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Pedro Silva Drummond é formado em História pela UGF e Especialista em História Militar pela UNISUL

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Dietrich von Choltitz foi um militar do exército alemão durante o tempo que esteve em combate durante a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais. Cholitz como Cadete das forças armadas alemães foi designado para lutar no seu Regimento de Infantaria, durante a Guerra, foi promovido a Leutnant (Tenente do Exército).

No período entre Guerras, Cholitz serviu em diversas unidades de Infantaria e Cavalaria, mas quando estourou a Segunda Guerra Mundial, o oficial já tinha sido promovido a Oberstleutnant (Tenente-Coronel) e comandava o III Batalhão do 16º Regimento de Infantaria, sendo um dos responsáveis pela conquista de Roterdã (Holanda) em 1940, um dos grandes feitos que possibilitou com que ele fosse condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro.

No ano seguinte (1941), Cholitz foi promovido como Oberst (Coronel) e partiu para conquista da União Soviética, onde participou do cerco de Sevastopol. Em 1943 assumiu o comando da 11ª Divisão Panzer, e em 1944 foi promovido a General de Infantaria, e recebeu o comando do LXXXIV Corpo de Exército que lutou na Itália e nança.

O último posto do General Cholitz foi o de Comandante Militar das Forças de Paris, quando foi capturado pelos Aliados após a conquista do território.

Nesse contexto a figura de Cholitz é mudada, agora ele não é somente um dos grandes oficiais do exército alemão, como outros grandes nomes, o oficial militar alemão tem um papel político importante como responsável por Paris, uma das cidades conquistadas pelos alemães mais importantes, devido ao revanchismo que existia entre as duas nações.

O General Cholitz recebeu a incumbência de ser o Comandante em Paris em agosto de 1944, dois meses após o desembarque na Normandia, quando os rumos da Guerra começaram a mudar no lado ocidental e as tropas Aliadas começaram a impor diversas derrotas ao exército alemão.

O Oficial alemão chega ao comando da região depois do fracasso das Forças Armadas, no qual ele participou, de não conseguirem segurarem os aliados após o ataque da Normandia e de seu antecessor Carl-Heinrich von Stülpnagel ter sido sentenciado à morte por ter participado do atentado contra a vida de Hitler (Operação Valquiria).

O oficial alemão quando foi enviado a Paris, tinha ordens diretas de Hitler de que a cidade somente deveria ser entregue aos Aliados destruída. Existia um plano feito pelos alemães de destruir áreas importantes da cidade, mas essa ordem não foi cumprida pelo General.

Os motivos que levaram o General Cholitz a não cumprir essa ordem direta de Hitler ainda não são claras, e são objeto de controvérsia entre os pesquisadores, alguns acreditam que ele não desejava ser o responsável pela destruição de Paris, o que é questionada no meio dos estudiosos sobre o tema, devido as suas atitudes durante a Guerra, principalmente no porto de Sevastopol.

Filme Diplomacia, atores que fizeram Cholitz e o Consul Nordling

Alguns especialistas sobre o assunto consideram que Cholitz não tinha meios militares (armamento e pessoal) para cumprir a missão, era um período de diversas derrotas dos alemães para os aliados, e um outro motivo que também foi decisivo para sua decisão, foi a visão que o General teve de Hitler após o seu encontro, quando encontrou um homem (Hitler) que “aparentemente parecia doente, sem totais capacidades de continuar liderando os alemães”.

Agora, para Paris não ter sido destruída houveram duas figuras importantes que contribuíram para isso, o Prefeito da cidade Pierre Taittinger e o Consul da Suécia Raoul Nordling, que tentaram dissuadir Cholitz diversas vezes de não cumprir com as ordens de Hitler. O Fuhrer quando soube da chegada dos aliados a cidade francesa, perguntava “Paris está queimando”.

Cholitz se rendeu ao General francês Philippe Leclerc, onde ficou preso até 1947, e acabou morrendo em Baden-Baden em 1966. Quando os aliados chegaram e libertaram Paris dos alemães foi um momento de alegria para os franceses, que por mais de 4 anos tiveram o comando dos alemães, mas saíram da Guerra com Paris com poucos danos na cidade, diferentemente de grandes cidades europeias.

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As Relações entre Brasil, Estados Unidos e Alemanha, se iniciaram no inicio do século XX, no momento em que a Grã-Bretanha estava perdendo espaço na América.

Nesse período, os Estados Unidos tinham uma política de “América para os Americanos”, onde o Continente Americano seria dos próprios americanos, não havendo com isso a interferência dos países europeus na América.

Pato Donald e Zé Carioca (símbolo da boa relação dos 2 países)
Pato Donald e Zé Carioca (símbolo da boa relação dos 2 países)

A Alemanha olhava para a América como uma nova oportunidade de novos mercados, pois os outros continentes, já estavam dominados pelas “grandes potências”, e a América Latina era ainda um mercado aberto, ainda mais com o declínio da posição britânica no continente.

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha tinha dificuldades em readquirir a força que tinha antes da Grande Guerra na América Latina, assim a Grã-Bretanha aceitou mais facilmente a predominância dos Estados Unidos na região. Em 1930, os norte-americanos, já eram a principal potência política, econômica e em alguns países até cultural no continente.

Num primeiro momento as relações econômicas do Brasil com a Alemanha foram boas, principalmente nos primeiros anos da década de 1930,

As relações do Brasil no governo Vargas, para parte da historiografia brasileira, foram de uma “política de barganha”, e essa imagem, foi mais forte no meados da década de 1930. Nesse período a Alemanha conseguiu um crescimento na participação no comércio exterior do Brasil, sendo um exemplo disso, os Acordos de Compensação de 1934 e 1936, no qual os alemães importavam algodão, café, laranja, couro, tabaco e carne enlatada em grandes quantidades, e o Brasil importava da Alemanha produtos manufaturados.

Participação da Inglaterra e dos Estados Unidos nas Importações do Brasil (1901-1950)
Participação da Inglaterra e dos Estados Unidos nas Importações do Brasil (1901-1950)

Além disso, existia um encanto pela Wermarcht (Forças Armadas da Alemanha) por parte de Eurico Gaspar Dutra (Ministro da Guerra, 1936-1945) e Góes Monteiro (Comandante do Estado-Maior de Exército, 1937-1943), mas em nenhum momento havia simpatia por parte deles em relação à ideologia alemã. Os simpatizantes da Alemanha eram minoria no governo, enquanto os simpatizantes dos Estados Unidos eram maioria, encabeçado por Oswaldo Aranha (Embaixador do Brasil nos EUA, 1934-1937 e Ministro das Relações Exteriores, 1938-1944).

