as Missões de Paz da ONU, desde a criação da Força Interamericana de Paz da OEA (Organização dos Estados Americanos), o Brasil participa das forças de paz, integrando-se ao primeiro contingente em 1965 na República Dominicana.

O Brasil já participou de mais de 30 missões de paz das Nações Unidas, desde a sua criação, enviando mais de 27 mil militares, e atualmente, as Forças Armadas Brasileiras estão em 9 Missões de Paz das Nações Unidas e 1 da OEA, com mais de 1700 militares brasileiros. Nos últimos anos, a responsabilidade do Brasil aumentou com o comando das tropas da ONU no Haiti a partir de 2004 (MINUSTAH), no Congo em 2012 (MONUSCO) e no Lìbano (UNIFIL), com o comando das Forças Navais em 2011.

Tropas brasileiras na Operação MONUSCO, na República Democrática do Congo
Tropas brasileiras na Operação MONUSCO, na República Democrática do Congo

Em 2010, o Brasil criou o Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB), que homenageou o Diplomata Sérgio Vieira de Mello, dando o seu nome para o CCOPAB, um local de preparação das forças armadas, brasileiras e estrangeiras, que irão integrar as missões de paz das Nações Unidas.

Mapa das missões de paz Brasileiras em andamento.
Infográfico das missões de paz Brasileiras em andamento.

No entanto, apesar da participação brasileira ter crescido a partir da MINUSTAH em 2004, todo esse processo está longe de ser um atributo essencial para o reconhecimento do Brasil no cenário mundial, pois membros do Conselho de Segurança da ONU e países com as maiores economias do mundo, não tem um procedimento padrão, devido determinados países enviam mais militares que o Brasil, como Índia e China, e outros enviam algumas dezenas, como os EUA e a Rússia.

País 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Total
Alemanha 296 294 288 200 193 259 4980
Brasil 1335 2248 2260 2447 2205 1748 17694
China 2146 2136 2044 1904 1860 2177 19109
França 2544 1738 1471 1266 950 958 15155
Índia 8631 8765 8657 8134 7812 7923 91965
Japão 39 231 260 499 271 271 3108
Reino Unido 301 283 283 285 298 357 5050
Rússia 347 366 255 109 103 107 3458
EUA 100 88 91 131 118 120 3794

Nesse sentido, a participação do Brasil nas Forças de Paz da ONU, não proporciona a nação ambicionar ter maior relevância nas decisões da ONU e nem de fazer parte como membro permanente do Conselho de Segurança.

Relato do correspondente Joel Silveira sobre a conquista do monte italiano realizada pela FEB, em fevereiro de 1945.

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Na véspera do dia 21 eu havia pedido um jipe ao Major Souza Júnior, encarregado dos correspondentes, para ir a Nápoles esperar o quarto escalão de tropas brasileiras que chegaria no dia 23. O major, então, me perguntou:

– Você prefere esperar o escalão ou uma coisa melhor?

A “coisa melhor” era a ofensiva brasileira do dia 21 sobre o Monte Castelo. Manhã cedo, no QG recuado, fomos avisados de que a nossa artilharia abrira fogo cerrado, naquela noite, contra posições defensivas inimigas nas montanhas que há três meses nos barravam o caminho. Tomamos um café apressado, enchemos os bolsos de chocolate e chicle, e soltamos nossas viaturas até o QG avançado. Os jipes necessários já esperavam os correspondentes, e cada qual subia no seu e procurou, na frente, o melhor lugar para uma observação total da luta. Creio que a sorte me protegeu, que meu jipe andou mais depressa, não sei: o certo é que tomei de assalto o PO avançado do General Cordeiro de Faria e lá me instalei por todo o dia. Eram 8h da manhã quando o general me cedeu seu lugar diante da luneta binocular e me disse:

O brasileiro que aprendeu a guerrear na guerra

– Começamos a atacar às 6 da manhã. As tropas em ofensiva constituem o 1º Regimento de Infantaria, o Sampaio. Os seus três batalhões avançam na seguinte ordem: o 1º comandado pelo Major Olívio Godim de Uzeda, segue pela esquerda; o 2º comandado pelo Major Sizeno Sarmento, vai pelo centro; e o 3º, comandado pelo Tenente Coronel Emílio Rodrigues Franklin, partirá da direita. Nossa intenção é envolver todo o morro e, em coordenação com a ofensiva americana que já conquistou Belvedere, arrancá-lo das mãos nazistas até o fim da tarde de hoje.

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Vejo, através da luneta, os nossos pracinhas agachados lá na frente, grupos aqui e ali rastejando na direção do cume de onde atiram, com suas curtas e sinistras gargalhadas, as terríveis “lurdinhas” alemãs. Agora mesmo um deles encostou-se num pedaço de muro destruído e aponta sua Thompson para qualquer lugar lá em cima. 24_fab-na-segunda-guerra-p47-em-voo-de-combateOs morteiros nazistas rebentam nas faldas do sul, mas nossa artilharia reinicia seu canhoneio sistemático e certeiro, como fizera toda à noite. Escuto os silvos das granadas sobre nós, vejo-as explodirem lá adiante, numa coroa de fumaça que cai sobre o Castelo como uma auréola de chumbo. Uma de nossas baterias parece que perdeu a mira, e seis tiros caem muito aquém, quase num determinado setor brasileiro.
O General Cordeiro dá ordens secas e rápidas, e durante alguns minutos seus ajudantes-de-ordens procuram, através dos cinco telefones de campanha e dos dois rádios, localizar o canhão amalucado. Finalmente o Capitão Durval de Alvarenga Souto Maior, comandante da 1ª Bateria do 1º Grupo, descobre que o canhão pertence à sua unidade. Há uma ordem rápida pelo rádio, e os tiros agora estão perfeitamente ajustados no eficiente conjunto de toda a artilharia. À esquerda, sobre posições americanas além de Belvedere, cinco ou seis Thunderbolts descem em picada, rápidos como um peso despencado de cima, e metralham impiedosamente os nazistas em defensiva.

Marcas do Nazismo em fazendas do interior de São Paulo

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Quando cheguei ao Posto de Observação do General Cordeiro, duas ou três horas depois de iniciada a ofensiva, a situação era mais ou menos esta: os batalhões avançaram, com exceção do 2º, comandado pelo Major Sizeno, que partiria às 11h 35min de Gaggio Montano. Os nazistas tentavam impedir a progressão dos brasileiros com um fogo concentrado de morteiros. Eu sabia que a conquista de Castelo só seria efetuada depois que os americanos, que partiram de Belvedere, houvessem se apoderado de Toraccia, um pico que, atrás, dominava certa parte do morro sobre o qual avançavam nossos homens.

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O ataque americano, que começara na noite anterior, estava sendo efetuado por toda uma divisão especializada, a 10ª de Montanha, recentemente chegada a este setor. Naquele momento, 10 da manhã, os norte-americanos se encontravam em determinado ponto além de Menzacona, meio caminho entre Belvedere e Toraccia. Menzacona ficara em poder de um dos batalhões de brasileiros, com o qual os americanos haviam-se encontrado pela manhã. Então a ofensiva combinada, no lado direito, tomou o seguinte aspecto: os brasileiros deixaram alguns homens em Menzacona e seguiram em direção a Castelo, pela esquerda e comandados pelo Major Uzeda: os americanos foram à frente, em direção a Toraccia.

Monte-Castelo
Daí por diante, os acontecimentos se sucederam nesta ordem, conforme me dizem os quase indecifráveis apontamentos que fui tomando às carreiras, entre uma olhada de binóculo e uma informação dos rádios:

– Ao meio dia, o General Clark, comandante da frente italiana, o General Truscott, comandante do V Exército, o General Crittenberger e o comandante-chefe das forças aéreas do Mediterrâneo estiveram em visita ao General Mascarenhas de Moraes, no seu posto de observação precisamente três quilômetros à direita do PO do General Cordeiro.

– Às 12h 30min, o Major Uzeda, que avança pela esquerda, pede proteção de artilharia para que possa alcançar um ponto na sua frente, e o General Cordeiro ordena às baterias: “Cinco rajadas de morteiro sobre 813.”

José Dequech: À serviço da artilharia da FEB

– Às 13h 55min, um dos batalhões avisa que foram avistados reforços alemães que começam a chegar a Castelo. Ao lado direito, o Coronel Franklin está detido com o seu 3º Batalhão. O Major Uzeda previne pelo rádio que tentará envolver Castelo pela esquerda.

– Às 14h 20min, o Major Uzeda avisa que vai atacar 920, penúltimo ponto antes da crista de Castelo. Pede mais tiro ao General Cordeiro, que transmite, através de seus auxiliares (o Coronel Miranda Correia e o Capitão Souto Maior são dois deles), ordens às baterias. O Major Uzeda se encontra precisamente a cinco quilômetros do PO, tendo realizado já uma progressão de dois quilômetros. O diálogo entre Alma I, Alma II e Alma III (observadores junto aos batalhões) e Lata I, Lata II e Lata III (oficiais de ligação em plena luta) se repete de minuto a minuto.

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– Às 15h, o Major Uzeda se encontra firme em 930, mas neutralizado por metralhadoras alemãs. Seu objetivo final será 977, ou seja, o cume de Castelo, onde tenciona chegar depois das 16h 30min. Fica combinado então que, às 16h 20min, quando seu batalhão iniciar a definitiva marcha sobre a crista de Castelo, toda a artilharia divisionária concentrará seus fogos sobre as faldas e o cume do monte. Estamos disparando com canhões de 105, 155 mm e morteiros.

– Às 15h 5min, escuto do General Cordeiro que, até aquele instante, calculava já ter gasto uns 8 milhões de cruzeiros de munição com os disparos da sua artilharia.

– Às 15h 30min o Major Uzeda diz pelo rádio: “Meus homens estão prontos para atacar.” Olho pelo binóculo que me emprestou o Coronel Miranda Correia e vejo, lá em cima, no 930, os soldados em formação de ataque, esparsos pelos pequenos vales e deitados na pouca neve que o sol ainda não conseguira mandar embora.

Entre 15h 30min e 15h 50min há uma relativa calma: somente os morteiros nazistas, os aviões mergulhando nas faldas de Toraccia e um teco-teco brasileiro, plácido como uma asa estendida, que navega solitário sobre o campo de luta. O PO do General Cordeiro de Faria fica localizado numa elevação de terreno – lá embaixo, é o vale que nos separa de Castelo, e aqui atrás, seiscentos metros distante, está localizado um dos grupos de nossa artilharia. Quando suas peças disparam, há um violento estremecimento de toda a casa, e xícaras e copos trepidam na mesa com um barulho cristalino. Os paisanos que aqui residiam, neste chalé amarelo, foram expulsos pela guerra e parece que não tiveram tempo de levar suas coisas. Os móveis estão intactos, há litogravuras nas paredes, um Cristo desalentado e pálido, fotografias de cavalheiros fardados e senhoras em trajes de inverno. Num dos cantos da sala onde o general colocou sua luneta, descubro um ricordo nuziale cercado por uma moldura dourada. Ali se recorda que, no dia 11 de dezembro de 1927, numa igreja de Bolonha, se consorciaram Dino Bettochi e Caterina Cionni. Uma paz distante.

Monte Castello atualmente.
Monte Castello atualmente.

– Às 16h 3min o Coronel Franklin informa pelo rádio que seus homens ocuparam Fornelo, à direita de Castelo e próximo ao seu cume. Tratava-se de um ponto forte inimigo, eriçado de metralhadoras, que foi dominado pelos nossos soldados. Fornelo foi um dos pontos em que foram barrados, em novembro e dezembro últimos, os anteriores ataques brasileiros contra a montanha tão cruel. Continua progredindo o batalhão do Coronel Franklin.

– Sem dúvida alguma, o instante mais sensacional de toda a luta do dia 21 aconteceu às 16h 20min, quando toda a artilharia divisionária concentrou seus fogos sobre Castelo. Já havia lá fora qualquer coisa da noite, e os obuses explodiam em chamas altas, que o binóculo me mostra, tão próximas e reais.

As faldas do monte estão cavadas e lá em cima o cume ficou transformado numa cratera de vulcão em erupção. O Major Uzeda avança protegido pela função dos tiros de fuligem, e nossas metralhadoras estão trabalhando ativamente. Aqui dentro, ninguém diz nada. O general colocou definitivamente os olhos na luneta, e seus dedos – vejo bem – alisam automaticamente um pedaço da mesa. O Coronel Correia diz num fiapo de voz:

– Todo mundo está andando…

– Às 17h 40min os homens do Major Uzeda alcançam Esperança, outro ponte forte nazista no setor 930.

– Às 17h 45min o General Cordeiro de Faria afasta-se das lunetas, vira-se para mim e diz: “Praticamente Castelo está conquistado.” Chegam também informações sobre a situação dos americanos: eles não conseguiram ainda tomar Toraccia, e o avanço brasileiro sobre Castelo terá que ser feito com aquela estratégica posição ainda em mãos dos nazistas.

– Às 17h 50min a voz do Coronel Franklin vem, forte pelo rádio: “Estou no cume do Castelo.” E pede fogos de artilharia sobre pontos inimigos além do monte. “Castelo é nosso”, diz-me o general. Mais três minutos, e as baterias estão canhoneando Caselina, Serra e Bela Vista. Os nazistas respondem com morteiros. Mas nada mais adiantaria, porque, como me diria no dia seguinte o Coronel Franklin, “estamos em Castelo e ninguém mais nos tira daqui.”

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São mais de sete da noite quando seguimos, eu e o fotógrafo Horácio, pela estrada deserta e fria a caminho do nosso jipe que ficou distante. Nossa artilharia continua incansável. O Castelo está bem a nossa frente, mas é agora uma coleção de faldas amansadas. Já não nos domina com suas casamatas, já não vigia implacável nossos caminhos e estradas, já não nos persegue com seus mil olhos nazistas. É um morro brasileiro, e amanhã estarei lá em cima, junto com os pracinhas vitoriosos, passeando pela sua arrogância domada.

O Capitão Vernom Walters canta com os 'Pracinhas' o Hino Brasileiro
O Capitão Vernom Walters canta com os ‘Pracinhas’ o Hino Brasileiro
Inaugurado ao pé do Monte Castello em 21/06/2001, o Monumento ai Caduti Brasiliani, projetado pela brasileira Mary Vieira, homenageia os soldados brasileiros mortos na Itália. Um dos arcos brancos aponta para a terra e simboliza a morte, ao passo que o outro aponta para o céu, isto é, para a transcendência que as mortes dos soldados significaram. Ademais, na concepção do monumento, a escultora Mary Vieira imaginou o movimento contínuo do sol que, ao meio-dia, projeta sobre o solo uma cruz, símbolizando o heroísmo brasileiro.
Inaugurado ao pé do Monte Castello em 21/06/2001, o Monumento ai Caduti Brasiliani, projetado pela brasileira Mary Vieira, homenageia os soldados brasileiros mortos na Itália.
Um dos arcos brancos aponta para a terra e simboliza a morte, ao passo que o outro aponta para o céu, isto é, para a transcendência que as mortes dos soldados significaram.
Ademais, na concepção do monumento, a escultora Mary Vieira imaginou o movimento contínuo do sol que, ao meio-dia, projeta sobre o solo uma cruz, símbolizando o heroísmo brasileiro.

