Nos últimos anos as produtoras de videogames de guerra têm ajudado a financiar diversos projetos, como a busca pelos Spitfires da Birmâniae a recuperação do Dornier Do 17 na Inglaterra. Sem sombra de dúvida, esses projetos todos têm imenso valor, pois possuem grande peso na educação e na preservação da história.
Sem ficar para trás, a Gaijin, produtora do game War Thunder, trabalhou em colaboração com o Museu de Blindados de Kubinka, na Rússia, para restaurar um Sturmhaubitze 42 (StuH 42) no começo deste ano. Agora, a Wargaming ultrapassou as expectativas, decidindo financiar a reconstrução do PzKpfw VIII Maus – o mais pesado tanque já construído.
Atualmente, o único protótipo existente está em Kubinka e é basicamente uma carcaça blindada. E o projeto não vai somente tirar a poeira e passar umas camadas de tinta no tanque – o objetivo é reconstruir completamente essa máquina lendária.
Isso não é uma piada. Eles realmente querem devolver o Maus à sua antiga glória. Até fizeram um vídeo bem interessante:

Não há qualquer indicação de custo do projeto, mas o provável é que seja muito, mas muito caro. Uma boa ideia do que é necessário para restaurar um tanque é analisar o processo do Museu de Bovington com o Tiger 131. O Tiger foi um projeto relativamente fácil em comparação – era um veículo de série com extensa documentação disponível que mostra perfeitamente como tudo se encaixa. O veículo restaurado era um Tiger quase completo, que tinha tido uma curta carreira de combate e sofreu um pequeno dano, terminando nas mãos dos ingleses e enviado para a Inglaterra.
A única parte que faltava era o motor – mas não um problema para Bovington, que simplesmente conseguiu um em seu próprio estoque. Usando seu próprio centro de conservação e a experiência dos mecânicos de blindados do Exército Britânico, restaurar o Tiger de 56 toneladas não foi mais difícil do que trabalhar em tanques modernos, que são até mais pesados. Mesmo assim o projeto levou 6 anos pra ser completado.
O Maus é uma fera diferente. Com suas 188 toneladas, não se consegue simplesmente tirá-lo do lugar e desmontá-lo. Só a torre pesa quase tanto quanto um Tiger! Depois disso, ainda será necessário manufaturar novamente quase todos os componentes – ao contrário do Tiger, quase não existe documentação sobre o Maus ou sobre as ferramentas necessárias para construir um.
O motor original tem um projeto complexo, envolvendo um monstruoso DB603 V12 propelindo um gerador elétrico. O gerador perdeu-se na história e é improvável que um exemplar funcional do DB603 seja encontrado. Depois disso têm-se que pensar em tudo mais, incluindo o sistema elétrico, direção, rotação da torre – tudo que faz um tanque ser um tanque.
Este projeto ainda vai dar muito que falar. E a menos que outra empresa queira patrocinar a reconstrução de uma Companhia inteira do 502 Schwere Panzerabteilung, completa com clones de Otto Carius, duvido que haja mais surpreendente no mundo dos tanques.
Fonte: The Mittani, 12 de abril de 2014.