A aproximação com a Alemanha aconteceu devido à sua carência de matérias-primas, que eram necessárias as suas indústrias, e na década de 1930, a situação era difícil, por causa, da crise econômica internacional e do forte controle comercial dos países europeus para com as suas colônias. Assim, a Alemanha e alguns outros países, enxergavam na América uma região dependente do mundo desenvolvido para escoar seus produtos primários.

O grande volume exportado do Brasil para Alemanha fazia parte do excedente comercial feito com os norte-americanos, e os produtos importados da Alemanha para o Brasil, eram produtos que não competiam com os dos Estados Unidos.

As relações do Brasil com a Alemanha foram se tornando mais complicadas com a chegada da guerra, no ano anterior ao inicio da guerra, o Embaixador da Alemanha no Brasil, informa isso em um telegrama ao Ministério das Relações Exteriores, onde ele constata o seguinte,

“É difícil perceber-se por que o Govêrno brasileiro tem levado a efeito nos últimos meses uma campanha contra todos os elementos alemães no Brasil – contra os nacionais alemães e suas organizações, assim como contra os alemães de cidadania brasileira. Não me estou referindo agora aos artigos de propaganda contra a Alemanha, constantemente repetidos em um setor da imprensa brasileira… Estou-me referindo aqui, sobretudo, ao fato de que o próprio Govêrno Federal e vários órgãos estaduais, não só permitem que uma campanha seja feita contra a NSDAP , ou contra membros individuais do Partido, escolas alemães, etc., mas até a aprovam.”

Medidas tomadas por brasileiros tinham a influência dos Estados Unidos, em oposição à Alemanha, pelo fato dos norte-americanos temerem uma possível influência dos integralistas no governo brasileiro.

A discórdia entre Alemanha e o Brasil, se desenvolveu, a partir do posicionamento dos alemães e de descendentes de alemães que moravam no sul do Brasil. Muitos deles nascidos no Brasil, se consideravam mais alemães que brasileiros, o que agradava a Alemanha, e isso fazia com que muitas vezes o governo brasileiro pedisse explicações ao governo alemão.

A política entre alemães e brasileiros teve um dos grandes desgastes, em 1938, com as prisões de cidadãos alemães no país e a proibição do funcionamento Partido Nazista, que funcionava no Brasil desde 1928. A tentativa de golpe da AIB (Ação Integralista Brasileira), também serviu para dificultar as relações entre os dois países.

Crianças alemães da cidade de Presidente Bernardes (SP) fazendo saudação a Hitler
Crianças alemães da cidade de Presidente Bernardes (SP) fazendo saudação a Hitler

Nesse mesmo ano, o Brasil tomava medidas que consideravam importantes de cunho nacionalista, mas que estremecia suas relações com vários países, onde se dizia o seguinte:

“Os estrangeiros foram proibidos de participar, criar e manter agremiações, fundações e partidos políticos; de hastear ou usar os símbolos da sua pátria; de manter jornais ou outras publicações e, além disso, eram obrigados a falar português. Os professores deveriam ser de nacionalidade brasileira e as escolas existentes nas colônias deveriam ministrar a geografia e a história do Brasil.”

A crise entre Alemanha e Brasil teve como um dos momentos mais difíceis o ano de 1938, onde o Brasil intensificou uma postura nacionalista, na qual os estrangeiros tiveram varias restrições em demonstrar qual seria a sua nacionalidade e seus métodos de vida, na relação com o Embaixador alemão (Karl Ritter), já que o Brasil não desejava a sua permanência no país e nas prisões de alemães em campos de concentrações.

Curiosamente, as relações entre essas duas nações ficaram mais difíceis, no período menos democrático no Brasil, onde foi instaurado o Estado Novo, pois até esse período o país não tinha uma posição clara em relação aos alemães.

As relações do Brasil com os Estados Unidos no governo de Getúlio Vargas dão continuidade as relações na década de 1920, onde houve um grande crescimento entre os dois países. Na década de 1930, mesmo havendo períodos de estremecimento das relações, a afinidade entre eles sempre foi mantida.

A confirmação dessas boas relações acontece com os acordos comerciais do início dos anos de 1930 e a aliança no período da Segunda Guerra Mundial, onde o Brasil concede aos Estados Unidos bases aeronavais em lugares estratégicos para o envio de tropas para o Continente Africano e posteriormente a Europa e para o patrulhamento no Atlântico Sul.

Vargas e Roosevelt visitando Base no RN
Vargas e Roosevelt visitando Base no RN

Enquanto os norte-americanos ajudariam no reequipamento dos militares brasileiros e na construção da Indústria Siderúrgica Nacional. A Entrada da FEB (Força Expedicionária Brasileira) na Guerra, também fez parte desses acordos entre Brasil e os Estados Unidos, pois o Brasil foi o único país da América do Sul a enviar tropas para a Europa.

O Brasil na década de 1930 esperava das relações com os Estados Unidos e a Alemanha o máximo de acordos econômicos com as duas nações. O governo brasileiro desejava aproveitar ao máximo esse período de crise e de dificuldades das Guerras, pois a Alemanha ainda sofria com a Primeira Guerra Mundial e ainda tinha a Crise de 1929, onde todas as nações passavam por dificuldades, para conseguir aumentar favoravelmente sua balança comercial.

O país não desejava em nenhum momento um aumento das relações políticas com a Alemanha, e buscava uma maior autonomia com os Estados Unidos.

Assim, as relações do Brasil com a Alemanha e os Estados Unidos, não podem ser considerada uma “política de barganha”, pois as relações políticas e militares com os Estados Unidos em nenhum momento sofreram risco, ou até mesmo diminuíram a ponto de outra nação superá-la, a condição de principal parceiro do Brasil pelos Estados Unidos nunca esteve ameaçada. O Brasil nunca esteve perto de participar da Segunda Guerra Mundial do lado do Eixo, mas aproveitou-se das condições que estavam sendo colocadas na década de 1930, para conseguir buscar novos parceiros comerciais.