 

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Fonte deste artigo: História de Pracinha – Joel Silveira – Edições de Ouro

Fonte na internet: Grandes Guerras

UM POUCO DA HISTÓRIA

Nas primeiras décadas do século XX, o Brasil não possuía nenhum arsenal ou fábrica de armas, fosse ela privada ou não, capaz da produção em larga escala de equipamentos militares para suprir a demanda do Governo Brasileiro. O armamento aqui empregado, tanto nas Forças Armadas como nas Polícias Militares estaduais era um misto de contratos e importações oriundo, basicamente, da França e da Alemanha.  Já naquela época o mais bem equipado e armado estado da então República dos Estados Unidos do Brasil era São Paulo, cuja milícia denominada de Força Pública, pelo número de homens e quantidade de equipamentos, podia ser comparada a um pequeno exército.

O Governo Brasileiro já havia efetuado vários contratos de importação de armamentos leves, mas o mais importante deles foi a dotação do fuzil Mauser modelo 1893, no ano de 1894, em calibre 7mm X 57mm, para substituir o seu antecessor, o fuzil da comissão alemã G88, que aliás é objeto de um artigo neste site. Posteriormente, em 1908, outra grande aquisição do governo junto à D.W.M. (Deutsche Waffen und Munitionsfabrik) veio se juntar à anterior, mas agora com os novos modelos Mauser 1898, que aqui passaram a ser denominados de modelo 1908. Falaremos disso mais adiante, com mais detalhes.

Com a federalização oriunda após a proclamação da República, os estados possuíam autonomia para adquirirem armamento sem necessitar passar por aprovações dos
federais, de forma que isso facilitou muito a aquisição de armas diretamente dos fornecedores na Europa.

Desta maneira, a Força Pública de São Paulo também adquiriu grande quantidade destes fuzis diretamente da D.W.M. (Deutsche Waffen und Munitionsfabrik, de Berlim , Alemanha. Da França, o Governo do Brasil também importou em razoável quantidade as metralhadoras Hotchkiss, onde se escolheu manter, para essas armas, o calibre padronizado de 7mm X 57mm Mauser, o mesmo dos fuzis importados da Alemanha. Na área das armas curtas, houve aquisições importantes de diversas nações, como o revólver “D’ Ordenance Mdle. 1892”, erroneamente chamado de Lebel, os revólveres do tipo Nagant, oriundos da Bélgica (Pieper) e da Alemanha (Simson & Son) , bem como as pistolas semi-automáticas alemãs Parabellum (Luger), trazidas em um lote de 5.000 peças, em 1906.

Em 16 de julho de 1934 funda-se a Fábrica de Canos e Sabres para Armamento Portátil, na cidade de Itajubá, estado de Minas Gerais, inaugurada em 1935. Paralelamente, em 1939, foi reestruturada a antiga Real Fábrica de Pólvora da Estrela na cidade de Majé, estado do Rio de Janeiro, criada em 1808 na Lagoa Rodrigo de Freitas, pelo imperador D. João VI. Ela funcionou como uma organização militar vinculada ao Ministério do Exército até 1975.

Em 1960 a F.I. chegou a produzir cerca de 50.000 pistolas M1911A1, sob licença da Colt, a fim de suprir demanda do Exército Brasileiro. Em 1975, durante o regime militar, o governo brasileiro funda a IMBEL, Indústria de Material Bélico do Brasil, que mantém sob sua alçada as unidades de Itajubá, Juiz de Fora e de Magé.

Segundo informações da própria Imbel em seu site, há indicativos que a criação desta empresa pública ocorreu em decorrência do rompimento, no ano de 1974, pelo Governo de Ernesto Geisel, do Acordo de Cooperação Militar Brasil – Estados Unidos, firmado durante a 2ª Guerra Mundial.

Fábrica de Itajubá

Com a  sua criação, as Fábricas Militares do Exército foram transferidas para a estatal, e com isso, o setor de defesa, integrado com as demais empresas privadas da época, passou a ser uma atividade estratégica para o país, com uma tecnologia nacional em evolução, que permitiria ao Brasil tornar-se mais independente na produção de equipamentos militares.

Em 1893 atravessou período conturbano financeiramente e acabou cedendo sua fábrica de munições, situada em Realengo, para a CBC. Em 1985 fechou um contrato com a Springfield Armory e produziu diversas variantes da pistola, chegando algumas delas a serem adotadas pelo F.B.I. Pelo menos até o ano de 2004, a Imbel detinha 30% das ações da CBC e mantinha uma joint-venture com as empresas South America Ordnance, a Royal Odnance e a Schahin Participações, essa última de controle nacional.

Entrada da Fábrica de Itajubá, MG

Mas, voltando bastante no tempo, vamos nos posicionar quanto à dotação de armas longas efetuadas pelo Governo Brasileiro após a Guerra de Canudos. Como já explorado em outro artigo neste site, ainda em 1873 o governo havia adotado as carabinas belgas Comblain, que teve uma longa participação ativa nas fileiras militares brasileiras. Somente em 1892 é que começaram a ser substituídas pelos fuzís alemães modelo 88, o “Gewehr 88”, em calibre 7,92X57mm, uma vez que no mundo todo a tendência era a de substituição de armas longas utilizando cartuchos de pólvora negra pelos novos cartuchos de pólvora sem fumaça, em calibres mais baixos e mais velozes.

Os fuzis modelo 88 (veja artigo sobre ele, aqui no site) tiveram uma vida de serviço curta no Brasil, devido a uma série de problemas ocorridos com a arma durante a Revolução Federalista e posteriormente, no conflito de Canudos. Em 1894, a Comissão Técnica Consultiva, que estranhamente já havia deixado de lado a ideia de adotar as carabinas “belgas” da Mauser modelo 1889, em favor dos fuzis 88, voltou a pensar nelas como alternativa.

Mas a essa altura, decidiu-se sabiamente por importar algo mais moderno, um modelo similar ao fuzil que já era utilizado na Espanha, e que chegou por aqui como sendo o Mauser modelo 1893, denominado de mod. 1894 em virtude de que a maioria deles vieram com suas câmaras datadas com este ano. Para complicar ainda mais o detalhe das datas, as carabinas belgas F.N. que chegaram nos primeiros lotes, vieram datadas de 1895.

Fuzil Mauser mod. 1894, em cal. 7X57
Fuzil Mauser mod. 1894, em cal. 7X57

Cerca de 75.000 armas foram entregues ao Governo. Em 1899, um inventário acusou 57.000 delas, só no Rio de Janeiro. Mas, é por volta de 100.000 armas a quantidade estimada da compra desse modelo, que desembarcaram em terras tupiniquins ainda em tempo de participar de diversos conflitos armados tais como a Revolução Federalista, a Revolta da Armada e a Guerra de Canudos, mas ainda convivendo lado a lado com as carabinas belgas Comblain e os fuzís modelo 1888. Como o Exército, na época, contava com um efetivo em tempos de paz de 28.000 homens, e cerca do dobro disso em período de guerra, essa aquisição serviu para substituir todo o estoque de armas antigas existentes, tanto as Comblain como o modelo 1888, e mais ainda, o que restava dos fuzis Kropatcheks e das raras carabinas belgas de 1889 em calibre 7,65mmX53.

As dimensões do fuzil Mod. 1894 eram: Comprimento: 1,231m – Peso: 3,75Kg – Comprimento do cano: 0,741m. O raiamento consistia de 4 raias destrógiras. As carabinas 1894, bem mais raras de se encontrar hoje em dia, mediam 0,949m, cano com 0,457m e peso de 3,103 Kg.

Detalhe da ação Mauser do modelo 1894
Detalhe da ação Mauser do modelo 1894

Em 1908, o governo resolve substituir o modelo 1894 pelo mais moderno e reforçado modelo da Mauser, o 1898, mas ainda em calibre 7X57mm, embora as armas do modelo 1894 continuaram em uso até meados da década de 50. Muitas delas foram equipar as Polícias Militares de alguns estados, como o do Rio de Janeiro, que mesmo nos anos 90 ainda eram vistas nas mãos de integrantes da PM daquele estado. Este fuzil passou a ser denominado aqui como Mauser modelo 1908. O fuzil M1908 media 1,247m, cano com 0,742m e peso de 3,796 Kg.

O fuzil Mauser “brasileiro” Modelo 1908, em calibre 7X57mm, modelo 1898, importado da D.W.M. e conhecido aqui como F.O. 08, Fuzil Ordinário “zero-oito”.
O fuzil Mauser “brasileiro” Modelo 1908, em calibre 7X57mm, modelo 1898, importado da D.W.M. e conhecido aqui como F.O. 08, Fuzil Ordinário “zero-oito”.

O período de maior aquisição de Mausers da D.W.M. feito pelo Governo Brasileiro foi entre 1908 e 1914, quando eclodiu a I Guerra e a D.W.M. não tinha sequer condições de suprir o mercado interno em tempos de guerra. Posteriormente, a aquisição de armas fornecida pela C.Z., da Tchecoslováquia, ocorreu principalmente de 1922 a 1924, com o fuzil conhecido como VZ24. (N.A.: as letras VZ é uma abreviatura da palavra tcheca “vzor”, que significa “modelo”; portanto se trata de uma redundância o costume de alguns autores citarem esse fuzil como “modelo VZ 24”). Um detalhe histórico interessante foi a importação feita pelo governo do Estado de São Paulo, de 15.000 carabinas da C.Z. (Tchecoslováquia), no ano de 1932, para suprir as tropas revolucionárias que se ergueram contra Getúlio Vargas; a chamada Revolução Constitucionalista.

Da Fabrique Nationale D’Armes de Guerre, a F.N. de Herstal, Bélgica, o Exército importou grande quantidade de carabinas, também entre os anos de 1922 a 1924, para uso de tropas de artilharia e cavalaria. A quantidade correta de armas importadas ainda não é devidamente comprovada. A ação era do Mauser 98, em calibre 7mmX57mm, alavanca de ferrolho curvada para baixo e a coronha seguia o estilo “inglês”, sem punho-pistola. A telha era de madeira do tipo inteiriça, apenas com uma abertura, de onde emergia a alça de mira. A braçadeira dianteira era do tipo estreito, não a tradicional em forma de H mais comumente encontrada nos fuzís. As carabinas mediam 1,063 m de comprimento, cano com 0,558 m e peso total de 3,601 Kg.

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As carabinas Mauser de fabricação belga “Fabrique Nationale D’Armes de Guerre”, importadas pelo Exército Brasileiro em 1922, calibre 7mmX57mm. Note que essas carabinas, embora utilizando ação 1898, possuíam a coronha sem punho-pistola e não havia o rebaixo na coronha, sob a manopla do ferrolho.
As carabinas Mauser de fabricação belga “Fabrique Nationale D’Armes de Guerre”, importadas pelo Exército Brasileiro em 1922, calibre 7mmX57mm. Note que essas carabinas, embora utilizando ação 1898, possuíam a coronha sem punho-pistola e não havia o rebaixo na coronha, sob a manopla do ferrolho.

Em 1930, a reviravolta política causada pela ascensão de Getúlio Vargas e a proclamação do “Estado Novo”, sistema modelado em vários aspectos à ditadura fascista de Mussolini, alavancou sobremaneira a re-equipação das Forças Armadas. Além disso, do nordeste do país vinha crescendo a ameaça constante do cangaço. Por essa razão, e com a produção um pouco limitada da Fábrica de Itajubá, o governo aceitou uma proposta da Mauser Werke, da Alemanha, já sob controle do partido nazista, que cultivava uma simpatia discreta com o Governo Getulista.

Acima, Mauser 1908 (M1898) do contrato brasileiro, com a marca B dentro de um círculo (acervo particular)
Acima, Mauser 1908 (M1898) do contrato brasileiro, com a marca B dentro de um círculo (acervo particular)
Mauser 1908, do contrato brasileiro, em calibre 7mmX57, com o ferrolho retirado
Mauser 1908, do contrato brasileiro, em calibre 7mmX57, com o ferrolho retirado

A Mauser, embora ainda  debaixo do Tratado de Versalhes e produzindo “secretamente” armas para equipar o Exército Alemão, ofereceu ao governo brasileiro o preenchimento desta demanda, com o Modelo 1935, em versões de fuzil ou de carabina. Essas armas, uma produção pré-guerra, apresentavam o que de mais perfeito a Mauser podia exibir no que tocava à acabamento e qualidade.

Carabina Mauser modelo 1935, ferrolho reto, em calibre 7mm X 57 Mauser; foi muito utilizada nas campanhas militares contra o cangaço nordestino – a arma acima foi negociada em leilão nos USA, totalmente original e sem uso – note o dispositivo cobre-mira atachado à boca do cano.
Carabina Mauser modelo 1935, ferrolho reto, em calibre 7mm X 57 Mauser; foi muito utilizada nas campanhas militares contra o cangaço nordestino – a arma acima foi negociada em leilão nos USA, totalmente original e sem uso – note o dispositivo cobre-mira atachado à boca do cano.
Detalhe da carabina de fabricação Mauser, mod. 1935, em calibre 7mm X 57.
Detalhe da carabina de fabricação Mauser, mod. 1935, em calibre 7mm X 57.

Na verdade essas armas eram idênticas ao modelo alemão de 1898, aqui adotado como M1908, com exceção da alça de mira tangencial já utilizada neste último modelo, além da incorporação de um rebaixo efetuado na parte frontal da coronha para melhorar a aderência da mão. Desta forma, essa similaridade não apresentava dificuldades maiores para o treinamento dos soldados, já acostumados à arma. Grande parte dessa importação permaneceu em arsenais brasileiros praticamente sem uso até a sua substituição pelo Mosquetão Itajubá, a partir de 1950, com a adoção do calibre .30-06 Springfield pelas Forças Armadas Brasileiras. Acredita-se que grande parte desses Mauser foram posteriormente retrabalhados e transformados no Mosquetão M1949.

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Mauser M1935, fabricação Mauser Werke, na versão longa (fuzil), em cal. 7mm X 57.
Mauser M1935, fabricação Mauser Werke, na versão longa (fuzil), em cal. 7mm X 57.
No alto, detalhe da ação da carabina Mauser 1935 – note o acabamento oxidado de primeira qualidade e o Brasão de Armas do Brasil – em baixo, detalhe lateral da ação e coronha em nogueira européia.
No alto, detalhe da ação da carabina Mauser 1935 – note o acabamento oxidado de primeira qualidade e o Brasão de Armas do Brasil – em baixo, detalhe lateral da ação e coronha em nogueira européia.

