Treze de agosto de 1944. O 8º Exército Britânico ocupa Florença, Itália. Mais ao noroeste da França os aliados finalmente conseguiram invadir a Normandia. Enquanto isso, em algum lugar no sul da Toscana, um soldado escreve uma mensagem em código e a esconde dentro de uma cápsula de munição. Em 2015, alguém, encontrou-a e a decifrou. Era o fim de uma história absurdamente hilária.

Muitas pessoas em toda a Europa dedicam seu tempo livre para procurar artefatos da Primeira e da Segunda Guerra em antigos campos de batalha – uma prática que não é bem vinda pelos arqueólogos e associações de veteranos. De fato, esta prática é ilegal em alguns países. Ainda assim, equipados com detectores de metal e outros equipamentos de rastreio, estes caras adentram nas florestas para encontrar qualquer coisa que julguem ter valor, de tags de identificação até capacetes e metralhadoras ou tanques e aviões, até mesmo complexos de estruturas fortificadas da era da Alemanha Nazista. Para alguns é um hobby – e algumas vezes bem lucrativo.

Mensagens secretas escondidas

Desta vez, um time de italianos fãs de detectores de metais encontraram algumas pequenas relíquias em algum lugar no sul da Toscana. Como esta insignia do 372º Regimento de Infantaria da 83ª Divisão de Infantaria, que aparentemente nunca combateu na Itália mas estava sendo carregado por um soldado com as iniciais D.M.

Insígnia

Foi um bom achado, mas nada fora do comum. Poucos dias depois eles voltaram ao mesmo local e encontraram isto:

Projétil

Uma cápsula com o projétil invertido. isso sim é interessante. Então o caçador de relíquias voltou para casa para revelar o que havia encontrado, um pedaço de papel:

Cápsula com mensagem

Mensagem secreta

Era uma mensagem secreta! Aparentemente, era uma prática comum que começou na Primeira Guerra Mundial:

[…] o exército usava cápsula para esconder mensagens codificadas (para equipamentos decriptadores, por exemplo) ou códigos decifráveis para as próprias unidades ou localizações de posições, sejam inimigas ou não, na forma de códigos.

O projétil foi removido da cápsula e a pólvora dispensada. Então eles escondiam a nota dentro da câmara vazia. Já que munição poderia ser encontrada em qualquer lugar do campo de batalha, estes objetos eram de fácil ocultação, ao se misturarem com o restante da munição No caso de captura elas eram de fácil descarte ao arremessá-las para longe.

Mas então o que esta mensagem secreta quer dizer? Um outro post de outro fórum alega ter a resposta:

Meu avô serviu na Itália, e eu herdei todo o seu equipamento. Ele guardou todos os seus livros de códigos, então eu dei uma checada. Aqui vai a tradução da mensagem:

O código QM era usado pelo oficial incumbido de coordenar as forças de um objetivo em particular. Isto é o status de uma carta contendo ordens que era endereçadas ao oficial.

Os 5 códigos querem dizer o seguinte, da esquerda para a direita e de cima para baixo:

ELES – JOGAM – GRANADAS – NÓS – PUXAMOS – OS – PINOS – E – JOGAMOS – DE VOLTA

O código final logo no rodapé diz:

NOTIFICAR REFORÇOS E AGUARDAR – DESNECESSÁRIO

Alemães confusos

Mas algo está errado, o inimigo estava arremessando granadas com os pinos de segurança ainda presos sobre os soldados aliados, e estes mesmos estavam jogando de volta com os pinos de segurança removidos? Como isto faz sentido?

Se o conteúdo da mensagem era realmente verdade, a real razão talvez seja por que algumas granadas italianas (tipo L) possuíam dois pinos de segurança para arma-las, assim como mostra esta imagem:

granada italiana

Mas por que os soldados italianos não removiam o segundo pino? A única explicação lógica é de que os soldados não eram italianos. Eram alemães.

A maioria das forças italianas já não estavam mais em combate à esta altura da guerra. Em 3 de setembro de 1943, o Rei Victor Emanuel III e o Primeiro Ministro Pietro Badoglio assinaram a rendição incondicional em Cassibile. Algumas tropas italianas permaneceram leais a Mussolini e continuaram combatendo os aliados. Os alemães confiscaram todo o aparato de guerra italiano também, incluindo as granadas.

Por volta de 13 de agosto de 1944, com Roma e Florença nas mãos dos aliados, poucos soldados italianos ainda continuavam no campo de batalha. E esta é a única explicação lógica para esta situação absurda descrita na mensagem codificada: Estas granadas provavelmente estavam nas mãos dos soldados alemães que não estavam familiarizados com o equipamento italiano, arremessando-as com o segundo pino de segurança ainda preso e as vendo serem arremessadas de volta sobre eles alguns segundos depois, prontas para fazê-los em pedaços.

Os reforços eram desnecessários, realmente.