Soldados alemães se rendendo da 232º e 148º Batalhão de Infantaria aos soldados da FEB
Soldados alemães se rendendo da 232º e 148º Batalhão de Infantaria aos soldados da FEB

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O Brasil, durante todo o século XX esteve presente nas discussões sobre a Paz no Mundo. O País fez parte da criação da Liga das Nações, após a Primeira Guerra Mundial, e como a organização não foi capaz de impedir a Segunda Guerra Mundial, ao término do conflito, foi criada a ONU (Organização das Nações Unidas), no qual, o Brasil foi um dos membros fundadores.

As Operações de Paz da ONU tinham como objetivo inicial, garantir a ordem, e buscar o cessar-fogos em territórios em conflito. Esses interesses, eram algo que não havia sido criado com as missões, desde a criação da Liga das Nações e depois com a ONU, entendia-se que as maiores potências militares deveriam intervir para garantir a paz e evitar que os conflitos tomassem grandes proporções.

As Operações de Paz da ONU, com uma quantidade de contingente para a resolução de um conflito começou em 1948, quando foi criada a UNTSO, Organização de Supervisão de Trégua das Nações Unidas, que tinha como objetivo, o cessar-fogo na Guerra da Israel-Palestina. O Brasil iniciou sua participação em 1956, através da UNEF (Força de Emergência das Nações Unidas), com o chamado “Batalhão de Suez”, que visava contribuir para a manutenção da paz no conflito entre egípcios e israelenses, depois na nacionalização do Canal de Suez.

Soldados do 13º contingente brasileiro do Batalhão de Suez.
Soldados do 13º contingente brasileiro do Batalhão de Suez.

A participação do Brasil nessas missões acontece de acordo com o artigo 4º da Constituição Brasileira, que determina que a “República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I – independência nacional; II – prevalência dos direitos humanos; III – autodeterminação dos povos; IV – não-intervenção; V – igualdade entre os Estados; VI – defesa da paz; VII – solução pacífica dos conflitos; VIII – repúdio ao terrorismo e ao racismo; IX – cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; X – concessão de asilo político”, assim para o Brasil fazer parte de uma Operação de Paz, deve existir uma aceitação da nação envolvida em um conflito, da presença de estrangeiras em seu território.

Nesse contexto, o Brasil considera as Operações de Paz como um instrumento importante para solucionar conflitos, ajudando a promover negociações político-diplomáticas. As missões devem ter os princípios da imparcialidade, promovendo negociações com todas as partes envolvidas, aplicando o mínimo de força necessária e depois de esgotadas as tentativas diplomáticas.

Soldado brasileiro no Haiti, Cité Soleil.
Soldado brasileiro no Haiti, Cité Soleil.

As polícias militares também fazem parte da história da participação do Brasil nas Operações de Paz, desde a década de 1990, os policiais brasileiros integraram as missões na Angola (1991), e contribuem até hoje com as forças da nação.

Operação Especial Anjo, Cidade de Deus, Porto Príncipe.
Operação Especial Anjo, Cidade de Deus, Porto Príncipe.

O papel da mulher nas operações de paz também merece ser destacado. No Brasil, a participação feminina nas três forças armadas é recente, década de 1980, com a criação do Corpo Auxiliar Feminino da Reserva, que objetivava atuar na área técnica e administrativa. Nas missões de paz, a primeira militar brasileira a participar de uma missão foi uma capitão médica, que foi para o Timor-Leste em 2003.

No Haiti, as mulheres se incorporaram as tropas brasileiras em 2006, e até esse momento, 124 mulheres do Exército (62 praças e 62 oficiais) estiveram naquele país como médicas, dentistas, enfermeiras, tradutoras e engenheiras.

O Brasil não integra somente as Missões de Paz da ONU, desde a criação da Força Interamericana de Paz da OEA (Organização dos Estados Americanos), o Brasil participa das forças de paz, integrando-se ao primeiro contingente em 1965 na República Dominicana.

O Brasil já participou de mais de 30 missões de paz das Nações Unidas, desde a sua criação, enviando mais de 27 mil militares, e atualmente, as Forças Armadas Brasileiras estão em 9 Missões de Paz das Nações Unidas e 1 da OEA, com mais de 1700 militares brasileiros. Nos últimos anos, a responsabilidade do Brasil aumentou com o comando das tropas da ONU no Haiti a partir de 2004 (MINUSTAH), no Congo em 2012 (MONUSCO) e no Lìbano (UNIFIL), com o comando das Forças Navais em 2011.

Tropas brasileiras na Operação MONUSCO, na República Democrática do Congo
Tropas brasileiras na Operação MONUSCO, na República Democrática do Congo

Em 2010, o Brasil criou o Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB), que homenageou o Diplomata Sérgio Vieira de Mello, dando o seu nome para o CCOPAB, um local de preparação das forças armadas, brasileiras e estrangeiras, que irão integrar as missões de paz das Nações Unidas.

Mapa das missões de paz Brasileiras em andamento.
Infográfico das missões de paz Brasileiras em andamento.

No entanto, apesar da participação brasileira ter crescido a partir da MINUSTAH em 2004, todo esse processo está longe de ser um atributo essencial para o reconhecimento do Brasil no cenário mundial, pois membros do Conselho de Segurança da ONU e países com as maiores economias do mundo, não tem um procedimento padrão, devido determinados países enviam mais militares que o Brasil, como Índia e China, e outros enviam algumas dezenas, como os EUA e a Rússia.

País 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Total
Alemanha 296 294 288 200 193 259 4980
Brasil 1335 2248 2260 2447 2205 1748 17694
China 2146 2136 2044 1904 1860 2177 19109
França 2544 1738 1471 1266 950 958 15155
Índia 8631 8765 8657 8134 7812 7923 91965
Japão 39 231 260 499 271 271 3108
Reino Unido 301 283 283 285 298 357 5050
Rússia 347 366 255 109 103 107 3458
EUA 100 88 91 131 118 120 3794

Nesse sentido, a participação do Brasil nas Forças de Paz da ONU, não proporciona a nação ambicionar ter maior relevância nas decisões da ONU e nem de fazer parte como membro permanente do Conselho de Segurança.

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Tratado Brest-LitovsK

 

Até os dias atuais, sucederam diversos acontecimentos que mudaram a história, porém, todos os grandes fatos que tiveram consequências posteriores para a humanidade, apresentaram alguma relação com crises econômicas.