O MAUSER “BRASILEIRO”

Devido à grande demanda de fuzis para suprir as Forças Armadas Brasileiras durante a primeira metade do século XX, a Fábrica de Itajubá iniciou a fabricação “em casa” dos Mauser mod. 1908 como alternativa às importações que eram geralmente feitas junto à D.W.M. na Alemanha (Deutsche  Waffen und Munitionsfabrik) e da C.Z. (Ceska Sbrojovka), na então Tchecoslováquia, com a utilização de madeiras locais ao invés das nogueiras européias.  Foi então que a partir de 1934, e como forma de minimizar a dependência de importação de armas, a Fábrica de Itajubá decidiu produzir fuzís e carabinas no Brasil, originando assim o chamado modelo 1908/34, uma versão “nacionalizada” e encurtada, nos moldes das carabinas.

Carabina de cavalaria do modelo 1908/34, fabricado pela Fábrica de Itajubá em calibre. 7X57mm
Carabina de cavalaria do modelo 1908/34, fabricado pela Fábrica de Itajubá em calibre. 7X57mm

Em 1949, após a II Guerra, onde o Brasil participou com a F.E.B. nos campos de batalha da Itália, por influência e acordo militar com o governo norte-americano, o Exército resolveu adotar o calibre .30-06 como regulamentar, embora o 7X57mm continuou ainda, e por muito tempo, presente em algumas unidades do Exército, bem como nos “Tiro de Guerra”. Com essa modificação, a Fábrica de Itajubá começa a produzir uma carabina Mauser, baseada no 08/34 mas em calibre .30-06 Springfield, aqui batizada por Mosquetão Itajubá M1949. Posteriormente, uma segunda série com pequeníssimas mudanças, tais como a boca do cano rosqueada para permitir montagem de lança-granadas e quebra-chamas, foi fabricada em 1954, originando assim 0 Mosquetão Itajubá M954.

Mosquetão F.I. modelo 1949 em calibre .30-06 Springfield, baseado na ação Mauser de 1898
Mosquetão F.I. modelo 1949 em calibre .30-06 Springfield, baseado na ação Mauser de 1898
Uma das páginas interiores do manual, tratando da nomenclatura de algumas peças
Uma das páginas interiores do manual, tratando da nomenclatura de algumas peças
Capa do Manual de Campanha do Mosquetão 1949, edição do M.G. de 1956
Capa do Manual de Campanha do Mosquetão 1949, edição do M.G. de 1956

Em 1964, o Exército Brasileiro resolve adotar o fuzil semi e automático belga, o F.N. denominado F.A.L. (Fuzil Automatique Legère), ou fuzil automático leve, utilizando o cartucho padrão da OTAN, o 7,62mmX51, cartucho baseado no .308 Winchester. Paulatinamente, esse fuzil começou a substituir os mosquetões Itajubá M949 e M954, ainda em calibre .30-06. Em 1967, a fim de reduzir custos e poder padronizar mais rapidamente o calibre utilizado pelo Exército Brasileiro, a Fábrica de Itajubá resolve modificar cerca de 10.000 mosquetões para que pudessem usar o novo cartucho, aproveitando também para aliviar o peso da arma. Assim nascia o M968, apelidado pelo exótico nome de “Mosquefal”.

Acima, o Mosquetão M968 “Mosquefal”, em calibre 7,62mmX51 NATO
Acima, o Mosquetão M968 “Mosquefal”, em calibre 7,62mmX51 NATO

Essa transformação era de natureza simples. Como o culote do cartucho 7,62mmX51 tem exatamente o mesmo diâmetro do .30-06, não houve necessidade de se modificar nada no ferrolho, caixa de culatra e mecanismo de disparo. A alça de mira tipo Mauser foi eliminada, sobre o cano, e a telha de madeira, agora, não tinha mais a abertura superior para ela. Foi desenvolvida uma alça de mira traseira, tipo “peep-sight”, algo semelhante à usada no fuzil norte-americano Enfield 1917. Além disso, foi acrescentada uma massa de mira mais alta e um quebra-chamas, com suporte para possibilitar montagem de um lança-granadas, o mesmo utilizado pelo FAL. Essa arma ainda se encontra em uso até hoje em diversas unidades de “Tiro de Guerra”. Desta forma, foi decretada a “morte” definitiva do cartucho .30-06 Springfield nos quartéis brasileiros.

Durante as décadas de 70 a 80 a Fábrica de Itajubá lançou algumas carabinas baseadas nas ações Mauser de fuzís que eram, progressivamente, sendo recolhidos nas unidades do Exército, além do que ocorria com os leilões organizados pelo E.B. a fim de vender essas armas, ora obsoletas, para militares e colecionadores registrados.

Algumas dessas carabinas, feitas em muito pouca quantidade, foram distribuídas para algumas unidades policiais e para serem usadas em veículos militares. Eram carabinas curtas, chamadas de Officer, talvez uma alusão ao fato de serem utilizadas por oficiais. Segundo meu amigo e expert em fuzis, J. Renato M. Figueira, a intenção era de se fazer uma carabina do tamanho da americana .30M1. Tanto as ações de fuzis Mauser 1894 e 1898 foram utilizadas. Várias dessas armas foram, posteriormente, leiloadas pela Imbel. Conta Figueira que várias dessas peças, em leilão, estavam com suas coronhas tomadas por carunchos. O acabamento era o parquerizado, mais barato e simples de se fazer do que oxidação à quente e eram fornecidos com bandoleiras de lona.

AS ESPINGARDAS

Em meados da década de 60, diversos fuzis remanescentes do modelo 1893 em cal. 7X57mm. se encontravam completamente fora de serviço e espalhados por várias unidades do Exército Brasileiro. Surgiu então a idéia de se reaproveitar esse armamento, a grande maioria deles em perfeito estado; ao invés de serem destruídos, e lançando mão de pouquíssimo investimento, a Fábrica de Itajubá resolve transformá-los em uma arma para venda no comércio, destinada à caça; uma espingarda de alma lisa.

A espingarda Itajubá em calibre 28 – note a coronha sem “pistol grip”, característica dos fuzis Mauser 1893 – foto do autor
A espingarda Itajubá em calibre 28 – note a coronha sem “pistol grip”, característica dos fuzis Mauser 1893 – foto do autor

Da grande quantidade de armas recuperadas dos quartéis e depois de passarem por uma triagem, aproveitava-se a coronha com a soleira de metal, a ação completa (caixa de culatra com mecanismo de disparo, ferrolho e armação do carregador) e os acessórios da coronha como anilhos e presilhas de bandoleira. O cano, bem como as miras,  eram removidos e em seu lugar entrava um novo cano de alma lisa, fabricado na própria Itajubá. Foram escolhidos dois calibres para estabelecerem as duas versões da espingarda; o calibre 28 e o 36. Como não havia mais a alça de mira regulável, a nova telha que recobre parte do cano teve que ser feita à parte, por não ser possível a original ser reaproveitada. Note a coronha típica dos Mauser 1893, sem punho-pistola.

De acordo com o leitor Marcos Letro, militar e instrutor de tiro, as primeiras espingardas em calibre 36 foram colocadas à venda em 1962, oferecida para sargentos e oficiais do Exército, na época pelo preço de Cr$ 1.000,00 (Um Mil Cruzeiros ). Os modelos em calibre 28 foram lançadas entre 1965 e 1966, pois ainda havia disponibilidade de muitas peças em estoque. A esta altura, as espingardas já se encontravam à venda nas lojas de caça e pesca do país. O autor adquiriu uma calibre 28 no final de 1965, ao preço de Cr$ 45.500,00. Os pistolões, mais difíceis de serem encontrados hoje em dia, em calibre 36, foram os últimos a serem fabricados, pois não havia mais disponibilidade de coronhas, diz o leitor colaborador.

Detalhe da culatra aberta mostrando um cartucho “Velox” da CBC calibre 28
Detalhe da culatra aberta mostrando um cartucho “Velox” da CBC calibre 28

A escolha desses dois calibres não foi feita tão somente pelo fato de serem, na época, muito populares para caças pequenas e de aves. O fato é que, no caso do calibre 28, havia uma feliz coincidência de que os cartuchos podiam se encaixar corretamente, de ambos os lados, nas abas do carregador, mas somente em número de dois, um em cima do outro. Havia a possibilidade de se colocar mais um cartucho diretamente na câmara, o que fazia a arma comportar tres cartuchos.

A Itajubá em calibre 36 – o autor supõe que, neste calibre, foi mantido o cano original da carabina Mauser, aberto para o calibre 36, uma vez que até a massa de mira foi mantida.
A Itajubá em calibre 36 – o autor supõe que, neste calibre, foi mantido o cano original da carabina Mauser, aberto para o calibre 36, uma vez que até a massa de mira foi mantida.

No caso do calibre 36, a coisa era mais fácil de se adaptar; nem foi necessário o uso de uma lâmina de transporte dos cartuchos de forma plana, como no caso da 28; podia-se usar a mesma lâmina original do fuzil, com a nervura de divisão central, visto que os cartuchos podiam ser carregados de forma bifilar tal como os originais calibre 7X57mm.

Culatra da Itajubá 28, aberta – note a inscrição “Full-Choke” sobre a câmara e a lâmina (lisa) levantadora dos cartuchos.
Culatra da Itajubá 28, aberta – note a inscrição “Full-Choke” sobre a câmara e a lâmina (lisa) levantadora dos cartuchos.

Infelizmente nos faltam dados sobre a produção e vendas dessas duas espingardas, bem como até que ano foram produzidas;  depois de várias tentativas de contato com a Imbel, não obtivemos resposta e colaboração dela neste sentido. Talvez, se um dia recebermos essas informações, elas serão sem dúvida adicionadas aqui. Mas, pode-se afirmar sem medo de errar que essas espingardas foram bem vendidas. O preço era convidadivo, custando um pouco mais que uma espingarda da Amadeo Rossi ou da CBC, modelos de um cano, de cão externo, armas bem mais simples.

Detalhe da ação Mauser 1893 usada na espingarda Itajubá calibre 28
Detalhe da ação Mauser 1893 usada na espingarda Itajubá calibre 28
Além de uma pequena diferença na usinagem da cabeça do ferrolho, na ação do modelo em calibre 36 não se nota mais nenhuma diferença em relação à calibre 28
Além de uma pequena diferença na usinagem da cabeça do ferrolho, na ação do modelo em calibre 36 não se nota mais nenhuma diferença em relação à calibre 28

Os modelos eram fornecidos com canos em “full-choke“, ou seja, com um certo estrangulamento, característica que aliada ao grande comprimento do cano (740 mm), permitia um alcance considerável para o calibre. O autor fez testes do tipo “pattern” na espingarda de calibre 28, em alvo de papel, para se avaliar a densidade de chumbos. A 1o metros de distância, o diâmetro da chumbada de número 7 estava em torno de 40 centímetros, o que mostra uma concentração muito grande.

Ferrolho completo da ação 1893 – a única alteração feita no desenho original foi a usinagem da parte dianteira, eliminando-se o rebaixo existente que comportava o culote dos cartuchos 7X57mm
Ferrolho completo da ação 1893 – a única alteração feita no desenho original foi a usinagem da parte dianteira, eliminando-se o rebaixo existente que comportava o culote dos cartuchos 7X57mm

Além disso, a confiabilidade era muito boa, pois mesmo se tratando de uma adaptação de um fuzil para uso com cartuchos de caça, a arma muito dificilmente dava problemas de alimentação e de ejeção. Porém, os cartuchos tinham que ser do tipo com boca rebordada, de papelão ou plástico. Cartuchos de metal, do tipo “Presidente” produzido pela CBC, em virtude de terem a boca em canto vivo, enroscavam na alimentação. Outro fator importante era a qualidade do produto e sua durabilidade, pois com excessão do cano, se tratava de um fuzil fabricado na Alemanha com os melhores materiais de que se dispunha na época. Sem dúvida, uma arma que duraria por várias dezenas de anos, se convenientemente bem tratada.

Na espingarda Itajubá em calibre 28, a lâmina transportadora do carregador dos cartuchos teve a sua nervura central aplainada, para poder comportar um cartucho de cada vez
Na espingarda Itajubá em calibre 28, a lâmina transportadora do carregador dos cartuchos teve a sua nervura central aplainada, para poder comportar um cartucho de cada vez
Culatra aberta do modelo em calibre 36 – nota-se a nervura existente na lâmina levantadora de cartuchos, que possibilita o posicionamento de 4 cartuchos, intercalados dois a dois.
Culatra aberta do modelo em calibre 36 – nota-se a nervura existente na lâmina levantadora de cartuchos, que possibilita o posicionamento de 4 cartuchos, intercalados dois a dois.

Uma variante bem mais rara, derivada do mesmo projeto, foi uma espécie de pistolão, lançado no calibre 36 nos finais da produção, por ainda possuírem em estoque o mecanismo da ação, mas não mais dispondo mais de coronhas. O pistolão usava uma coronha tipo pistola, com a empunhadura posicionada logo abaixo da culatra e um pequeno fuste colocado na parte anterior, sob o cano, que tinha pouco mais de 30 cm. de comprimento. Era um pouco desconfortável o manuseio da ação por ferrolho, uma vez que a mão esquerda deveria estar empunhando a arma enquanto a direita abria o ferrolho. Esse pistolão foi bem menos disponibilizado no mercado do que as espingardas.

Acima, o pistolão Itajubá, utilizando ação Mauser do tipo 1898 (gentileza de um leitor)
Acima, o pistolão Itajubá, utilizando ação Mauser do tipo 1898 (gentileza de um leitor)

Os últimos exemplares produzidos, já com a empresa utilizando seu novo nome, Imbel, usavam ações do Mauser tipo 1898, provavelmente oriundas de fuzis remanescentes do Contrato Brasileiro de 1908. Acredita-se que essas últimas saíram de linha no final dos anos 70. Mesmo nos fuzis Mauser, a ação modelo 1898 tem uma diferença marcante em relação à modelo 1893, dentre outras visando maior segurança: na ação 1898, o simples fato de se erguer a alavanca do ferrolho e baixá-la novamente, já arma o percussor. Na ação 1893, após a alavanca erguida, o ferrolho tem que ser puxado um pouco para trás para se proceder ao engatilhamento.

Espingarda Imbel calibre 28, últimas séries, já utilizando ação do fuzil Mauser 1908 – repare a coronha utilizada, original do fuzil 1908, com punho-pistola e agora sem a telha superior – (Foto cortesia de D.A.N.)
Espingarda Imbel calibre 28, últimas séries, já utilizando ação do fuzil Mauser 1908 – repare a coronha utilizada, original do fuzil 1908, com punho-pistola e agora sem a telha superior – (Foto cortesia de D.A.N.)
Detalhe da estampa da Imbel, gravada sobre a câmara e dados do calibre (Foto cortezia de D.A.N.)
Detalhe da estampa da Imbel, gravada sobre a câmara e dados do calibre (Foto cortezia de D.A.N.)
Detalhe do ferrolho aberto da Imbel calibre 28, onde se nota claramente as características da ação Mauser tipo 98, como a orelha lisa da trava de segurança, mais um dente de trancamento traseiro e o trilho/guia superior no cilindro do ferrolho. Note bem no centro da foto, fixada à armação via um parafuso, a alavanca de trava do ferrolho, utilizada para a retirada do mesmo e também como alojamento do ejetor de cartuchos. (Foto cortezia de D.A.N.)
Detalhe do ferrolho aberto da Imbel calibre 28, onde se nota claramente as características da ação Mauser tipo 98, como a orelha lisa da trava de segurança, mais um dente de trancamento traseiro e o trilho/guia superior no cilindro do ferrolho. Note bem no centro da foto, fixada à armação via um parafuso, a alavanca de trava do ferrolho, utilizada para a retirada do mesmo e também como alojamento do ejetor de cartuchos. (Foto cortezia de D.A.N.)

DETALHES DE FUNCIONAMENTO

De maneira análoga ao manuseio do fuzil Mauser, abre-se a culatra puxando-se o ferrolho totalmente para trás. Insere-se dois cartuchos no carregador (cal. 28), por cima, de forma que o último fique retido pelas abas traseiras. Um terceiro cartucho pode ser inserido diretamente na câmara. Neste caso, antes de fechar o ferrolho, exerce-se uma pequena pressão para baixo no último cartucho para que o ferrolho passe por cima dele e tranque sobre o cartucho existente na câmara.

Marca de fábrica do lado esquerdo da culatra na espingarda calibre 36
Marca de fábrica do lado esquerdo da culatra na espingarda calibre 36

Após cada disparo, o ferrolho necessita ser aberto até o final de seu curso, ejetando o cartucho vazio; fecha-se novamente o ferrolho, quando o cartucho seguinte no carregador se solta das abas, para ser alimentado. Em relação aos cartuchos utilizados, dever-se tomar o cuidado de se usar os designados para câmaras de 65mm e não os de 70mm, que poderá ocasionar problemas sérios.

O mecanismo de gatilho, mantido exatamente como o original, não é particularmente muito duro, mas tem a característica típica dos fuzis Mauser, que são os dois estágios bem definidos e com curso bem longo. De qualquer forma, mesmo se tratando se arma derivada de um fuzil militar, o acionamento do gatilho é macio.

A trava de segurança, que é de uma eficácia a toda prova pois impede de forma muito consistente o movimento do percussor, funciona da seguinte maneira:

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À esquerda, ferrolho destravado e desengatilhado; no centro, arma engatilhada e travada (o ferrolho pode ser manuseado desta forma com total segurança); à direita, trava total acionada, que não permite nem a abertura do ferrolho para manuseio.

Detalhe da desmontagem parcial do ferrolho, para limpeza interna e lubrificação – com a trava de segurança na posição intermediária, basta desatarrachar o conjunto traseiro do corpo cilíndrico do ferrolho. Em cima, o cilindro com alavanca de manejo e lâmina do extrator. Abaixo, conjunto do percussor com sua mola, guia e trava de segurança.
Detalhe da desmontagem parcial do ferrolho, para limpeza interna e lubrificação – com a trava de segurança na posição intermediária, basta desatarrachar o conjunto traseiro do corpo cilíndrico do ferrolho. Em cima, o cilindro com alavanca de manejo e lâmina do extrator. Abaixo, conjunto do percussor com sua mola, guia e trava de segurança.

O ferrolho pode ser retirado da arma com muita facilidade. Do lado esquerdo da culatra há um retém, articulado em um pino, com um ressalto serrilhado na parte superior. Abre-se o ferrolho até o final do curso, abre-se esse retém para fora, puxando-o para a esquerda e retira-se o ferrolho. Ao recolocar o ferrolho na arma, não é necessário se mover o retém, mas atenção com o posionamento correto da lâmina do extrator.

O funcionamento da calibre 36 era mais garantido do que na 28. Nesta última, o autor teve a oportunidade de usar várias delas, a extração nem sempre ocorria de forma adequada. Interessante citar que cartuchos carregados eram extraídos com mais eficiência do que os vazios. Muitas vezes, esses eram corretamente extraídos da câmara mas por questão de ajustes, eram “largados” pelo extrator no meio do percurso, antes de atingirem o ejetor, que fica localizado na trava do ferrolho, lado esquerdo da caixa da culatra.

CONCLUSÃO

Trata-se de uma arma curiosa, tanto nos aspectos técnicos como da forma como foi idealizada. No Brasil da década de 60, com pouquíssimos fabricantes concorrentes e nenhuma espingarda com padrões altos de qualidade, diga-se de passagem, a Fábrica de Itajubá teve a chance e a idéia interessante de reaproveitar armas militares, cujo destino certo seria a destruição, e lançar uma espingarda no mercado, com investimento baixíssimo e praticamente nenhum custo de desenvolvimento.

Mesmo se tratando de uma adaptação, a arma tinha suas virtudes como extrema resistência, qualidade dos materiais e robustez a toda prova. Sua semelhança com os fuzis Mauser de repetição podem ter inclusive, ajudado nas vendas pois era uma arma atraente e muito mais vistosa que as simples espingardas de um tiro e de um cano existentes na época.

À esquerda, caçador em ação com a Itajubá 28 na década de 60

A desvantagem ficava por conta do tamanho avantajado, embora os modelos em calibre 36 tiveram uma opção que utilizava canos mais curtos; em relação ao transporte, elas eram realmente um tanto incovenientes e chamavam muito a atenção, pois não tinham o recurso comum nas espingardas tradicionais de se separar o cano do resto da arma, inclusive sem uso de ferramentas.

O acabamento é muito bom, de modo geral, com o madeiramento bem conservado e envernizado brilhante, e peças em aço com oxidação negra brilhante. O ferrolho foi mantido em aço puro, sem acabamento algum. Estéticamente a arma peca um pouco pela parte dianteira onde, com a retirada do prolongamento do fuste do fuzil, a coronha termina de forma um tanto abrupta.

A ITAJUBÁ ATÉ 2010

Hoje, a fábrica de Itajubá é parte do complexo fabril da Imbel, fornecedora de armamento bélico para as forças armadas, incluindo aí o fuzil FAL M964, a carabina MD97, as pistolas baseadas no projeto 1911 M973 bem como armas para uso de civís e atiradores na categoria “Tiro Prático” (I.P.S.C.) como o modelo GC45. Além disso ainda produz munição de uso militar e vários tipos de pólvora destinados aos atiradores que se dedicam à recarga de cartuchos. A carabina MD1 em calibre .22LR é outra arma destinada ao público atirador esportivo, conforme nos mostra o material promocional abaixo.

Esta arma é a substituta de outra carabina no mesmo calibre, lançada pela Fábrica de Itajubá nas décadas de 70 a 80, com o intuito de competir no mercado com suas rivais da CBC e da Rossi. Era uma carabina com carregador destacável de 5 cartuchos, de repetição por ferrolho, muito bem construída com materiais de primeira linha. Em sua época, provou ser uma das mais agradáveis e precisas carabinas nacionais.

Detalhe do ferrolho aberto da carabina Itajubá em calibre .22 LR. Essa era a posição do ferrolho quando ele poderia ser retirado para limpeza.
Detalhe do ferrolho aberto da carabina Itajubá em calibre .22 LR. Essa era a posição do ferrolho quando ele poderia ser retirado para limpeza.

DADOS RESUMIDOS DA ESPINGARDA 28 E 36

  • Data de fabricação: entre 1965 a 1975 (estimado)
  • Calibre: 28 e 36
  • Capacidade: 28 (3 cartuchos) e 36 (5 cartuchos) incluindo um câmara
  • Acabamento: oxidada
  • Comprimento total: 125 cm (28) e 107 cm (36)
  • Comprimento do cano: 74mm (28) e 56mm (36)
  • Pêso: 2,500 Kg descarregada (28) e 2,325 Kg (36)

 

 

 

Fonte: Armas Online

José Ricardo Rosa, 55, conhecido como “Tatão” segurando um tijolo com a suástica nazista; após herdar a fazenda Cruzeiro do Sul na cidade de Campina do Monte Alegre ele encontrou por acaso tijolos com o sinal nazista usados na construção -Fonte Folha de São Paulo – Carlos Cecconello

Escombros de fazenda no interior paulista revelam passado de admiração ao nazismo

Os tijolos que hoje se desprendem de uma velha capelinha da fazenda Cruzeiro do Sul, servem como pistas para rastrear como um integrante de um abastado clã do Rio de Janeiro transformou sua propriedade num testemunho de admiração ao nazismo nos anos 1930.

Nessa fazenda, os blocos de barro eram feitos com uma suástica estampada.

Alguns desses tijolos viraram material para pesquisadores, assim como fotografias de bois marcados a ferro quente com o símbolo nazista, bandeiras e uma série de outros documentos encontrados na propriedade.

José Ricardo Rosa segura um tijolo com a suástica nazista – Folha de São Paulo – Carlos Cecconello
José Ricardo Rosa segura um tijolo com a suástica nazista – Folha de São Paulo – Carlos Cecconello

No início do século 20, a família carioca Rocha Miranda adquire uma extensa área de terra no interior do estado de São Paulo. Os Rocha Miranda eram na época proprietários do Hotel Glória, da Casa Bancária Rocha Miranda e da companhia de aviação Panair, entre outras empresas do Rio de Janeiro, então capital da República. Ao lado dos Guinle e dos Leal, eram uma das famílias mais ricas do Brasil.

A exploração dessas áreas do interior paulista teve início no fim do Império. Elas foram parte do presente de D. Pedro I (1798-1834) ao brigadeiro Raphael Tobias de Aguiar (1794 – 1857), fundador da Polícia Militar de São Paulo, por seu casamento com a Marquesa de Santos (1797 – 1867), oficializado em 1842. Em 1906, o brigadeiro as vendeu para Luis Rocha Miranda.

José Ricardo Rosa segura um tijolo com a suástica nazista – Carlos Cecconello/Folhapress
José Ricardo Rosa segura um tijolo com a suástica nazista – Carlos Cecconello/Folhapress

As terras abarcavam as fazendas Santa Albertina, Cruzeiro do Sul, Retiro Feliz, Mandaçaia, Cavalinho e Sobradinho, em uma área de 40 mil hectares na região de Buri. É dentro dessas terras que se encontra a Guatambu, fazenda-sede da Agropecuária Guatambu Ltda.

As terras teriam sido compradas para a prática da caça a perdizes, aves características daqueles campos. Contam-se muitas histórias sobre as caçadas que os Rocha Miranda realizavam ali, junto aos numerosos amigos que traziam do Rio de Janeiro em composições fretadas da Estrada de Ferro Sorocabana. Integradas por carros-dormitório, carro-restaurante e carro-sala de estar, especialmente decoradas, essas composições permaneciam em uma estação construída pelos Rocha Miranda e hoje conhecida como Estação Hermilo, em Angatuba (SP). Terminada a temporada de caça, o luxuoso trem os levava de volta para o Rio de Janeiro.

Em 1934 a família Rocha Miranda dá início, nessas terras, à criação e seleção de gado Nelore. Com a morte do patriarca seus três filhos, Sérgio, Oswaldo e Renato Rocha Miranda, tomam posse das propriedades.

Aloysio Silva, 89, foi uma das crianças trazidas de um orfanato do Rio de Janeiro na decada de 30 para trabalhar na Fazenda Santa Albertina de propriedade de Oswaldo Rocha Miranda; ele afirma ter sido submetido a normas e costumes escravagistas – Carlos Cecconello/Folhapress
Aloysio Silva, 89, foi uma das crianças trazidas de um orfanato do Rio de Janeiro na decada de 30 para trabalhar na Fazenda Santa Albertina de propriedade de Oswaldo Rocha Miranda; ele afirma ter sido submetido a normas e costumes escravagistas – Carlos Cecconello/Folhapress

Sérgio Rocha Miranda cuidava da fazenda Cruzeiro do Sul. A propriedade vizinha, a Santa Albertina, ficava sob os cuidados de seu irmão, Oswaldo Rocha Miranda. Nela, funcionava uma espécie de fazenda-orfanato para 50 meninos mantidos em um regime quase escravo.

Com idades entre 9 e 12 anos, esses garotos (somente dois deles brancos) foram entregues a Oswaldo em 1933 e 1934, após decisão judicial.

Todos haviam sido abandonados no orfanato católico Educandário Romão de Mattos Duarte, no Rio, e foram retirados de lá por Oswaldo com a promessa de terem uma vida melhor, segundo Aloysio Silva, 89, o “menino número 23″ da lista de 50.

“Era uma vida diferente da prometida. Era castigo por tudo, trabalhava muito, até de fazer a mão sangrar”, conta Aloysio, o número 23.

Quero saber da minha mãe, pai e irmãos antes de morrer. É muito triste ficar velho sem saber quem é nossa família. Como não conheci ninguém, sou assim meio revoltado. Dá um negócio assim…Uma revolta danada daquela vida na fazenda.

Dessa forma, Aloysio Silva, 89, pai de sete filhos e morador de Campina do Monte Alegre (SP), reage sobre os quase dez anos vividos na Fazenda Santa Albertina.

Silva foi transferido do Educandário Romão de Mattos Duarte, no Rio, para a Santa Albertina em 1933. Lá, por dez anos, deixou de ser Aloysio para ser o “23”.

Aloysio Silva foi uma das 50 crianças trazidas para trabalhar na fazenda, todas atendiam por números e não pelos nomes, Aloysio era o número 23 – Carlos Cecconello/Folhapress
Aloysio Silva foi uma das 50 crianças trazidas para trabalhar na fazenda, todas atendiam por números e não pelos nomes, Aloysio era o número 23 – Carlos Cecconello/Folhapress

“Os bichos tinham documento e nome na fazenda. E nós éramos tudo número, como se nós fôssemos gado”, diz ele. “O cumprimento na fazenda era sempre ‘Heil Hitler’ ou ‘Anauê’ [saudação dos integralistas], mas a gente nem sabia o que era esse negócio de nazismo.”

Segundo os documentos do orfanato, Silva foi abandonado pela mãe, Maria Augusta da Silva, quando tinha três anos. O local era conhecido como “Casa da Roda”: do lado de fora, familiares colocavam bebês e crianças em uma portinhola que girava até as freiras, do lado de dentro.

Além do nome da mãe, Silva também sabe o de uma irmã, Judith, mas nunca conseguiu localizá-las. “A família vivia ali por onde hoje é o aterro do Flamengo. Só sei disso, mas queria achar alguém.”

Na fazenda, Silva se notabilizou por ser um corajoso “domador de bois, cavalos e burros bravos” e como um dos melhores jogadores de futebol do time dos Rocha Miranda.