A intenção desse artigo é indicar que a economia foi sempre um dos principais fatores para as rupturas nas políticas mundiais, é a característica que mais aparece nessas mudanças na política mundial, mas não se pode isolá-la de outras características, que contribuíram para as alterações nas estruturas de diversas nações.

Na Era Moderna e Contemporânea, houveram exemplos de mudanças históricas que foram antecedidas por uma crise econômica. A Era Moderna seria o marco devido o surgimento do capitalismo, no entanto, desde a Antiguidade já havia alterações políticas nas regiões por causa de processos econômicos, como a derrocada das cidades gregas e a vitória de Alexandre o Grande, a queda do Império Romano, as Cruzadas e diversos outros exemplos.

O capitalismo seria o marco, devido à competitividade dos Estados Modernos que propiciou a criação do moderno capitalismo como assinala Max Weber: “Nem o comércio, nem as políticas monetárias dos Estados Modernos […] podem ser compreendidos sem essa singular competição e equilíbrio político entre os Estados” (WEBER, Mas. Wirtschaft und Gesellschaft, 1978. In: ARRIGHI, Giovanni. O Longo Século XX: Dinheiro, Poder e as Origens do nosso tempo, 2012)

Quando alguns países passam por mudanças no seu governo, isso tem como característica períodos de grande crise econômica, onde a insatisfação da população por não terem condições financeiras adequadas, provocam um descontentamento geral e como consequência existe a busca de uma ruptura com a política vigente, e essas mudanças normalmente ocorrem através de guerras.

Essas mudanças normalmente acontecem quando se tem Independências e as chamadas Revoluções, segundo diversos autores, o conceito de Revolução, significa uma mudança nas estruturas, políticas, econômicas e sociais, é nesse contexto que serão analisadas algumas dessas Revoluções, que aconteceram em diferentes períodos da história, mas que tiveram como uma das principais causas a crise econômica.

Nesse sentido, podemos citar diversos exemplos, como, a Independência dos EUA, Independência da América Espanhola, Revolução Francesa, Revolução Cubana, Revolução Chinesa e a Revolução Russa.

Revolução Francesa

A França passava por uma grande crise econômica no final do século XVIII, quando a Inglaterra já tinha iniciado o seu processo industrial, e os franceses ainda mantinham práticas feudais, como o domínio da área rural sobre a urbana, privilégios como o não pagamento de impostos do Clero e Nobreza.

Essa crise se agravou com o problema agrário que a região enfrentava, devido a um clima inadequado para agricultura, uma das principais fontes de renda da população, o povo passava dificuldades com alimentação, pois o preço dos alimentos subiam, e só quem tinha boas condições financeiras conseguia se alimentar.

Outro aspecto dessa crise financeira acontecia por causa das dívidas de guerra que os franceses enfrentaram, como a Guerra dos Sete Anos e a Independência dos EUA, todos esses conflitos provocaram um custo enorme que os franceses em 1789 ainda não tinham se recuperado e que estava pesando ao Estado francês e a população local. A falta de não pagamento de impostos pelo Clero e Nobreza, foi o grande fator para o início da Revolução Francesa, o chamado “Terceiro Estado” (Povo + Burguesia), estavam insatisfeitos com a obrigação de arcar com todas as despesas do País, e nesse aspecto começaram a pressionar o Rei Luís XVIII, para por fim a esses privilégios.

Pirâmide Social da França antes da Revolução
Pirâmide Social da França antes da Revolução

Quando Luís XVIII convocou a Assembleia Geral, órgão que não era convocado desde o início do século XVII, a França discutia os problemas que estavam enfrentando, e nesse momento, o “Terceiro Estado”, aproveitou para pressionar o Rei a por fim os privilégios da Nobreza e Clero, como isso acabou não ocorrendo, Burguesia e Povo se desligaram da Assembleia Geral e iniciou a criação da Assembleia Nacional Constituinte, que pôs fim ao Absolutismo na França, com a Revolução Francesa.

Assembleia dos Estados Gerais
Assembleia dos Estados Gerais

A Revolução Francesa nesse aspecto ocorreu por uma insatisfação popular com a crise econômica que a França vinha passando, devido às guerras, fome e os impostos que provocavam um caos social.

Revolução Russa

A Rússia, no início do século XX, tinha características muito diferentes dos modelos existentes em outros países. Nesse período a Europa lutava pelo expansionismo nos continentes Africanos e Asiáticos, devido o crescimento na produção dos produtos industrializados, que tem como consequência a necessidade de buscar matéria prima e mercado consumidor nessas regiões. A Rússia, mesmo fazendo parte desse processo, era um país com características agrícolas e com poucas indústrias.

Nicolau II Czar da Rússia
Nicolau II Czar da Rússia

Neste período a Rússia, já vinha passando por uma insatisfação popular, que se agravava com o aumento das dificuldades econômicas devido a acontecimentos externos, como a Guerra Russo-Japonesa (1904-1905) e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

A Guerra Russo-Japonesa foi uma das causas do aumento das manifestações, devido o gasto com a guerra e a derrota para os japoneses. A consequência para esses fatos foram uma onda de greves e manifestações da população contra a forma de governo do Czar Nicolau II, que teve como maior acontecimento o Domingo Sangrento, onde diversas pessoas foram mortas, quando se aproximavam do Palácio de Inverno do Czar. Esses acontecimentos serviram de estopim para a Revolução de 1905, que propiciou a criação de uma Monarquia Constitucional no País.

A Rússia entra na Primeira Guerra Mundial após a morte do príncipe herdeiro do Império Austro-húngaro em Sarajevo, e a declaração de guerra do Império contra a Sérvia, no qual a Rússia tinha uma aliança com essa nação.

Atentado em Sarajevo: Estopim de uma Guerra Anunciada
Domingo Sangrento
Domingo Sangrento

A Grande Guerra, que muitos acreditavam na época que teria uma curta duração, durou muito mais tempo que se havia pensando, e isso para a população da Rússia foi motivo de descontentamento, devido o aumento da crise econômica do país, que sofria com a falta de alimentos, e o povo, responsabilizava a manutenção da nação na Guerra como o motivo pelo agravamento da crise econômica.

Através das manifestações populares, em Fevereiro de 1917, acontece a primeira Revolução, pelos Mencheviques, que consegue retirar do poder o Czar Nicolau II, mas que se manteve pouco tempo no poder. Em Outubro de 1917, os Bolcheviques assumem o poder, e retiram a Rússia da Primeira Guerra Mundial, assinando o Tratado Brest-Litovsk com os países da Tríplice Aliança (Alemanha, Itália e Império Austro-húngaro) e transformando a nação em socialista, forma de governo que durou até o fim da URSS em 1991.

Tratado Brest-LitovsK
Tratado Brest-LitovsK

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O Brasil na Grande Guerra

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Napoleão na Rússia
Retirada de Napoleão de Moscou
Retirada de Napoleão de Moscou

Napoleão Bonaparte chegaria ao poder na França, fazendo parte do processo da Revolução Francesa, quando em um período de instabilidade política devido às disputas pelo poder entre Jacobinos e Girondinos (1789-1799), Bonaparte com o apoio dos Girondinos iria impor o Golpe dos 18 Brumário (9 de Novembro de 1799), nome do mês do Calendário Revolucionário Francês.

O General Bonaparte conseguiria esse feito devido ao seu prestígio com as suas vitórias militares internas, como a Segunda Coalizão (união de algumas regiões do Sacro Império Romano-Germânico, Grã-Bretanha, Rússia) e externas na Itália (1797) e Egito (1799), mesmo não conseguindo a conquista definitiva do Egito, Bonaparte conseguiu vitórias importantes na região, e grande parte do espólio egípcio que se encontra no Museu do Louvre.

Nesse contexto, Bonaparte derruba o Diretório e instaura o Consulado, e governa juntamente com outros dois Consulês (Roger Ducos e Emmanuel Sieyés), e essa forma de governo durará até 1804, quando Napoleão acaba com o Consulado através de um Plebiscito e torna-se Imperador da França.

Coroação de Napoleão Bonaparte como Imperador
Coroação de Napoleão Bonaparte como Imperador

Como Imperador da França, Bonaparte continua com a política expansionista que foi iniciada no final do século XVIII e tenta conquistar grande parte do continente Europeu. O General e agora Imperador consegue diversos êxitos, pois até 1805, quando ele é derrotado na Batalha Marítima de Trafalgar, Bonaparte tinha conseguido grandes vitórias no âmbito terrestre e isso permanecerá até 1812 quando ele terá a sua derrota na Campanha da Rússia.

A Rússia seria invadida depois de os russos não aceitarem mais participarem do Bloqueio Continental, proibição feita as nações europeias que fizessem comércio com a Grã-Bretanha, com o objetivo de enfraquecer a economia britânica e posteriormente sua força militar, e da criação do Grão-Ducado de Varsóvia, que ameaça a segurança dos russos, devido o exército francês estarem junto as suas fronteiras.

A campanha da França na Rússia começava com algumas perdas, como alguns milhares de soldados que seguiram para Portugal, para mais uma invasão ao País, no entanto, o exército francês marchava para Rússia com aproximadamente 680 mil homens.

Na fase de planejamento para o conflito, iniciou-se as primeiras adversidades, pois o exército francês era muito maior do que em campanhas anteriores, o que provocava uma dificuldade na logística para repor os suprimentos, armamento e munições. Nas outras batalhas, as rápidas manobras do exército francês sobre a retaguarda dos inimigos foram necessárias para a captura desses recursos.

Na campanha da Rússia, a tentativa de conseguir esses recursos dentro da nação invadida, era outra dificuldade, devido o território ser pobre, imenso, e pouco povoado para suas dimensões. A logística para o confronto aconteceu através de comboios, o que causava uma dificuldade para a marcha das tropas, pois iria se perder muito tempo. Bonaparte contava com uma guerra rápida e por isso utilizou recursos para uma pequena quantidade de dias, causando mais um erro no seu planejamento para a guerra.

Nesse aspecto, o planejamento da Rússia foi bem sucedida, já que os russos desejavam evitar ao máximo uma batalha decisiva, e para isso, eles estavam dispostos a recuar e entregar seus territórios, provocando uma estratégia de desgaste, o que possibilitou Bonaparte marchar até Moscou, sem grandes batalhas e algo no qual ele não desejava quando projetou sua estratégia.

Napoleão na Rússia
Napoleão na Rússia

Na Rússia, Bonaparte tinha como estratégia dividir os exércitos e combatê-los, mas devido à lentidão dos comboios de suprimentos e das estradas russas, a sua tática não funcionou.

O exército francês já tinha chegado a Moscou, sem uma batalha decisiva e sem conseguir dividir definitivamente o exército russo, nesse momento as tropas já sofriam com as condições climáticas da região e com a dificuldade de conseguir suprimentos, devido os comboios não conseguirem acompanhar a marcha do exército e da quantidade ter sido insuficiente, devido ao planejamento feito por Bonaparte de uma guerra rápida, e de um plano russo, de colocar fogo em tudo que foi deixado para trás por eles e que poderia ser usado pelos franceses na chamada tática da “terra arrasada”.

Napoleão em Moscou
Napoleão em Moscou

As tropas que tinham iniciado a campanha na Rússia, já tinha boa parte se perdido pelo caminho, com pequenas batalhas e principalmente doenças, devido a má alimentação e ao clima instável da região, dos aproximadamente 680 mil homens, que foram enviados para a batalha, menos 100 mil conseguiram sair do território russo.

Napoleão deixando a Rússia
Napoleão deixando a Rússia

Oradour sur Glane é um vilarejo que fica na região de Limusine (francês Limousin), com aproximadamente 2500 habitantes, e foi o local onde se organizou a resistência francesa, denominado Maquis, durante a Segunda Guerra Mundial. O nome Maquis é em homenagem a Napoleão Bonaparte, que nasceu na Córsega e onde se predomina os Maquis, um arbusto típico da região.

Ruínas de Orador-sur-Galne
Ruínas de Orador-sur-Glane

O vilarejo entrou nos anais da Segunda Guerra Mundial, em 1944 quando a Alemanha Nazista com a 2ª Divisão Panzer SS Das Reich, da Waffen-SS, entrou no local e massacrou os habitantes, resultando em 642 mortes, com 190 homens, 245 mulheres e 207 crianças, nesse período, o numero de habitantes era de aproximadamente 1000 pessoas.

A região entrou na rota alemã, após o acontecimento que para alguns historiadores mudaram o rumo da Segunda Guerra Mundial na Europa, o Dia D, que aconteceu dias antes do massacre.