A vida na fazenda era sofrida demais. Tinha castigo por tudo. (…) As traquinagens de moleque sempre terminavam com castigo. Era no silo [tanque de armazenamento de cereais] que eles deixavam a gente, como se fosse cadeia“, relembra. “A palmatória tinha uns buracos. Quando batia na mão da gente, sugava tudo. Doía muito.

Reprodução de foto encontrada nas fazenda da família Rocha Miranda em Campina do Monte Alegre interior de São Paulo, em que gados eram marcados com a suástica nazista
Reprodução de foto encontrada nas fazenda da família Rocha Miranda em Campina do Monte Alegre interior de São Paulo, em que gados eram marcados com a suástica nazista

Já os irmãos Maurício e Ângela Rocha Miranda, herdeiros de parte da fazenda Santa Albertina, contestam as versões que colocam seus tios-avôs como simpatizantes de práticas nazistas nas fazendas da família.

Segundo Maurício, o apoio de Sérgio Rocha Miranda ao nazismo durou somente até o momento em que descobriu as reais intenções de Adolf Hitler, por volta de 1934.

Sérgio era um homem viajado, que gostava da boa vida. Era, sim, simpatizante do nazismo no início da década de 1930, como diversas pessoas na sociedade brasileira também eram. Havia um partido nazista no Brasil.”

Parte da fazenda Cruzeiro do Sul está em ruína. (Foto: Divulgação)
Parte da fazenda Cruzeiro do Sul está em ruína. (Foto: Divulgação)

No entanto, diz Maurício, no fim de 1934, com a ascensão de Hitler ao poder, Sérgio deixou de flertar com o nazismo e eliminou a suástica como símbolo da fazenda.

Sobre os 50 meninos trazidos do orfanato por Oswaldo Rocha Miranda, ele afirma que o tio-avô o fez, “com aval do governo da época“, para atender o pedido de sua mulher de “dar escola, educação e profissão aos órfãos”.

Era uma fazenda aberta e eles tinham de ser controlados, mas jamais foram castigados, punidos ou escravizados“, afirma.

Maurício e Ângela captam em vídeo depoimentos de ex-funcionários e de frequentadores das fazendas para mostrar como os Rocha Miranda são bem conceituados nas cidades que se desenvolveram ao lado de suas terras.

Ainda segundo Maurício, o historiador Sidney Aguilar Filho nunca procurou ouvir a versão da família para sua tese de doutorado. Sidney disse não ter conseguido contato com os Rocha Miranda.

Tijolos com a suastica nazista encontrados na fazenda Cruzeiro do Sul – Carlos Cecconello/Folhapress
Tijolos com a suastica nazista encontrados na fazenda Cruzeiro do Sul – Carlos Cecconello/Folhapress

As fazendas, que se espalhavam por área que hoje alcança três municípios. As primeiras marcas do nazismo foram descobertas em 1997 pelo tropeiro José Ricardo Rosa Maciel, 55, o Tatão. Dono de espessa barba branca, ele narra a descoberta.

Teve uma briga da porcada, que derrubou a parede do chiqueiro. Quando vi o estrago, achei os tijolos com a marca nazista. Passaram anos me chamando de louco, mas agora tá tudo comprovado pelos estudos do doutor Sidney.

Tatão se refere ao historiador Sidney Aguilar Filho, 45. Em 1998, ele dava aula para a enteada de Tatão quando ela revelou que, na fazenda onde vivia, havia tijolos com aquele “símbolo alemão” das aulas de história. Sidney investigou por mais de uma década e, em 2011, apresentou sua tese de doutorado na Unicamp sobre a exploração do trabalho e a violência à infância no país no período de 1930 a 1945.

Por muitos anos, aqueles meninos foram submetidos a um regime de trabalho como se fossem adultos, sem remuneração, sem liberdade de ir e vir e estudando pouco. Mas aquilo era aceito pela sociedade”, diz ele.

Anos mais tarde, o tenente da Força Aérea Brasileira Renato Rocha Miranda Filho viria a tornar-se o único herdeiro de todo o patrimônio.

A professora Ana Maria Dietrich, doutora em história, fala que a maior célula nazista no Brasil ficava no estado de São Paulo. “A principal organização era na capital, mas outros núcleos existiram em Santo André, Santos, Campinas, Jundiaí, Presidente Bernardes, Presidente Venceslau e Assis”, fala.

Tijolos com a suástica nazista encontrados na fazenda Cruzeiro do Sul de propriedade de Sergio Rocha Miranda, que era simpatizante do nazismo durante a década de 30 e 40 – Carlos Cecconello/Folhapress
Tijolos com a suástica nazista encontrados na fazenda Cruzeiro do Sul de propriedade de Sergio Rocha Miranda, que era simpatizante do nazismo durante a década de 30 e 40 – Carlos Cecconello/Folhapress

Apesar dessa presença marcante com esses núcleos, Dietrich explica que a pior parte da ideologia nazista não atravessou o oceano Atlântico. “No Brasil só existia o fascínio. Não tinha o terror que acontecia na Alemanha”, finaliza.

A partir de material coletado através de reportagem produzida pelo jornalista ANDRÉ CARAMANTE

Fontes:

http://tokdehistoria.com.br/

http://www.folhadedourados.com.br/noticias/brasil-mundo/escombros-de-fazenda-revelam-passado-de-admiracao-ao-nazismo

http://www.guatambu.com.br/historia.html

http://www.controversia.com.br/blog/marcas-do-nazismo-chamam-a-atencao-no-interior-de-sao-paulo/

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Aeroporto de Donetsk, Abril, antes de ser ferido em combate. Realizando manutenção na metralhadora DShK 12.7mm.

Do interior do Brasil à República Federativa da Rússia

Nascido no interior de São Paulo, mas hoje dorme de baixo de fogo constante em um acampamento militar no leste da Ucrânia, Rafael é voluntário das forças pró-Rússia na região de Donbass, no extremo leste da Ucrânia.

Sua carreira militar começou na Legião Estrangeira Francesa como paraquedista da Divisão de Montanha 2REP (2eme Régiment de Étranger Parachutistes), ao voltar ao Brasil foi Policial Militar formado na Academia de Oficiais da Polícia Militar Coronel Fontoura no IESP (Pará), atuando na cavalaria, no Regimento Montado Cassulo de Melo até pedir baixa da corporação para integrar as fileiras das forças armadas pro-russas no leste europeu em 2014 alcançando a patente de Tenente numa guerra civil que já matou mais de 5.000 pessoas.

Rafael durante o estágio de BMP-1, no dia seguinte recebeu a medalha Por combate contra forças da OTAN (vermelha) das mãos de seu comandante de batalhão, junta com a medalha por Bravura em comando e combate sob fogo inimigo que recebeu pessoalmente de Igor Strelkov. 20 de Agosto de 2015.
Rafael durante o estágio de BMP-1, no dia seguinte recebeu a medalha por combate contra forças da OTAN (vermelha) das mãos de seu comandante de batalhão, junta com a medalha por Bravura em comando e combate sob fogo inimigo que recebeu pessoalmente de Igor Strelkov. 20 de Agosto de 2015.

Meu nome é Rafael Marques Lusvarghi. Sou militar, oficial do quadro de combatentes, e um muito bom. Comecei minha carreira cedo, me alistando na Legião Estrangeira Francesa como paraquedista na Companhia de Montanha do 2REP on participei de algumas missões, e também fazendo alguns cursos. Fui dispensado por problema de saúde. Recuperado, de volta no Brasil, passei em concurso para Soldado da PM do Estado de São Paulo em fins de 2005.

Rafael e mais dois amigos na Legião Estrangeira Francesa (2006)
Rafael e mais dois amigos na Legião Estrangeira Francesa (2006)
Cavalaria da PMPA Regimento Cassulo de Melo, algum desfile (2009)
Cavalaria da PMPA Regimento Cassulo de Melo, durante desfile (2009)
PMPA após cerimonia do espadim (2007)
PMPA após cerimonia do espadim (2007)

Lá meu serviço foi basicamente interno, com apenas algumas poucas rondas ostensivas e rádio patrulha. Mas mesmo assim aprendi muito sobre funcionamento da área administrativa, e a parte burocrática sem a qual é impossível gerar uma grande força. Apesar de não gostar deste papel, considero indispensável a burocracia e padronização de procedimentos e modos operantes.

Claro que, ambicioso e orgulhoso, quis crescer e me tornar oficial. Passei no concurso para o CFO no Pará, e fui cursar a Academia de Oficiais da Policia Militar Coronel Fontoura no IESP. Tradicionalista, decidi por me aperfeiçoar na cavalaria e estive presente no Regimento Montado Cassulo de Melo.

Em 2010 cometi o grande erro de interromper minha carreira militar, pedindo baixa da corporação. Foi para ir viver na Rússia. Nunca tive paciência com a vida civil, a falta de disciplina e hierarquia, o preto no branco.

De volta ao Brasil em 2014, tomei certas atitudes por motivos que hoje discordo, a maneira como as manifestações se desenrolam no Brasil não é adequado. Gostaria de salientar aqui que sobretudo hoje sou apolítico, até tenho minhas concepções, acima de tudo contra todo esse vitimismo que assola nossa nação, quem quer consegue, quem quer faz, quem chora é fraco, e como dizemos no meio militar, os fracos que se explodam. Logo, me arrependo dos motivos que me levaram as ruas (durante as manifestações da Copa do Mundo no Brasil), mas não me arrependo das lutas que me envolvi. Como cidadão livre e em momento de folga, posso fazer o que bem entender não infringindo a lei. Se eu quiser beber e parar no meio de uma rua sem tráfego, farei, se quiser beber de saia, farei também. E estando certo, luto até a morte pelos meu direitos. Como dizem os US Marines, uma das melhores forças do mundo: Semper Fi, do or die!

Depois de solto retornei ao meu projeto de participar na guerra civil na Ucrânia, do lado pró-Rússia porque… Sou pró-Rússia incondicionalmente. Mas acontece que realmente são os pró-Rússia os certos nessa questão. E aqui me encontro a quase um ano (completo um ano em vinte de setembro). Comecei como simples guerrilheiro, sem sequer minha própria arma. Logo me tornei observador e soldado de reconhecimento, depois artilheiro, caçador, comandante de artilharia Grad BM21, especialista em canhão D-30, canhão 100mm Rapiera, comandante de grupo de reconhecimento, comandante de pelotão de infantaria anti-tanque, comandante de bateria de morteiro 120mm. Atualmente, estou sendo instruído nas especializações de piloto/mecânico/canhoneiro em T-64 e BMP-1 e 2, para, eventualmente, talvez trabalhar com blindados.

HMO – Qual foi sua primeira experiência como soldado e o que isso lhe proporcionou como militar e como pessoa?

Foi como legionário. Não só o treino e táticas, mas a formação psicológica e… digamos espiritual. Disciplina, determinação, organização. O lema a seguir é dos US Marines, uma grande elite também, mas cabe perfeitamente: Improvisar, adaptar e superar. Um homem com propósito e treinamento é quase imbatível.

HMO – O que o levou a se alistar na Legião Estrangeira Francesa?

O desejo de fazer parte de uma das maiores elites do mundo.

HMO – Qual foi o seu maior momento na LEF como paraquedista?

Foi quando, dentro já do Transall C-130, pouco antes de um salto, retirei do bolso uma câmera fotográfica. Quando o mestre de salto notou o que fiz, já era tarde. Porém, claro, uma vez no ponto de chegada, a punição já me aguardava. Mesmo assim, faria de novo.

HMO – O que lhe motivou a sair do Brasil para se juntar às fileiras do Exército pró-Rússia?

  1. Não vou negar, eu gosto de guerra. Além do mais, não é mentira, só vive em paz quem aprende a lutar.
  2. Sou pró-Rússia de carteirinha, foi só isso que me trouxe aqui, absolutamente nenhuma ideologia política.
Alchevsk, Setembro 2014, com instrutor de tiro 'Fix'. A arma é uma PTRS-41, utilizada contra blindados na Segunda Guerra Mundial, hoje utilizada como arma anti-sniper/sniper
Alchevsk, Setembro 2014, com instrutor de tiro ‘Fix’. A arma é uma PTRS-41, utilizada contra blindados na Segunda Guerra Mundial, hoje utilizada como arma anti-sniper/sniper

HMO – Qual função você exerce hoje dentro de sua unidade?

Juntamente com Raul A. (também brasileiro) terminei o curso de comandante/piloto/mecânico/atirador de BMP-1. Porém, continuo comandante de bateria de morteiro 120mm.

HMO – Como foi sua primeira experiência de combate com reais chances de fatalidades em seu tempo na Ucrânia?

Foi logo em outubro de 2014, em Vergulovka. Nem sequer tínhamos armas para todos, era ainda um momento que fazíamos rodízio. Fui para combate portando uma SKS com 5 cartuchos e nada mais. Um colega foi ferido no pé. Mas conseguimos capturar a posição, recolher algumas armas, e bater em retirada.

HMO – Como se sentiu na primeira vez em que um companheiro de combate foi fatalmente ferido ao seu lado?

É uma situação horrível, todas as vezes. Uma das poucas que não consigo ”calejar”. Fico mal durante alguns dias, não tem jeito.

HMO – Como os cidadãos que se inclinam para o lado pró-Ucrânia vivendo em Donbass tratam os combatentes pró-Rússia?

Hoje em dia, nos tratam mal, na cara dura. As punições contra militares tem ficado muito duras… Mas concordo. Já vi, no começo da guerra (dezembro 2014), milicianos espancarem pessoas por eles se posicionarem contra nós. Mas as coisas mudaram, e rápido.

Parte do equipamento do pelotão em qual servia: uma AK-47, banda de munição de metralhadora PKM, primeirs socorros e o tubo do RPG7. Outubro de 2014 em Vergulovka.
Parte do equipamento do pelotão no qual Rafael servia em 2014: uma AK-47, banda de munição de metralhadora PKM, primeiros socorros e o tubo do RPG7. Outubro de 2014 em Vergulovka.

HMO – Como são as folgas e o qual é a rotina do soldado pró-Rússia?

Folga não tem, muito difícil conseguir uma dispensa, especialmente nós no front. Muito cansativo. Se não estamos de dia, ou com algum serviço em especial, normalmente sábados a tarde e domingo repousamos e cuidamos das nossas necessidades pessoais. A rotina, quando não em trincheiras, é a de um exército regular normal. Formatura de manhã, tarde e almoço, revista de tropa, equipamento, manutenção de veículos e arredores do quartel.

HMO – O que é ser um brasileiro em meio aos soldados pró-Rússia?

É completamente natural. Mesmo pros brasileiros que não dominam o idioma, rapidamente se faz parte da unidade, todos passamos por dificuldade… a comida é ruim e pouca pra todos por exemplo, as dificuldades e sacrifícios são feitos passados sempre juntos. Isso aproxima as pessoas, estamos todos no mesmo barco, lutando pelo mesmo objetivo.