Dia-D é o termo militar usado para classificar a data de início em operações de combate pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, e durante a Segunda Guerra o mesmo termo foi usado para a invasão dos aliados na região da Normandia, no dia 06 de Junho de 1944, quando mais de 150 mil soldados chegaram à costa da França e abriram mais uma frente de batalha. O ataque a Normandia, tinha sido acordado na Conferência de Teerã, que ocorreu entre os governantes Stalin (Rússia), Roosevelt (EUA) e Churchill (Inglaterra), onde Stalin desejava que os ocidentais abrissem uma nova frente de batalha. A URSS tinha o receio de ficar enfraquecida após a guerra contra os alemães, e os ocidentais se aproveitarem no pós-guerra.

A invasão foi bem sucedida depois que informações falsas foram enviadas e descobertas pelos alemães, com o objetivo de distrair o setor de inteligência alemão. Os aliados haviam criado a Operação Fortitude, que tinha como finalidade indicar que os aliados iriam desembarcar na região de Pas de Calais, com isso, as fortificações naquela região foram intensificadas no aguardo de uma possível invasão.

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Após o ataque do Dia-D, a Operação Fortitude se mostrou eficaz e as forças armadas alemãs haviam sido concentradas em outros locais, e acabaram indo para a região da Normandia, e nesse trajeto, é que a Divisão Panzer atacou o vilarejo de Oradour sur Glane, no dia 10 de Junho, quatro dias após o ataque a Normandia.

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Quando a tropa alemã chegou ao vilarejo sob o comando de Adolf Diekmann, logo separaram as mulheres e crianças dos homens, enquanto os primeiros foram enviados para uma igreja, os demais foram colocados num celeiro. O motivo para essa atitude era uma verificação de rotina, porém a justificativa pelo grande número de mortes é que na região se encontrava um militar alemão que era prisioneiro dos grupos de resistência.

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As consequências dessas pessoas foram à morte, após serem alvejados com um fuzilamento e depois atearam fogo nos corpos desses cidadãos que alguns deles ainda estavam vivos.

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Na década de 1960, quando a França estava sob a presidência de Charles de Gaulle, ficou decidida que o vilarejo não seria reconstruído, permanecendo as ruínas como uma lembrança do ato dos Nazistas na França. Em 1999, foi feito um centro de memória e foi nomeada como “cidade mártir”.

Centro de Memória de Oradour Sur Glane
Centro de Memória de Oradour Sur Glane

Adolf Diekmann não chegou a ser julgado pelos seus crimes, ele acabou morrendo dias depois nos confrontos na Normandia.

Massacres como o que aconteceu em Oradour sur Glane, aconteceram diversos em diferentes momentos na História, e na Segunda Guerra Mundial inclusive, e por ambos os lados (Aliados e Eixo), como os de Lidice, Nemmersdorf, Katyn, entre outros.

Cruzador Bahia

O Brasil foi um dos países que participaram da Primeira Guerra Mundial, o país foi um dos integrantes da Tríplice Entente, a única nação da América do Sul que se envolveu no conflito.

A Primeira Guerra Mundial iniciada em 1914 teve o Brasil como um país neutro no conflito e isso permaneceu até 1917, quando nesse ano a nação cortou relações diplomáticas com a Alemanha depois de o navio brasileiro ser afundando por um submarino alemão.

O Brasil ainda teve outros navios afundados pelos alemães, o que possibilitou o Brasil a declarar guerra aos alemães e consequentemente a Tríplice Aliança.

Macau: Último navio torpedeado antes da declaração de guerra aos alemães
Macau: Último navio torpedeado antes da declaração de guerra aos alemães

A entrada do país na guerra aconteceu por pressão popular que estava insatisfeita com as perdas navais, além disso, o Brasil enxergava uma oportunidade de crescimento militar, político e econômico com a participação na guerra.

Militarmente, o país como integrante da Tríplice Entente, poderia adquirir uma linha de crédito para o aparelhamento do Exército e da Marinha, e reivindicar indenizações de guerra que poderiam servir para o pagamento deste crédito.

Na política e economia, a participação no conflito seria importante, pois daria o direito ao país de participar dos Tratados de Paz, o que possibilitaria um maior destaque à nação como integrante das discussões internacionais.

No aspecto econômico, a participação do país no Congresso de Paz era de grande importância, para se tentar resolver os problemas que vinham sendo enfrentados devido à dificuldade de comercializar café com os mares sendo usados como teatro de guerra. O Brasil tinha 1.900.000 sacas de café em portos da Europa que foram usados como garantia para empréstimos feitos pelo país, e com os conflitos as sacas de café que estavam na Alemanha foram usados por eles devido à dificuldade de conseguir fazer comércio.

O Brasil como país beligerante, enviou um grupo de 10 aviadores para se instruir na Inglaterra, uma divisão naval subordinada aos britânicos para patrulhar o Oceano Atlântico e uma equipe médica enviada à França.

Declaração de GuerraQuanto à participação da nação nos campos de batalha, houve diversos pensamentos divergentes, alguns integrantes do governo brasileiro, acreditavam que o país como um integrante da Tríplice Entente deveria participar das batalhas, no entanto, algumas nações como a Inglaterra acreditavam que a participação do Brasil deveria ser de outra forma, como de cooperação com a exportação de produtos alimentícios, entregando os navios alemães ancorados no Brasil e permitindo a liberação dos portos para os países aliados beligerantes.

O Brasil desejava passar para o mundo a grandiosidade das forças armadas brasileiras, e que ela poderia ter um papel importante no teatro de guerra, mas a situação era outra, existia um número insuficiente nos quadros militares, nos armamentos e uma deficiência nos chefes militares, pois a escolha desses oficiais não acontecia através de uma meritocracia, mas de acordo com a situação política local.

Charge declaração de guerraApós os acordos entre as nações beligerantes sobre como seria a participação do Brasil no conflito. O país de imediato enviou a DNOG (Divisão Naval em Operações de Guerra), formada pelos Cruzadores Bahia e Rio Grande do Sul, pelos contratorpedeiros Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Santa Catarina, pelo cruzador auxiliar Belmonte e o rebocador de alto-mar Laurindo Pita, para se integrarem as forças aliadas que faziam a vigilância e patrulhamento do Oceano Atlântico.

Cruzador Bahia
Cruzador Bahia

A participação da DNOG no conflito teve muitas dificuldades, o material utilizado pela divisão era obsoleto, os navios já tinham algum tempo de uso e as avarias demoravam muito para serem reparadas, os equipamentos não eram preparados para a guerra submarina, e após chegar em Dacar (Senegal) a tripulação brasileira, não pôde prosseguir viagem devido uma epidemia da Gripe Espanhola. A Gripe Espanhola deixou um saldo de 156 mortos, e diversos enfermos que acabaram voltando ao Brasil e outros permaneceram no local.

A DNOG só chegou a Gibraltar seu destino final com quatro navios: Bahia, Piauí, Paraíba e Santa Catarina, e durante a viagem passou por algumas incidentes: como a Batalha das Toninhas, momento que a divisão abriu fogo contra um cardume de toninhas acreditando ser um submarino alemão, e contra um navio de guerra norte-americano em um novo engano. A divisão só chegou a Gibraltar no dia 10/11/1918, um dia antes da assinatura do armistício que pôs fim a Guerra.

O envio de aviadores para Europa foi apenas para que eles pudessem se instruir diferente do julgamento do governo brasileiro que informava ao povo que eles haviam ido para combater na guerra.

A equipe médica enviada à França era composta por 100 médicos cirurgiões, de um corpo de estudantes, enfermeiras e soldados do exército que dariam proteção ao hospital construído pelo Brasil no teatro de operações.

Equipe Médica enviada à Guerra
Equipe Médica enviada à Guerra

Quando eles chegaram a Dacar parte da equipe, também sofreu com os mesmo problemas da divisão naval e, pegaram Gripe Espanhola, causando a morte de várias pessoas, porém a equipe médica conseguiu cumprir a sua missão e instalou o hospital em Paris, prestando serviços até mesmo após a Guerra.

Após a guerra o Brasil participou da Conferência de Paz de Paris, e através da diplomacia conseguiu obter a resolução dos problemas econômicos, como o das sacas de café, dos navios alemães que estavam ancorados nos portos brasileiros e se tornou integrante da Liga das Nações, onde permaneceu até 1926.

Conferência de Paz Paris ,1919
Conferência de Paz Paris ,1919

A Primeira Guerra Mundial teve como estopim para a Primeira Guerra Mundial, o atentado em Sarajevo do Arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, Império que foi criado em 1867 e teve seu fim após a Guerra. Entretanto esse acontecimento foi uma das causas de uma guerra já anunciada, pois desde o século XIX com o Imperialismo europeu no continente Africano e Asiático, as grandes potências europeias já vinham entrando em conflitos diplomáticos sobre a posse de territórios nesses continentes.

Arquiduque Francisco Fernando da Áustria-Hungria
Arquiduque Francisco Fernando da Áustria-Hungria

Os europeus usaram como justificativa para esse expansionismo/colonialismo a ideia da necessidade de civilizar povos inferiores, Darwinismo Social, e para isso, Inglaterra, França e Bélgica começaram a dividir os territórios dos continentes africanos e asiáticos de acordo com os seus interesses. Não houve a preocupação em relação aos nativos que viviam nessas regiões, o que provocou posteriormente no século XX, diversas guerras civis entre esses povos que eram muito divergentes em relação a línguas e culturas.

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Os outros motivos para o Imperialismo europeu, nesses continentes foram, a busca por mercado consumidor e matérias primas, devido grande parte da Europa estarem passando pela Segunda Revolução Industrial.

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As crises entre as nações europeias começaram após a unificação da Itália e Alemanha, 1870 e 1871 respectivamente, quando principalmente os alemães começaram a reivindicar para si alguns territórios que eram de interesses de franceses e ingleses.

Nesse momento, foi feita a Conferência de Berlim (1885) no qual diversos países conseguiram a posse de alguns territórios dentro do Continente Africano. Entretanto, a Conferência não foi suficiente para diminuir as tensões entre os países europeus.

Representação da Conferência de Berlin, 1885, feito para o documentário que leva o mesmo nome. De autoria do canal “The Afrika Channel UK”, da televisão britânica.

Diversas nações participaram de conflitos, como a Guerra dos Bôeres (1899-1902) entre a Inglaterra e os colonos de origem holandesa, pela disputa entre as terras ricas em recursos minerais, e em alguns momentos a guerra parecia iminente como no caso da Crise do Marrocos (1905 e 1911) entre Alemanha e França.

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As duas nações já tinham divergências antigas, no período da Unificação Alemã, quando os alemães depois da guerra de unificação contra os franceses, conseguiram a posse dos territórios da Alsácia-Lorena, com a assinatura do Tratado de Frankfurt, e que provocaram nos franceses um sentimento de revanchismo, que foi visto quando a França conseguiu de volta os territórios e com a imposição do Tratado de Versalhes, após o fim da Primeira Guerra Mundial.

Em um período de crise foi criado um Sistema de Alianças no qual em 1882, se unem a Alemanha, Itália e o Império Austro-Húngaro, formando a Tríplice Aliança e em 1907, é formada a Tríplice Entente, unindo França, Inglaterra e Rússia.

No final do século XIX e início do século XX, existiram diversos acontecimentos que serviram de exemplos para anunciarem a Grande Guerra, como a Paz Armada, que tinha uma corrida armamentista entre as potências europeias que disputavam territórios em outros continentes, e que tinham como interesse um desenvolvimento industrial, cientifico e tecnológico para o aparato militar.

O período da Primeira Guerra Mundial criou e desenvolveu diversas armas que foram usadas nesse conflito, como as metralhadoras Gatling e Maxim que foram modernizadas neste período e a Hotchkiss francesa, a produção de gases para o combate, lança chamas, os aviões como arma de guerra, e os tanques Tank e Mark.

Nessa visão de desenvolvimento militar desse período, um teórico importante é Alfred Mahan, que acreditava na supremacia do poder naval, onde a nação que tivesse a marinha mais forte teria uma superioridade maior em um conflito. Nesse sentido houve uma corrida naval entre ingleses e alemães por essa hegemonia.

O atentando em Sarajevo contra o Arquiduque Francisco Ferdinando foi somente um estopim e faz parte de um processo de acontecimentos iniciados com o Imperialismo europeu e com o nacionalismo germânico e eslavo, local onde aconteceu o atentado.

A Crise nos Balcãs aconteceu devido o expansionismo do Império Austro-Húngaro, que em 1908 tinha conquistado o território que hoje é a Bósnia-Herzegovina, impedindo com isso a Sérvia de conquistar seu objetivo de criar a “Grande Sérvia”.