HMO – Como foi a aceitação de sua família sobre sua decisão de sair do país para talvez não voltar?

Eles ficaram muito orgulhosos e me apoiaram e ainda apoiam. Claro que ficam preocupados com minha segurança, mas para meus pais e irmãos é um motivo de grande orgulho ter eu aqui honrando o nome da minha família em combate, e depois de quase um ano, com resultados tão grandes.

HMO – Pensa em voltar ao Brasil caso seja criado um estado independente no leste ucraniano?

Penso em voltar mesmo antes. Depois de um ano de combate, e essa guerra sempre caindo em momentos de dura e maçante espera com tantas privações…. Também pra mim já ficou claro que só será vencida e encerrada em uma mesa de negociações distante do front. Já treinei vários novos instrutores e possíveis substitutos. A maioria dos estrangeiros já se foram. Quando eu não for mais indispensável, penso em voltar ao Brasil e tocar minha vida. Minha missão como combatente aqui já esta concluída a muito tempo.

HMO – Quais são seus ideais de vida para o futuro?

Depende das propostas que o futuro aguarda. Nem sai ou sequer anunciei minha saída daqui, já tenho varias propostas de emprego pelo mundo todo. Mas por hora quero voltar ao Brasil, cuidar da minha vida particular, ver minha família.

HMO – O que o Brasil representa para você como cidadão nascido nesta terra?

O Brasil é minha terra natal, onde vivem toda minha família, a maior parte dos meus amigos, a melhor comida do mundo, as praias mais lindas. Adoro meu pais.

Aeroporto de Donetsk, Abril, antes de ser ferido em combate. Realizando manutenção na metralhadora DShK 12.7mm.
Aeroporto de Donetsk, Abril, antes de ser ferido em combate. Realizando manutenção na metralhadora DShK 12.7mm.

Perguntas de nossos leitores da H.M.O. – Facebook e Reddit

Rafael Lemos – Li pelo seu histórico posta aqui que esteve em varias corporações PM, LEF e mais recente no exército pró-Rússia, logo teve varias experiências em combate . Então lhe pergunto, com base no que viveu você acredita que nossas forças armadas possui condições/preparo (equipamentos, treinamento de pessoal, disciplina) para fazer frente em missões no exterior?

Tenho certeza que as forças armadas brasileiras e as auxiliares tem total preparo e organização para fazer frente a qualquer tarefa. Nós temos o mais importante, que é o espirito combativo. Em vários momentos históricos nossas forças e nosso povo já deu mostras disso. Em nossas forças disciplina, comunicação e organização são alicerces presentes. Nosso armamento (que é inclusive exportado para vários países) e nosso tecnologia próprias também fazem inveja a muitas nações de primeiro mundo, e os que não são assim tão modernos, em cenários de conflitos internacionais, se mostram valiosos até os dias de hoje. Vários cursos nossos, como os de Operações Especiais das Policias Militares de São Paulo e do Rio de Janeiro são invejados mundo afora, pra não mencionar o famoso Guerra na Selva do EB e tantos outros da Marinha e Aeronáutica.

Belakamen, junho 2015, em uma das missões de reconhecimento. Arma PKM. Nos realmente não nos importávamos com segurança algumas vezes. A ideia era provocar o inimigo a trocar tiros fazendo com que eles assinalassem suas posições. Luiz Davi, um outro brasileiro que servia comigo, teve que vir prestar reforço e intensificação de fogo em uma situação que a equipe foi avistada e ficamos de baixo de pesado fogo inimigo, tendo que rastejar quase meio quilometro. Nessa mesma missão, decidimos por fogo em toda a vila quando ouve um avanço de carros inimigo em nossa direção.
Belakamen, junho 2015, em uma das missões de reconhecimento. Arma PKM. Nos realmente não nos importávamos com segurança algumas vezes. A ideia era provocar o inimigo a trocar tiros fazendo com que eles assinalassem suas posições. Luiz Davi, um outro brasileiro que servia comigo, teve que vir prestar reforço e intensificação de fogo em uma situação que a equipe foi avistada e ficamos de baixo de pesado fogo inimigo, tendo que rastejar quase meio quilometro. Nessa mesma missão, decidimos por fogo em toda a vila quando ouve um avanço de carros inimigo em nossa direção.

Rafael Pereira – o que acha que vai acontecer nos próximos meses e o que tu queres que aconteça? acredita em um status quo ou vocês continuarão avançando, visto que o Exercito Ucraniano parece dar claros sinais de uma nova ofensiva, uma nova quebra de cessar-fogo, algo que têm feito bastante?

Em primeiro de setembro foi assinado novamente um cessar fogo. O ultimo cessar fogo tinha sido rompido no dia 10 de agosto (2015), com ataques surpresas feitos para testar nossas linhas e bombardeios pesados. Uma ofensiva mais pesada foi tentada em Belakamimka e Novalaspa mas foi detida com perdas pesadas dos dois lados. Após isso, antes de primeiro de setembro, eu pessoalmente fui surpreendido com uma votação em Kiev a favor de mudar o status do Donbass. Hoje (início de setembro de 2015) ouve conversações em Minsk, com forte pressão ocidental na Ucrânia. Tendo em vista o cenário internacional, o novo problema que os europeus enfrentam com os ”refugiados” sírios (e o provável alto número de elementos do Estado Islâmico no meio deles), acredito que finalmente temos grande chances de alcançar a paz, com o Donbass fazendo parte da federação Ucraniana como republica autônoma. E eu espero que assim seja, mesmo que desagrade a muitos, o povo e essa região precisam de paz.

Luiz Saliba – Como ele, Rafael, que já se declarou de “esquerda” em outras ocasiões, consegue conciliar ser comandado por monarquistas de direita como Igor Strelkov, que se declara abertamente Czarista e nacionalista “branco” (em referência ao Exército Branco contrarrevolucionário, não a “raça” branca). E se já houveram rusgas entre as tropas de visão política distinta.

Quando eu me disse stalinista, e me posicionei como de esquerda, a mais de um ano atrás, eu quis dizer que era um admirador, não um portador dessa bandeira. Várias vezes eu deixei claro ser uma pessoa prática, que não compra ideias em pacotes fechados, mas um pouco aqui, um pouco ali. Eu mesmo não carrego nenhuma bandeira, eu penso por mim mesmo, tenho minhas próprias ideias e não sou formador de opinião e nem filósofo. Tenho minhas ideias pra mim, sou prático. Deve ser feito o que for melhor para a nação. Respondendo sua pergunta, não vejo problema em ser comandado por quem quer que seja… manda quem pode, obedece quem tem juízo. Problemas houveram, mas muito poucos e insignificantes. No fim a disciplina sempre reinou.

Arredores de Debaltsevo, fevereiro de 2015. Carro de combate T-74.
Arredores de Debaltsevo, fevereiro de 2015. Carro de combate T-74.

Rafael Lourenço – Existiu ou existe algum preconceito por você ser Brasileiro?

Definitivamente não. Sempre gostaram muito de nós, militares e civis. Nos tratam muito bem.

Rafael Gusmão – Mesmo sendo seguidor da ideologia de esquerda, você acredita em liberdade para os pro Rússia, após esse conflito?

Não sou de esquerda, e nosso combate é justamente para que o governo de Kiev não proíba o idioma e cultura russa no leste do país.

André Carvalho Tatu – Qual foi a maior tecnologia que vc já viu no campo de batalha? seja de armamento comunicação ou ate mesmo logística…

Até agora foram fuzis de ultima geração HK que alguns comandantes tinham, aimpoints e tudo mais. Vi alguns T-80 em Debaltsevo. Em geral tudo data ainda dos tempos da União Soviética.

Stacknov, artilharia, canhões D-30, novembro 2014.
Stacknov, artilharia, canhões D-30, novembro 2014.

Raphael Od – Como foi sua experiência servindo a Legião Estrangeira no 2REP?

Foi uma das mais difíceis da minha vida. Quando terminei a formação básica em Castelnaudary, me garantiram que poderia trabalhar no pelotão de cães do 2REP. Ao completar o curso de paraquedistas e requerer a companhia de apoio, todos caíram na risada. ”Tu vai para a 2Cia, montanha”. Já conhecia a fama dessa companhia… Estava chegando ao inferno. E uma vez no inferno, abraça o capeta.

Fabio Gunkel – O quão polarizado está o ambiente no leste ucraniano? Temos apenas os pró-Rússia e pró-Ucrânia (nisso implico separatistas apoiados pela Rússia e o exército ucraniano)? Ou existem outros grupos envolvidos no conflito também?

Esta bastante polarizado sim. Pelo menos no nosso lado… Em Kiev, parece que o Pravsektor cria problemas, mas apenas como grupos anti-negociações, sendo pró-Ucrânia também.

Estágio de BMP-1 instruções práticas de manutenção de motor turbo-diesel.
Estágio de BMP-1 instruções práticas de manutenção de motor turbo-diesel.

Nomanoid – Você acha que o povo brasileiro já se tornou maduro o suficiente, do ponto de vista da nossa identidade cultural e política e da estabilidade das nossas instituições democráticas, para nos mobilizarmos mais uma vez em prol das Forças Armadas, de modo a reinventá-las e poder inserir o Brasil numa posição mundial de maior destaque, no que diz respeito à Defesa, sem incorrer no ufanismo nacionalista e/ou no risco de um novo Golpe Militar?

Acredito que sim. Nossas forças armadas jamais sujariam as mãos indo contra as instituições democráticas, nem deveriam, e nós brasileiros temos uma republica que já possui todos os meios e órgãos para resolver nossos problemas de forma democrática.

Mgsantos – A estratégia russa na Ucrânia foi descrita como uma inversão da tradicional guerra assimétrica, com um Estado mais forte utilizando guerrilhas para ocupar lentamente um Estado mais fraco militarmente. Quanto disso é verdade e quanto do conflito está mais próximo a um apoio russo externo a forças separatistas ucranianas aliadas, uma estratégia bem mais tradicional?

A guerra aqui é uma guerra aberta e convencional. Temos artilharia, carros de combate e até mesmo 2 aviões em Lugansk. As linhas são bem demarcadas. A Rússia nos apoia principalmente como mediadora nas negociações de paz mas também com ajuda humanitária. Ela é totalmente a favor de nós como republicas autônomas dentro da Ucrânia, e já se posicionou contra nossa independência e também contra uma possível anexação.

Pervomaiska, canhão anti-carro Rapiera 100mm, março de 2015.
Pervomaiska, canhão anti-carro Rapiera 100mm, março de 2015.

Tetizeraz – Se for permitido, qual o seu equipamento?

BMP-1 (carro de combate), Morteiro 120mm, PKM 5.45mm, PM 9mm, granadas à vontade, colete e capacetes nível 5.

Protestor – Você viu voluntários russos junto aos separatistas na Ucrânia? Alguém das forças armadas russas?

Voluntários russos sim, vários. Membros das forças armadas não.

VictorPictor – Como conseguiu servir em exércitos tão diferentes geográfica e ideologicamente em um espaço tão curto de tempo?

  • Legião Estrangeira Francesa – 2002-2005,
  • PMSP 2005-2006,
  • PMPA 2007-2010,
  • Novorossiya 2014-atual

ThalesV000 – Qual foi a experiência mais intensa que você já teve por aí?

Quando dormi com duas garotas ao mesmo tempo, numa folga, antes de ir ao aeroporto de Donetsk.

Montgomery-Cavendish –

  • Como é a rotina de um mercenário trabalhando para as forças separatistas do Leste da Ucrânia

Não sei. Nem conheci nenhum mercenário por aqui.

  • Há alguma rotina de exercícios de preparação para a ação de campo?

Sim, ninguém é enviado a combate ou linha de frente sem o treinamento necessário.

  • O quê que te levou a se interessar pela vida paramilitar e se há algum sentimento de recompensa por participar desse fenômeno político? É uma luta por algum ideal?

Desde criança sempre quis ser combatente, e não vou negar, eu gosto de guerra. Além do mais, não é mentira, só vive em paz quem aprende a lutar.

Thaiane Rampazo – Tendo em vista que não algo comum na nossa cultura um jovem querer estar em luta, principalmente defendendo causas que não pertencem a própria nação, é normal o questionamento sobre quais sentimentos te impulsionaram a querer estar voluntariamente em combate?

  1. Não vou negar, eu gosto de guerra. Além do mais, não é mentira, só vive em paz quem aprende a lutar.
  2. Sou pró-Rússia de carteirinha, foi só isso que me trouxe aqui, absolutamente nenhuma ideologia política.

LeToySoldier –

  • Você acha que o fato da Ucrânia ser uma das democracias mais corruptas que existe contribuiu para o contingente de cidadãos da Crimeia se aliarem aos russos?

A única coisa que pesou para a Crimeia pedir anexação a Rússia foi o caos em que a Ucrânia se mergulhou após o Maidan, as resultantes políticas de perseguição a língua e cultura russas e os crimes perpetrados contra a população russófona (vide a queima de civis inocentes em Odessa e os disparos efetuados contra as manifestações pacificas em Kharkov por exemplo).

  • Com a intervenção militar da Rússia na Síria. Você lutaria contra o ISIS, se possível?

Lutaria, mas veja bem. Aqui luto voluntariamente, sem soldo. Qualquer outro lugar do mundo, só luto mediante pagamento. Meu amado Brasil isento disso, claro.

  • Qual é o seu fuzil favorito?

FAL 7,62mm, sem dúvida.

Até a presente data da criação desta matéria, Rafael Permanece em Donbass. Existe um cessar fogo e as tropas de ambos os lados passam por período de relativa calmaria. A previsão é q de que os territórios separatistas ganhem independência da Ucrânia para se tornarem território da República Federativa da Rússia.

Treinamento de BMP-1

 

 

Compra fará país ter melhor força aérea da América Latina, diz especialista.

A Força Aérea Brasileira pagará US$ 245.325 milhões (cerca de R$ 869 milhões) por 70 mísseis e bombas israelenses de alta tecnologia, e 14 unidades de sistemas táticos de captação de informações de reconhecimento para aeronaves, que serão empregados nos novos caças Gripen, de acordo com documentos obtidos através da Lei de Acesso à Informação

A Aeronáutica diz que não divulga os tipos e a quantidade de armas compradas para o Gripen por considerar o dado uma informação “estratégica”.

Nesta quarta-feira (5), o Senado aprovou o financiamento da compra dos 36 jatos suecos pelo país: além do valor do armamento, o empréstimo engloba mais SEK (coroas suecas) 39.882.335.471 (cerca de R$ 15,9 bilhões), que serão pagos pelas aeronaves de combate, segundo a mensagem da presidente Dilma Rousseff ao Congresso.

Gripen-NG-montagem-com-cores-da-FAB-imagem-K-Tokunaga-Saab

Uma das bombas compradas pelo Brasil para o Gripen, conforme os documentos obtidos pelo G1, é a potente Spice, desenvolvida por Israel e com capacidade de atingir vários alvos simultaneamente com precisão a até 100 km de distância.

Conforme o professor de relações internacionais Marco Tulio Freitas, especialista em terrorismo e em Israel, as Spice são consideradas “o estado da arte, o que há de melhor em bombas”.

“Se a compra das armas for efetuada, a FAB será considerada a melhor força aérea da América Latina. E, sobretudo, ganharemos a capacidade de lançar mísseis muito além do alcance da visão, com muita distância, podendo atacar alvos em terra, como instalações militares e civis. Teremos alto poder de incursão em áreas muito bem guardadas”, afirma o professor Marco Túlio Freitas.

Os dados obtidos pela reportagem sobre o tipo de armamento adquirido pelo Brasil (veja tabela abaixo) constam em um inquérito do Ministério Público Federal que apura o valor pago pelo Brasil pelos jatos Gripen NG, que ainda estão em desenvolvimento. A previsão é de que as aeronaves comecem a chegar ao país a partir de 2019, junto com o armamento.

Veja as armas compradas pela FAB para o Gripen:

missil1Míssil A-Darter
Quantidade:
10 unidades operacionais e 8, para treinamento
Diferencial: Desenvolvido por Brasil e África do Sul, é guiado por infravermelho e que será capaz de fazer manobras que o levam a sofrer até 100 vezes a força da gravidade

irisMíssil IRIS-T
Quantidade:
10 unidades operacionais e 20, para treinamento
Diferencial: míssil ar-ar infravermelho de alto poder de manobra, que pode ser engajado contra novos alvos mesmo após lançado. Possui meios de contra-medidas (defender e escapar para atingir o alvo).

spice1000Bomba Spice 1000
Quantidade:
20 kits de unidades operacionais
Diferencial: Bomba israelense guiada por GPS ou laser, capaz de atingir vários tipos de alvos simultaneamente e a longo alcances, até 60 km. Possui em seu espectro a identificação de mais de 100 diferentes alvo. A probabilidade de erro é de menos de 3 metros.

spice250Spice 250
Quantidade:
30 unidades
Diferencial: Bombas guiadas capazes de atingir alvos na terra e no mar a até 100 km de distância. Possibilita corrigir mudanças do alvo e transferir o percurso

recelliteReccelite 2
Quantidade:
4 unidades
Diferencial: Sistemas de sensores de reconhecimento eletro-óptico que são acoplados no avião, usados para o dia e à noite, e que fornecem, coletam e transferem imagens e informações em tempo real.

litening31Litening G4
Quantidade: 10 unidades
Diferencial: Sistema que amplia a capacidade de combate, com sensores para busca, rastreamento e identificação do alvo. Possuem câmeras eletromagnéticas que fornecem imagens dos alvos. Equipado com laser que rastreia o caminho da munição até o destino.

valegripen_do_brasil_300px-03Segundo o professor Freitas, para se ter uma ideia da potência das bombas israelenses Spice, adquiridas pela FAB para o Gripen, elas poderiam ser usadas por caças F-35 ou F-16 em uma eventual incursão de Israel no Irã.

O Brasil comprou ainda mísseis alemães IRIS-T ar-ar, que possuem capacidade de aniquilar medidas eletrônicas do inimigo para impedir que a bomba acerte o alvo, explica o professor. Todas as bombas e mísseis terão a validade inicial estendida de 5 anos, conforme o documento da FAB.

Ataque por trás
A Aeronáutica encomendou ainda 10 unidades operacionais e 8 de treinamento do míssil A-Darter, que o Brasil está desenvolvendo de forma conjunta com a África do Sul e que poderá atingir até aeronaves que estejam se aproximando por trás do avião lançador.

Segundo a Aeronáutica, R$ 300 milhões já foram investidos no projeto, que teve início em 2006.

Com 2,98 metros de comprimento e 90 kg de peso, o A-Darter será guiado pelo calor e fará  manobras que o levam a sofrer até 100 vezes a força da gravidade, com alcance máximo de 12 quilômetros.

Treinamentos
Um brigadeiro da reserva da FAB, especialista em combate aéreo e que pediu para não ser identificado, diz que se justifica a compra de pequena quantidade de munição devido ao uso ser raro e a validade, pequena.

Os treinamentos atuais de lançamentos de mísseis de jatos ocorrem geralmente de forma simulada e em ambientes virtuais, em que o computador informa a possibilidade de real de acerto do alvo. São poucos, diz o brigadeiro, os oficiais que já tiveram a oportunidade de lançar uma bomba real no Brasil.

Próximo ao vencimento, a munição comprada é usada em treinamentos reais em em alto mar, em áreas controladas e com aviso antecipado, para impedir que embarcações passem pela região, informa o oficial.

Durante o período de validade, as armas passam por manutenção contínua no ambiente de estocagem, com verificaçação de vários fatores, como umidade, qualdiade dos sensores, etc.

Fonte: G1

Herói de guerra e democrata, o brigadeiro Rui Moreira Lima soube posicionar-se nos melhores e piores momentos das Forças Armadas

Rui Moreira Lima em fotografia de 1953, no Rio de Janeiro. O militar ganhou condecorações por sua participação na Segunda Guerra Mundial e foi torturado por se opor ao regime ditatorial de 1964. (Foto: Acervo Pedro Luiz Moreira Lima)
Rui Moreira Lima em fotografia de 1953, no Rio de Janeiro. O militar ganhou condecorações por sua participação na Segunda Guerra Mundial e foi torturado por se opor ao regime ditatorial de 1964. (Foto: Acervo Pedro Luiz Moreira Lima)

“Sê um patriota verdadeiro e não te esqueças de que a força somente deve ser empregada a serviço do Direito”. Boa parte das gerações militares contemporâneas, bem como setores políticos e acadêmicos, parecem desconhecer o real significado destas palavras atualmente.

Escritas em 1939 pelo juiz de direito Bento Moreira Lima numa carta para seu filho, o cadete Rui Moreira Lima, que aos 20 anos ingressava na Força Aérea Brasileira (FAB), elas parecem ter servido como uma declaração de princípios que nortearia a vida do futuro brigadeiro.
Poucos anos depois, Rui Moreira Lima seria um herói de guerra. Com outros jovens aviadores brasileiros, todos voluntários, integrou o grupo de aviação da FAB, o “Senta Púa”, unidade que recebeu uma das mais altas condecorações americanas em reconhecimento pela bravura de seus membros. Ao final da Segunda Guerra, sua folha de serviços computava 94 missões, pelas quais ganhou as mais altas condecorações militares do Brasil, da França e dos Estados Unidos.
Sempre que podia, declamava com sabor de poesia a carta recebida de seu pai. Em um dos trechos, ela aconselhava: “Obediência a seus superiores, lealdade aos teus companheiros, dignidade no desempenho do que te for confiado, atitudes justas e nunca arbitrárias”. Nada mais válido nos tempos da Guerra Fria pra lá de quente que se iniciaria em 1947. O debate em que esteve imerso o jovem oficial trazia não somente o desafio de edificar uma nação, mas principalmente o de construir e defender uma democracia. Patriota, democrata e nacionalista, Rui Moreira Lima teve uma discreta empatia à esquerda, e uma identificação sem militância com o PSB (Partido Socialista Brasileiro), agremiação que tinha entre seus membros militares históricos, compromissados com a democracia e a nação, como o almirante Herculino Cascardo (1900-1967) e o general Miguel Costa (1885-1959).

Ataque a comboio em 1945, em foto realizada pelo próprio Rui Moreira Lima. O militar participou de 94 missões no conflito e costumava declamar trechos de uma carta que recebeu do pai em 1939. (Foto: Acervo Pedro Luiz Moreira Lima)
Ataque a comboio em 1945, em foto realizada pelo próprio Rui Moreira Lima. O militar participou de 94 missões no conflito e costumava declamar trechos de uma carta que recebeu do pai em 1939. (Foto: Acervo Pedro Luiz Moreira Lima)

Nos anos 1950 e 1960, atuou na defesa da legalidade democrática e em causas nacionalistas, como a do Petróleo é Nosso. Na polarização entre grupos políticos e ideológicos dentro da própria FAB, condenou tentativas golpistas – como a de abortar a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek (1956) e as Revoltas de Jacareacanga (1956) e Aragarças (1959) – e apoiou a posse de João Goulart por ocasião da renúncia de Jânio Quadros (1961). “O soldado não conspira contra as instituições a que jurou fidelidade. Se o fizer, trai seus companheiros e pode desgraçar a nação”, escreveu o pai.

A chegada de 1964 encontrou o militar no comando da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, a mais poderosa unidade de combate da FAB no período, cuja tradição ele ajudou a forjar como piloto-de-caça nos campos de batalha italianos. Rui Moreira Lima acompanhava com preocupação os desdobramentos golpistas e lamentava a imobilidade do governo em reagir naquilo que era o princípio basilar das Forças Armadas: a hierarquia e a disciplina. Reprimiu com rigor tentativas de envolver os comandados em aventuras, chegando a prender alguns de seus jovens oficiais. Em reação à movimentação das tropas do general Mourão, em março de 1964, sobrevoou em um rasante a coluna golpista já próxima de Areal (RJ), cuja tropa foi tomada por pânico. Na volta à unidade, confabulou com seus superiores que os rebelados poderiam ser dissolvidos em um ataque de precisão, sem maiores baixas. Mas só tomaria essa iniciativa se recebesse ordens para tanto. Diante do posicionamento do presidente João Goulart em não resistir e partir para o exílio, deu-se por encerrada qualquer possibilidade de reação.
Jango assiste, em 1963, à demonstração da FAB, com a presença de Rui Moreira Lima, à sua esquerda. O militar se pôs em defesa da ordem democrática e da manutenção da legalidade nos momentos de ruptura. (Foto: Acervo Pedro Luiz Moreira Lima)
Jango assiste, em 1963, à demonstração da FAB, com a presença de Rui Moreira Lima, à sua esquerda. O militar se pôs em defesa da ordem democrática e da manutenção da legalidade nos momentos de ruptura. (Foto: Acervo Pedro Luiz Moreira Lima)

Ali estava encerrada sua carreira militar, bruscamente interrompida. Antes, porém, teve ainda um ato de resistência: só aceitou passar o comando da Base Aérea se fossem cumpridas todas as formalidades, postura que constrangeu seus algozes. “A honra é, para ele [o militar], um imperativo e nunca deve ser mal compreendida”. Pouco depois, Rui Moreira Lima foi preso em casa e teve de responder a três inquéritos policiais militares. Amargou um total de 153 dias no cárcere. Em uma das prisões, nos anos 1970, chegou a ser torturado. Diante do quadro de vilania que caracterizou o regime militar, qualificou de infame e covarde a figura do torturador – que, portanto, não deveria ser contemplado com a anistia. Visão compartilhada com o pai: “O soldado nunca deve ser um delator, senão quando isso importar a salvação da pátria. Espionar os companheiros, denunciá-los, visando a interesses próprios, é infâmia, e o soldado deve ser digno”.

Inegavelmente a pátria estava em perigo, e o campo de batalha passou a ser outro para o então coronel. A perseguição foi uma constante para as centenas de cassados, entre oficiais e praças das Forças Armadas e das Polícias Militares. Todos os aviadores, por portarias secretas, foram proibidos de voar. Por convicção, não aderiu à opção de resistência armada ao regime militar: decidiu combater a ditadura na ação política. Foi um dos que ergueram a bandeira pela anistia ampla, geral e irrestrita. Ao lado do brigadeiro Francisco Teixeira e de outros oficiais, Rui Moreira Lima foi um dos fundadores da Adnam (Associação Democrática e Nacionalista dos Militares). A anistia saiu em 1979, mesmo ano em que faleceu seu pai. Mas ela veio restrita em relação aos militares cassados, inclusive o brigadeiro, a despeito de sua folha de serviços.
Acima, recebe pedido de desculpas por meio do ministro da Justiça, em 2011. (Foto: Acervo Pedro Luiz Moreira Lima)
Acima, recebe pedido de desculpas por meio do ministro da Justiça, em 2011. (Foto: Acervo Pedro Luiz Moreira Lima)

À frente da Adnam, continuou intervindo na agenda política com o objetivo de aprofundar a democracia e a construção de um efetivo estado de direito. Buscava não só a ampliação da anistia como a reintegração, mas também a  reincorporação dos militares cassados. Em outra frente de luta, preocupava-se com a memória e a história. Escreveu Senta Púa e Diário de Guerra, e contribuiu com depoimentos em livros, teses e documentários. Por sua intervenção direta, o acervo da Adnam foi entregue para a guarda do Cedem – Centro de Documentação e Memória da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Em seus últimos anos, através de uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) patrocinada pela Adnam e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), contestou a anistia aos torturadores e apoiou com entusiasmo a formação da Comissão Nacional da Verdade, em 2012. Segundo ele, a CNV era um instrumento necessário para aproximar os militares e a sociedade civil, e não pode ser considerada expressão de revanchismo, mas sim de justiça e de um necessário resgate da história. Inclusive a sua história.

Já com mais de 90 anos, não se furtou a outras polêmicas. Em 2012, subscreveu pela Adnam o manifesto “Aos Brasileiros”, confrontando um manifesto de golpistas elaborado por militares da reserva do Clube Militar. No ano seguinte patrocinou a “Carta do Rio de Janeiro”, documento endereçado à Presidência da República com vistas a equacionar em definitivo a questão de uma anistia ampla para os militares cassados e perseguidos após o golpe.

Só depois de seu falecimento, em fins de 2013, o Supremo Tribunal Federal deu ganho de causa a uma ação reparatória reconhecendo seus direitos. Não viveu, portanto, para ver o epílogo de uma longa trajetória militar e política: a promoção à patente de tenente-brigadeiro, último posto da Força Aérea. A FAB o dignificara já no enterro, com toque de silêncio e voos rasantes de aviões de caça da unidade Senta Púa. A homenagem ao oficial cassado seria um passo importante para a decisão posterior do STF.
Reconhecimento ainda mais cheio de significado, particularmente para os cadetes da Academia da Força Aérea, seria se a instituição de ensino reverenciasse Rui Moreira Lima em um dos painéis de sua ampla entrada onde constam pronunciamentos de várias personalidades civis e militares. Como texto, o ensinamento da carta de Bento Moreira Lima, um conselho que retrata a vida do filho ao mesmo tempo em que serve de lição aos militares e cadetes das novas gerações: “O povo desarmado merece o respeito das Forças Armadas. Estas não devem esquecer que é este povo que deve inspirá-las nos momentos graves e decisivos”.

 

Paulo Ribeiro da Cunha é professor de Teoria Política na Universidade Estadual Paulista e autor de Militares e militância: uma relação dialeticamente conflituosa (Editora Unesp/Fapesp, 2014).
Saiba Mais
BONALUME NETO, Ricardo. A nossa Segunda Guerra: os brasileiros em combate, 1942 -1945. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 1995.
FERRAZ, Francisco César. Os brasileiros e a Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2005.
SODRÉ, Nelson Werneck. História Militar do Brasil. Rio de Janeiro/ São Paulo: Ed. Civilização Brasileira/ Expressão Popular, 2010 [1965].