O atentado propiciou que o Império Austro-Húngaro enviasse a Servia um ultimato com algumas exigências, como houve a negação dos Sérvios, o sistema de alianças foi acionado e as Tríplices Alianças e Ententes declararam guerra entre si, dando inicio a Grande Guerra.

O Gräf & Stift Double Phateon que foi palco do atentado é hoje acervo do Museu Militar de Viena
O Gräf & Stift Double Phateon que foi palco do atentado é hoje acervo do Museu Militar de Viena
Gavrilo Princip assassinando o arquiduque e sua esposa
Gavrilo Princip assassinando o arquiduque e sua esposa

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A Guerra do Paraguai (1864-1870) foi uma das mais violentas guerras no Continente Americano, que teve como integrantes a Tríplice Aliança, que era composta por Argentina, Brasil e Uruguai contra o Paraguai. O Brasil entrou na guerra depois que teve o navio Marquês de Olinda aprisionado no Rio Paraguai e a invasão das tropas do Paraguai no Mato Grosso, enquanto a Argentina declarou guerra aos paraguaios, depois da invasão dos mesmos na região de Corrientes.

As causas para a Guerra de acordo com a nova historiografia, não é mais por causa do Imperialismo da Inglaterra, e sim devido ao processo regional no Continente, onde o aspecto geopolítico e econômico são importantes para o entendimento para o conflito.

A visão sobre o aspecto geopolítico tem início na política interna do Uruguai, onde no momento o Partido Blanco estava no poder, e o Brasil que tinha uma parceria com o Partido Colorado, se prepara para uma intervenção na sua antiga colônia Cisplatina, conquistou a independência sobre o Brasil em 1828, para reconduzir o Partido Colorado ao poder. O Partido Blanco, através do apoio brasileiro aos Colorados, busca apoio dos paraguaios, para tentarem se manter no poder. O Paraguai enxergava na relação Brasil, Argentina e Uruguai (Partido Colorado), um isolamento político na região e através disso, a necessidade de demonstrar sua força aos países vizinhos.

Em relação ao aspecto econômico, a questão no Uruguai também é o causador, devido o Paraguai desejar ter acesso ao mar. Para isso, havia a necessidade de utilizar os portos da região, como o Porto de Buenos Aires era difícil, devido às relações ruins entre a burguesia mercantil da Capital Argentina e os paraguaios, o Porto de Montevidéu era de grande valor para integrar o Paraguai ao comércio mundial.

O início da guerra aconteceu quando o Paraguai invade as regiões do Mato Grosso e do Rio Grande do Sul no Brasil e a de Corrientes na Argentina, desencadeando o Tratado da Tríplice Aliança (1865), entre Brasil, Argentina e Uruguai, que após um conflito no País, com a ajuda do Brasil, colocou de volta ao poder o Partido Colorado (Venancio Flores).

A Guerra do Paraguai, chamada também de Guerra da Tríplice Aliança, principalmente na Argentina e Uruguai, teve depois das invasões do Paraguai, um momento de conquistas da Tríplice Fronteira até 1866, com a saída das forças paraguaias do Brasil e da Argentina e com as vitórias de Riachuelo e Tuiuti, uma das grandes vitórias dos aliados.

Passagem de Humaitá
Passagem de Humaitá

Os anos de 1866 e 1867 foram de algumas derrotas e estagnações das posições das forças dos Aliados, no qual somente no segundo semestre de 1867 e no ano seguinte as tropas dos Aliados conseguiram ultrapassar as Fortalezas de Curupaiti e Humaitá respectivamente. Esta última fortaleza que foi de difícil acesso às forças aliadas, tinha como uma das principais defesas a Bateria Londres, no qual contava com o canhão de guerra “El Cristiano” (O Cristão), que pesava 12 toneladas e que tinha sido fundido com o bronze de sinos de igrejas do Paraguai, motivo do nome dado ao canhão.

Bateria de Londres em Humaitá
Bateria de Londres em Humaitá

Com o fim da Guerra do Paraguai e a vitória dos Aliados, as Forças Armadas do Brasil trouxeram alguns espólios de guerra, como documentos, troféus, bandeiras, espadas e o canhão El Cristiano, isso é uma prática comum existente desde o início das guerras. No Paraguai também existem armas e o navio brasileiro Anhabahy, nos museus desta nação.

No período da construção da hidrelétrica de Itaipu, muito desses materiais trazidos para o Brasil, foram devolvidos pelo governo brasileiro, como uma demonstração de boa vontade, além do perdão da dívida dos paraguaios com o País, porém o canhão El Cristiano, foi um das poucas heranças da guerra mantidas no Brasil, no Museu Histórico Nacional no Rio de Janeiro. Em 1998, todo o acervo do Museu foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), sendo declarados patrimônio nacional pelo decreto-lei nº25 de 30/11/1937.

El Cristiano
El Cristiano

Depois que o acervo é tombado, somente o Presidente da República tem autoridade para reverter o ato de tombamento, e nos últimos anos, é o que está sendo discutido, em 2010, o então Vice-Presidente do Paraguai, Federico Franco, exigiu que o canhão El Cristiano, fosse devolvido ao Paraguai, e três anos depois, enquanto Presidente voltou a falar sobre o assunto: “Não haverá paz, nem entre os soldados, nem entre a sociedade paraguaia, enquanto não for recuperado o canhão El Cristiano”.

O Presidente Lula em resposta a Franco em 2010, chegou a pedir ao Ministério da Cultura que providenciasse à volta do canhão ao Paraguai, o Ministério da Cultura, naquele ano “sugeriu que a devolução está sendo reconsiderada, para que o canhão faça parte de ações de cooperação de interesse para os dois países, como a criação de um museu”.

Com a revolta de historiadores e militares, que não aceitam a devolução de um patrimônio histórico nacional, o canhão não foi devolvido, no entanto, ainda hoje, o governo Paraguaio continua reivindicando a posse do canhão El Cristiano. Os questionamentos que ficam são; Será que outros países, que tem diversos espólios de guerra espalhados pelos seus museus, devolveriam esse material? Será que o Paraguai devolverá as armas e o navio Anhabahy? Será que a devolução do canhão provocará o fortalecimento nas relações entre Brasil e Paraguai?

Essas são as perguntas para aqueles que acreditam que a devolução de um patrimônio histórico nacional deve ser devolvido.

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  Passados 3 meses desde o lançamento do filme (12 de Julho de 2017), creio que todos os nossos leitores provavelmente já assistiram este nostálgico...