 

Documentários
Senta a Pua! (Erik de Castro, 1999)
A Cobra Fumou (Erik de Castro, 2003)
O Brasil na Batalha do Atlântico (Erik de Castro, 2012)

 

Internet
Carta de Bento Moreira Lima a Rui Moreira Lima: http://bit.ly/1I5lKCi

Cruzador Bahia

O Brasil foi um dos países que participaram da Primeira Guerra Mundial, o país foi um dos integrantes da Tríplice Entente, a única nação da América do Sul que se envolveu no conflito.

A Primeira Guerra Mundial iniciada em 1914 teve o Brasil como um país neutro no conflito e isso permaneceu até 1917, quando nesse ano a nação cortou relações diplomáticas com a Alemanha depois de o navio brasileiro ser afundando por um submarino alemão.

O Brasil ainda teve outros navios afundados pelos alemães, o que possibilitou o Brasil a declarar guerra aos alemães e consequentemente a Tríplice Aliança.

Macau: Último navio torpedeado antes da declaração de guerra aos alemães
Macau: Último navio torpedeado antes da declaração de guerra aos alemães

A entrada do país na guerra aconteceu por pressão popular que estava insatisfeita com as perdas navais, além disso, o Brasil enxergava uma oportunidade de crescimento militar, político e econômico com a participação na guerra.

Militarmente, o país como integrante da Tríplice Entente, poderia adquirir uma linha de crédito para o aparelhamento do Exército e da Marinha, e reivindicar indenizações de guerra que poderiam servir para o pagamento deste crédito.

Na política e economia, a participação no conflito seria importante, pois daria o direito ao país de participar dos Tratados de Paz, o que possibilitaria um maior destaque à nação como integrante das discussões internacionais.

No aspecto econômico, a participação do país no Congresso de Paz era de grande importância, para se tentar resolver os problemas que vinham sendo enfrentados devido à dificuldade de comercializar café com os mares sendo usados como teatro de guerra. O Brasil tinha 1.900.000 sacas de café em portos da Europa que foram usados como garantia para empréstimos feitos pelo país, e com os conflitos as sacas de café que estavam na Alemanha foram usados por eles devido à dificuldade de conseguir fazer comércio.

O Brasil como país beligerante, enviou um grupo de 10 aviadores para se instruir na Inglaterra, uma divisão naval subordinada aos britânicos para patrulhar o Oceano Atlântico e uma equipe médica enviada à França.

Declaração de GuerraQuanto à participação da nação nos campos de batalha, houve diversos pensamentos divergentes, alguns integrantes do governo brasileiro, acreditavam que o país como um integrante da Tríplice Entente deveria participar das batalhas, no entanto, algumas nações como a Inglaterra acreditavam que a participação do Brasil deveria ser de outra forma, como de cooperação com a exportação de produtos alimentícios, entregando os navios alemães ancorados no Brasil e permitindo a liberação dos portos para os países aliados beligerantes.

O Brasil desejava passar para o mundo a grandiosidade das forças armadas brasileiras, e que ela poderia ter um papel importante no teatro de guerra, mas a situação era outra, existia um número insuficiente nos quadros militares, nos armamentos e uma deficiência nos chefes militares, pois a escolha desses oficiais não acontecia através de uma meritocracia, mas de acordo com a situação política local.

Charge declaração de guerraApós os acordos entre as nações beligerantes sobre como seria a participação do Brasil no conflito. O país de imediato enviou a DNOG (Divisão Naval em Operações de Guerra), formada pelos Cruzadores Bahia e Rio Grande do Sul, pelos contratorpedeiros Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Santa Catarina, pelo cruzador auxiliar Belmonte e o rebocador de alto-mar Laurindo Pita, para se integrarem as forças aliadas que faziam a vigilância e patrulhamento do Oceano Atlântico.

Cruzador Bahia
Cruzador Bahia

A participação da DNOG no conflito teve muitas dificuldades, o material utilizado pela divisão era obsoleto, os navios já tinham algum tempo de uso e as avarias demoravam muito para serem reparadas, os equipamentos não eram preparados para a guerra submarina, e após chegar em Dacar (Senegal) a tripulação brasileira, não pôde prosseguir viagem devido uma epidemia da Gripe Espanhola. A Gripe Espanhola deixou um saldo de 156 mortos, e diversos enfermos que acabaram voltando ao Brasil e outros permaneceram no local.

A DNOG só chegou a Gibraltar seu destino final com quatro navios: Bahia, Piauí, Paraíba e Santa Catarina, e durante a viagem passou por algumas incidentes: como a Batalha das Toninhas, momento que a divisão abriu fogo contra um cardume de toninhas acreditando ser um submarino alemão, e contra um navio de guerra norte-americano em um novo engano. A divisão só chegou a Gibraltar no dia 10/11/1918, um dia antes da assinatura do armistício que pôs fim a Guerra.

O envio de aviadores para Europa foi apenas para que eles pudessem se instruir diferente do julgamento do governo brasileiro que informava ao povo que eles haviam ido para combater na guerra.

A equipe médica enviada à França era composta por 100 médicos cirurgiões, de um corpo de estudantes, enfermeiras e soldados do exército que dariam proteção ao hospital construído pelo Brasil no teatro de operações.

Equipe Médica enviada à Guerra
Equipe Médica enviada à Guerra

Quando eles chegaram a Dacar parte da equipe, também sofreu com os mesmo problemas da divisão naval e, pegaram Gripe Espanhola, causando a morte de várias pessoas, porém a equipe médica conseguiu cumprir a sua missão e instalou o hospital em Paris, prestando serviços até mesmo após a Guerra.

Após a guerra o Brasil participou da Conferência de Paz de Paris, e através da diplomacia conseguiu obter a resolução dos problemas econômicos, como o das sacas de café, dos navios alemães que estavam ancorados nos portos brasileiros e se tornou integrante da Liga das Nações, onde permaneceu até 1926.

Conferência de Paz Paris ,1919
Conferência de Paz Paris ,1919

Artilharia da FEB em Monte Castello
José Dequech
Sargento Auxiliar José Dequech

Na madrugada do dia 2 para o dia 3 de dezembro de 1944 o Sargento Auxiliar José Dequech estava recolhido ao seu abrigo quando começou a ouvir os sons da batalha ecoando a distância. Pouco tempo depois um oficial percorreu seu abrigo acordando todos para que ocupassem suas posições de tiro, pois “muita gente nossa estava morrendo”.[1] Dequech prontamente atendeu a ordem e ordenou aos seus homens a tomada de posição e aguardou, pacientemente, os comandos da Central de Tiro. Aquela madrugada ficaria marcada em muitos homens integrantes da Força Expedicionária Brasileira que estavam lutando na Itália naquele gelado outono de 1944.

Dequech, natural do Paraná, era Sargento Auxiliar da Companhia de Obuses do 11º Regimento de Infantaria da FEB. Havia se incorporado a tropa ainda em 1943 quando foi convocado e se juntou ao então 3º Regimento de Artilharia Montada com sede em Curitiba. Lá aprendeu a ser um homem da artilharia e com todo orgulho entendeu o seu dever. No início de junho cabos e soldados receberam a ordem de que se deslocariam até Pindamonhangaba como parte da transferência para o Rio de Janeiro a fim de integrarem a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária. Dequech lembra que, naquela manhã do dia 24 de junho, enquanto marchava pela Avenida 7 de Setembro em direção a Estação Ferroviária, em Curitiba, seu irmão o acompanhava, pela calçada. Emocionado e com problemas cardíacos acabou por sentar-se na calçada e acompanhar a passagem de seu irmão ao longe. Com um lenço branco despedia-se do seu irmão de sangue que em breve engrossaria as fileiras do exército brasileiro na Itália.

Uma companhia do III Batalhão do 11º Regimento de Infantaria da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial.
Uma companhia do III Batalhão do 11º Regimento de Infantaria da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial.

O grupo permaneceu em Pindamonhangaba até 17 de julho quando foi transferido para a Vila Militar, no Rio de Janeiro. Dali a pouco foi efetuado um chamamento de homens e uma lista divulgada: nova companhia de obuses seria montada para completar o claro do 11º Regimento de Infantaria. A companhia original havia seguindo junto com o 6º Regimento de Infantaria para a Itália, em 2 de julho de 1944, quando partiu o primeiro escalão da FEB para o teatro de operações. Dequech não fazia parte da lista, mas para acompanhar um querido amigo trocou com outro sargento que havia sido designado. José Dequech estava com a passagem garantida para a Itália.

Na Artilharia cada peça ou obus é comandada por um sargento; duas peças se juntam numa seção comandada por um tenente e quatro peças formam um conjunto sob o comando de um capitão. O obus é uma arma diferente do canhão: ele dispara em trajetórias obliquas ou parabólicas e seu objetivo primordial é bombardear uma área com salvas seguidas que acabam caindo em pontos próximos. Uma bateria de obuses pode varrer uma pequena área em média a 18 km de distância. As companhias de Obuses dos regimentos de Infantaria da FEB utilizavam o obus Howitzer M3 de 105 mm que tinham alcance máximo de 6 mil metros. Quando estivesse em solo italiano, as baterias de José estariam a cerca de 3 mil metros da linha de frente.

Artilharia da FEB na Itália, em treinamento - 1944/1945. Foto escaneada do livro "Cinqüenta Anos Depois da Volta"
Artilharia da FEB na Itália, em treinamento – 1944/1945. Foto escaneada do livro “Cinqüenta Anos Depois da Volta”

Ao ser designado para a companhia de obuses do 11º RI, Dequech teve de aprender os maneirismos do infante. Mas isso não deixou ser orgulho de artilheiro de lado: conta que ao término dos exercícios de educação física do regimento os artilheiros entoavam a canção da artilharia pelos quatro campos do campo de treinamento de Gericinó.

Em 20 de setembro de 1944 aporta no porto do Rio de Janeiro os transportes de tropas General Mann e General Meiggs a fim de levar a Itália o 2º e o 3º escalões da Força Expedicionária Brasileira. José Dequech embarcou no General Meiggs e atravessou o Atlântico em 15 dias, aportando em Napóles em 6 de outubro de 1944. Transferidos para um campo de treinamento, estes homens permaneceram a espera de material e, posteriormente, em treinamento até o final do mês de novembro, quando receberam ordem de deslocar-se. A ordem geral de substituição ocorreu em 21 de novembro.[2]

A partir de 26 de novembro o comandante do IV Corpo de Exército decidiu empregar ofensivamente todo o 1º DIE ampliando, conseqüentemente, o setor brasileiro. O Marechal Mascarenhas de Moraes também recebeu ordens de tomar o comando global de sua divisão bem como liberdade de ação total. A Força Expedicionária Brasileira ficou responsável por um setor de 15 quilômetros, além de montar nova ofensiva para a tomada de Monte Castello – Monte della Torraccia e Castelnuovo. A data estabelecida foi 29 de novembro e o ataque seria de inteira responsabilidade da 1º DIE.

Mapa simplificado com parte da Campanha da FEB na Itália.
Mapa simplificado com parte da Campanha da FEB na Itália.

A companhia de Obuses do 11º RI teria seu batismo de fogo na noite de 28 de novembro, quando deslocou-se em direção ao Monte Castelo. Seu objetivo era dar cobertura ao ataque de 29 de novembro. De acordo com Dequech “com muita dificuldade, as nossas viaturas arrastavam os obuses pelos caminhos escarpados e lamacentos que levavam as posições nas alturas de Paroncella, de onde atiraríamos sobre o castelo. No caminho, as granadas de artilharia que iam e vinham já silibavam sobre as nossas cabeças”.[3] A madrugada foi de intenso trabalho para construir a posição de tiro.

Pracinhas em marcha rumo a Monte Castello
Pracinhas em marcha rumo a Monte Castello

Para o ataque foi designado um grupamento de três batalhões brasileiros ( I/1º RI, 3º/11º RI e 3º/6º RI) com apoio de três grupos de artilharia (dois brasileiros e um Norte-Americano) sob o comando do Gen. Zenóbio da Costa. Porém, as condições climáticas não favoreceram o ataque. Chovia muito e o céu encoberto não permitiu o uso de apoio aéreo. O ataque se iniciou às 7 horas. Por volta das 12 horas as tropas bateram em retirada, assoladas por 185 pesadas baixas. Durante os dias de 29 e 30 as últimas unidades do 2º e 3º escalão da FEB chegaram ao Vale do Reno.

Na noite do dia 2 de dezembro o batalhão do Major Jacy Guimarães do 11º RI deveria tomar posição em frente ao castelo. A substituição de tropas causou o que ainda hoje é conhecido como a debandada do I Batalhão. Dequech dedicou algumas páginas de suas memórias a este acontecimento até porque esteve indiretamente envolvido. Na madrugada de 3 de dezembro o sargento é acordado por oficiais ordenando que os praças tomassem posição de tiro. Havia pedidos de artilharia vindos do I batalhão comandado pelo Major Jacy. Dequech conta que uma das companhias do I Batalhão havia sido surpreendida por uma patrulha alemã e que no restante da noite as tropas foram fustigadas por artilharia e morteiros alemães, o que causou a ordem de retraimento do batalhão dada pelo Major. O acontecimento ainda está por ser desvendado: o relatório de Jacy indica que, de fato, houve combate entre alemães e brasileiros embora soldados afirmem que não existiu combate efetivo além de uma grande confusão e pânico que se instalaram na área do I Batalhão. A inexperiência de uma tropa não acostumada ao combate aliada a inexperiência dos superiores causara grande confusão na linha de combate. Inexperiência ou não, naquela noite Dequech aguardou até o amanhecer as ordens de tiro enquanto acompanhava o desenrolar dos acontecimentos que chegavam através das noticias até sua companhia.

Dequech viu a guerra de perto: presenciou a situação de pobreza do povo italiano, repartiu sua ração com civis e recebeu muita artilharia alemã na cabeça. A companhia de Obuses do 11º RI acompanhou o regimento em toda a sua estada pela Itália. Estava presente na tomada final de Monte Castelo em 21 de fevereiro de 1945 além da batalha por Montese. Dequech retorna ao Brasil em setembro de 1945, exatamente 1 ano após deixar a terra natal em direção ao Teatro de Oper
ações da Itália.

[1] DEQUECH, José. Nós estivemos Lá. Legião Paranaense do Expedicionário: Curitiba, 1994. p. 52
[2] BRAYNER, Marechal Floriano de Lima. A verdade sobre a FEB. Civilização Brasileira: Rio de Janeiro, 1968 p. 237
[3] DEQUECH, op. cit. p. 48

Fonte: Blog Memórias do Front

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